MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Hugs, nerd; Hugs.

21 de maio de 2010

Você já se perguntou o que significa []´s no final das mensagens? Eu já. A primeira vez que vi esse símbolo na ArpaNet, fiquei encafifado com o grafismo e resolvi perguntar ao SysOp o real significado. Ele rebateu na hora: Abraços, brow.

Como ninguém jamais poderia duvidar de um SysOp na época, dado seu grau de importância, integridade e vicissitude alheia, tomei como verdade absoluta.

A vida seguiu até o dia que, em uma troca singela de e-mails com o amigo Robert Cailliau, perguntei o por quê d’ele usar colchetes para finalizar e-mails.

A resposta foi histórica e acredito ser uma das primeiras razões etmológicas verdadeiras do simbologismo codificado (tradução livre por nosso imberbe colaborador L33t-w33K:

Message-ID: <020a01c5d41c$de175110$5a14a8c0@northrop>
From: "rcailliau <rcailliau@cern.ch>"
To: "rvalentino at North <rcc344rval@northrop.com>"
Date: Fri, 23 Dec 1994 17:48:09 -0200

RV,

Na verdade eu sempre finalizei minhas comunicações com o Tim (N.E.: Tim Berners-Lee, um dos pioneiros virtuais) com um singelo abraço. Coisa de família, então a saudação surgia normalmente para finalizar a missiva. Em dada ocasião, e na pressa de finalizar um DDCo para o Tim, escrevi rapidamente duas chaves {} (braces, en inglês). Ele entendeu e na contra-resposta arrematou um "apóstrofo S", finalizando com {}'s (embraces)

A chave mudou para colchete por comodidade. Muita codificação e operação telefônica comunicativa na época transitava entre colchetes. Inclusive um projeto visionário de IPv era atribuído em colchetes, como esse ldap://[2001:db8:3c4d:15::abcd:ef12]. A facilidade e praticidade de não ter que subir a caixa para escrever []´s foi tamanha que a gente migrou para os colchetes sem perceber. Nossos protótipo de IPv eram limitados por colchetes, então melhoramos a dialética e simplificamos o óbvio. E essa saudação contagiou nossos amigos que, como em um ritual secreto nosso, recebiam o entendimento da codificação.

O abraço foi a melhor forma de despedida, uma vez que a comunicação à distância sempre delimitava qualquer forma de cumprimento, como um aperto de mão ou qualquer saudação corporal.

[]´s


[N.E.: Em inglês, existem duas formas de descrever um abraço: embrace (mais formal) e hug (mais informal)]

Solicitação

19 de maio de 2010

Ei, camarada: o que você faz aqui? Por que ainda insiste em ter este blog no seu feed? Por que visita esta estrutura decadente e sem vida há tempos? O Eldorado não existe, sinto-lhe informar. A banalização da informalidade e a mediocrização da informação — volátil e mal digerida — matou quem escreve mais de três parágrafos.

A notícia amadurece em questão de segundos e a putrefação já está no encalço antes mesmo de recitar três fonemas. O Twitter nos separou do lirismo abstrato de gerar e gerir um blog. Twitter é para texto. Pequenos textos, não se esqueça. Blogs, para imagens e elefantices arrastentas.

Duvido que você tenha ainda a pachorra e a paciência de chegar os olhos até aqui. Este post não tem figurinhas, tem mais de 200 toques e eu sei que você é um preguiçoso que ainda teima em tentar manter uma leitura sadia.

Eu me fodi. Odiei o Twitter e vomito ali apenas pensamentos idiotáticos. Aqui ainda é meu refúgio e subterfúgio. É a alcova escura e triste, isolada dos outros sadios e sãos, onde ainda posso inventar neologismos e palavras execráveis como “idiotático”, “mediocrização” e “elefantices arrastentas”. Todo esse sacrilégio em um único texto.

Estou velho.

Aliás, estou velho e a irresponsabilidade contextual está tão agressiva que as milhares de pequenas e intensas coisas boas, que eu tanto prezava e gostava de ostentar aqui, passam batidas da crucificação literária virtual.  Não sei o que é que está acontecendo. E não tenho como recorrer a algo que não seja fresco para tirar da inércia essa pachorrice toda.

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Eu tinha um HD externo removível e portátil. meio terabyte de informações, quase sempre lotado. Fazia becape uma vez ou outra no mês. ele parou de funcionar e, pela primeira vez em dez anos de fotografia digital, perdi 60 fotografias não becapeadas. Perdi também umas 6h de trabalhos diversos, umas músicas não muito legais, coisas fúteis. Fiquei triste pelas fotos, mas percebi que nem isso me chateou.

Nada me chateia.

Não me estresso mais, não sinto raiva excessiva nem desconforto social. Talvez tenha me tornado um sociopata amistoso, uma dicotomia que não consegue se desvencilhar da contra-parte e que sobrevive como um bruma embaçada, que amiúde integra-se no bucolismo da paisagem inerte.

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Tenho mais amigos. Sinto saudade de todas as amizades que já fiz e que me distanciei. Não existem reposições. Cada um risca com a ponta da faca a minha tez, com pressão moderada, suficiente apenas para deixar uma cicatrícula quase imperceptível, mas que me faz relembrar todos os dias, em um espelho fagófago, que me balda e tolhe minha solidão.

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O mundo é político demais. Eu sou um velho bonvivant e que estou, definitivamente, em uma era errada. Falhei em seguir a risca os mandamentos da concupiscência social e material. Então vou me arrastando.

Este blog é meu alter-ego: arrasta-se como o dono, sufragado em desatinos.

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premissa

Copa Peugeot – Etapa Brasília

28 de abril de 2010

enviar

Algumas fotos da etapa Peugeot de rally de velocidade – Etapa Brasilia 2010. Eu e o André fomos dar um apoio moral e participar da minguada torcida. Na verdade a gente foi lá para ver o oco, mas nada de grave aconteceu.

Mais fotogenia:

Arquibancada

28 de abril de 2010

arquibancada

A foto foi acidental. Era para ter foco na moto, mas sei lá o que aconteceu. Tirada com um filme preto e branco Ilford Delta400, em uma Canon AE-1 mecânica e lente 50mm 1.4.

O resultado ficou legal pelo fato de eu não ter nem idéia de que aqueles dois viventes estavam ali, empoleirados. A granulação é original da película.

A asa e a borboleta

27 de abril de 2010

borboleta-JK

Isso aí é uma fotografia. Sem alterações nem tratamentos. É o vitral que fica em cima do esquife d´O Fundador, JK, no memorial homônimo. O vitral tem toda essa fluidez, parece uma asa de borboleta gigante.

É isso.

Aliás, essa foto não existe mais. Eu baixei ela em um HD portãtil que bateu as botas e estragou.

O bad block de hoje é o filme queimado de outrora. Isso é.

Brasília: 50 anos.

22 de abril de 2010

Ontem foi aniversário de Brasilia. A festa — que tinha tudo para ser a maior esbórnia visual e social de todos os tempos na comarca — tornou-se um parabéns de tia velha com balão murcho enchido no dia anteiror.

Toda essa putaria política que acomedeu a casa do espanto do governo local pôs em xeque qualquer credibilidade no evento. Resultado? Muito artista declinou o convite para fazer parte da festa. Bandas decadentes animaram o povão, a “Turminha Disney” fez a alegria da criançada e tudo queimou-se como papel.

A ressaca — como sempre — foi de toneladas de lixo no chão da esplanada.

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Aliás, Brasília virou motivo de piadas em todo o Brasil. Desde o rodízio de cadeiras até o futuro governador Roriz (sim, infelizmente ele voltará), tudo aqui é o espelho da democracia nacional. O brasileiro não sabe o que é votar.

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Meus pais passaram por aqui ontem, no dia da festa dos 50 anos de Brasilia. Vindo lá do meio dos índios, de uma viagem invejável que contornou o litoral brasileiro. Ficaram em um hotel chamado Brasilia Palace, que tem uma história interessante: Foi o primeiro grande hotel da cidade, ao lado do Palácio Alvorada, na margem do lago Paranoá. Pegou fogo, ficou 20 anos sucateado e recentemente passou por uma reforma e restauração completa. Hoje é quase um museu interativo, com quartos honestos, tarifa interessante e uma carga histórica invejavel. É uma opção de estadia imersiva brasiliense, com requintes de outrora.

Não resisti e passei a noite lá.

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A Zélia Duncan estava na mesa da frente ontem em um restaurante. Era engraçado que toda hora que alguem queria uma foto, ela colocava um Rayban Aviator para ficar com cara de badgirl. Gente famosa sempre tem uma peculiaridade existencial.

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Faixa (que provavelmente ainda esteja lá) em frente do condomínio “Ilhas do Lago”, no SHTN: URGENTE: vendo apartamento de 3 quartos no Ilhas, abaixo do preço de tabela: R$890.000,00.

Imagine que esse “3 quartos” tem cerca de 90m². R$9.800 por metro quadrado, my friend. E está abaixo da tabela mesmo, olha só.

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Se bem que o Noroeste, o novo bairro brasiliense, todo ecológico e moderno, custará R$15.000 o quadrado metrado. É um orgulho essa ostentação toda de bolha imobiliária que dá até vontade de vomitar. Temos coisinhas pitorescas de dois milhões e meio.

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No mais, o que mais vale aqui em Brasilia é o que está fora dela.

As redes neurais.

21 de abril de 2010

Redes neurais versus redes sociais

Filme 135-35mm

20 de abril de 2010

Essas duas fotos que ilustram este post foram tiradas com uma máquina fotográfica mecânica, de filme, totalmente manual. Do rolo de 24 poses, perdi 3 para tentar ajustar o filme na câmera, 2 por problemas de fotometria e diafragma e uma por problema de focagem no escuro. As que sobraram foram apenas testes técnicos, sem importãncia documental.

Fotografar por filmes é apenas um hobby. É como colecionar discos de vinil: não é prático, não é fácil. Mas tem quem goste e isso não é forma alguma de status ou não significa que você é melhor. É apenas outra forma de fazer a mesma coisa.

O vinil foi substituido pelo compact disc em apenas 4 anos. A praticidade de não ter que virar um disco ou procurar uma faixa com a agulha por si só já o matou. Tem gente que ainda defende os antigos LP´s, pela qualidade, curvas harmônicas sonoras analógicas e pela forma “quente” que a agulha exerce ao entrar em contato.

A mesma coisa é a fotografia. Quer coisa mais complicada para um cidadão comum do que comprar um filme, ter que escolher o número de poses, o ISO e a marca, ajustar o filme, ajustar a máquina, tirar apenas 36 fotos no máximo e ainda ter que pagar e esperar para revelar (e ver que no final das contas as fotos saíram ridiculas e meio borradas)?

A fotografia digital é linda, perfeita, irretocável e imediatista. Errou? Apaga e bate outra. Está escuro? o ISO automático resolve. Autofocus para não borrar, identificação de rostos, sorrisos e até do nome da pessoa. Prioridade de foco nisso.

Não tem mais mistério, com a digital. Filme, só serve para quem gosta da velharia, do barulho do obturador batendo no espelho, do réco da alavanca manual de avanço de filme, da fotometria e dos ajustes de velocidade e abertura de diafragma, do cálculo de ponto quando quer puxar e granular uma foto.

É legalzinho apenas para quem curte. E nem por isso consegue ser melhor ou pior.

É apenas diferente.

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fotos

A foto dos galhos foi um teste: 50mm f:1.4 1/500s com um filme Kodak ProImage. Ultimos raios de sol. A segunda foto, é de uma placa aqui de Brasília que foi atropelada por um carro e ficou apenas o suporte dela. Algum genioso conseguiu reavivá-la de forma descomprometida e original. 50mm f:1.4 1s na mão. Borrou porque estava escuro e sem apoio.