MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

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Dos capitães do Hápax.

4 de março de 2010

Toda vez que o capitão do navio grego Hápax de bandeira de cabotagem Loyd Britâin descia às docas, senhoritas de vida mundana amontoavam-se no costil de atraque para afofalhá-lo de denguisses.

Todos os marulhos, práticos e baixas-patentes o invejavam. “Esse homem é o puro mel do incrustado, não tem razão de ser essa quereção toda!” E assim seguia o capitão com três escolhidas e uma garrafa de champanha escambada por rapé argelino no Port d’Lion.

Os urros, gemidos e grotejos dos quatros puerís fornicadores libertinos arrepiavam o veludo bolorento do quarto do hotel fuleiro em cima da casa de tolerância mais blasé da região.

O capitão só se entregava na alvorada seguinte, quando o primeiro raio fustigado amarelecido de sol o rasgava as vistas. Ainda assim, prometia revancha na próxima ribalta. As mulheres o acompanhavam na volta ao navio, mesmo já tendo quitado a esbórnia, como que enfeitiçadas pelo jeito trôpego convalescente do capitão de fardamento outrora aprumado à goma. Despediam-se com um beijo breveta nas bochechas barbudas e assim ele seguia sorridente e cambalecido rumo à tripulação.

Assim fez nome em todos os burlescos de todos os portos onde o Loyd que servia alcançava. Contam por aí que ele deflorou três gerações de mulheres-fáceis em uma mesma alcova escura, durante seus quarenta e tantos anos de bobagisses mundanas. Sua lenda era tão grande que começou a ser contada de bar em bar, por homens anônimos que o tinham como uma perfeita reputação do galanteador pueril.

Seu segredo? Bom, como todo mágico, revelou apenas para seu imediato — Rembrandt Rufino  — em herança fechada, ao sucumbir por um petardo de chumbo pederneirado de pistolete, no único bar portuário e arredio da ilha de Tristão da Cunha. O imediato, incrédulo, entendeu tudo:

Rembrandt,

Descrevo sucintamente o destrave que fez do Hápax o navio de cabotagem mais esperado em todos os portos mercantes que visitamos.

Seu capitão deverá ser regido por uma lenda de costumes tradicionais e secretas deste navio, que me foi passada como oitava geração e que pretendemos perseverar por tanto quanto for possível.

[...]

A virilidade e charme de todos os capitães do Hápax é nativo e isso não tem como passar. Mas a queredeira do mulherio é notado por todos e aqui entra a dica do escorte viril, que nada mais é do que duas ou três besuntadas de um insumo exótico pastrificado e manipulado na incólume gabina de químios deste navio.

De cada cais aportado, assegure-se de colher as seguintes especiarias:

[...]

Após pastificar todos os insumos, pingue, com extremo cuidado 35 gotas da peçonha da víbora do aquário exótico da sala de refugos. Atente para que o veneno seja gotejado diretamente das presas inoculadoras em cima do pastiche. O segredo de toda o comichão feminino está nesta toxina vípera, que gera caloração, formigamento e enrigecimento atemporal, seguido de espasmos rápidos e intermitentes e uma leve sensação de embriaguez e alucinações pitorescas.

Ao terminar de ler esta missiva testamental, depois do desmasque, o qual fará segredo a outrens, queime-a.

E a carta foi incendiada ali mesmo, no candelabro de 8 velas da mesa central do convés. E o imediato Rembrandt — agora promovido à Capitão de longo Curso — Sorriu de canto de boca. Seu fomento ricamente herdado geraria ainda muita esbórnia para os anais da história do Hápax.

Sobre o aquecimento global.

10 de fevereiro de 2010

O Celsiusman era um personagem de HQ criado para combater o terrível vilão monofásico Zyonic, conhecido como Aquecedor Global.

A idéia foi por água abaixo quando os censores denotaram como “objecto fálico” o  grande termômetro que o herói empunhava em sua pélvis. E também porque o herói morria já no primeiro Gibi. Mas isso é outra história.

Abaixo, a ilustração original da capa, feita a lápis de cor Labra e o trecho final do embate:

Celsius Man: "Pega no meu termômetro e balança!"

…Celsiusman toma impulso do parapeito da ponte e atinge seu antagonista com um chute no peito.

“Tremei câes vis”.

Os últimos remanescentes da quadrilha de Zyonic sacam suas pistolas de plasma, mas a um gesto de Celsiusman a porção líquida do sangue dos bandidos se solidifica e os faz emitir gritos de dor.

Peculiar o poder de nosso herói, consegue alterar a temperatura da água contida em qualquer objeto. Envaidecido, como sempre fica a cada demonstração de seu poder, não percebe alguns fascínoras restantes às suas costas, apenas encontra tempo de levantar um escudo de gelo para bloquear parte das rajadas. Escorrega para trás, bate no parapeito e principia a cair da ponte.

A queda é enorme, mais de cem metros; sempre leu que a esta altura e fluida água do rio embaixo se converte em uma dura placa de concreto. A natureza reproduzindo seu poder facilmente, e inconscientemente, basta darem-lhe tempo e/ou distância.

Humilhado, sentindo-se pequeno, menos que o mais sumário mortal, Celsiusman entrega-se à morte. Um segundo depois resiste e decide vaporizar a água embaixo para que passe incólume. Sucumbe o desgraçado. Seu corpo ferve quando atinge a camada de vapor.

(Pequeno trecho da edição de tiragem única e piloto, censurada: Celsiusman: hermético e calculista – Ed. Copenhaga, 1999 pg. 32 / Ilustrado por R.V.)

Ernesto Hemingway, (1899–1961).

26 de janeiro de 2010

Ernesto Hemingway

Ernesto Hemingway (1899 – 1961), célebre escritor estadounidense suicidado por R.Valentino. O incidente foi motivado por recusa do artista em receber o nosso co-editor em seu país (Leia o imbróglio completo aqui). A resposta do rapagão ao acinte tomou forma de carta com críticas veementes, fato que culminou com Ernesto atravessando uma bala de rifle para elefantes pelo bestunto.

A volta do ICQ

22 de janeiro de 2010

Desde a época em que o MSN passou a perna no ICQ e aos poucos todos os usuários migraram para a plataforma Microsoft, meu ICQ morreu.

Praticamente todos os meus contatos trocaram de comunicador: de uma hora para outra o ICQ ficou cheio de UIN´s desconectados para sempre. E isso aconteceu para todos ao meu redor.

Não sei se tudo isso foi a pressão da Microsoft em empurrar o MSN no sistema operacional ou se foi a Aol LLC que matou o ICQ com as milhares de tranqueiras que o deixaram assustadoramente feio, pesado e lento.

O mérito agora é que existe uma versão 7 da brincadeira. Limpa, sem aquela penteadeira de puta velha que era antes. Comunica com um monte de comunidades 2.0, feeds, twitter, coisa e tal. E eu não sei até onde (e como) essa ressurreição pode chegar.

O tal do UIN

O UIN do ICQ Significa Universal Internet Number. Talvez o ICQ fosse convencido igual à Swatch (com aquela piração do @ beat Internet Time) e quisesse rotular TODOS os usuários de internet por números. No final do século passado, ainda no tempo em que a internet era movida à lenha no Brasil, uma das formas nerds de você avaliar o tempo de internet de uma pessoa — que convenhamos, era um status quo indubitável — era a numeração UIN do ICQ. Quanto menor o número, mais reputação o geek tinha.

É ai que meu problema começa. Eu tinha um UIN de seis dígitos (#299069), registrado no final de 1996. Esses números baixos  eram tão cobiçados que se você não tivesse uma senha com 16 dígitos, era fácil perder o UIN para algum hacker. Hoje um UIN registrado está na casa dos 500 milhões.

A minha senha tinha tanto caractere especial que, quando se pedia o reenvio de senha, os browsers só imprimiam quadrados (algo como: □□□□□)

Meu e-mail daquela época já não existe mais, era um finado spegel@usa.net da Amex americana.

E agora fiquei com vontade de reavivar uma coisa que não tem como. Rever contatos antigos, que há 14 anos não converso. Sim, é tempo. Uma amiga de Hong Kong que adorava poesias de Fernando Pessoa, traduzidas; a australiana ruiva que ficou minha amiga porque achei metade dos tios-avôs dela por aqui.

Coisas pitorescas do tempo em que a internet era cultural e semântica, sem a cauda-monga que a destrói todos os dias.

A australiana

O ICQ era legal, porque toda vez que algum novo usuário aparecia, você sabia que era mais um adido cultural na sua lista de experiências virtuais. E não existia tanta privacidade, um UIN conversava com o outro sem a necessidade de adicionar ou pedir permissão (Isso mudou em 1999 com a neurótica Aol LLC).

Uma dessas conversas foi com uma garota australiana. Ela era toda bonitinha, eu era um salafrário cafajeste, então já viu. Conversávamos por muito tempo — eu na madruga e ela no entardecer — amenidades, diferenças culturais, gírias aussies pra cá, inglês macarrônico pra lá.

Até que eu contei que meu avô era imigrante aqui no Brasil. Ela confidenciou que o avô dela também era alemão e refugiado da segunda guerra, mas que tinha perdido dois irmãos pelo mundo quando fugiram, talvez para a américa. Solícito que sou, disse que aqui na América do sul era fácil achar gente (era nada), e que faria uma pesquisa mais complexa para ela.

A minha idéia era passar os nomes para um amigo que trabalhava na antiga operadora de telefonia que a TIM comprou. Por ali ele conseguiria abranger o Brasil inteiro e, se os dois chucrutes estivesse nas terras tupiniquins, eu teria assunto para mais uns anos com a ruivinha.

Acontece que eu tinha duas listas telefônicas embaixo do meu monitor (gambiarra de nivelamento de vídeo avançado) e resolvi folheá-las. Era muita coincidência: tinha 9 sobrenomes que batiam. Destes dois eram os primeiros nomes indicados. Aí já fiquei com a pulga atrás da orelha e resolvi ligar para o primeiro.

— Seu Walfried?

— Ja vohl!

— O senhor é o irmão mais velho do Günter?

— …

— Alôuuu?

— Como você sabe!?

Desliguei na cara. Liguei para o Manfried. Mesma reação atônita.

Mandei um e-mail para a garota australiana (naquele tempo a gente usava o ICQ para amenidades e e-mails para coisas importantes), com os dados dos dois velhos: telefone, endereço, CEP, tudo.

O que se sucedeu foi uma coisa inacreditável, relatado por e-mail pelo pai da down under: Eles contataram os velhos aqui no Brasil; Os dois não sabiam que o irmão estava vivo, nem o irmão sabia que os dois ainda estavam na ativa; reuniram os três, 50 anos depois, em uma grande festa em Melbourne, onde os primos, netos, familiares e agregados se conheceram pela primeira vez.

A garota achava que eu era um herói, eu achava que nunca ia dar uns pegas nela. Ela achou namorado, eu virei metaleiro, ela casou e eu comprei uma bicicleta.

Depois disso só ficou a lembrança de ter feito uma coisa extremamente fenomenal para alguém que eu nunca, de fato, conheci.

A Ópera do Malandro.

13 de janeiro de 2010

Eu sou um sujeito extremamente envolvido com o JET SET nacional e estrangeiro. Já tomei umas geladas com Toquinho e Vinícius (vede episódio narrado pelo biógrafo Becker na edição de aniversário d’”O CRUZEIRO” de 1977), já hospedei José Saramago em minha casa de campo em Bilbao, já dei carona a Pedro Juan Gutiérrez de Vladivostok a Saigon em plena Guerra das Seis Horas (Episódio Bélico de 1983 na Guerra Fria, completamente abafado pela imprensa). Enfim, sou habituado a conviver com personalidades de evidência.
Assim, estava em minha casa consertando uns mandolins quando o telefone toca:
-Alô? – pergunto
-Jorge?- uma voz amigável me reconhece
-Pois não? O que desejas? – é assim que atendo a pessoas que ligam para minha residência
-(Risos) É o Chico.
-Qual? –perguntei- o Francisco Buarque de Hollanda?- (este é o nome completo do Chico Buarque)
-(Gargalhadas) Isso mesmo. (Tosse)
-Fala, F.B.H.- – (às vezes o chamo por essa sigla)
-(Redobra a gargalhada) >-Diz aí.- falei
- Rapaz… (se recompondo) você me mata de tanto rir…
-Que você ordena?
-Jorge… escuta… – (ajustando o telefone no ouvido)- estava arrumando uma gavetas aqui em casa (ele mora no Rio, antigo Estado da Guanabara) e encontrei uma música que eu fiz para você..
-Qual? “Copo Vazio”?
-(Risos novamente) Não, não, essa não… Aquela outra com o teu nome…
-“Vai trabalhar vagabundo”? – arrisquei
-( A gaitada era sonora apesar de Chico Buarque tapar o bocal do telefone com a mão). Cara, “Jorge Maravilha”!
-Ah… lembrei. Tava todo mundo -(Nara, Tom, Paulinho, Cláudio Monte(pai da Marisa), Elis, Belchior, Caetano Veloso, Ednardo, João Bosco, Chico, Betânia e eu)- lá no Transa (bar em Copacabana), naquela tarde…
-Pois é.. 1974…
-Essa garotada aí nem era nascida ainda, hein Chico…
-Pois é… Sim, eu vou te mandar a música por mail e você publica aí no “In-Cubos”pro pessoal matar a saudade.
-Claro, Chicowski (nome que eu inventei= Chico+Bukowski) … Por você quebro qualquer galho
-Até mais Valente.
-Até mais, mano velho.
E assim, para vocês, “Homenagem ao Malandro” de Chico Buarque de Hollanda. 1974
Homenagem Ao Malandro
Chico Buarque
Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central

Eu sou um sujeito extremamente envolvido com o JET SET nacional e estrangeiro. Já tomei umas geladas com Toquinho e Vinícius (vide episódio narrado pelo biógrafo Becker na edição de aniversário d’”O CRUZEIRO” de 1977), já hospedei José Saramago em minha casa de campo em Bilbao, já dei carona a Pedro Juan Gutiérrez de Vladivostok a Saigon em plena Guerra das Seis Horas (Episódio Bélico de 1983 na Guerra Fria, completamente abafado pela imprensa).

Enfim, sou habituado a conviver com personalidades de evidência.

Assim, estava em minha casa consertando uns mandolins com ula nova técnica de aviltamento de madeiras, quando o telefone toca:

— Pois sim? — pergunto

— Érre Vê? — uma voz amigável me reconhece

— Pois não? O que desejas? — é assim que atendo a pessoas que ligam para minha residência

— (Risos) É o Chico.

— Qual?  — perguntei — o Francisco Buarque de Hollanda? — (este é o nome completo do Chico Buarque)

— (Gargalhadas) Isso mesmo. (Tosse)

— Fala, FBH. — (às vezes o chamo por essa alcunha)

— (Redobra a gargalhada) — Diz aí. — falei

— Rapaz… (recompondo-se) — você me mata de tanto rir…

— O que você ordena, capitão?

— O Valente… escuta… — (ajustando o telefone no ouvido) — estava arrumando uma gavetas aqui em casa (ele mora no Rio, antigo Estado da Guanabara) e encontrei uma música que eu fiz para você…

— Qual? “Copo Vazio”?

— (Risos novamente) Não, não, essa não… Aquela outra, malandragem…

— “Vai trabalhar vagabundo”? —  arrisquei

(A gaitada era sonora apesar de Chico Buarque tapar o bocal do telefone com a mão) — Cara, “Homenagem ao Malandro”!

— Ah… lembrei. Tava todo mundo — [Nara, Tom, Paulinho, Cláudio Monte (pai da Marisa), Elis, Belchior, Caetano Veloso, Ednardo, João Bosco, Chico, Betânia e eu] — lá no Transa (bar em Copacabana), naquela tarde…

— Pois é… 1974… Todos vocês me ajudando a musicar a peça Ópera do Malandro… que tempestade de idéias, meu amigo!

— Essa garotada aí nem era nascida ainda, hein Chico…

— Pois é… Sim, eu vou te mandar a música por e-mail e você publica aí no “Madcap” pro pessoal matar a saudade!

— Claro, Chicowski — (nome que eu inventei = Chico+Bukowski) — Por você quebro qualquer galho!

— Até mais Valente.

— Até mais, mano velho.

E assim, para vocês, “Homenagem ao Malandro” de Chico Buarque de Hollanda. 1974

Homenagem Ao Malandro

Chico Buarque

Eu fui fazer um samba em homenagem

à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.

Eu fui à Lapa e perdi a viagem,

que aquela tal malandragem não existe mais.

Agora já não é normal, o que dá de malandro

regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,

malandro candidato a malandro federal,

malandro com retrato na coluna social;

malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.

Mas o malandro para valer, não espalha,

aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.

Dizem as más línguas que ele até trabalha,

Mora lá longe chacoalha, no trem da central

Quando a artilharia era cavalaria

20 de outubro de 2009

Esse aí embaixo é meu avô materno, quando serviu no regimento de artilharia montada. A foto é de 1943, época da estréia das câmeras de médio formato com duas poses por chapa. Apesar da precariedade técnica, a máquina conseguiu congelar o salto.

Cavalaria

Ao bom som de uma valsa

24 de julho de 2009

Como caçar focas ao som de Debussy

Bons tempos da impossibilidade técnica

7 de julho de 2009

Como se verá o mundo com as viagens aéreas

Talvez, desde sempre…

4 de junho de 2009

Como se decompõe o olhar com que uma mulher observa outrem

Novas tecnologias midiáticas

15 de maio de 2009

Sciencia - Telephoto.