Keeping an eye on the world going by my window
Taking my time, lying there and staring at the ceiling
Waiting for a sleepy feeling
Talvez a humanidade não tenha sido feita pra felicidade.
Como um antigo que sempre dizia que não “portávamos a informação genética” para aceitar a idéia do infinito, talvez tal pricípio se aplique à idéia que temos do bonheur.
Infindável tristeza.
Para alcançar a prática da felicidade uma pequenina mudança passa a pôr em jogo a própria existência do espírito. Para ascender ao estado final das coisas, uma tal saturação de contentamento e de prazer força toda a inquietude abolida.
O que se tem hoje é apenas uma idéia vaga, imprecisa e, principalmente, nociva desse elemento vital.
E a impossibilidade da existência infinita é o fim de toda a imortalidade. É o materialismo, rôto, escarnecido. O ateu que sofre da crise de menosprezo, da amargura da solidão. O sentimento de alma que o corrói e expele o gozo de que algo mais existe e o atormenta. O próprio corpo, preciso, forte, lúcido e preparado, independente que se faz, sente essa presença coexistente.
É o desespero de ter que acreditar que um Deus exista.
E aí toda a felicidade que dantes esquadrinhada a se alcançar, solito e independente, molda-se em pedacinhos de fé indissolúveis. Chama essa força sei-lá-de-onde de qualquer coisa: alma jamais. Deus, criador ou outra coisa, jamais.
E o corpo materialista e cético se odeia por esses lapsos piscantes de alma etérea.
Desespera-se.
E você nem imagina o quanto.



