MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

O Antônio José Custódio.

9 de setembro de 2010

Todo domingo por volta das oito horas da manhã a campainha lá de casa tocava duas vezes. Domingo para mim era um dia daqueles que não se podia perder um segundo. Totalmente carregado de brincadeiras, diversões, bicicletadas e artes não muito ortodoxas.

Na frente do portão lá estava ele, vestido sempre de um jeito muito peculiar: camiseta branca, básica, sobreposta por uma camisa de fazenda qualquer, sempre muito colorida e um casaco mais tricotado. Na cabeça um chapéu de palha trançada dos índios caingangues, em estilo cowboy, que eu não sabia se era de abas quebradas propositadas ou se a palha simplesmente enveredou as ponteiras.

Seu Antônio carregava sempre uma sacola trançada de nylon, que não lembro se era azul ou verde. Um fio tão grosso que eu poderia jurar que era linha de pesca. Dentro, uma meia-dúzia de hortaliças, doações e um radinho à pilhas que nunca ouvi chiar.

Não tenho nem como precisar de que época são essas lembranças. Desde que tenho noção de que o mundo é mundo o velho Antônio buzinava a campainha de casa. E acredito eu que ainda o vi uns pares de vezes quando eu tinha vinte e poucos.

Ele passara do século de idade há tempos. Sempre me troçava quando dizia que tinha o dobro da minha idade: eu mostrava meus cinco dedos esquerdos mais o indicador direito. E eram, de fato, os doze anos duplicados dos meus seis. Mais um século de bônus.

Seu Antônio era a antítese de um velho centenário: lúcido e suficientemente forte para andar uns bons cinco ou seis quilômetros diários, visitar amigos e conhecidos, como a minha família, que eu não sei ao certo o motivo da cordialidade semanal que era nutrida por nós.

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Na frente do portão lá estava ele. De olhar vago e distante da porta ou até mesmo da casa, em que havia um permanente e curioso fito devaneístico, como se tudo, afinal de contas, não fosse essas coisas todas que a gente tenta confabular e ele fingia não perceber. Seu rosto expressivo sempre mo era murcho e pergaminhado, de olhos fundos e brilhosos, que quase não combinava com o couro curtido e acabrunhado da sua caricatura.

Eu não tinha muita paciência com ele, confesso. Sua fala mansa e leve, carregada em saudações e eruditismos flanavam como um idioma irreconhecível. Não compreendia o vossa mercê e o sinhozinho que me tratava. Voismecê para mim, naquela época, era apenas jacuzices dos do mato.

À parte disso, outra coisa me encafifava as idéias; ele jamais punha o pé dentro de casa. Era apenas uma cadeira que eu levava lá na porta, a qual ele se sentava para conversar. Degustava uma boa bolacha de maizena com um copo de leite morno enquanto contava suas prosápias epopéias.

Interessante era que, mesmo impaciente e sem atenção alguma, eu escutava suas lendas históricas. Como bom guarapuavano, ele me contou detalhadamente o causo da cobra gigante que tem o rabo na lagoa das lágrimas e a cabeça na catedral. O pároco alimentava o bichão com crianças pagãs não batizadas.  Eu achava essa história uma invencionisse descabida caducada, mas é uma lenda tão conhecida e famosa na cidade que o velhinho ou a inventou e a semeou no vento, ou pior, fez parte da implantação do bicho lânguido.

E assim fiquei sabendo das presepadas do nosso Visconde de Guarapuava; de quando os escravos realmente começaram a circular pela cidade, livre; da comemoração da república e da sacanagem em terem chutado as ancas do império brasileiro pra’lém mar.

O primeiro carro da cidade, um Fordinho 29 que parecia uma besta-fera; o fonógrafo, as cavalhadas, a instalação da sede da cavalaria para defender a fronteira do município, que era às margens das sete quedas com os castelhanos malditos.

Eu náo colocava juízo na questão. Mas realmente naquela época minha cidade era — territorialmente falando — a metade ocidental do Paraná.

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Assim que acabavam seus dois ou três biscoitos de maizena e o copo de lente, que ele agradecia com um suave Deus -que-ajude, levantava-se solícito e rumava para o centro da cidade.

Eu voltava para minha rotina hiperativa qualquer, e nem ao menos digeria direito o que havia escutado.

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Seu Antônio, por supuesto.

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Tempos atrás encontrei no Museu virtual de Tampa um retrato do Seu Antônio, clicado por Valdir Cruz. Não acreditei quando vi aquele semblante munchauseano imortalizado em uma chapa de gelatina de prata sepiada por selênio e exposta em um museu norte-americano.

O velhinho era foda mesmo.

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Descobri que Valdir Cruz é um fotógrafo de mão cheia. Retrata com uma câmera que 99% dos fotógrafos digitais por ai jamais imaginariam que existe. E que faz fotos tão realistas e perfeitas. Prazer, é o grande formato.

É no site dele que encontrei uma galeria sobre Guarapuava. Foi uma viagem incrível, mesmo porque aquela cidade não muda.

O Valdir saiu de Guarapuava para o mundo no mesmo ano em que eu nasci. E, conversando com ele, percebemos que a cidade não mudou nada.

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Acredito que só escrevi esse texto meio sem nexo porque estou lendo O Retrato, primeiro tomo da segunda coleção do O Tempo e o Vento, do Veríssimo.

E algumas coisas ali batem com as histórias do come;o da primeira década do século XX que o velho Antônio contava. E coincide com algumas campanhas publicitárias de alguns periódicos velhos que achei pelo mundo.

Pena.

Seu Antônio hoje, com um gravadorzinho desses de 16gb daria um belíssimo livro de contos da carochinha.

Publicidade: 1880-1900 | Banha Veado

6 de setembro de 2010

20-02-1896 - Banha Veado | Publicado no jornal O Estado de S. Paulo.

Publicado no jornal O Estado de S. Paulo – 20/02/1896
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Publicidade: 1880-1900 | Hermann Theil & Co.

30 de agosto de 2010

25-08-1895 - Hermann Theil & Co. Latrinas Unitas | Publicado no jornal Correio Paulistano.

Publicado no jornal Correio Paulistano – 25/08/1895
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Publicidade: 1900-1910 | Xarope São João.

27 de agosto de 2010

Provavelmente este tenha sido um dos primeiros anúncios publicitários nacionais coloridos. Era a contra capa de uma revista regional do Rio de Janeiro chamada Revista da Semana. Utilizava uma policromia de prelo extremamente rudimentar. As folhas internas eram monocromáticas, mas cada seção do periódico era impresso em uma cor diferente.

27-05-1900 - Xarope São João | Publicado na Revista da Semana (RJ)

Publicado na Revista da Semana (RJ) – 27/05/1900
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E la nave va.

27 de agosto de 2010

Essa é a quinta vez que uma foto minha é publicada em uma revista. E eu ainda náo tenho uma máquina fotográfica que preste. A ironia é uma bela dama que caminha de mãos dadas com o destino.

Foto publicada na revista Digital Photographer Brasil (ano 1, edição 3, pág 22).

Aliás, Tá aí uma excelente revista de fotografia. A primeira, em português, que realmente vale os centavos investidos. Eu tinha medo de que fosse mais uma daquelas fajutisses parecidas com as Ed. Europa ou independentes sem culhões, mas o editorial desta revista é assimada pelo Mario AV. Só isso.

Eine Kleine Nachtmusik für Streicher in G-Dur KV 525.

27 de agosto de 2010

Rareamento da informação.

26 de agosto de 2010

Descobri uma coisa muito interessante: antigamente eu postava muita merda aqui no blog. Eram inserções diárias de falastranismos rôtos.

Quando aquela bostícula chamada Twitter apareceu, redirecionei micro-pensamentos não processados para aquele espaço. Os mais chinfrins. Nada pensado ou acurado, sem correção ou preocupação alguma com formas léxicas ou gramaticais. Mesmo porque uma tuitada é apenas um grito abafado na multidão que se deixa frenetizar.

Mas reconheço que algumas coisas postadas lá deveriam vir para cá. Um espaço mais autoritário e imperialista.

Campearei-os, limparei-os das bostas de passarinho e aqui serão redimensionados.

Simples como álgebra bilinear.

Ah, procure-me na passarinholândia pela alcunha de @rValentino.

O projeto da publicidade.

26 de agosto de 2010

Olha só, que legal: descobri que aquele projeto de publicidade que eu tanto prezo estava parado por um motivo muito simples: estava difícil pra caramba atualizar. A métrica e o processo eram extremamente lentos e complexos e por isso mesmo eu o abandonei.

Agora a coisa está diferente: vou publicar o arquivo bruto, e só. Vai desandar feito ximia quente.