MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.
Há um mês atrás tive que tomar uma séria decisão na minha vida: participaria da terceira etapa do MMS “Sudeste” aqui em Brasília como competidor ou como apoio?
A dúvida era grande por algumas razões elementares: a estrutura e o marketing que corre 24h durante todo o evento é viciante. Não conheço outro rally monomarca no Brasil que tenha tamanha organização e seriedade como o que vi sábado passado.
Optei por “competir”. A inscrição era irrisória e todo o protocolo formalizado sem delongas. Eu como “piloto” e a Célia como “navegadora”. Sexta à noite assistimos uma aula de navegação com nada menos que Lourival Roldan, diretor de prova, o homem que participou quatro vezes do Dakar, dez vezes do Sertões, navegou para o Spinelli, Vívolo, Kolberg, Hoffman.
Largamos com uma planilha na mão, uma calculadora, um gps e um cronômetro. Não nos perdemos, atrasamos pouco, matamos tempo perdido em neutros, quase atropelamos uma cobra, uma perdiz e um competidor na contra-mão e finalizamos na 55º posição de 181 participantes, onde mais de 20 carros não completaram a prova.
Para quem nunca participou, valeu o esforço!
Em agosto tem mais uma etapa em Curitiba. Se você mora na região e tem um carro com os três diamantes na grade dianteira do carro, não perca.
O Vão do Moleque é a comunidade quilombola kalunga de acesso mais difícil e complicado da região da Chapada dos Veadeiros e Cavalcante. Em uma grande depressão com 300m acima do nível do mar, a região é cercada por paredões de chapadas que alcançam mais de 1300m de altura, rios belíssimos de água transparente e uma exuberância de flora e fauna intocáveis.
Este feriado foi dia de conhecer a região, em uma expedição organizada pelo Jeep Clube de Brasília, com a participação de 30 veículos 4×4.
O primeiro impacto foi saber que uma mineradora de Manganês alargou e meteu pontes na estrada que circula o parque. Alem de transformar toda a marginal do trajeto em um imenso monocromático marrom, acabou com a magia de transpor riachos de águas transparentes com o carro.
Já no acampamento, outra frustração: o governo gastou um belo dinheiro para fazer, no meio do nada, uma extensa pista de pouso para “ajudar a população kalunga”. Na época da reeleição, pousou ali aviões com medicamentos, médicos, dentistas, suprimentos, alimentos básicos. Hoje, a pista serve apenas como parte da antiga estrada que ali passava.
Muitas fotos, como sempre:
O comboio reunido.
Estrada de terra para o Vão do Moleque
Estrada de terra para o Vão do Moleque
Estrada de terra para o Vão do Moleque
Detalhe do pneu de um dos carros
Uma das paradas do comboio antes da descida da serra
Pegada no talco.
Flores de beira de estrada, que duram menos de um dia coloridas e depois ficam cobertas com a poeira-talco que os carros levantam.
Reagrupamento do comboio.
Mata-burro.
Paisagem do alto da chapada.
Uma das minúsculas flores que aparecem nesta época do ano.
Um arbusto típico da região, conhecido como chuverinho
Uma das minúsculas flores que aparecem nesta época do ano.
Vista do início da descida da serra sentido Vão do Moleque.
Uma camionete antiga cruza o comboio com várias crianças na caçamba.
Entardecer na estrada, contornando a descida.
Raios de sol rasgam a poeira levantada pelos veículos.
Uma das poucas retas da descida, com o vão ao fundo.
Último reagrupamento do comboio antes de anoitecer.
Últimos raios de sol durante uma travessia do MMCC – MitsubixoMadCapCar
comboio esperando a travessia noturna de um dos muitos rios que cruzam a estrada.
Parede riscada à pedra de talco.
Mantimentos e material escolar doados pelo JCB à escola local.
Mantimentos e material escolar doados pelo JCB à escola local
Dois filhotes subnutridos que circulam as redondezas da escola.
Detalhe da construção típica kalunga, com folhas de buriti como telhado e paredes de adobe.
fogão à lenha.
Detalhe do desenvolvimento das espigas de milho no solo árido da região.
Uma das cadeiras da sala de aula
Povo do JCB conversando com um casal Kalunga
O catolicismo fervoroso faz parte das crenças kalungas.
Parte do comboio junto à camionete antiga dos kalungas
Um garfo com os dentes entortados, pregado na parede.
Três sacas de arroz, safra de subsistência para consumo até o final do ano.
Pessoal do JCB tomando um café na cozinha de uma casa kalunga.
Parte do comboio original em frente à escola da comunidade Kalunga
A exuberância da natureza no trajeto de volta.
A estrada tem algum tipo de sinalização, como esta placa.
Toyouta Bandeirante chegando no Mirante Nova Aurora
Jeep Cherokee chegando no mirante Nova Aurora
André e Fabi “mirando” no mirante Nova Aurora.
Mercearia de Portugal, um secos e molhados na saída de São João D´Aliança
O carro, feliz da vida que foi brincar na caixa de areia =)
Panorâmica do mirante Nova Aurora, ponto de salto de vôo livre.
E um vídeo onboard do MMCC, o carro com a trilha sonora original mais descolada da carretera:
O grande barato de manter um blog de bandeira branca (sem patrocinadores, mecenas ou condominados) é um detalhe chamado timing, que o mantém livre e sem sufocamentos.
Outra coisa boa é o rumo generalizado e despretencioso que o conteúdo segue. Nada de fechamento de matérias ou deadlines impossíveis.
A anarquia é a eloqüência venal do conteúdo livre.
Minha formação musical é baseada em muitas vertentes culturais: a herança clássica dos muitos LPs de sinfonias completas do meu pai; o rock clássico das fitas K7 do meu irmão; o “DracmaSound” e o pop oitentista do meu tio Mauro; as intermináveis tardes remixando meia duzia de setlists para festinhas de garagem, rotuladas à pincel atômico para as perfeitas noites-inesqueciveis-impossíveis de inverno.
Eu não sabia, mas toda vez que eu sampleava algumas músicas em fitas diversas, na discolândia de um amigo meu (que por sua vez emprestava do estoque os LPs para minhas fitas) eu exercia a famigerada quebra de direitos autorais.
É claro que nem ele nem eu, naquela cidade de interior, sabíamos que era algo fora-da-lei.
Assim eu conheci muitas músicas resquício dos anos 80. O bom e velho rock’n'roll, as batidas eletro-pop-musik herdadas dos kraftwerks, localismos como os gauchescos Cascaveletes, Engenheiros, Nenhum de nós.
E ai tinha alguns clássicos como Ritchie, e seu abajur cor de carne. Que é o camarada da foto ao lado. Autografada.
Eu lembro que bem no começo do século, quando a internet ainda era bela e os bichos ainda falavam, O Ritchie postava em um blog (quando blog também era uma coisa que não existia). Eu falei para ele que tinha uma versão da musica dele ripada de um LP que foi ripada de um k7 que foi ripada para mp3. Ele até foi gente boa em falar para não disseminar no Kazaa!
25 anos depois eu tenho, finalmente, uma versão de “Menina Veneno” dentro da lei. Edição de luxo, remasterizado, com encarte e comentários de todas as músicas. Autografado.
Fica aí, babando.
Tá, vou dar uma colher de chá: acesse ai o site do Ritchie e peça o seu online. Você recebe em casa, autografado. E aí você pode justificar aquela richie-menina_veneno.mp3 que tem lá naquela sua pasta c:\mp3\brasileiras-sortidas\ Mesmo porque não é todo artista musical que sobrevive de luz, não é mesmo?