19 de novembro de 2008
Escrever é perder todas as lembranças e destruí-las em formatos de letras agressivas e ásperas. A literatura — em qualquer uma das suas formas mais vorazes: poesia, elegia, ou a prosa fascínora — é a maneira mais fácil e deliciosa de ignorar a vida. Qualquer outra expressão visual, por mais plástica e abstrata que seja, consegue exprimir sentidos perfeitamentame tangíveis e perfeitos.
A literatura é torpe e baixa. Descreve tudo com uma simplicidade e perfeição incrível. E mesmo assim, nunca a velha casa das paredes descascadas de um mofo adocicado será a mesma.
A sua casa não é a minha.
A minha é na beira de uma praia de Montouk, caída e sem caibros, com neve perto do beiral da varanda. A sua deve ser Bauhaus, apopética, vai saber.
Um drama nunca foi o que almejou ser; no máximo um romance dado sem narrativa alguma. Textos assíncronos, sem realidade, inexistentes em sua própria subjetividade.
A literatura é um monstro aniquilador de sonhos.
Sem dó.
17 de novembro de 2008

Publicado no jornal O Estado de São Paulo – 23/05/1893
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17 de novembro de 2008
Essa sacada genial é para os spy-blicitários que entram aqui sempre, para usurpar uma ou outra deixa: use a intersemiótica do pátio da fábrica automotora que sua agência representa, mande os caras alinharem milhares de carros pretos e brancos na configuração 3x2x3x2 e voilá, você terá um teclado todo estiloso.

O gordini fica de brinde, só para ilustrar. O pátio foi fotochupado do Gettyimages.
14 de novembro de 2008
Os demiurgos deste veículo brindam seus freqüentadores com uma resenha rara, captada pela proximidade animalesca de R.Valentino em último bal masqué, realizado por ocasião da inclusão do então consagrado gráfico da “falafalicitude autômata de vozes”, um resumo heróico e competitivo desafiando R.Valentino a criar um gráfico de axis paralelos com explicação auto-entendível.
A questã logrou a voluta peripatética abaixo:

Notas do Autor: Consideráveis variáveis que influenciaram na pesquisa:
— Elitistas emergentes e falsos elitistas falaram muito alto; pertencem às classes inferiores originais.
— Pobres que falam baixo têm problemas de dicção, ortodônticos ou são mudos.
12 de novembro de 2008

Fiódor Dostoiévski (1821 – 1881)
Russo esquisitão, vadiava esquivo por São Petesburgo. Abandonou a carreira militar pra escrever o primeiro livro e ganhar alguns trocados “limpos”. É preso por freqüentar um círculo de socialistas utópicos e sentenciado com pena de morte. No último minuto a pena é comutada para 4 anos de trabalhos forçados na Sibéria. Cumpre a pena, e passa a viver precariamente de uns escritos estranhíssimos.
4 de novembro de 2008

Publicado no jornal O Estado de São Paulo – 26/08/1892
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27 de outubro de 2008
Desisti da vida de freelancer. O esforço não vale mais a pena. O mercado de design e publicidade alternativo está muito sujo. Cheio de micreiros-stacattos cobrando menos que prostitutas de rua. E clientes que não entendem o mercado como arte criativa.
Não trabalho mais com criação, nem internet, nem nada. Acabou. Tenho um emprego e o tempo livre dele é para curtir a vida adoidado. Estudar, criar coisas sem fins lucrativos, escrever para blogs, dormir, vadiar, fotografar, gastar sola da bota em cachoeiras de águas transparentes.
Tudo isso sem clientes pressionando, sem o mundo esperando o milagre da recriação.
Como tudo na vida deve ser.
(Claro que sou deveras inconsistente e se você aparecer com uma proposta muito da cretina, envolvendo boa quantia de verba, pouca perspectiva e nenhum compromisso, serei todo seu. Mas não acredito que exista alguém com esse perfil.)