MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Posts com a tag ‘crítica’

Crônica Urbana: O cão, o tijolo e a árvore.

23 de agosto de 2010

O Cão e a árvore.

Esse cachorro da foto é uma figura: um boxer, caramelo, muito fiel.

Ele mora em um terreno quase baldio, perto da minha casa. Na verdade ele é o cão de guarda do terreno. Ele fica o dia inteiro nessa mesma posição: em pé, parado, olhando o nada. O dono (que não mora ali) aparece dia sim, dia não, para alimentá-lo e ver se a água está pingando direito no pequeno pote logo abaixo da torneira.

O cão tem apenas uma árvore, uma pedra e um cercado de tijolos como amigos.

Não tem gramado, apenas esse areião. Não tem casinha, nem abrigo.

E ele fica assim, o dia inteiro. Olhando para o infinito.

Vez ou outra uiva durante a noite. Nada que um assovio não o faça parar de uivar e procurar o autor.

A maior prova de amabilidade desse cachorro é quando chega seu algoz com alimento: ele pula de alegria, lambe-o e corre em volta do figura.

É o píncaro de alegria diária de sua prisão perpétua.

Conversagens.

20 de julho de 2010

Mirante do Mato Seco, em algum lugar do norte do Goiás

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Faz tempo que não apareço aqui para conversar contigo, ó leitor highlander. Estou meio de saco cheio de muita coisa, então quase não sobra tempo útil para nada. Tempo inútil sobra de montão. A questão é que ainda não consegui comprar uma câmera fotográfica que preste. A atual — que já tem 60% da sua capacidade cardio-fotográfica prejudicada — sofre nas minhas mãos. E eu a xingo, o que já não é um bom sinal.

Aliás, relacionamentos são assim: quando começa a rolar briga todo dia, já é hora de finalizar a conta.

Mas não é só de encheção de saco que a vida segue. Sabadão foi dia de trilha. É essa foto aí em cima: um mirante no meio de um vale fantástico. inexplorado, sem civilização em um raio de 100km, sem postos de gasolina, energia, humanos, celulares ou qualquer outra cafifentice que lembrasse o mundo real. Frio na medida certa, sol de rachar para o banho de riacho transparente, pesca submarina de peixes para o jantar, muita conversa boa na praia de areia.

Aliás, o rio mais fundo que já atravessei com meu carro, que achei que boiaria ou seguiria com a correnteza. Valeu a experiência tóra-prego.

Eu estou com os projetos travados na pauta por algum escombro oculto que ainda não descobri onde e o que é. E é isso que me preocupa nos últimos tempos. O trânsito natural das coisas parou de fluir e estou em uma mesmice mormacenta que sufoca.

Se eu fosse rico e civilizado, diria ser depressão. Mas depressão é para os fracos.

Então agüentem as coisas: se eu, que sou o mais interessado por essa jóça funcionar, não estou tão preocupado, você ai, magnata do clique duplo é que não deve se preocupar.

Como diria o velho Cambará, ‘ferida de amor se cura com o tempo’.

Vantagens probloguerianas.

15 de julho de 2010

robot gajo

A Copa do Mundo de 2010 segundo R.Valentino.

15 de junho de 2010

Antigamente eu era um visigodo contrarista e torcia para outras nações. O soldo disso é uma coleção de camisetas alemãs, italianas, inglesas e holandesas. Do Brasil mesmo, tive apenas uma, que ganhei quando tinha uns 6 anos de idade. E lembro muito bem o que aconteceu com ela.

Era ’86, copa do México — aquela do mascote pimentito, que era para ser na Colômbia, mas foi espantada para o Brasil porque as milícias colombianas melaram tudo e, por incrível que pareça, nosso Sarneyzão subditatorial renegou sediar aqui os jogos por motivos desprezíveis, e que fez com que a FIFA desovasse o mundial para o México.

Pois bem, essa copa foi marcada pela “Mano de Dios”, Maradona, em um confronto épico e histórico entre uma Argentina malvinada e um Reino Unido falklandeado.

Mas o que me deixou puto da vida foi justamente o jogo Brasil e França, pelas quartas. Era um churrascão na casa de um colega do meu pai. Tinha muita gente lá, tv grande, muita cerveja e muita festa. O jogo foi minguado e correu para os penais. Lembro muito bem que Sócrates bateu e o goleiro defendeu. Cara, aquilo ali foi um desespero em minha volta. Tinha gente já gorando o Brasil naquele momento, gente levantando, cenhos fechados, enfim, um clima putiado.

Um francês errou e com isso voltou o clima de já ganhou. Na sequência uma trave brasileira e a vaca foi para o brejo.

Brasil rodou, a festa acabou, o clima pesou, o povo levantava meio sem jeito, uns tios mais exaltados começaram a tirar as camisetas de algodão com as três estrelinhas e arremeçavam na churrasqueira. A molecada fez o mesmo, todos revoltados; eu? eu adorava a minha, ela era de alguma copa passada, de algodão penteado, com a Jules Rimet ainda no Brasão (ou era a logomarca do café, não lembro). O problema é que saquearam-na do meu corpo e tacaram na fogueira amarela.

Mermão, pense em um moleque que chorou. Eu não entendia o porquê dessa revolta toda, desse descarte idiota das belíssimas camisetas amarelas, dessa raiva incontida. Era uma das melhores seleções que o Brasil já teve, Zico, Sócrates, Silas.

Voltei para casa descamisado e puto. Lembro que eu perguntei, ainda com os olhos mareados e no banco de trás do carro, para meus pais, porque tudo isso. Eu não lembro da resposta, mas nada, naquele momento, poderia me consolar.

Desde então eu via a copa com a futilidade existencial que ela sempre foi. Italia’90 não lembro. Aliás, lembro sim: eu tinha montado um arsenal de bombinhas amarradas com fita adesiva e todas as pólvoras ignitoras juntas. Era um jogo qualquer do brasil, todos na sala principal de casa e eu no quartinho da bagunça conferindo o jogo na Telefunken velha, com a bomba na direita e o isqueiro na esquerda.

Eu fui treinar como seria a ignição e uma centelha da pedra pulou na pórva toda e aquela bomba desgraçada começou a pegar fogo. Levei um susto, ela caiu no tapete verde que tinha na sala, começou a pipocar os petardos e eu já devia estar em cima do pé de ameixa lá do quintal. O soldo foi uns buracos no tapete, a casa empestiada de fumaça de pólvora e eu de castigo.

As outras copas eu já não estava nem aí para o mundialito, queria mesmo era sair com amigos, olhar as cocotinhas e bebericar muito etanol.

Muito tempo depois retorno com esse negócio da copa. Amigos vão se reunir daqui a pouco, as TV´s de mais de 50 poelgadas mostrarão tudo em highdef e eu — quiçá oxalá — comprarei uma camiseta amarela novamente, para fazer parte de uma torcida que eu nunca mais me senti integrante.

Solicitação

19 de maio de 2010

Ei, camarada: o que você faz aqui? Por que ainda insiste em ter este blog no seu feed? Por que visita esta estrutura decadente e sem vida há tempos? O Eldorado não existe, sinto-lhe informar. A banalização da informalidade e a mediocrização da informação — volátil e mal digerida — matou quem escreve mais de três parágrafos.

A notícia amadurece em questão de segundos e a putrefação já está no encalço antes mesmo de recitar três fonemas. O Twitter nos separou do lirismo abstrato de gerar e gerir um blog. Twitter é para texto. Pequenos textos, não se esqueça. Blogs, para imagens e elefantices arrastentas.

Duvido que você tenha ainda a pachorra e a paciência de chegar os olhos até aqui. Este post não tem figurinhas, tem mais de 200 toques e eu sei que você é um preguiçoso que ainda teima em tentar manter uma leitura sadia.

Eu me fodi. Odiei o Twitter e vomito ali apenas pensamentos idiotáticos. Aqui ainda é meu refúgio e subterfúgio. É a alcova escura e triste, isolada dos outros sadios e sãos, onde ainda posso inventar neologismos e palavras execráveis como “idiotático”, “mediocrização” e “elefantices arrastentas”. Todo esse sacrilégio em um único texto.

Estou velho.

Aliás, estou velho e a irresponsabilidade contextual está tão agressiva que as milhares de pequenas e intensas coisas boas, que eu tanto prezava e gostava de ostentar aqui, passam batidas da crucificação literária virtual.  Não sei o que é que está acontecendo. E não tenho como recorrer a algo que não seja fresco para tirar da inércia essa pachorrice toda.

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Eu tinha um HD externo removível e portátil. meio terabyte de informações, quase sempre lotado. Fazia becape uma vez ou outra no mês. ele parou de funcionar e, pela primeira vez em dez anos de fotografia digital, perdi 60 fotografias não becapeadas. Perdi também umas 6h de trabalhos diversos, umas músicas não muito legais, coisas fúteis. Fiquei triste pelas fotos, mas percebi que nem isso me chateou.

Nada me chateia.

Não me estresso mais, não sinto raiva excessiva nem desconforto social. Talvez tenha me tornado um sociopata amistoso, uma dicotomia que não consegue se desvencilhar da contra-parte e que sobrevive como um bruma embaçada, que amiúde integra-se no bucolismo da paisagem inerte.

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Tenho mais amigos. Sinto saudade de todas as amizades que já fiz e que me distanciei. Não existem reposições. Cada um risca com a ponta da faca a minha tez, com pressão moderada, suficiente apenas para deixar uma cicatrícula quase imperceptível, mas que me faz relembrar todos os dias, em um espelho fagófago, que me balda e tolhe minha solidão.

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O mundo é político demais. Eu sou um velho bonvivant e que estou, definitivamente, em uma era errada. Falhei em seguir a risca os mandamentos da concupiscência social e material. Então vou me arrastando.

Este blog é meu alter-ego: arrasta-se como o dono, sufragado em desatinos.

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premissa

Rodovia DF-205

22 de fevereiro de 2010

DF-205

Lá pelas tantas, no meio do carnaval: Brasília e suas rodovias magníficas.

Pena Branca & Xavantinho

9 de fevereiro de 2010

Uma das primeiras coisas que eu aprendi — sem ser obrigado — foi escutar música honesta. Eu escutava música clássica direto dos LP´s do meu pai, motown e disco do meu tio cabeludo, rock e metal do meu irmão e outros tios que tinham coletâneas completas, desde Pink Floyd a Led Zeppelin e Rush e um pouco de gauchesca, que era o folk que todo mundo devia praticar.
Eu gostava basicamente de clássico, rock normal e um pouco de Blues.
Em 1999 fiz dupla de criação com um redator fodão em uma agência de publicidade interativa. Ele tinha algumas manias engraçadas, como copiar VHS de filmes clássicos de uma locadora cult qualquer. Era cópia fiel, inclusive com a caixa, rótulos e xepas das fitas escaneados e impressos à laser colorida.
Ele queria trocar o Curso de Publicidade e Propaganda por Letras. Eu achava, naquela época, que publicidade e propaganda seria um curso que daria mil vezes mais visibilidade para ele, um redator próspero, do que aquele curso merréca de Letras.
Mas voltemos: A questão era a música.
Ele apareceu, um belo dia, com um CD “Renato Teixeira e Pena Branca & Xavantinho: Ao vivo em Tatuí” da Quarup discos. Cara, eu dei muita risada dele. “Pronto, surtou de vez!”
Relutei e coloquei o disco na bandeja do computador, com os fones de ouvido e cara de desconfiado. Na época eu tinha um fone Sehnheiser de amplitude fenomenal.
Quando terminei de escutar, percebi que meu preconceito musical era muito forte. Eu me senti traído, pois tinha gostado da xexelentice sertaneja roots. Eu comprei aquele disco, alguns dias depois. Conheci muita música boa com aquele mentecapto avassalador de preconceitos.
Aprendi a escutar jazz. E do jeito certo, cronologicamente e por complexidade.
E meu horizonte musical foi se expandindo de uma forma monstruosa, com setlists de música eletrônica vindos diretamente da europa, achados raros de gravações de sinfônicas, downloads experimentais de discografias completas e não oficiais, gêneros e formas atonais.
E no final das contas, hoje eu trocaria minha graduação, de publicidade e propaganda, pela de Letras. E tudo por uma bela gramática.
A vida é foda, né?

Uma das primeiras coisas que eu aprendi — sem ser obrigado — foi escutar música honesta. Eu escutava música clássica direto dos LP´s do meu pai, motown e disco do meu tio cabeludo, rock e metal do meu irmão e outros tios que tinham coletâneas completas, desde Pink Floyd a Led Zeppelin e Rush e um pouco de gauchesca, que era o folk que todo mundo devia ter para gostar de seu lugar roots.

Eu praticava basicamente o clássico e o rock.

Em 1999 fiz dupla de criação com um redator fodão em uma agência de publicidade interativa. Ele tinha algumas manias engraçadas, como copiar VHS de filmes clássicos de uma locadora cult qualquer. Era cópia fiel, inclusive com a caixa, rótulos e xêpas das fitas escaneadas e impressas à laser colorida.

Ele queria trocar o Curso de Publicidade e Propaganda por Letras. Eu achava, naquela época, que publicidade e propaganda seria um curso que daria mil vezes mais visibilidade para ele, um redator próspero, do que um curso merréca de Letras.

Mas voltemos: A questão era a música.

Ele apareceu, um belo dia, com um CD “Renato Teixeira e Pena Branca & Xavantinho: Ao vivo em Tatuí” da Quarup discos. Cara, eu dei muita risada dele. “Pronto, surtou de vez!”

Relutei e coloquei o disco na bandeja do computador, com os fones de ouvido e cara de desconfiado. Na época eu tinha um fone Sehnheiser de amplitude fenomenal, totalmente isolado.

Quando terminei de escutar, percebi que meu preconceito musical era muito forte. Eu me senti traído, pois tinha gostado da xexelentice sertaneja. Eu comprei aquele disco, alguns dias depois. Conheci muita música boa com aquele mentecapto avassalador de preconceitos.

Aprendi a escutar jazz. E do jeito certo, cronologicamente e por complexidade.

E meu horizonte musical foi se expandindo de uma forma monstruosa, com setlists de música eletrônica vindos diretamente da europa, achados raros de gravações de sinfônicas, downloads experimentais de discografias completas e não oficiais, gêneros e formas atonais.

E no final das contas, hoje eu trocaria minha graduação, de publicidade e propaganda, pela de Letras. E tudo por uma bela gramática.

A vida é foda, né?

Ernesto Hemingway, (1899–1961).

26 de janeiro de 2010

Ernesto Hemingway