
Esse cachorro da foto é uma figura: um boxer, caramelo, muito fiel.
Ele mora em um terreno quase baldio, perto da minha casa. Na verdade ele é o cão de guarda do terreno. Ele fica o dia inteiro nessa mesma posição: em pé, parado, olhando o nada. O dono (que não mora ali) aparece dia sim, dia não, para alimentá-lo e ver se a água está pingando direito no pequeno pote logo abaixo da torneira.
O cão tem apenas uma árvore, uma pedra e um cercado de tijolos como amigos.
Não tem gramado, apenas esse areião. Não tem casinha, nem abrigo.
E ele fica assim, o dia inteiro. Olhando para o infinito.
Vez ou outra uiva durante a noite. Nada que um assovio não o faça parar de uivar e procurar o autor.
A maior prova de amabilidade desse cachorro é quando chega seu algoz com alimento: ele pula de alegria, lambe-o e corre em volta do figura.
É o píncaro de alegria diária de sua prisão perpétua.



