Publicado no jornal O Estado de São Paulo – 26/02/1894
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Slow bloggin’
16 de fevereiro de 2009
Sempre fui praticante do movimento Slow Blogging e não sabia. Não sei como tem gente que consegue escrever todo dia, ou pior: várias vezes por dia em um mesmo blog. Vai ter assunto assim lá na China.
Essa é para você, morador do altiplano brasiliense: semana retrasada caiu uma chuva de granito em cima do meu carro. Sim, granito. Na entrada do buraco-do-tatu. Um traunseunte fiduma jogou de cima de um dos viadutos que cruzam a rodoviária um bloco pétreo de quase 1kg no capot dianteiro do meu novo e sujismundo carro. Quase rasgou a lata com o petardo. O pedrenete recocheteou para um dos viés do carro, acertando em cheio um outro vidro de um outro carro que quase capotou. Por isso, olhe para os lados e para cima antes de trocar de faixa na região.
Comprei um apetrecho eletrônico dias atrás, pela internet, e ao chegar o caixote, constatei que nada havia dentro. O pacote foi aberto, o produto foi furtado e a embalagem rearranjada de forma a parecer que nada havia ocorrido. O pior de tudo é que esse caso não é isolado. Logo os Correios, talvez a única empresa estatal que eu ainda confiava, violando correspondências e caixas. É de partir o coração.
Arranhou a capa, mas não perdeu o brio:

Caminho antigo dos Pireneus, dentro da APA do parque, à 50 km de Pirenópolis-GO – 15/02/08
Liev Tolstoi
3 de fevereiro de 2009

Leão Tolstoi (1828 – 1910)
Russo. Autor de livros bem grossos que ficam em pé na estante sozinhos. Rufião de marca maior na juventude, converte-se à igreja ortodoxa russa no final da vida: caga na cabeça de todo mundo, vira mujique e deixa a barba crescer bastante.
Pavimento asfáltico e meu carro novo
29 de janeiro de 2009
Bom, todo mundo sabe que Brasília não tem pavimentação nas vias e que as trilhas, caminhólas e carreiros de terra e cascalhête levam todos a qualquer lugar.
A foto abaixo, por exemplo: é meu carro novo (bonitão né?) estacionado na Esplanada dos Ministérios. Você pode notar, logo atrás das rodas traseiras, um trecho conhecido como “eixo monumental” ou via N1. Não, não é uma via asfaltada de 6 pistas, engano seu. É apenas um carreiro de terra vermelha e batida onde mal passa um carro grande.

Agora, falando sério: você já viu como é feita uma pavimentação asfáltica padrão? Não? então vou resumir aqui só para você ter uma idéia: Um povo de capacete plástico e camisa de manga curta com canetas no bolso, atrás de um óculos de aro grosso e preto, faz o levantamento geotécnico do terreno. Riscam umas folhas de papel vegetal com milhares de cálculos e linhas e mandam para o pessoal de terra. Estes fazem a fundação do subleito da via, estabilizando, drenando e alinhando toda a fundação geomórfica. Depois vem um tratorzinho amarelo e faz a subbase, que é um monte de brita amontoada com uma deliciosa cobertura de asfalto diluída — a imprimação — que praticamente gruda todas essas britas como se fosse um pé-de-moleque. Quase pronto. Tasque 4 xícaras de binder para fazer uma camada de ligante asfáltico e uma cobertura de emulsante para finalizar. Reserve por umas horas e pinte riscos e faixas.
Todo esse trabalho resulta em uma pavimentação asfáltica ideal, com aproximadamente 50cm de espessura de materiais petrólicos totais.
Agora dá uma olhadinha na buraqueira média das vias do Distrito Federal. Tirei uma foto hoje mesmo, de um desses mastigadores de pneu em uma via aleatória a caminho do trabalho:

Percebeu a diferença? Terra batida, lama asfáltica e uma espécie de blend de subbase com binder. Tudo isso com menos de 5cm de espessura.
Foi por isso que eu comprei um fora-de-estrada. Você não imagina o que é passar com um carro europeu em um buraco desses a 80km/h e escutar um barulho que mistura pneu rasgando, roda trincando, geometria entortando e o bolso esvaziando R$300.
Fora-de-estrada é a antítese do bom asfalto brasiliense.
A reforma ortográfica
22 de janeiro de 2009
A reforma ortográfica é uma bosta necessária.
O verbo argüir, que tinha uma pronúncia entojada justamente por ser desconhecido, terá seus dias de dor ao ser pronunciado sem o fonema u.
A reforma ortográfica modificará a fonética gramatical, não tenha dúvida.
E isso é ruim.
Lirismo irrelevante
22 de janeiro de 2009
Escrevo como um carrasco usurpador das belas idéias acerca dos fatos.
Poderia escrever melhor, não nego. Canso de olhar relatos, ficções e noveletas que expurgo sem maior controle neste espaço e vejo, de forma tardia, a falta que uma enjambrada mais lírica fez.
O que muita gente não sabe é que escrevo e não ligo que ninguém leia. Escrevo porque preciso de uma âncora para meus sentimentos e lembranças reais, mesmo que tudo pareça camuflado em continhos murchos ou fantasias impossíveis.
Aliás, não invento nada, não sei se ja falei isso aqui alguma vez.
Escrever foi a forma singela que encontrei de ludibriar a vida. E publicar estes ensaios faz parte da regra básica da escrita. A publicação com direito à exposição permanente, infinita e livre é linda. Qualquer um pode interpretar como quiser. Até os idiotas.
É quase que um jogo regrado, diga-se de passagem.
Mesmo porque quem escreve para sí, em diários secretos que em algum periodo da vida vá pegar fogo ou se afundar em algum lago pantanoso, não escreve nada.
E quem escreve porque gosta, é um bosta.
Salto dos macacos
20 de janeiro de 2009
Bate-e-volta rápido para o Salto dos Macacos, uma cachoeira complexa situada na serra da Farinha Seca (25°24’6″S 48°54’45″W), do outro lado do conjunto Marumbi. A trilha de acesso tem aproximadamente seis quilômetros, com desnível de quase 300 metros de altura. Não é fácil. Cheia de complicações, falsas entradas, alguns bichos interessantes e muita umidade, o cansaço é estarrecedor.
A cachoeira é linda, mas extremamente perigosa. Composta de um imenso bloco granítico polido de quase 68m, é tombo na certa para qualquer um.
Aliás, ô lugarzinho pra matar gente! Aquelas pedras ensaboadas contabilizam um belo número de mortes nas costas.
O deslocamento total, desde a vila de Porto de Cima até a cachoeira, gera aproximadamente 18km de caminhada.
A foto abaixo tem a Célia no meio do monolito róseo, para ilustrar a dimensão do monstrengo. As seguintes, uma palhinha do que a gente encontra no caminho.
(As fotos estão embaçadas e fora de foco por dois motivos: a umidade no local é aterradora; o sol no local é aterrador. Some tudo isso e você percebe, no meio daquela luminosidade toda de meio-dia que toda-a-água-que-acumula-na-lente-evapora-e-acumula-e-evapora-e-embaça-os-filtros-e-lentes-internas-e-o-paninho-não-consegue-enxugar-o-que-evaporou-e-embaçou-e-a-paciência-esgotou-com-todo-esse-ciclo-interminável-e-vai-assim-mesmo-foda-se-vou-dar-um-mergulho. Isso é tirar foto na mata atlântica.)


























