MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Cabelo, cabeleira.

27 de janeiro de 2010

Nunca tinha me ocorrido de utilizar a cor dos meus cabelos para preencher um ficha cadastral. À priori, ri com a pergunta, fiz até troça, “Sim, tenho muitos”, parodiando a resposta clássica sobre o sexo.

Minha resposta serviu para disfarçar a minha inquietude ao responder, com minha caligrafia incólume, um pequeno questionário acompanhado com vendedoras decotadas.

Só me lembro de utilizar tais informações em duas ocasiões realmente necessárias.

A primeira, no registro da maternidade, por razões óbvias. A cor de seus cabelos faz a diferença quando você está aos berros, com as fraldas cheias e enrolado em uma manta branca no meio do berçário com trinta crianças na mesma situação.

— O meu é aquele com o cabelo castanho escuro-aloirado!

A segunda utilidade da cor de suas madeixas é na guerra, mais precisamente no alistamento militar.

— Cabelo?
— Castanho claro.

Lembro de um amigo de estirpe caucasiana que quase havia ido às vias de fato com um baixa-patente que insistia em cadastrar características fenotipicamente tupiniquins. Vale a pena lembrar que em um pelotão genérico é mais fácil identificar soldados com os mesmos traços físicos.

— Cabelo?
— Loiros.
— OK. C-a-s-t-a-n-h-o-s c-l-a-r-o-s.
— ?!
— Olhos?
— Azuis.
— Hum-Hum. C-a-s-t-a-n-h-o-s c-l-a-r-o-a-ops!-backspace-s.
— Peraí!
— Hã?!

Sempre digo para não acreditar em homens que pintam os cabelos. E em morenas supostamente são loiras, nem pensar!! Em homens que usam perucas… Valha-me!

As opiniões — quase sempre — são tão postiças quanto suas madeixas.

Ernesto Hemingway, (1899–1961).

26 de janeiro de 2010

Ernesto Hemingway

Ernesto Hemingway (1899 – 1961), célebre escritor estadounidense suicidado por R.Valentino. O incidente foi motivado por recusa do artista em receber o nosso co-editor em seu país (Leia o imbróglio completo aqui). A resposta do rapagão ao acinte tomou forma de carta com críticas veementes, fato que culminou com Ernesto atravessando uma bala de rifle para elefantes pelo bestunto.

São Paulo, 456.

25 de janeiro de 2010

Grafite e São Paulo.

Essa foto aí eu fiz lá perto da Liberdade, enquanto passeava pelo centro da megalópole. Eu achei que era uma obra d’Os Gêmeos, então cliquei. E até hoje não sei se é ou não…

A volta do ICQ

22 de janeiro de 2010

Desde a época em que o MSN passou a perna no ICQ e aos poucos todos os usuários migraram para a plataforma Microsoft, meu ICQ morreu.

Praticamente todos os meus contatos trocaram de comunicador: de uma hora para outra o ICQ ficou cheio de UIN´s desconectados para sempre. E isso aconteceu para todos ao meu redor.

Não sei se tudo isso foi a pressão da Microsoft em empurrar o MSN no sistema operacional ou se foi a Aol LLC que matou o ICQ com as milhares de tranqueiras que o deixaram assustadoramente feio, pesado e lento.

O mérito agora é que existe uma versão 7 da brincadeira. Limpa, sem aquela penteadeira de puta velha que era antes. Comunica com um monte de comunidades 2.0, feeds, twitter, coisa e tal. E eu não sei até onde (e como) essa ressurreição pode chegar.

O tal do UIN

O UIN do ICQ Significa Universal Internet Number. Talvez o ICQ fosse convencido igual à Swatch (com aquela piração do @ beat Internet Time) e quisesse rotular TODOS os usuários de internet por números. No final do século passado, ainda no tempo em que a internet era movida à lenha no Brasil, uma das formas nerds de você avaliar o tempo de internet de uma pessoa — que convenhamos, era um status quo indubitável — era a numeração UIN do ICQ. Quanto menor o número, mais reputação o geek tinha.

É ai que meu problema começa. Eu tinha um UIN de seis dígitos (#299069), registrado no final de 1996. Esses números baixos  eram tão cobiçados que se você não tivesse uma senha com 16 dígitos, era fácil perder o UIN para algum hacker. Hoje um UIN registrado está na casa dos 500 milhões.

A minha senha tinha tanto caractere especial que, quando se pedia o reenvio de senha, os browsers só imprimiam quadrados (algo como: □□□□□)

Meu e-mail daquela época já não existe mais, era um finado spegel@usa.net da Amex americana.

E agora fiquei com vontade de reavivar uma coisa que não tem como. Rever contatos antigos, que há 14 anos não converso. Sim, é tempo. Uma amiga de Hong Kong que adorava poesias de Fernando Pessoa, traduzidas; a australiana ruiva que ficou minha amiga porque achei metade dos tios-avôs dela por aqui.

Coisas pitorescas do tempo em que a internet era cultural e semântica, sem a cauda-monga que a destrói todos os dias.

A australiana

O ICQ era legal, porque toda vez que algum novo usuário aparecia, você sabia que era mais um adido cultural na sua lista de experiências virtuais. E não existia tanta privacidade, um UIN conversava com o outro sem a necessidade de adicionar ou pedir permissão (Isso mudou em 1999 com a neurótica Aol LLC).

Uma dessas conversas foi com uma garota australiana. Ela era toda bonitinha, eu era um salafrário cafajeste, então já viu. Conversávamos por muito tempo — eu na madruga e ela no entardecer — amenidades, diferenças culturais, gírias aussies pra cá, inglês macarrônico pra lá.

Até que eu contei que meu avô era imigrante aqui no Brasil. Ela confidenciou que o avô dela também era alemão e refugiado da segunda guerra, mas que tinha perdido dois irmãos pelo mundo quando fugiram, talvez para a américa. Solícito que sou, disse que aqui na América do sul era fácil achar gente (era nada), e que faria uma pesquisa mais complexa para ela.

A minha idéia era passar os nomes para um amigo que trabalhava na antiga operadora de telefonia que a TIM comprou. Por ali ele conseguiria abranger o Brasil inteiro e, se os dois chucrutes estivesse nas terras tupiniquins, eu teria assunto para mais uns anos com a ruivinha.

Acontece que eu tinha duas listas telefônicas embaixo do meu monitor (gambiarra de nivelamento de vídeo avançado) e resolvi folheá-las. Era muita coincidência: tinha 9 sobrenomes que batiam. Destes dois eram os primeiros nomes indicados. Aí já fiquei com a pulga atrás da orelha e resolvi ligar para o primeiro.

— Seu Walfried?

— Ja vohl!

— O senhor é o irmão mais velho do Günter?

— …

— Alôuuu?

— Como você sabe!?

Desliguei na cara. Liguei para o Manfried. Mesma reação atônita.

Mandei um e-mail para a garota australiana (naquele tempo a gente usava o ICQ para amenidades e e-mails para coisas importantes), com os dados dos dois velhos: telefone, endereço, CEP, tudo.

O que se sucedeu foi uma coisa inacreditável, relatado por e-mail pelo pai da down under: Eles contataram os velhos aqui no Brasil; Os dois não sabiam que o irmão estava vivo, nem o irmão sabia que os dois ainda estavam na ativa; reuniram os três, 50 anos depois, em uma grande festa em Melbourne, onde os primos, netos, familiares e agregados se conheceram pela primeira vez.

A garota achava que eu era um herói, eu achava que nunca ia dar uns pegas nela. Ela achou namorado, eu virei metaleiro, ela casou e eu comprei uma bicicleta.

Depois disso só ficou a lembrança de ter feito uma coisa extremamente fenomenal para alguém que eu nunca, de fato, conheci.

Quem veio antes: o ovo ou a galinha?

20 de janeiro de 2010

É a pergunta mais idiota que eu já escutei.

Claro que é o ovo. Peixes, dinossauros, libélulas e um monte de vida préhistórica já botavam ovos antes das penudas.

Sem mais para o momento,

subscrevo-me.

Alexeyevich escreve.

15 de janeiro de 2010

Eu estava numa rave. Era de manhã e eu estava sentado na grama, junto com a namorada do meu amigo. O sol brilhava mas não estava calor. Eu estava feliz e satisfeito por estar numa rave tão boa e pequena cercado de pessoas modernas, interessantes, bonitas, legais e antenadas com as mais novas tendências do mundo musical e sócio-cultural. A namorada do meu amigo estava linda, com cabelos soltos no ar e um rosto bem delineado e nós conversávamos sobre nossas vidas. Eu falava pouco e ouvia muito porque as palavras embolavam na minha boca e saiam desconexas e sem sentido. Eu olhava para minha amiga e tentava me concentrar no que ela dizia, mas era muito difícil porque eu não conseguia deixar de prestar atenção no intenso brilho que tinham as pupilas dos seus olhos. Os olhos da minha amiga brilhavam como se fossem duas estrelas e eu até podia ver as cinco pontas da estrela que havia em seus olhos refletida em suas pupilas dilatadas. Eu não estava mais sequer ouvindo o que ela me dizia e eu pensava comigo mesmo como é que dois olhos podiam brilhar tanto como se fossem duas estrelas. Foi então que uma coisa extremamente interessante e divertida aconteceu. As duas estrelas saíram de seus olhos e começaram a voar vagarosamente como fadinhas em volta de nossos corpos tilintando e brilhando. Minha amiga também percebeu a presença das estrelas e ficou tão atônita quanto eu, reparando no vôo swingado daquelas duas estrelas. Elas passavam em volta de nossa cabeça, por baixo de nossos braços, se encontravam e se distanciavam sem nenhum nexo. Foi então que elas subiram mais ou menos uns dois metros de altura sempre acompanhadas por mim e por minha amiga e ali mesmo elas colidiram explodindo em uma linda chuva de luzes em pleno domingo de manhã. As pessoas que também estavam na rave sentadas na grama olhavam admiradas e todos nós estávamos muito felizes em presenciar aquele incrível e inesperado efeito astronômico em pleno domingo de manhã. A chuva de pequenas luzes nos banhava e eu e minha amiga gargalhávamos de felicidade. Nós nos abraçamos e nos levantamos e começamos a dançar de mãos dadas ao som do tilintar das luzes caindo sobre nós. Percebi que a grama se tornara azul e o céu cor de laranja, as nuvens eram verdes e as luzes que choviam brancas. As cores brilhavam muito mais do que num dia de domingo sem rave e eu e minha amiga caímos de joelhos na grama novamente, rindo muito e esbanjando felicidade e simpatia. Foi quando eu olhei para o chão e percebi que tão logo as luzes caiam no chão se transformavam em bonequinhos de corda coloridos com mais ou menos uns 5 centímetros. Cada bonequinho tinha o formato de um personagem histórico e eu achei isso impressionante e surpreendente. Eu peguei do chão o bonequinho do Louis Armstrong, dei mais um pouquinho de corda e o coloquei de pé na palma de minha mão. Ele então começou a se mexer mecanicamente e a cantar What a Wonderful World para minha amiga. Ela ficou maravilhada e eu pensava divertido o quanto a tecnologia não tinha avançado para que se produzissem bonequinhos tão pequenos fazendo coisas tão legais. A grama estava repleta de bonequinhos de personagens históricos. Eu via bonequinhos de grandes líderes, ditadores, assassinos, estrelas do rock, top djs e grandes profetas. O bonequinho de Louis Armstrong terminou de cantar sua musica e minha amiga me deu um beijo e o guardou em seu bolso como recordação daquele momento tão especial. A chuva de luzes brancas parou e tudo o que se via no chão eram milhões de bonequinhos de corda fazendo uma caótica algazarra e cobrindo todo o jardim do sitio onde acontecia aquela rave. As pessoas que estavam na festa começaram a engatinhar pelo chão procurando os bonequinhos dos personagens que eles mais admiravam para guardar de recordação. Eu olhei para os olhos da minha amiga que estava tão feliz mas não vi mai neles as estrelas e então pensei saudoso que talvez eu nunca mais presenciasse aquele estranho efeito tecnológico e astronômico. Eu pensei comigo que era melhor não me importar com isso e apenas guardar aquele momento na memória para sempre.

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14 de janeiro de 2010

02-02-1895 - Xarope peitoral de alcatrão e jatahy | Publicado no Jornal O Estado de São Paulo.
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A Ópera do Malandro.

13 de janeiro de 2010

Eu sou um sujeito extremamente envolvido com o JET SET nacional e estrangeiro. Já tomei umas geladas com Toquinho e Vinícius (vede episódio narrado pelo biógrafo Becker na edição de aniversário d’”O CRUZEIRO” de 1977), já hospedei José Saramago em minha casa de campo em Bilbao, já dei carona a Pedro Juan Gutiérrez de Vladivostok a Saigon em plena Guerra das Seis Horas (Episódio Bélico de 1983 na Guerra Fria, completamente abafado pela imprensa). Enfim, sou habituado a conviver com personalidades de evidência.
Assim, estava em minha casa consertando uns mandolins quando o telefone toca:
-Alô? – pergunto
-Jorge?- uma voz amigável me reconhece
-Pois não? O que desejas? – é assim que atendo a pessoas que ligam para minha residência
-(Risos) É o Chico.
-Qual? –perguntei- o Francisco Buarque de Hollanda?- (este é o nome completo do Chico Buarque)
-(Gargalhadas) Isso mesmo. (Tosse)
-Fala, F.B.H.- – (às vezes o chamo por essa sigla)
-(Redobra a gargalhada) >-Diz aí.- falei
- Rapaz… (se recompondo) você me mata de tanto rir…
-Que você ordena?
-Jorge… escuta… – (ajustando o telefone no ouvido)- estava arrumando uma gavetas aqui em casa (ele mora no Rio, antigo Estado da Guanabara) e encontrei uma música que eu fiz para você..
-Qual? “Copo Vazio”?
-(Risos novamente) Não, não, essa não… Aquela outra com o teu nome…
-“Vai trabalhar vagabundo”? – arrisquei
-( A gaitada era sonora apesar de Chico Buarque tapar o bocal do telefone com a mão). Cara, “Jorge Maravilha”!
-Ah… lembrei. Tava todo mundo -(Nara, Tom, Paulinho, Cláudio Monte(pai da Marisa), Elis, Belchior, Caetano Veloso, Ednardo, João Bosco, Chico, Betânia e eu)- lá no Transa (bar em Copacabana), naquela tarde…
-Pois é.. 1974…
-Essa garotada aí nem era nascida ainda, hein Chico…
-Pois é… Sim, eu vou te mandar a música por mail e você publica aí no “In-Cubos”pro pessoal matar a saudade.
-Claro, Chicowski (nome que eu inventei= Chico+Bukowski) … Por você quebro qualquer galho
-Até mais Valente.
-Até mais, mano velho.
E assim, para vocês, “Homenagem ao Malandro” de Chico Buarque de Hollanda. 1974
Homenagem Ao Malandro
Chico Buarque
Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central

Eu sou um sujeito extremamente envolvido com o JET SET nacional e estrangeiro. Já tomei umas geladas com Toquinho e Vinícius (vide episódio narrado pelo biógrafo Becker na edição de aniversário d’”O CRUZEIRO” de 1977), já hospedei José Saramago em minha casa de campo em Bilbao, já dei carona a Pedro Juan Gutiérrez de Vladivostok a Saigon em plena Guerra das Seis Horas (Episódio Bélico de 1983 na Guerra Fria, completamente abafado pela imprensa).

Enfim, sou habituado a conviver com personalidades de evidência.

Assim, estava em minha casa consertando uns mandolins com ula nova técnica de aviltamento de madeiras, quando o telefone toca:

— Pois sim? — pergunto

— Érre Vê? — uma voz amigável me reconhece

— Pois não? O que desejas? — é assim que atendo a pessoas que ligam para minha residência

— (Risos) É o Chico.

— Qual?  — perguntei — o Francisco Buarque de Hollanda? — (este é o nome completo do Chico Buarque)

— (Gargalhadas) Isso mesmo. (Tosse)

— Fala, FBH. — (às vezes o chamo por essa alcunha)

— (Redobra a gargalhada) — Diz aí. — falei

— Rapaz… (recompondo-se) — você me mata de tanto rir…

— O que você ordena, capitão?

— O Valente… escuta… — (ajustando o telefone no ouvido) — estava arrumando uma gavetas aqui em casa (ele mora no Rio, antigo Estado da Guanabara) e encontrei uma música que eu fiz para você…

— Qual? “Copo Vazio”?

— (Risos novamente) Não, não, essa não… Aquela outra, malandragem…

— “Vai trabalhar vagabundo”? —  arrisquei

(A gaitada era sonora apesar de Chico Buarque tapar o bocal do telefone com a mão) — Cara, “Homenagem ao Malandro”!

— Ah… lembrei. Tava todo mundo — [Nara, Tom, Paulinho, Cláudio Monte (pai da Marisa), Elis, Belchior, Caetano Veloso, Ednardo, João Bosco, Chico, Betânia e eu] — lá no Transa (bar em Copacabana), naquela tarde…

— Pois é… 1974… Todos vocês me ajudando a musicar a peça Ópera do Malandro… que tempestade de idéias, meu amigo!

— Essa garotada aí nem era nascida ainda, hein Chico…

— Pois é… Sim, eu vou te mandar a música por e-mail e você publica aí no “Madcap” pro pessoal matar a saudade!

— Claro, Chicowski — (nome que eu inventei = Chico+Bukowski) — Por você quebro qualquer galho!

— Até mais Valente.

— Até mais, mano velho.

E assim, para vocês, “Homenagem ao Malandro” de Chico Buarque de Hollanda. 1974

Homenagem Ao Malandro

Chico Buarque

Eu fui fazer um samba em homenagem

à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.

Eu fui à Lapa e perdi a viagem,

que aquela tal malandragem não existe mais.

Agora já não é normal, o que dá de malandro

regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,

malandro candidato a malandro federal,

malandro com retrato na coluna social;

malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.

Mas o malandro para valer, não espalha,

aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.

Dizem as más línguas que ele até trabalha,

Mora lá longe chacoalha, no trem da central

Trilha do Lenhador

12 de janeiro de 2010

Domingo reunimos uma turma de pessoas que não gostam de ficar em casa sem fazer nada e seguimos rumo ao Lenhador, na região da Fercal. O espaço é muito democrático, para carros, motos, bikers e loucos.

Deu muitas chapas legais, o que comprova a teoria do “final de semana desplugado é o melhor que há!”:

A história do Rock´n´Roll

12 de janeiro de 2010

Não sou muito de criticar, elogiar ou indicar filmes e shows aqui no blog, pois tenho um gosto assumido de besouro. Eu sou tão ignorante e eclético que consigo entender e gostar de coisas que não combinam entre si, tipo presunto com geléia. Ou música clássica com Pena Branca & Xavantinho.

Mas uma recomendação pessoal de show que assisti on-demand dias atrás valeu muito para resgatar uma porção da minha infância e juventude: O 25th Rock and Roll Hall of Fame Concert gravado em duas noites no Madison Square Garden, Nova Iorque em outubro do ano passado.

É uma dessas produções pedantes da HBO com o Tom Hanks apresentando (que seria melhor ter colocado um roqueiro falastrão no lugar), mas a evolução musical do show é bem harmoniosa.

Jerry Lee Lewis abre o show com as grandes bolas de fogo, seguidos por Crosby, Stills,  Bonnie Raitt, Jackson Brown, James Taylor, Stevie Wonder, Smokey Robinson, BB King, John Legend, Sting, Jeff Beck, Paul Simon, Dion DiMucci, Graham Nash, David Crosby, Little Anthony, Simon and Garfunkel, Aretha Franklin, Annie Lennox, Metallica, Lou Reed, Ozzy Osbourne, Ray Davies, U2, Bruce Springsteen, Patti Smith, Will.i.am, Fergie, Mick Jagger, Jeff Beck, Buddy Guy, Billy Gibbons, Sting, Bruce Springsteen, E Street Band, Sam Moore, Tom Morello, Darlene Love, John Fogerty e Billy Joel.

Como ainda não apareceu no Brasil, assista uma versão alternativa via torrent (7.96GB –  HDTV 720p – mkv).