A vida é basicamente composta de dois tipos de pessoas: as viciadas e as que viciam. Eu sou o viciado. E o Mitarai San, inventor da Canon, é o meu traficante de drogas pesadas.
Maldito foi o dia em que meti as mãos em uma câmera fotográfica que preste. Isso é coisa que tinha que ser restrita apenas para profissionais e gente muito rica. Como andar de Ferrari em Mônaco. Ou você é profissional ou caga dinheiro. Simples assim.
Então este sou eu, depois de dois meses com uma câmera profissional em mãos, agora tirando fotos de celular. É de cair o cu da bunda a sensação de abstinência que uma coisa assim faz.
Principalmente aqui em Londres. A vontade de retratar essa viagem definha no momento em que eu levanto o telefone e não sinto mais aqueles 2,5kg de equipamento fotográfico bruto saindo da inércia. Os comandos se reduziram drasticamente a: HDR control, flash on/off e “take a picture”. E aí eu vejo cada coisa doida, como um pintor de placas velhas, um camarada que anda pelas ruas com uma caixinha de tintas retocando as letras pretas e vermelhas das placas com o nome das ruas. A foto era para ser fantástica com um controle de profundidade de campo adequado, baixa velocidade no crepúsculo e até o ciclista passeando em segundo plano.
Deu nessa coisa assindética abaixo:
A vida é toda cheia desses tapões de luva de pelica na cara. Talvez seja apenas para inferir exatamente onde cada limite deve se exteriorizar.
Mas depois que eu conheci a Jessops e a Jacobs, realmente pecebi o que o crápula do Mitarai me preparou para afundar de vez nesse poço fétido da fotografia.





