Barão ganhou o apelido pelo duvidoso gosto em manter um bigodão fio-de-arame, com voltinha e tudo mais. E o que realmente fez a sua fama era a diversidade de mulheres as quais lhe acompanhavam. Mulheres sempre impecáveis, bonitas, de uma finesse e educação invejável.
Barão era figurinha carimbada em todo o tipo de evento, convescote ou festa. Com um jeito bonachão, seu sorriso era cativante. Sua presença, obrigatória: seus disparates, aterradores e únicos.
O que intrigava todos seus amigos era o fato de, um sujeitinho pequeno, feio e com um bigode encardido e carcomido pelo cigarro, pudesse fazer par com belas damas. E olha que vez passada até houve diálogo em francês com uma de suas divas. É claro que a curiosidade aflorava toda vez que o galanteador passava. Mas a hombridade e os culhões impediam todos de lhe perguntar o segredo da fama. Insinuações apenas o faziam soltar uma deliciosa gargalhada. Mas falar das mulheres, nunca.
E não era dinheiro, nem fama, tampouco a beleza. O barão era simples, funcionário de um armazém de secos e molhados. Poucos conheciam sua intimidade.
Vez passada não me contive e perguntei o seguredo das “baronesas”. Surpreendeu-me na resposta, após a já esperada gargalhada homérica. Ele simplesmente sanou a já desconfiada asserção: na zona. Sim, barão era costumaz freqüentador de casas de burlesco. Apesar do irônico comentário, que fez com que ninguém acreditasse na resposta, ele foi sincero. As mulheres o conheciam, e conheciam também a sua fama de arroz-de-festa. Elas brigavam para escoltá-lo. E Barão divertia-se. As putas divertiam-se. A finesse das raparigas advinham da excentricidade dos bons pagadores de serviços. A casa era fina.
E o Barão sussurrou, algum tempo depois, só para mim:
– Puta que não cobra, quer gozar.
Barão estava certo. Sempre de bom humor, sempre com mulheres espetaculares. Muito mais jovem que muito jovem gagá. Feliz na sua essência de ser.




