MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Posts com a tag ‘crítica’

Solicitação

19 de maio de 2010

Ei, camarada: o que você faz aqui? Por que ainda insiste em ter este blog no seu feed? Por que visita esta estrutura decadente e sem vida há tempos? O Eldorado não existe, sinto-lhe informar. A banalização da informalidade e a mediocrização da informação — volátil e mal digerida — matou quem escreve mais de três parágrafos.

A notícia amadurece em questão de segundos e a putrefação já está no encalço antes mesmo de recitar três fonemas. O Twitter nos separou do lirismo abstrato de gerar e gerir um blog. Twitter é para texto. Pequenos textos, não se esqueça. Blogs, para imagens e elefantices arrastentas.

Duvido que você tenha ainda a pachorra e a paciência de chegar os olhos até aqui. Este post não tem figurinhas, tem mais de 200 toques e eu sei que você é um preguiçoso que ainda teima em tentar manter uma leitura sadia.

Eu me fodi. Odiei o Twitter e vomito ali apenas pensamentos idiotáticos. Aqui ainda é meu refúgio e subterfúgio. É a alcova escura e triste, isolada dos outros sadios e sãos, onde ainda posso inventar neologismos e palavras execráveis como “idiotático”, “mediocrização” e “elefantices arrastentas”. Todo esse sacrilégio em um único texto.

Estou velho.

Aliás, estou velho e a irresponsabilidade contextual está tão agressiva que as milhares de pequenas e intensas coisas boas, que eu tanto prezava e gostava de ostentar aqui, passam batidas da crucificação literária virtual.  Não sei o que é que está acontecendo. E não tenho como recorrer a algo que não seja fresco para tirar da inércia essa pachorrice toda.

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Eu tinha um HD externo removível e portátil. meio terabyte de informações, quase sempre lotado. Fazia becape uma vez ou outra no mês. ele parou de funcionar e, pela primeira vez em dez anos de fotografia digital, perdi 60 fotografias não becapeadas. Perdi também umas 6h de trabalhos diversos, umas músicas não muito legais, coisas fúteis. Fiquei triste pelas fotos, mas percebi que nem isso me chateou.

Nada me chateia.

Não me estresso mais, não sinto raiva excessiva nem desconforto social. Talvez tenha me tornado um sociopata amistoso, uma dicotomia que não consegue se desvencilhar da contra-parte e que sobrevive como um bruma embaçada, que amiúde integra-se no bucolismo da paisagem inerte.

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Tenho mais amigos. Sinto saudade de todas as amizades que já fiz e que me distanciei. Não existem reposições. Cada um risca com a ponta da faca a minha tez, com pressão moderada, suficiente apenas para deixar uma cicatrícula quase imperceptível, mas que me faz relembrar todos os dias, em um espelho fagófago, que me balda e tolhe minha solidão.

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O mundo é político demais. Eu sou um velho bonvivant e que estou, definitivamente, em uma era errada. Falhei em seguir a risca os mandamentos da concupiscência social e material. Então vou me arrastando.

Este blog é meu alter-ego: arrasta-se como o dono, sufragado em desatinos.

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premissa

Rodovia DF-205

22 de fevereiro de 2010

DF-205

Lá pelas tantas, no meio do carnaval: Brasília e suas rodovias magníficas.

Pena Branca & Xavantinho

9 de fevereiro de 2010

Uma das primeiras coisas que eu aprendi — sem ser obrigado — foi escutar música honesta. Eu escutava música clássica direto dos LP´s do meu pai, motown e disco do meu tio cabeludo, rock e metal do meu irmão e outros tios que tinham coletâneas completas, desde Pink Floyd a Led Zeppelin e Rush e um pouco de gauchesca, que era o folk que todo mundo devia praticar.
Eu gostava basicamente de clássico, rock normal e um pouco de Blues.
Em 1999 fiz dupla de criação com um redator fodão em uma agência de publicidade interativa. Ele tinha algumas manias engraçadas, como copiar VHS de filmes clássicos de uma locadora cult qualquer. Era cópia fiel, inclusive com a caixa, rótulos e xepas das fitas escaneados e impressos à laser colorida.
Ele queria trocar o Curso de Publicidade e Propaganda por Letras. Eu achava, naquela época, que publicidade e propaganda seria um curso que daria mil vezes mais visibilidade para ele, um redator próspero, do que aquele curso merréca de Letras.
Mas voltemos: A questão era a música.
Ele apareceu, um belo dia, com um CD “Renato Teixeira e Pena Branca & Xavantinho: Ao vivo em Tatuí” da Quarup discos. Cara, eu dei muita risada dele. “Pronto, surtou de vez!”
Relutei e coloquei o disco na bandeja do computador, com os fones de ouvido e cara de desconfiado. Na época eu tinha um fone Sehnheiser de amplitude fenomenal.
Quando terminei de escutar, percebi que meu preconceito musical era muito forte. Eu me senti traído, pois tinha gostado da xexelentice sertaneja roots. Eu comprei aquele disco, alguns dias depois. Conheci muita música boa com aquele mentecapto avassalador de preconceitos.
Aprendi a escutar jazz. E do jeito certo, cronologicamente e por complexidade.
E meu horizonte musical foi se expandindo de uma forma monstruosa, com setlists de música eletrônica vindos diretamente da europa, achados raros de gravações de sinfônicas, downloads experimentais de discografias completas e não oficiais, gêneros e formas atonais.
E no final das contas, hoje eu trocaria minha graduação, de publicidade e propaganda, pela de Letras. E tudo por uma bela gramática.
A vida é foda, né?

Uma das primeiras coisas que eu aprendi — sem ser obrigado — foi escutar música honesta. Eu escutava música clássica direto dos LP´s do meu pai, motown e disco do meu tio cabeludo, rock e metal do meu irmão e outros tios que tinham coletâneas completas, desde Pink Floyd a Led Zeppelin e Rush e um pouco de gauchesca, que era o folk que todo mundo devia ter para gostar de seu lugar roots.

Eu praticava basicamente o clássico e o rock.

Em 1999 fiz dupla de criação com um redator fodão em uma agência de publicidade interativa. Ele tinha algumas manias engraçadas, como copiar VHS de filmes clássicos de uma locadora cult qualquer. Era cópia fiel, inclusive com a caixa, rótulos e xêpas das fitas escaneadas e impressas à laser colorida.

Ele queria trocar o Curso de Publicidade e Propaganda por Letras. Eu achava, naquela época, que publicidade e propaganda seria um curso que daria mil vezes mais visibilidade para ele, um redator próspero, do que um curso merréca de Letras.

Mas voltemos: A questão era a música.

Ele apareceu, um belo dia, com um CD “Renato Teixeira e Pena Branca & Xavantinho: Ao vivo em Tatuí” da Quarup discos. Cara, eu dei muita risada dele. “Pronto, surtou de vez!”

Relutei e coloquei o disco na bandeja do computador, com os fones de ouvido e cara de desconfiado. Na época eu tinha um fone Sehnheiser de amplitude fenomenal, totalmente isolado.

Quando terminei de escutar, percebi que meu preconceito musical era muito forte. Eu me senti traído, pois tinha gostado da xexelentice sertaneja. Eu comprei aquele disco, alguns dias depois. Conheci muita música boa com aquele mentecapto avassalador de preconceitos.

Aprendi a escutar jazz. E do jeito certo, cronologicamente e por complexidade.

E meu horizonte musical foi se expandindo de uma forma monstruosa, com setlists de música eletrônica vindos diretamente da europa, achados raros de gravações de sinfônicas, downloads experimentais de discografias completas e não oficiais, gêneros e formas atonais.

E no final das contas, hoje eu trocaria minha graduação, de publicidade e propaganda, pela de Letras. E tudo por uma bela gramática.

A vida é foda, né?

Ernesto Hemingway, (1899–1961).

26 de janeiro de 2010

Ernesto Hemingway

A história do Rock´n´Roll

12 de janeiro de 2010

Não sou muito de criticar, elogiar ou indicar filmes e shows aqui no blog, pois tenho um gosto assumido de besouro. Eu sou tão ignorante e eclético que consigo entender e gostar de coisas que não combinam entre si, tipo presunto com geléia. Ou música clássica com Pena Branca & Xavantinho.

Mas uma recomendação pessoal de show que assisti on-demand dias atrás valeu muito para resgatar uma porção da minha infância e juventude: O 25th Rock and Roll Hall of Fame Concert gravado em duas noites no Madison Square Garden, Nova Iorque em outubro do ano passado.

É uma dessas produções pedantes da HBO com o Tom Hanks apresentando (que seria melhor ter colocado um roqueiro falastrão no lugar), mas a evolução musical do show é bem harmoniosa.

Jerry Lee Lewis abre o show com as grandes bolas de fogo, seguidos por Crosby, Stills,  Bonnie Raitt, Jackson Brown, James Taylor, Stevie Wonder, Smokey Robinson, BB King, John Legend, Sting, Jeff Beck, Paul Simon, Dion DiMucci, Graham Nash, David Crosby, Little Anthony, Simon and Garfunkel, Aretha Franklin, Annie Lennox, Metallica, Lou Reed, Ozzy Osbourne, Ray Davies, U2, Bruce Springsteen, Patti Smith, Will.i.am, Fergie, Mick Jagger, Jeff Beck, Buddy Guy, Billy Gibbons, Sting, Bruce Springsteen, E Street Band, Sam Moore, Tom Morello, Darlene Love, John Fogerty e Billy Joel.

Como ainda não apareceu no Brasil, assista uma versão alternativa via torrent (7.96GB –  HDTV 720p – mkv).

Gente X Mato: Pedro Martinelli

1 de dezembro de 2009

Pedro Martinelli  — um dos fotógrafos que escrevem a história do Brasil em imagens — anunciou em seu blog que está fazendo a venda direta dos seus dois livros, Gente X Mato e Mulheres da Amazônia. O preço é muito atrativo (50 lascas cada) e o frete já está incluído. Você não encontra uma oportunidade com essas características e preços em livrarias.

Resolvi comprar o Gente X Mato. Quando chegou o envelope, fiquei espantado com o tamanho do livro. Aliás, fiquei espantado com o tamanho, o papel, a encadernação, a diagramação e a impressão. O livro tem o formato de um jornal, grandão, impresso em papel Pólen 80gr, com um design muito fera.

É a sua chance de comprar um presente diferente de verdade, coringa, que agradará seu amigo que é designer, publicitário, fotógrafo, ativista, fazendeiro, desmatador, jornalista, ambientalista, tratorista, chef de cozinha ou até político. Todo mundo se identifica com alguma coisa ali.

E se você for cara-de-pau como eu, peça autografado. O Pedro manda.

Livro Gente X Mato (Pedro Martinelli)

Eu tenho um alter-ego

18 de novembro de 2009

Meu alter ego é esbelto e elegante. Não tem residência fixa, é verdade. Faz exercícios físicos todo dia, anda, dorme até tarde e come tudo o que dá vontade. Meu alter ego não tem dinheiro, sobrevive de bicos como ghostwriter e viaja o mundo de carona.

O mundo!

Meu alter ego fala seis idiomas com uma fluência avassaladora: aprendeu um dialeto na Polinésia em apenas 8 meses.

Não tem muitas posses: uma mochila muito resistente mas velha, uma calça jeans desbotada, algumas camisetas brancas, um tênis verde musgo muito confortável e anti-derrapante e um canivete suíço original, com 27 funções, que ganhara de um finlandês em Antíqua. Tem um computador portátil que não funciona a bateria, tela monocromática e muito velho. É assim que meu alter-ego faz frila.

Tem um costume risca-de-giz que vale mil oitocentos e e oitenta e nove e noventa. Caro, muito caro. Carrega junto. E você não conseguiria imaginar as festas que meu alter ego conseguiu entrar com esse traje.

Meu alter ego não gosta de mim e fica tentando me dominar, mas eu sou mais forte que ele.

Mentira.

Eu sou fraco, muito fraco.

Meu alter ego terminou o curso superior mas procrastina a bendita colação de grau. Ele às vezes se aventura em algum palco, tem muito talento. Meu alter ego sabe desenhar e canta como ninguém. Meu alter ego — se quisesse — poderia ser bem sucedido como empresário, advogado, publicitário, médico, dono, patrão, spalla, mascate, pirata ou astronauta.

Meu alter ego daria um ótimo professor, se quisesse.

Meu alter ego poderia ficar famoso, poderia ganhar o Nobel de literatura, se quisesse.

Meu alter ego poderia viver de arte, se quisesse.

Meu alter ego ganharia leôes em Cannes e kikitos em Gramado, se quisesse.

Mas ele é louco, apaixonado, independente, desvairado, intenso, insaciável, amicíssimo, afável, bondoso, enérgico às vezes e não se preocupa com costumes cotidianos.

E prefere viver de vida.

Incrível, não?

Pablo Picasso

27 de outubro de 2009

Pablo Picasso: "Os computadores são inúteis; só fornecem respostas."