Publicado no jornal A Província de S. Paulo – 16/02/1878
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Álbum: Randomic Issue #05
14 de janeiro de 2008
Mais um álbum da série que coleciona váríos fotogramas aleatórios e sem temas definidos, reunidos em uma balaiada disconexa e elegante. Nessa edição, detalhes de carros antigos, trigais e um pouco de Brasília cotidiana.
Insensato e Vil
8 de janeiro de 2008
O desespero sempre entrega algo importante. O fluxo progressivo das sensações corporais deve diminuir pra dar lugar à dança desordenada das idéias livres: soldados carregam uma bandeira americana semi-transparente; uns grossos nervos despolarizam-se fazendo longo caminho entre o estímulo e o reflexo; uma vontade de arrastar as mãos molhadas pelos azulejos brancos do banheiro, pra sentir os limites retos entre cada superfície lisa; o ardor e a sensação trêmula de um choque elétrico do fio desemcapado entre os dedos; uma farpa que penetra a pele e a conseqüente pressão do aperto dos dedos para sair a primeira gota de sangue; o medo de ter perdido a carteira e a sofreguidão de tentar lembrar o que tinha dentro, enfim, imagens e impulsos que ora se mesclam e ora se repelem rapidamente.
Do deserto tem de sair alguma coisa. Um lagarto, um torrão de sal ou bastante sede.
Do desterro sai quem volta aliviado pro país, casa ou cidade.
O desespero sai um estigma de dor e alívio: afinal, o desespero é rápido e intenso.
O susurro da canção em baixa frequência no ouvido denuncia o joguete:
I heard her say over my shoulder
‘we’ll meet again someday on the avenue’:
tangled up in blue
Álbum: Chapada Imperial
31 de dezembro de 2007
A Chapada Imperial é o parque ecológico (leia: cachoeiras, trilhas e animais silvestres) mais seguro e próximo do plano piloto de Brasilia. Organizado — quase que para gringo ver — tem guias e infra-estrutura acima da média da região. O Victor também acompanhou a expedição e lançou fotogramas em seu flickr.


O menor circo do mundo
24 de dezembro de 2007
Este é o Mini-circo Plim-Plim, o menor circo do mundo. Tem 4 personagens principais, meio picadeiro com espaço para bons 40 espectadores e ingresso à litro de diesel.
Segunda-feira reparei em uma pequena lona ao lado de um ônibus todo pintado, em plena esplanada. “Coisa estranha, muito pequeno para um circo”, pensei. Fui investigar para ver o que era e voilá! O menor circo do mundo, realmente!

O circo tem uma lona que abriga bem uns quarenta metros quadrados, encostado na lateral de um ônibus-residência onde o picadeiro escora-se como parede. Uma arquibancada para 25 pessoas mais 15 cadeiras completam toda a estrutura. Dentro do ônibus moram 7 pessoas: José Carlos (palhaço Plim-Plim) e sua mulher Lucicleide, suas duas filhas, Welinton (palhaço Trapizomba), Felipe (Caboclo de Lança — folclore do maracatu) e Daniel, o rapaz do maior peão do mundo.

O show do circo é um espetáculo diferenciado: uma mistura de talk-show com folclore pernambucano. Marionetes, fantoches, danças e músicas locais emboladas com piadas, palhaçadas, um pouco de humor inglês e muita expontaneidade.

A estratégia básica do circo é simples: Todo equipamento e estrutura externa cabem em cima do ônibus. Temporadas curtíssimas em cidades, coisa de 3 dias apenas. Ingressos à R$2. Uma galinha vale 4 entradas. Escambos por espetáculos. Mambembe puro.

O problema é que o ônibus, velho de guerra dos anos 70, está completamente acabado. Da parte mecânica, elétrica e habitável, tudo está em estado crítico. E aí que entra o sonho do Plim-Plim: ele quer levar o ônibus para o programa global do Luciano Huck, o Lata Velha. Sua força de vontade e persistência é tão grande que daqui uns meses tenho certeza que vou ver aquele ônibus velho chegando em Brasília com um grafismo e estrutura renovada. O plano dele é simples e efetívo: saiu de Carpina-PE, cidade-base e, pingando de cidade em cidade, pretende chegar em São Paulo ainda em janeiro para cutucar os organizadores.

Participamos do aniversário da filha do Plim-Plim, de 4 anos. Nasceu no circo. A festa contou com poetas, palhaçadas, músicas regionais, discursos e uma familiaridade que há tempos não via. Artistas desprendidos de quaisquer entraves, munidos apenas de alegria, sonhos e muita persistência.

O vídeo abaixo é uma amostra das atrações internacionais que fazem parte do circo. Daniel, que tem fluência em grego e inglês bretão, canta alguns sucessos:
As fotos a seguir estão divididas em duas apresentações: A minha, logo abaixo, e a do Victor — rapaz que continua acreditando na minha conversa fiada de boas locações fotográficas — na seqüência.


Voe bem, infiel!
18 de dezembro de 2007
Chegou a hora camarada! E graças ao seu esforço e seu sucesso profissional, pela primeira vez na vida você viajará de avião. Fantástico! No entanto, imprima este guia anti-jequice e siga rigorosamente todos os passos para não pagar de caipira ao alçar vôo pela primeira vez!







