MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

A história do Rock´n´Roll

12 de janeiro de 2010

Não sou muito de criticar, elogiar ou indicar filmes e shows aqui no blog, pois tenho um gosto assumido de besouro. Eu sou tão ignorante e eclético que consigo entender e gostar de coisas que não combinam entre si, tipo presunto com geléia. Ou música clássica com Pena Branca & Xavantinho.

Mas uma recomendação pessoal de show que assisti on-demand dias atrás valeu muito para resgatar uma porção da minha infância e juventude: O 25th Rock and Roll Hall of Fame Concert gravado em duas noites no Madison Square Garden, Nova Iorque em outubro do ano passado.

É uma dessas produções pedantes da HBO com o Tom Hanks apresentando (que seria melhor ter colocado um roqueiro falastrão no lugar), mas a evolução musical do show é bem harmoniosa.

Jerry Lee Lewis abre o show com as grandes bolas de fogo, seguidos por Crosby, Stills,  Bonnie Raitt, Jackson Brown, James Taylor, Stevie Wonder, Smokey Robinson, BB King, John Legend, Sting, Jeff Beck, Paul Simon, Dion DiMucci, Graham Nash, David Crosby, Little Anthony, Simon and Garfunkel, Aretha Franklin, Annie Lennox, Metallica, Lou Reed, Ozzy Osbourne, Ray Davies, U2, Bruce Springsteen, Patti Smith, Will.i.am, Fergie, Mick Jagger, Jeff Beck, Buddy Guy, Billy Gibbons, Sting, Bruce Springsteen, E Street Band, Sam Moore, Tom Morello, Darlene Love, John Fogerty e Billy Joel.

Como ainda não apareceu no Brasil, assista uma versão alternativa via torrent (7.96GB –  HDTV 720p – mkv).

Direto da Moleskine.

7 de janeiro de 2010

The Superman

Dando vazão ao projeto “Resoluções 2010″…

A nova casa.

6 de janeiro de 2010

Tem um camarada que eu conheço desde os primórdios da década que é o Geison. Eu descobri que o vagabundo é mais velho do que eu imaginava, porque ele aparece sorrindo em uma footage no DVD “Elvis aloha from Hawaii” (1973) nos trinta primeiros segundos:

geison
Screenshot do DVD. O Geison é o camarada de camisa lilás e óculos Aviator. Note o bufão que não o deixa ter idéias, logo acima da cabeça dele, com aspectos primatas.

Ele reclamou (…) veio um inquietante bloqueio criativo. E continuo com ele aqui. Sentadinho no topo da minha cabeça. (…)

Com essa minha ajuda, ficou mais fácil achar o desperucado na rua. Ah, o blog dele agora está sob o guarda-chuva WordPress, largando de ser Global. Vida longa ai bruda.

Morro da Igreja – Urubici, SC.

6 de janeiro de 2010

Morro da Igreja - Urubici, SC

Esse é o Morro da Igreja. Na verdade só onde estão os meus pés. Mais para a frente é a pedra furada e a serra geral de Santa Catarina. Esse lugar é considerado o ponto mais frio do Brasil, onde a neve no cume bate / a neve no cume desce.

A foto ficou um pouco HDR mas não foi proposital, já que é uma montagem panorâmica com muito espectro.

Foi o segundo lugar mais alto que eu escalei no sul: o primeiro foi o pico Paraná, mas lá foi a pé e cheio de perrengues. Esse ai? Fácil, fácil, de jipinho, em pista concretada e bem sinalizada. Mas vale cada destampagem sônica da subida.

E cá estamos, dois mil e dez!

5 de janeiro de 2010

Faz 13 anos que eu trabalho com essa sujidade virtual chamada internet. Eu achei que ia ficar rico, famoso, feliz e conheceria o mundo inteiro, férias-a-férias, ano-a-ano. E, tirando aqueles gringos fodásticos que encheram o rabo de dinheiro, quase todos os virtualizados que conheci — e que compartilharam deste sonho cibernético — não enriqueceram.

Interessante é que meus planos eram de migrar para algum recôndito pioneiro, muito provavelmente na Europa. mas eu desisti, pois o Brasil merecia muito mais atenção. Entenda por atenção o fato de eu querer conhecê-lo por completo, costumes, cidades, paisagens, cachoeiras, florestas e humanos.

Então, hoje como primeiro dia do MadCap 2010, já entro pessimista e sorrateiro.

Daqueles 13 anos lá de cima, some bem uns 10 anos que eu escrevo tibornices sem peso algum. É muito tempo de enrolação. Se eu fosse uma empresa, já estaria falido. Sem lucro, dividendos, aspirações ou conquistas.

E o mais ridículo de toda essa situação insustentável é que eu vou continuar, sempre, arrastando essa paganália por um bom tempo, como se fosse um objeto relevante na cibercultura contemporânea.

divisor

Todo esse chororô aí em cima significa que vou fazer uma lista das resoluções de ano novo. Nada de coisas difíceis, mesmo porque sou um procrastinador agudo. Algumas delas:

  • Atualizar (no mínimo) duas vezes por semana esse blog;
  • Um desenho elaborado e complexo por semana (e postar aqui);
  • Uma peça publicitária fantasma por semana (e postar aqui);
  • Publicar um anúncio publicitário do projeto ’171 anos de publicidade’ por semana;
  • Nadar 5km por semana.
  • Juntar dinheiro suficiente para comprar uma câmera e uma lente que preste;
  • Tomar um Earl Grey ao vivo com a minha irmã, in loco;
  • Ler 26 livros de literatura inteligente;
  • Não ligar computadores, telefones, internetes e televisores nos finais de semana;
  • Arranjar 6 novos amigos reais por meios analógicos;
  • Melhorar minha vida profissional.

Coisa fáceis, mel na chupeta. Aliás, só o último item que ostenta o caráter de impossibilidade venatória. Mas o resto eu tiro de letra. E sem usar cheat.

Santa (e bela) Catarina

25 de dezembro de 2009

Esse titulo de post era um slogan antigo da secretaria de turismo de Santa Catarina.  E não é puxar a sardinha para o meu lado, mas a realidade é que esse pequeno estado brasileiro tem um apelo turístico incrível. Para você ter uma idéia do que eu estou falando, veja a pequena viagem que fiz com minha mulher e minha irmã: saímos de Florianópolis, atravessamos vários quilómetros de praias desertas até chegar ao Farol de Santa Marta, um reduto neo-hippie e SurfBro de primeira qualidade.

Aliás, o Farol de Santa Marta continua com um atendimento excelente, almoços regados à frutos do mar com preços atrativos e com as praias ainda intocadas.

Do litoral nos atracamos por Gravatal, que é uma cidadezinha termal com águas quentes e hotéis honestos, parques aquáticos e uma variedade cultural incrível. Gravatal na verdade é uma cidade estratégica para subir a serra entre Grão-Pará e Urubici.

A Serra do Corvo Branco é uma estrada de 50km, não pavimentada, que liga a região litorânea até a serrana. A subida é esculpida em um paredão que varia em pouco mais de 1200m em relação ao nivel do mar em apenas 30km de percurso. Alguns trechos da subida são assustadores, porque é parede de rocha de um lado, três metros de largura na estrada e um precipício de 300m do outro lado.

Aí em cima da serra tudo muda: o clima fica ameno, a vegetação abre para araucárias centenárias e mata de altitude, a cabeça dói, você continua subindo e o GPS avisa que estamos a quase 1800m acima do nível do mar. A estrada acaba novamente, agora em uma base militar da aeronáutica chamada CINDACTA II, restrita, de frente para uma das paisagens mais impressionantes da serra geral, que é o morro da igreja.

Paramos em Urubici, em um hotel que tem calefação em todo lugar que você consegue olhar, lareiras, fogões à lenha. E não é por menos, a cidade tem o recorde oficial de cidade mais fria do Brasil, com temperatura registrada de -14°C. E fotos de neve por tudo.

A volta, segundo o meu GPS doidão, poderia ser por estrada pavimentada ou por um caminho que ele deu certeza que era viável. Uma estrada de terra de 50km, beirando escarpas, fazendas incríveis e um caminho que afinava cada vez mais.

Descemos a serra do Rio do Rastro, via Bom Jesus da Serra. Estrada clássica, concretada, com 12 curvas completas de 180°. Pra mim um dos trechos de estrada mais bonito do Brasil.

Retorno tranquilo para Florianópolis: praia do Rosa, do Ferrugem, Garopaba e Guarda do Embaú.

Clássicas.

E tudo isso em apenas dois dias.

Praia, dunas, estradas de terra, trilhas, travessia de rios, serra, escarpas, 4×4, altitude e aventura ao extremo. E meu GPS não poderia ser mais aventureiro e louco do que já é.

Abaixo algumas fotos e dois pequenos videos da subida do Corvo Branco e a descida do Rio do Rastro. A noção da magnitude dessa aventura não chega aos pés do que é ao vivo. Mas fica o aperitivo.

Gente X Mato: Pedro Martinelli

1 de dezembro de 2009

Pedro Martinelli  — um dos fotógrafos que escrevem a história do Brasil em imagens — anunciou em seu blog que está fazendo a venda direta dos seus dois livros, Gente X Mato e Mulheres da Amazônia. O preço é muito atrativo (50 lascas cada) e o frete já está incluído. Você não encontra uma oportunidade com essas características e preços em livrarias.

Resolvi comprar o Gente X Mato. Quando chegou o envelope, fiquei espantado com o tamanho do livro. Aliás, fiquei espantado com o tamanho, o papel, a encadernação, a diagramação e a impressão. O livro tem o formato de um jornal, grandão, impresso em papel Pólen 80gr, com um design muito fera.

É a sua chance de comprar um presente diferente de verdade, coringa, que agradará seu amigo que é designer, publicitário, fotógrafo, ativista, fazendeiro, desmatador, jornalista, ambientalista, tratorista, chef de cozinha ou até político. Todo mundo se identifica com alguma coisa ali.

E se você for cara-de-pau como eu, peça autografado. O Pedro manda.

Livro Gente X Mato (Pedro Martinelli)

Expedição Willys 2009

27 de novembro de 2009

“Quatro quebras por hora. Parou por mais de 10 minutos, camba e continua!” Essas eram as palavras de ordem para a terceira Expedição Willys de Brasília, um evento monomarca e exclusivo, onde apenas Jeeps, camionetas Rural e picapes F-75 — todos Willys — poderiam fazer parte do comboio.

Estavam inscritos 62 veículos, em um sábado ensolarado, precedido de uma semana e meia de chuvas, o que rendeu excelentes poças, alagados e muita lama. A Expedição saiu de Brasília, viajou por 130 quilômetros de terras e trilhas até as margens da represa Corumbá IV, em Goiás.

Meu 4×4 é japonês, mais novo, com ar condicionado, cheio de firulas automatizadas.  O contraste era visível quando embarquei como fotógrafo e zequinha, a bordo de um CJ5 ano 62, militar. O nhéco-nheco da suspensão, a lama que entrava por todas as frestas possíveis, a poeira, lata rangendo, a precariedade do limpador do pára-brisa, basculante, tudo era singular e contagiante.

A cada parada, meia dúzia de jipes aparecia com os capôs abertos: gente futricando no motor, regulando uma ou outra coisa. Sangria de freio, lixadinha no platinado, reparo no carburador, radiador furado, bomba fraca. Tudo detectado e arrumado com velocidade e praticidade impressionante.

No meio da viagem um expedicionário perdeu uma roda traseira. Quebrou a ponta de eixo, o que inutilizou o veículo. Prontamente inventaram uma amarra do pára-choque traseiro do jipe estragado no pára-choque dianteiro de outro jipe, testaram a firmeza e pronto! Com apenas três rodas seguiram viagem até o vilarejo mais próximo.

A chegada foi triunfal, em uma pousada magnífica à beira da represa. Com 12h de viagem, sujos, cansados, enlameados e empoeirados, cozidos do sol sob as capotas escuras, mas com um sorriso de satisfação por ter vencido mais uma trilha cheia de imprevisibilidades.

Para fechar com chave de ouro, piscina com vista panorâmica, causos e o merecido aconchego de uma confortável cama.

Depois desta aventura entendi porque este evento se repete pela terceira vez, e que, com toda certeza, vai se repetir por muitos outros anos: os três organizadores (Ademar, Eraldo e Otamir), são, em sua essência, jipeiros apaixonados por um hobby excêntrico e prazeiroso: proprietários de jipes velhos de guerra.

E só quem experimenta pode entender essa paixão.