MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Ladeira das Pedras, 37.

16 de janeiro de 2012

A velha casa da ladeira de pedras, número 37, era um retrato fidedigno da vida que não fluía mais na cidadela: o calçamento era irregular demais para o flanar da liberdade. A parede exibia tintas vermelhas de várias tonalidades e gerações que, pintadas umas sobre as outras, num estrupício relaxo, criaram bolhas e tumores texturados que tentavam conter as rachaduras sem base.

Janelas de madeirame empenado. A primeira, mais nova, não abria desde que fôra instalada em 72. Pedreiro escróque duma figa. A segunda abria. Abria e era usada pela senhorinha ridícula que ali pairava, plantada por horas, a reclamar da morosidade do vento que não mais assoprava como deveria.

O Tião da barbearia do final da rua, mentiroso que só, dizia que era ela a inspiradora da palavra peitoril, ja que as pelancas muxibentas e as têtas caídas esparramavam-se por toda  a madeira da balaustrada, realçando mais ainda as redondices e suas infindáveis dobras sebentas.

Nada na cidade tinha mais jeito. A diferença de temperatura média caía de maneira constante e chegou ao ponto em que a palavra hermética começava a se incorporar em artigo de previsão do tempo e arranjo climático. Assim não mais existia ali conceito de calor ou frio; o vento — como a velha ali reclamou — de fato parara de assoviar há tempos. Nem uma brisa, quem diria. Nuvens? Só carneirinhos de passagem e sem funções pluviais que as valessem.

Os velhos não geraram novos rebentos. O plantel dos chucros e irriquietos varãos dali se escafederam para novas paragens. O Tião bem que alertara: aquela nota de 10 com um bigodinho no bução da princesa passou em sua mão por mais de 4 vezes naquela semana.

A vida estaqueara e ninguém percebera; a cidade estava isolada em si mesma, em um passado que todo dia não deixava de se repetir.

Não está fácil para ninguém.

11 de janeiro de 2012

Imagem dinâmica.

7 de janeiro de 2012

Dez mil unidades da moeda local.

7 de janeiro de 2012

Essa é para você que reclama dos preços abusivos dos carros no Brasil: igualar o valor não seria discriminar o mercado de maior poder aquisitivo? Não seria apenas inverter o jogo?

Imagine o carro que custa 30 Obamas lá fora vendido a 30 Dilmas aqui. Não seria a mesma injustiça com americanos inflacionar em 1,8x o mesmo produto, sendo que eles poderiam pagar, então, 16 Obamas?

Pela cotação da moeda americana, o preço hoje de um veículo popular em dólares é de US$ 11.317, bem caro. Quando foi criado, no início da década de 90, o preço médio do veículo popular era proporcional a US$ 8,3 mil. Lembra do Uno Mille à R$9.450? Pois é, dólar baixo.

A solução? Trabalhe mais, reclame (e roube) menos e faça seu país crescer e ter força econômica. Só isso. E essa dica vale para todo mundo que acha o ‘jeitinho brasileiro’ uma virtude e não uma desgraça.

Pensando em imigrar?

5 de janeiro de 2012

Se alguém, hoje, me perguntasse se valeria a pena mudar de país (e muita gente pergunta, por isso escrevi essa epopéia abaixo), eu diria que não. Antes que você pense que eu estou arrependido ou pior, que bailei na fronteiriça: informo que foi uma das decisões mais acertadas e felizes que já tomei. O que estou brevetando aqui é apenas um ponto de vista sincero do que encontrei em um novo-velho-mundo.

Falo isso para quem pensa em se mandar sem data para voltar. Se você vai apenas intercambiar, pare de ler aqui e vá cutucar alguém no Facebook.

 

Manualzinho da imigração hipster.

A vida fora de seu país natal é triste. Quase o banzo literário, o spleen de inglêses temperado com o ennui dos franceses em um pote de porridge fumarolento. Imigrar é uma atitude vocacional que requer sangue de barata nas veias.

Não que meu país de origem seja a tragicômica festa do desvario e dos pagãos. O Brasil consegue ser tão triste quanto, mas no idioma do Camões, o que é deveras compreensível.

O que recomendo é simples e como sói, não serve de nada além da reclamação: se você é ou está velho (mais cabeça que corpo, se é que você me entende), não queira mudar sua cultura. Seria o mesmo que destocar uma raiz de aroeira em um terreno pedregoso e árido. Vai doer e será muito mais trabalhoso do que se imagina.

Ganha bem fora. Mas gasta-se bem, também. O consumismo é uma merda e você cai em desgraça no dia-a-dia com o cramunhãozinho da compra assentado no ombro esquerdo. Fazer dinheiro aqui (e remessas de promessas de futuro via WesternUnion) é privar-se do prazer mundano.

Se você tem uma vida mais-ou-menos aí na Tupiniquinolândia, melhore-a localmente. Mudar não significa melhorar no zás-trás. Aliás, não ache que você chegará em outro país ditando moda, cagando regra e ganhando rios de dinheiro. Provavelmente o declínio profissional te pegará pelas bolas e você começará muito abaixo do que pessimisticamente imaginava.

Ritchie, o garotão da menina-veneno, afirmou que foram 30 anos para a proficiência em português. Acredito que o mesmo aconteça com outros idiomas e você sempre levará a alcunha de gringo, onde quer que vá. Abra a boca e a segregação acontecerá. Saiba lidar com isso e 90% das suas preocupações somem. Mais ou menos o que acontece com aquele padeiro perto da sua casa, o Portuga. Viu só?

O mundo é globalizado, mas as pessoas não. Parece uma contradição coloquial, mas em países mais tradicionais o povo tende a se isolar e criar bolhas de formalidade. O que não deixa de ser bom, se você gosta de ser um sociopata que não interage.

O Brasil já é visto com bons olhos por gente que nem sabia que ele existia. Isso é bom e anima. Mas ainda não estão nem ai para o que isso representa ou pior, não têm idéia de onde fica no mapa mundi.

A Europa está capenga, com um estranho freio que a estaqueará. qualquer dia tudo aqui desmorona e somente quem souber manejar uma clava de raiz de nogueira se sustentará na informalidade.

Mudar de pais casado é bom. E bem burocrático. Em contrapartida você tem uma gigantesca parceria emocional para se sustentar e a solidão não chega perto nem com reza. Venha sozinho e em 6 meses seu maior arrependimento te pegará pelos cornos. Sim, as fotos dos seus amigos no Facebook fazendo o que você FAZIA corrói a sentimentalidade varonil.

Tente aproveitar sua vida em seu país natal. Mude de cidade, estado. Vá conhecer as promessas de desenvolvimento tecnológico no Nordeste. Monte um projeto negocial em Piri-Piri, Curralinho, Florianópolis, Xanxerê, Mimoso do Goiás ou onde quer que seja: é quase o mesmo fôlego de mudar de pais, só que mais barato, fácil e com muito menos stress.

Ah, importante: não queira fazer a mostruosa cagada de se tornar um ser ilegal no país de destino. Tem brasileiro que surta e tenta a todo custo migrar. Tenha em mente que não basta querer mudar; a realidade é que nenhum país quer um novo imigrante. Nem o Brasil, acredite. A ilegalidade cansa e você será um cara muito, mas muito amargo. Amargo, esquivo e um fugitivo. Conheci gente assim por aqui e posso te dizer que não são nem um pouco amistosos.

O mundo afora é muito diferente do que se imagina. Pode ser uma delícia ou um inferno, e não existe fórmula do prenúncio de como será sua vida. Quiçá a auto-confiança seja o melhor termômetro de frias que você poderá encontrar. Se você tem alguma dúvida, não mude. Desconfia de algo? Não mude. Tem “Apego” no sobrenome? Fique em casa. Pensa que é fluente no idioma? Repense com sinceridade. É preguiçoso? Continue assim, na inércia eterna.

E não mude.

No mais, tudo só depende do quão safo você consegue ser.

New Year’s Eve @ London 2012

1 de janeiro de 2012

Macacomachine!

22 de dezembro de 2011

A Macaco Machine é a representação gráfica da minha tentativa de contextualização de uma idéia de réplica complexa para um argumento, em inglês. É como se fosse uma mordaça filtrante da minha vozearia mental.

Ah, as festinhas corporativas.

22 de dezembro de 2011

Sexta-feira passada foi dia de comemoração de final de ano aqui na empresa. Eu imaginava que seria apenas um almoço bocó com todo mundo se encarando de forma hostil, mas levei na cabeça com minhas previsões pessimistas.

O dia comecou com um café da manhã cheio de doces, acepipes e guloseimas que só existem por aqui na época do Natal. Meia hora depois, em uma capela-de-montanha (é esse nome mesmo, depois explico) que tem ali na ravina, contemplamos um coral natalino conhecido como Carol Service.

É claro que no caminho para a capela nevou e aquele clima de final de ano hollywoodiano achincalhou toda a minha concepção natalina calorenta brasileira de papai-noel de havainas. Cantamos umas canções natalinas, escutamos umas poesias e um pouco de drama com Shakespeare declamado.

Aqui entra um parênteses interessante: acredito que aquela capela seja protestante ou alguma vertente cristã. Descobri depois, conversando com um dos organizadores, que algumas pessoas não participaram por ser justamente em uma capela. Adivinha quem?

Errou se voce disse ‘Ah, a ateuzada!’.

Os ateus aqui são muitos. E não é pra menos, a Europa esta cada vez mais cética e sem conceitos espirituais. Mas a questão é que, apesar do Carol Service ser um evento piegas cristão, os ateus convictos estavam lá cantando, dando risadas e se emocionando com o evento. O social, mesmo.

Almoço com muito vinho, cervejas e comidas natalinas. O famoso Quiz de pub na hora dos digestivos, mince pies para matar o jotalhão.

Meia hora depois apareceram mais garrafas de vinhos e mais cervejas e umas despedidas chorosas de gente que está indo desta para uma melhor (empresa, não a vida), com brindes etílicos e mais comidas festivas.

Resumidamente o dia foi uma esbórnia gastro-bebericada descomunal. E que, como de costume, acabou na mesa de um pub, com o pessoal se abraçando e dizendo que te considera muito como irmão.

É a pingaiada, mais uma vez criando gente bonita na sociedade!

PS: quem não apareceu no Carol Service (além dos judeus, muçulmanos, indianos e budistas, por motivos de religião) foram os cristãos que não se interessaram pelo evento.