Dias atrás precisei ir ao banheiro, em um shopping. Já viu como achar um banheiro em um shopping é foda? Pois então, sempre escondidos em corredores minúsculos, camuflados por esquinas de concreto refiladas.
Ao entrar no corredor, quase bati de frente com a mulher-gato. Uma loira das pernas torneadas e compridas, fantasia impecável de couro preto e latex.
Ela se esquivou para lá, eu para cá e fiquei como um pedreiro ao ver uma croquéte passando na calçada.
Refiz do susto, continuei pelo corredor até o final, pensando seriamente se eu já estava ficando esquizofrênico ou não.
Entrei na sala dos homens e outro susto: dos oito mictórios enfileirados, seis estavam ocupados. Pela seqüência: Homem-aranha; Incrível Hulk; vazio; Superman; Batman (o pretão, das trevas); Robin (o primeiro, aquele que parece um arlequim verde, amarelo e vermelho); Senhor Incrível, Wolverine (uniforme preto); vazio.
Entrei entre a parede e o Wolverine. (Existe toda uma lógica para escolher mictório em banheiro público, um dia explico.)
A Sala da Justiça Mijatória era surreal. Um homem entrou no banheiro, parou atônito e saiu, sem falar nada. Aliás, os super-heróis são tristes, franzinos e quietos, quando mijam.
Ao sair do banheiro ainda encontrei a Senhora Incrível, a Mulher-Maravilha e a Tempestade. Todas com uniformes menores do que o habitual. E muita carne.
Era uma ação qualquer do dias das crianças, fiquei sabendo depois.
É assim que nascem os fans de HQ.







