Esse aí embaixo é meu avô materno, quando serviu no regimento de artilharia montada. A foto é de 1943, época da estréia das câmeras de médio formato com duas poses por chapa. Apesar da precariedade técnica, a máquina conseguiu congelar o salto.

Esse aí embaixo é meu avô materno, quando serviu no regimento de artilharia montada. A foto é de 1943, época da estréia das câmeras de médio formato com duas poses por chapa. Apesar da precariedade técnica, a máquina conseguiu congelar o salto.

Dias atrás precisei ir ao banheiro, em um shopping. Já viu como achar um banheiro em um shopping é foda? Pois então, sempre escondidos em corredores minúsculos, camuflados por esquinas de concreto refiladas.
Ao entrar no corredor, quase bati de frente com a mulher-gato. Uma loira das pernas torneadas e compridas, fantasia impecável de couro preto e latex.
Ela se esquivou para lá, eu para cá e fiquei como um pedreiro ao ver uma croquéte passando na calçada.
Refiz do susto, continuei pelo corredor até o final, pensando seriamente se eu já estava ficando esquizofrênico ou não.
Entrei na sala dos homens e outro susto: dos oito mictórios enfileirados, seis estavam ocupados. Pela seqüência: Homem-aranha; Incrível Hulk; vazio; Superman; Batman (o pretão, das trevas); Robin (o primeiro, aquele que parece um arlequim verde, amarelo e vermelho); Senhor Incrível, Wolverine (uniforme preto); vazio.
Entrei entre a parede e o Wolverine. (Existe toda uma lógica para escolher mictório em banheiro público, um dia explico.)
A Sala da Justiça Mijatória era surreal. Um homem entrou no banheiro, parou atônito e saiu, sem falar nada. Aliás, os super-heróis são tristes, franzinos e quietos, quando mijam.
Ao sair do banheiro ainda encontrei a Senhora Incrível, a Mulher-Maravilha e a Tempestade. Todas com uniformes menores do que o habitual. E muita carne.
Era uma ação qualquer do dias das crianças, fiquei sabendo depois.
É assim que nascem os fans de HQ.
Quando não te resta mais nada
[Nem o nada
Lembra-te das baladas tristes e sinceras
Companheiras fiéis das tristes eras.
DANCE THE NIGHT AWAY
Gonna build myself a castle
High up in the clouds.
There’ll be skies outside my window;
Lose these streets and crowds.
Dance the night away.Will find myself an ocean,
Sail into the blue,
Live with golden swordfish,
Forget the time of you.
Dance the night away.Dance myself to nothing.
Vanish from this place.
Gonna turn myself to shadow
So I can’t see your face.
Dance the night away.if you see me grinning from
my blue Volks
running a yellow light
driving straight into the sun
I will be locked in the
arms of a crazy life.
Jack Bruce and Pete Brown – one for the shoeshine man
Faz um tempo que não escrevo aqui. Estava meio de saco cheio das coisas, infeliz com umas realidades absurdas e de saco cheio desse blog.
Pois então, ou eu o matava, o que seria muito bom, ou então eu dava um jeito de retomar o fôlego da chincha.
Esta é a nova cara do blog. Azul o que antes era vermelho. Inspirado, quiçá, no Slam Girl ou então no GimmeWings.
Vai dar uns erros ainda, mesmo porque layout muito personalizado é uma merda.
No FireFox e no Google Chrome está rodadando que é uma beleza. O IE, melindroso, está comendo umas coisas que não era para comer.
Se você se sentir mal, triste, traído ou ofendido com o layout, sinta-se a vontade para reclamar no sistema de comentários.
Aliás, agora aparece o seu Gravatar nos comentários. (Não sabe o que é um Gravatar? clique aqui e faça já o seu.)
Fui.
A melhor poesia sobre a morte é tão somente o silêncio.
Paysage Fauve
Les arbres comme autant de vieillards rachitiques,
Flanqués vers l’horizon sur les escarpements,
Tordent de désespoir leurs torses fantastiques,
Ainsi que des damnés sous le fouet des torments.C’est l’Hiver, c’est la Mort; sur les neiges arctiques,
Vers le bûcher qui flambe aux lointains campements,
Les chasseurs vont fouetant leurs chevaux athlétiques
Et galopent , frileux, sous leurs lourds vêtements .La bise hurle; il grêle; il fait nuit, tout est sombre;
Et voici que soudain se dessine dans l’ombre
Um farouche troupeau de grands loups affamés;Ils bondissent, essaims de fauves multitudes,
At la brutale horreur de leurs yeux enflammés
Allume de points d’or les blanches solitudes
Agora a empenhada e livre tradução de soneto de 1913 do famoso poeta québécois Émile Nelligan, cometida por nosso artífice R.V., recém egresso do mais belo principado inglês que se tem notícias.
Paisagem Feroz*
Como parecem, as árvores, velhos raquíticos,
Enfileiradas a mirar o horizonte escarpado,
Curvados em desespero seus troncos magníficos,
Qual látego torturante sobre o dorso condenado.É o Inverno; é a Morte; sobre a neve inclemente,
Para o fogo que esquenta um longínquo acampamento,
Rumam caçadores açoitando a montaria imponente
Galopando, congelados, sob o pesado indumento.A brisa ulula; é noite; tudo é sombra; está nevando.
Súbito, desenha-se no escuro um faminto bando,
Um alcatéia de animais ferozes e imponentesPulam enxames selvagens de cada lado
E o horror brutal dos olhos reluzentes
Pisca em fulvos pelo branco desolado.
*Fauve significa duplamente ‘selvagem’ e ‘fulvo’
(…)
Dois quilômetros quentes depois do cruzamento com uma linha férrea abandonada, da qual só restava uns dez metros de dormentes de cada lado, avistei a figura imóvel como uma vela e seu reflexo a ondular no vapor sobre o asfalto preto – asfalto novo.
Só a alguns passos consegui ver ali uma mulher, sentada sobre sua mala com a coluna muito reta e os cabelos longos colados às costas. Deparei com uma estátua feita de grafite. A pele toda, os cílios e cabelos de um material escuro com infinitos pontinhos brilhantes de todas as cores. Toda a superfície lisa e brilhante só era maculada pelo rosa dos olhos e a margem vermelha das pálpebras inferiores. Minha fala pingou no acostamento:
— O que…?
— Isso é a poeira do asfalto.
(…)
in “Two Ways, no U-turn” — P. Felicte
As redes sociais modernas foram invadidas por uma mania insossa, inútil: testes, cujos resultados são analogias a músicas, novelas, cores, seriados e a puta que pariu em geral. Coisa da antiga, rejuvenescida.
Este teste é diferente, analógico, old-school. Imprima-o, risque-o com um lápis, calcule os números de cabeça; é muito mais emocionante!



(Vide o manifesto completo em Originalis I publicado com êxito na internet e diagramado em litografia plástica)
