Ao anoitecer sentaram-se em bancos sem encosto (pranchas de madeira em cima de pedras e tijolos empilhados) ao longo duma grande mesa feita de várias mesinhas emendadas e a cuja cabeceira estavam sentados os noivos, tendo à direita os pais da moça e à esquerda o padre. Em cima da mesa viam-se pratos e travessas cheios de pedaços de galinha assada, carne de porco com rodelas de limão, batatas doces, pinhões e aipim.
No fundo do quintal preparava-se o churrasco: dezenas de espetos fincados em bons nacos de carne estavam colocados sobre um longo valo raso, no fundo do qual luziam braseiros; a graxa derretida caía nas brasas, com um chiado, e uma fumaça cheirosa subia no ar, enquanto duas pretas de vez em quando mergulhavam ramos de pessegueiro dentro dum balde com salmoura e depois aspergiam os churrascos, trazendo os que ficavam prontos para a mesa, onde eram disputados aos gritos.
Os homens usavam suas próprias facas, que tiravam da cintura ou das botas, e com elas cortavam o assado, muitas vezes respingando o rosto com o sumo sangrento da carne. Nas barbas negras de alguns deles a farinha branquejava como geada sobre campo de macegas recém-queimado.
O dono da casa dirigia o jantar, gritava para os churrasqueadores, recomendando: “Um bem assado!” ou “Que venha uma boa costela!” ou ainda: “Um gordo aqui pró Chico Pinto!” No princípio da festa notara-se um silêncio um pouco constrangido. Mal, porém, o vinho começou a encher os copos e subir à cabeça dos convivas, eles se puseram a falar mais alto, a rir, a contar histórias, entusiasmados. As mulheres, mais quietas, limitavam-se a sorrir, de cabeça meio baixa.
O terreiro estava iluminado por muitas lamparinas de azeite e sebo dentro de guampas postas em cima da mesa ou presas nos galhos das laranjeiras e pessegueiros. Rodrigo mastigava o seu churrasco com gosto, bebia o seu vinho estralando a língua. Sentia aos poucos um calor bom a poderar-se-lhe do corpo e ao mesmo tempo ficava um pouco inquieto, pensando no que poderia acontecer se ele se embriagasse e “perdesse a tramontana”.
O gaiteiro começou a tocar e os primeiros acordes do instrumento foram abafados pela gritaria de aplauso. Depois as vozes silenciaram um pouco e o homem – mulato de cara larga picada de bexigas – começou a tocar uma tirana. Estava sentado numa cadeira, no meio do terreiro, o chapéu quebrado na frente, o barbicacho quase a entrar-lhe na boca; tocava de olhos fechados, as sobrancelhas erguidas, e segurava a gaita com frenética paixão, como se estivesse abraçando uma mulher.
Rodrigo meteu na boca um naco de carne gorda, triturou-o nos dentes fortes e pensou ainda: Minha marca não sai mais. Nunca mais. Mastigou bem a carne e depois ajudou-a a descer goela abaixo com um gole de vinho tinto. Afrouxou o nó do lenço. “Está quente, amigo” – murmurou, dirigindo-se ao homem que tinha a seu lado. O outro não ouviu e continuou a comer, de cabeça muito baixa, como um porco com o focinho metido no cocho. Os sons rasgados e chorosos da gaita enchiam o ar. Um ventinho morno bulia com as folhas, fazia oscilar a chama das lamparinas. Homens iam e vinham trazendo churrascos ou levando espetos.
A vida era boa – pensava, enfim, Rodrigo.
O Sobrado I – Erico Veríssimo; p.292



























Um Cooper antigão. O povo aqui gosta muito e cuida dessas tranqueiras.
Boarding tipografado pela minha irmã. Letra foda de família.
Nave principal do Museu de História Natural e um esqueleto de dinossauro.
Torre do Museu de História Natural. A gente encontrou a Lucy original, aquela macaca gnoma que o povo fala que é nossa ancestral.
O homem espera o trem com um ramalhete de flores vermelhas em uma estação de trem ao sul de Londres. A maioria das pessoas preferem os trens de superfície por serem baratos, rápidos, confortáveis e com uma vista bacana do trajeto, ao contrario do metrô. Ah, o povo aqui compra muita flor. E sempre sorri.
Pôr-do-sol às 20h no parque Brokewell. O céu britânico no verão é de um azul surpreendente. E o sol realmente é aquela piadinha de que é igual luz de geladeira: ilumina mas não esquenta.
Isso aí é um Smart preto com detalhes laranjas. E essa entre o retrovisor e a lataria é uma teia de aranha. Tem gente por aqui que não está muito aí com o carro. Igual uma Ferrari Scaglietti com umas cagadas de pássaro na lata, que vi hoje.
Uma BMW 328i por £2200. Preço de chevettão.
Lápis-baqueta. Aham, HB#2 com grafitão, para fazer um pagode na hora do sketche.
Esse tá caro, mas é um bolachão do MJ Thriller 25 anos,
Seção roque-paulera da HMV, a loja que é a dona daquele cão que escuta gramofone.
Chinatown sempre lotada, com umas lanternas decorativas pra gringo ver. E eu não tinha visto essa véia bocejando na foto.
TV de chinês: pataiada defumada na vitrine, esperando para ser fatiada e devorada.

