MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Três metades

17 de dezembro de 2007

Uma metade minha anda feliz. Com sapatos que brilham e refletem a vida em uma angular distorcida. Longe de mim e feliz.

Outra metade, contemporiza de um lado. Bebe um vermute e fuma cigarrilha de folha de parreira.

A terceira metade, essa sim, insiste na regra dos terços: não toma partido; não se mete nessa de bipolaridade existencial. Insiste que comiseração e auto-piedade não vão servir de ajuda. Culpa a felicidade — tal e qual uma borboleta filha da puta — que sempre se evade de quem a busca com assombro.

E por mais que esse terço realista espere e saiba do vôo errôneo do inseto, ela não pousará no seu ombro.

Álbum: Dia de Circo

7 de dezembro de 2007

Dia de circo é sempre diferente. Pelo menos quando você consegue acompanhar a rotina e o dia-a-dia dos artistas fora do palco. Um ensaio fotográfico pelo circo Castelli e pelo circo Íncaros, temporariamente apresentando-se juntos.

Quarta feira, 18h. Duas horas antes do único espetáculo do dia. Nada de camarins de espelhos carregados de lâmpadas. Nenhuma cerimônia de preparação e concentração total. Ninguém correndo para cima ou para baixo na eterna falta de tempo mundana.

O que você encontra em um circo às 18h são pessoas tranquilas e alegres. “Que horas vocês começam a se arrumar?” “Ah, o espetáculo é só as oito. Sete e meia a gente começa.”

Sobrou tempo para um passeio por todos os traillers dos artistas. “Mas vocês vão tirar foto para quê” “Apenas por hobby, sem compromisso.” E assim todos se espantavam com nosso projeto despretensioso de fotografia.

Quer saber o que foi mais interessante nessa incursão toda? A timidez que cercou todos que mirávamos as lentes. Artistas no palco, pessoas comuns fora. Palhaço Barriquinha, o anão-inventor que trabalhou com o Palhaço Carequinha e que tem 12 filhos — todos trabalhando ou morando no circo — desconfia. “Mas eu me arrumo aqui na escadinha do trailler…” E ele senta com um espelho retrovisor de carro em uma das mãos, tinta à óleo de bisnaga na outra mão.

Conhecemos malabaristas, trapezistas, contorcionistas, mágicos. Um mundo novo em cada conversa, uma realidade em cada sorriso, a tristeza em cada desabafo.

“Oito horas! vamos lá!” E todo mundo começou um ritual único e pessoal de transformação dos maiores artistas da terra, naquele espaço.

Alguns ensaiam nos bastidores enquanto o locutor dá o ritmo do show. Outros gritavam: “Ei, minha apresentação, depois conversamos!” E lá descambavam picadeiro adentro.

O show acabou, o público foi embora e alguns continuavam no picadeiro, treinando e ensaiando.
meninos olhando as fotos

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Voltamos domingo, com as fotos reveladas. Olhares de surpresa em cada olhar que se reconhecia. “Dá essa para mim?” “Quero um álbum desses inteiro!” “Pô, quero essas fotos!”.

Aprendemos algumas coisas básicas nisso tudo: Muita gente não gosta de fotos em preto-e-branco. Outras, não entendem ângulos diferentes do usual. Talvez seja a simplicidade deles, que exija isso da vida, vai saber.

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Passamos a tarde inteira por lá. O espetáculo, com três sessões corridas pedia maquiagens mais pesadas e solidificadas. Conseguimos conquistar a confiança, as conversas fluíram melhor, todo mundo conversou abertamente conosco. Entrávamos e saíamos da tenda, entre apresentaçõs com uma liberdade sem igual. As crianças nos perseguiam, faziam macaquices para sair nas fotos. Tudo com uma naturalidade impressionante.

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As fotos a seguir estão divididas em duas apresentações: A minha, logo abaixo, e a do Victor — rapaz que acredita na minha conversa fiada de boas locações fotográficas — na seqüência.

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Diarismos

2 de dezembro de 2007

Olha só que ironia existencialista esta que me encontro: tenho um blog e desenvolvi uma repulsa por escrever pessoalidades do meu cotidiano. E olha que isso não é coisa nova! Desde do malogrado Opio eu sentia dificuldades no relato singular da minha primeira pessoa.

A diferença é que tudo aqui virou ensaios corriqueiros sobre sentimentalismos. Se estou triste, já aparece um texto sobre a menina neo-malthusiana que encontrou uma dracma em um finord holandês. Se estou alegre, uma ilustração antiga sobre a procrastinação do amor-não-revelado do meu amigo surge.

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Bom, uma coisa que tive que aprender a gostar, muito à contragosto: Feed RSS. Ô desgraça isso! Ninguém mais acessa mais esta página. Por um lado é bom pacas, pois economiza banda. Por outro, ruim pra cacete: dos quatro leitores que deixavam comentários, os quatro sumiram. Esqueceram que existe feedback literal.

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Bom, novembro foi meio parado nos posts, mas não no site. Acompanhe comigo uma coisa: ali na barra esquerda, temos 3 belíssimos papéis de parede. Nah, não é isso. Ali no Yadda Yadda, apareceu um monte de links. “Publicidade” e algumas décadas. É isso que está comendo 97,3% do meu tempo livre capitalista. Um projeto sobre campanhas publicitárias antigas. Um pouco melhor estruturado e direto. Mais uns dias e tudo estará pronto.

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O MadCap foi indicado ao 5º Prêmio Spoiler de Cinema e Blogs nas categorias de Melhor Direção de Arte & Templates e Melhor Edição de Imagens & Som. Vão lá e votem no MadCap, nas enquetes da barra laranja!

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E assim meu mundo vai saracoteando atrás das barangas de calçada da internet. Aguardem mais, do front.

O Bonobo do Risca-de-giz YSL Haute-Couture

22 de novembro de 2007

O BONOBO DO RISCA-DE-GIZ YSL HAUTE-COUTURE

O bonobo (Pan paniscus) é um chimpanzé muito espertão. Famoso por sua inversabilidade dinâmica de valores, este esguio primata caracteriza-se por manter uma complexa cadeia social aparente.

Apesar da vida silvícola intensa, o bonobo faz questão de trajar rebuscadas griffs — incluindo-se nessa lombarda os acessórios, bengos e traquitanas tecno-piscapiscantes de próxima geração, direto da feira de importados.

De cabeça escaraminholada, poucos tufos capilares e um pescoço curtinho e encorpado, ternos cortados dão os melhores caimentos. Alguns, mesmo assim, preferem modismos estrangeiros e referências rappers yankees, dos bonets de abas retas e mal-assentados e camisetines de ligas esportivas ádvenas.

A peculiaridade maior dos bonobos do cerrado é justamente a ironia social: quanto mais escalonado na margem da ostentação física e situacional, maior é seu grau de pobreza material no ecótone-comum.

Tudo perfeitamente percebivel nos shopping-centers, onde os disparates são mais sutis e os olhares-cruzados, esnobes-fuzilantes.

Speed Racer my ass

20 de novembro de 2007

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Personificando F.Pessoa

12 de novembro de 2007

Hoje, como d´outras amargas vezes, recordei do passado perdido que escapou das minhas mãos.

Uma bela época que agora fita-me por um belo espelho d´água vertical, por olhos de um outro que fui e que agora há de me escarnecer.

Chacoalha a cabeça em tom de repreensão enquanto me olha da cabeça aos pés. São as roupas que uso agora, não é? É o corpo cansado e a melancolia que me escapa pelos movimentos e olhos, reações e consentimentos. E isso é uma bela de uma intimidação perante um ragazzo altivo e forte — lobo de seu destino.

Vitoria e derrota da própria essência, pelos céus e infernos terrestres. Simples competição vivencial, por assim dizer. Diluo inveja com tristeza e percebo os limites exactos do seu desapontamento primordial. Tento me desculpar, polido, mas ambos sabemos que é desnecessário por ser em vão. Sinto um profundo mal-estar de um banzo por uma terra que não existe mais, pois ele sabe de todos os meus pensamentos obscuros e de tudo pelo que passei e cedi para estar aqui, apenas existindo, sobrevivendo em um ritmo cada vez mais difícil, porém compulsório. Minhas loucuras são hoje medíocres e meu élan transformou-se em conformismo denso, moroso e sufocante.

E aí a me pergunto onde estou e o que realmente preciso fazer para respirar. Encontro-me no meio de um caminho que desmorona atrás de mim, e então sou obrigado a correr para não ceder junto, meu Eu amigo.

Sei que a tua alegria definhou em mim, mas vaga nos limites demarcados pelo que fiz, pelo que fui. E é essa a beleza da reconstrução de um passado perfeito: fica intacto e cristalino como a memória que me trai reiteradamente; não pela falha, mas pela clareza e precisão em me mostrar um claustro que eu mesmo ergui à minha volta.

Não tenho uma fração da minha coragem de outrora: tenho medos multiplicados, receios infindáveis.

Assusto-me até com o que sou, dentro da minha pele de um animal domesticado e à caminho da imolação. O que tenho pela frente, senão uma longínqua esperança de guinar minha marcha e sair pelo prado da liberdade?

Aprendi que lonjuras são vencidas até com a fraqueza do ânimo, e a minha distância para a mudança tem agora o tempero da minha vontade. Ouço ao longe os tambores de um novo combate que se anuncia. O combate entre a inércia e a vida. Vida, vida, prepare casa que estou de volta! Com todos os sons e com toda a energia que agora mostra faíscas dentro dos meus olhos e centelhas que esbaforam ao meu ofegar.

Do velho espelho de água que me refletiu, nada me importará o passado, do reflexo que fez dobrar meu medo sobre si mesmo.

No espelho d´água do Memorial JK

12 de novembro de 2007

garça

Álbum: Randomic Issue #4

5 de novembro de 2007

Quarto (Ualah!) álbum da série que coleciona váríos fotogramas aleatórios e sem temas definidos, reunidos em uma balaiada disconexa e elegante.

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