Eu moro novamente em um endereço de nome poético, pequeno e funcional: algo como Rua da Meia Lua, 22. Como meu amigo Dennis D. falou uma vez, Brasília eu não poderia ser levado a sério morando na Asa Setentrional Cúbica Norte, Vetor C, Vórtice 312 – Quadrante 18a.
A vida em Londres é complicada. O transporte público funciona de uma maneira tal que, toda aquela saudade de ter um carro foi água abaixo em apenas uma semana de vida cotidiana aqui. Na verdade foi e voltou, a partir do momento em que você descobre que uma Land Disco 4 aqui custa 22 contos.
As mulheres são feias, disseram para mim antes de vir. Ah, vá para a merda! Há inglesas lindas saracoteando por aqui. E desesperadas por homens. Nem precisam ser os gentleman of westenminster. Sendo hétero já vira jogo.
Ao lado aqui de casa tem o quê? Um pub. A cultura de frequentar bares era uma coisa que eu não praticava mais. Tudo era muito caro, os garções sempre queriam me roubar em um ou dois canecos, o petisco era caro pra cacete e whisky era uma facada no ego. Já tentou tomar uma weiss, dessas da bohemia mesmo, em um bar? R$15 se você tiver sorte. Então a gente foi no pub. Desde a hora do almoço até a hora em que a gataiada fica parda tem gente por lá. Não é gente estranha nem os bêbedos pedantes de sempre. É diferente.
Bebemos uma pint de weiss, comemos um fish’n'chips de hadoque e gastamos £9 por tudo. E, como quem converte não se diverte, seria algo como você gastar R$9 em um chopp de trigo de 500ml e um prato de peixe frito com fritas. Incluindo a gorjeta.
Andar por ruas e becos de 1800 e lá vai bolinha é uma sensação indescritível por essas redondezas onde estou. A sensação de estar em um lugar diferente é quase nula e isso me assusta, mesmo porque não sei se a ficha não caiu ainda e vai bater o desespero ou se, na verdade, eu não estou nem aí para mudanças. Acredito na segunda.
Saudade? Dos amigos e família. Mais nada. E isso é foda, porque parece que eu sou um nariz empinado ou sei lá o que, mas essa é a verdade. Essa mudança lembrou quando eu migrei de Curitiba para Brasília e a sensação foi a mesma. Vai ver que sou o cara do coração de dianteiro com osso.
Era para eu já ter saudades da picanha, mandioca, paçoca, rapadura e guaraná. Mas com a diversidade impressionante de tudo que tem aqui no mercadinho da esquina, acho que vai levar bem uns 5 ou 10 anos para eu experimentar todos os tipos de comidas que tem naquelas prateleiras. Frutas, inclusive.
Os parques são gigantes e pertos. Os ciclistas, muitos. As pessoas realmente pedem desculpa por qualquer coisa (mesmo que a culpa não seja delas), a TV a cabo é engraçada, a telefonia móvel é ridiculamente barata e com dados infinitos.
No mais a vida aqui parece muito mais tranquila do que pintaram. Vamos ver se continua essa maravilha, porque até agora eu estou impressionado e isso não é o meu normal.





