Praticamente todos os blogs que foram contemporâneos deste se foram para o paraíso dos blogs. [...] Eu sinto falta deles. Tinham talento e leveza, coisas que foram ficando cada vez mais raras na blogoseira. Essa é a minha geração, uma geração que escrevia porque gostava e porque precisava [...], e que tinha o descompromisso que, na minha opinião, é o que faz um blog. Nós não precisávamos ser lembrados que blog é conversação. Nós sabíamos disso.
GALVÃO, Rafael. In: Sobre Rafael Galvão. 2011.
Posts com a tag ‘reclamando’
O que eram os blogs.
5 de abril de 2011
A vida em um celular
14 de outubro de 2010
Esse post é ilustrado por um cotidiano fora do normal captado pelas lentes wide do meu celular. Vamos ao dia-a-dia:
Neste dia eu estava de bem com a vida e tranquilo. Essa Variant bege, toda original, com os faróizinhos parecidos com o do Zé do Caixão, estava tentando entrar na minha faixa há uns 10 carros lá na frente. Na minha vez, eu deixei. Para a minha surpresa, era um mulher padrão-modelo, magrela mas encorpada, pescoço fino e esguio e queixão milimetricamente aprumado com as proporções heróicas que uma mulher tem que ter para ser bonita. E ainda com rabo-de-cavalo.
A machaiada deve ter se constrangido com a sutileza do carro ao passar xingando a frutuosa mulher.
Tem vezes que a gente acerta em cheio. Ou caga de vez.
O palhaço amarrado pelas mãos e atarracado pelo pescoço por uma cordinha branca. Flagrado nas cercanias de Taguatinga, a terra da beleza beligerática.
Aniversário dos Kamikases, um dos maiores e mais famosos Moto Clubes de Brasília. Como todos bons arruaceiros, suas motos, coletes e capacetes são ornados com a mais fina decoração capetística, como chifres, caveiras, couro cru e espetagens.
Esta foto ficou legal porque é um POV de um triciclo com um monte de ícone em segundo plano para desconstruir.
Este quadro está exposto em um famoso restaurante Good Tucker Down Under tipicamente australiano. A reprodução da pintura (Sidney Nolan, Death of Constable Scanlon, 1946) homenageia aquele irlandês pavio-curto chamado Ned Kelly. Um camarada que reinventou a armadura. E matou um monte de brigadiano.
A questão é que eu achei que o quadro estava de cabeça para baixo. Olhando atentamente para as árvores, o céu e tudo mais, descobri que esse quadro é uma homenagem ao bandidão que pendurava pelas pernas os policiais malvados.
Fazendo uma projeção visual eletrônica, onde foram empregadas as mais difíceis e complexas formas de simulação de restruturação visual, rotacionei a imagem abaixo para vocês imaginarem a posição certa:
É interessante conhecer a cultura antes de repercutir o classissismo.
Aí você diz: “Ah, babaca pra caraio isso.” Mas googleie pra você ver. No final das contas não é a remada contrária que faz o turbilhão, e sim a cauda monga que te abana.
O valor do sucesso.
5 de outubro de 2010
Há 10 anos eu tinha um referencial obtuso do que era o sucesso.
Eu sabia que apenas dinheiro não referenciava nada. Mesmo porque qualquer babaca hoje em dia consegue encher o rabo de verdinhas.
A questão era meio controversa para mim, mas uma enumerada rápida te mostra o que era sucesso quando eu era um sonhador irreal:
- Ter amigos que usem TagHeuer (original) de uma forma natural;
- Conhecer pessoas que cultuem um mínimo de música clássica, rock usual e eruditismos, sem serem pedantes;
- Conversar sobre viagens pela Europa e América do Sul com conhecimento de causa;
- Ter uma lente Prime;
- Ter rendimento, não salário.
Não consegui juntar 82% desse sucesso todo. E olha que, no fundo, esses desejos eram nada mais do que amizades com gente tradicional e abastada.
Conheci muita gente rica, aculturada e burra. Tradicionalismo é foda. Mas é uma virtude.
E a vida é injusta demais para quem apenas a vê passar.
Rapidinhas, rápidas e rasteiras.
20 de setembro de 2010
Olha só como é o mundo dos carros 4×4: meu utilitário — fabricado e montado no Brasil — só consome peças originais japonesas. Não tem xixi-minha-nêga não: o mercado paralelo nem sequer sabe do que estamos falando. Então toda peça nova que preciso, lá vem aquela embalagem toda cheia de ideogramas e códigos de guerra nipônicos.
Isso inviabilizou algumas coisas importantes no meu conceito da montadora. Uma é que a revisão programada dos caras é muito porca e desrespeitosa. Outra é que eles simplesmente não olham direito os 49 pontos de revisão previstos em regulamento. E terceiro, uma peça normal que custa em média R$150 para qualquer carro de qualquer marca, do meu custa R$600, porque é meidindjapan.
Graças ao acúmulo de não verificações dos 49 pontos de verificação das revisões anteriores, o novo mecânico oficial do bruto achou alguns problemas crônicos: bieletas, tuchos, buchas, retentores, e uma série de pequenos apertos que os mentecáptos não apertaram nas outras vezes. A correia-multi, que eu paguei 2 vezes para trocar em duas revisões, continuava a mesma, original de fábrica, olha só! (Não trocamos itens que estejam com estado e aparência satisfatória e segura).
Agora está tudo sanado. E atualizado.
Estou dando um tapa no meu portfólio, estava com 8 meses de atrasos criativos. Oito meses foram coisas demais criadas por conta e risco. Oigalê!
Ontem bebi em um sorvo só, estalando os beiços, um copanzil d’água.
Falei algo parecido. Isso é a literatura atual, que está me afetando mentalmente.
Estou diagramando um livro das fotos de circo que publiquei aqui há 2 anos atrás. DOIS ANOS ATRÁS. Olha como meu cronograma é idiota! Parece o projeto de publicidade, onde cerca de 200 imagens estão em um queue interminável para serem publicadas.
Quem posterga um quinhão, posterga um mião.
Sou muito, mas muito mais babaca do que você imagina. Muito mais.
Cansei desse pseudônimo rValentino. Ajudem-me a trocar por um malacabento mais interessante. Essa novela da globo acabou com o mojo Valentino.
Comentário apolítico: A Dilma me lembra uma professora de português que eu tinha na quinta série. Tudo que ela discursa ou brada, parece um desatino metafórico onde EU fiz alguma coisa que não devia.
Uma mijada, no sentido mais pueril e estrogonófico. Sinto-me como uma mulher de malandro que devo alguma coisa e o medo me faz recuar a cada pitombada.
Só tenho recaídas de gozo quando ela fala errado, mas isso está em voga na Presidência da República há 8 anos, né não fíí?
Já o Serra continua com a mesma cara de nhé.
Perceberam que essa briga pela presidência só tem candidato fracassado e sem carisma? Dilma e Serra tem o poder para os empurrar. A Marina, coitadinha, parece uma tia do rococó que quer peitar um varão maniqueísta de 9 pés de altura e massa muscular avantajada. Não terá sucesso na incursão.
Plinio de Arruda, Ezequiel de Medeiros, Jofran Tavares e Berlúcio Villela nem contam como candidatos, não é?
O Distrito Federal está bem visto nas mídias, olha só: São alunos brigadores de escolas públicas, postos de gasolina que promovem orgias, dinheiro vazando nos canos podres do poder político. A corrida da cerveja essa corja da imprensa marrom não fala, né!
Ezequiel de Medeiros, Jofran Tavares e Berlúcio Villela não existem, inventei esses nomes e, como era de se esperar você nem tchuns para a infame existência de outros candidatos para a PR. Seu pulha!
Conversemos depois. Minha consciência reluta em ser limpa e saudável.
E la nave va.
27 de agosto de 2010
Essa é a quinta vez que uma foto minha é publicada em uma revista. E eu ainda náo tenho uma máquina fotográfica que preste. A ironia é uma bela dama que caminha de mãos dadas com o destino.
Foto publicada na revista Digital Photographer Brasil (ano 1, edição 3, pág 22).
Aliás, Tá aí uma excelente revista de fotografia. A primeira, em português, que realmente vale os centavos investidos. Eu tinha medo de que fosse mais uma daquelas fajutisses parecidas com as Ed. Europa ou independentes sem culhões, mas o editorial desta revista é assimada pelo Mario AV. Só isso.
Crônica Urbana: O cão, o tijolo e a árvore.
23 de agosto de 2010

Esse cachorro da foto é uma figura: um boxer, caramelo, muito fiel.
Ele mora em um terreno quase baldio, perto da minha casa. Na verdade ele é o cão de guarda do terreno. Ele fica o dia inteiro nessa mesma posição: em pé, parado, olhando o nada. O dono (que não mora ali) aparece dia sim, dia não, para alimentá-lo e ver se a água está pingando direito no pequeno pote logo abaixo da torneira.
O cão tem apenas uma árvore, uma pedra e um cercado de tijolos como amigos.
Não tem gramado, apenas esse areião. Não tem casinha, nem abrigo.
E ele fica assim, o dia inteiro. Olhando para o infinito.
Vez ou outra uiva durante a noite. Nada que um assovio não o faça parar de uivar e procurar o autor.
A maior prova de amabilidade desse cachorro é quando chega seu algoz com alimento: ele pula de alegria, lambe-o e corre em volta do figura.
É o píncaro de alegria diária de sua prisão perpétua.
Conversagens.
20 de julho de 2010

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Faz tempo que não apareço aqui para conversar contigo, ó leitor highlander. Estou meio de saco cheio de muita coisa, então quase não sobra tempo útil para nada. Tempo inútil sobra de montão. A questão é que ainda não consegui comprar uma câmera fotográfica que preste. A atual — que já tem 60% da sua capacidade cardio-fotográfica prejudicada — sofre nas minhas mãos. E eu a xingo, o que já não é um bom sinal.
Aliás, relacionamentos são assim: quando começa a rolar briga todo dia, já é hora de finalizar a conta.
Mas não é só de encheção de saco que a vida segue. Sabadão foi dia de trilha. É essa foto aí em cima: um mirante no meio de um vale fantástico. inexplorado, sem civilização em um raio de 100km, sem postos de gasolina, energia, humanos, celulares ou qualquer outra cafifentice que lembrasse o mundo real. Frio na medida certa, sol de rachar para o banho de riacho transparente, pesca submarina de peixes para o jantar, muita conversa boa na praia de areia.
Aliás, o rio mais fundo que já atravessei com meu carro, que achei que boiaria ou seguiria com a correnteza. Valeu a experiência tóra-prego.
Eu estou com os projetos travados na pauta por algum escombro oculto que ainda não descobri onde e o que é. E é isso que me preocupa nos últimos tempos. O trânsito natural das coisas parou de fluir e estou em uma mesmice mormacenta que sufoca.
Se eu fosse rico e civilizado, diria ser depressão. Mas depressão é para os fracos.
Então agüentem as coisas: se eu, que sou o mais interessado por essa jóça funcionar, não estou tão preocupado, você ai, magnata do clique duplo é que não deve se preocupar.
Como diria o velho Cambará, ‘ferida de amor se cura com o tempo’.








