MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Lirismo irrelevante

22 de janeiro de 2009

Escrevo como um carrasco usurpador das belas idéias acerca dos fatos.

Poderia escrever melhor, não nego. Canso de olhar relatos, ficções e noveletas que expurgo sem maior controle neste espaço e vejo, de forma tardia, a falta que uma enjambrada mais lírica fez.

O que muita gente não sabe é que escrevo e não ligo que ninguém leia. Escrevo porque preciso de uma âncora para meus sentimentos e lembranças reais, mesmo que tudo pareça camuflado em continhos murchos ou fantasias impossíveis.

Aliás, não invento nada, não sei se ja falei isso aqui alguma vez.

Escrever foi a forma singela que encontrei de ludibriar a vida. E publicar estes ensaios faz parte da regra básica da escrita. A publicação com direito à exposição permanente, infinita e livre é linda. Qualquer um pode interpretar como quiser. Até os idiotas.

É quase que um jogo regrado, diga-se de passagem.

Mesmo porque quem escreve para sí, em diários secretos que em algum periodo da vida vá pegar fogo ou se afundar em algum lago pantanoso, não escreve nada.

E quem escreve porque gosta, é um bosta.

Salto dos macacos

20 de janeiro de 2009

Bate-e-volta rápido para o Salto dos Macacos, uma cachoeira complexa situada na serra da Farinha Seca (25°24′6″S 48°54′45″W), do outro lado do conjunto Marumbi. A trilha de acesso tem aproximadamente seis quilômetros, com desnível de quase 300 metros de altura. Não é fácil. Cheia de complicações, falsas entradas, alguns bichos interessantes e muita umidade, o cansaço é estarrecedor.

A cachoeira é linda, mas extremamente perigosa. Composta de um imenso bloco granítico polido de quase 68m, é tombo na certa para qualquer um.

Aliás, ô lugarzinho pra matar gente! Aquelas pedras ensaboadas contabilizam um belo número de mortes nas costas.

O deslocamento total, desde a vila de Porto de Cima até a cachoeira, gera aproximadamente 18km de caminhada.

A foto abaixo tem a Célia no meio do monolito róseo, para ilustrar a dimensão do monstrengo. As seguintes, uma palhinha do que a gente encontra no caminho.

(As fotos estão embaçadas e fora de foco por dois motivos: a umidade no local é aterradora; o sol no local é aterrador. Some tudo isso e você percebe, no meio daquela luminosidade toda de meio-dia que toda-a-água-que-acumula-na-lente-evapora-e-acumula-e-evapora-e-embaça-os-filtros-e-lentes-internas-e-o-paninho-não-consegue-enxugar-o-que-evaporou-e-embaçou-e-a-paciência-esgotou-com-todo-esse-ciclo-interminável-e-vai-assim-mesmo-foda-se-vou-dar-um-mergulho. Isso é tirar foto na mata atlântica.)

Um grilo que acredita em seu mimetismo
Um opilião, conhecido como aranha-cafofo — (Stygophalangiidae Oudemans)
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O bicho-pau-fêmea e o bicho-pau-macho fazendo gravetinho. (Ctenomorpha chronus)
A clássica foto da queda d´água do Salto Redondo com o conjunto Marumbi à frente
Este, quem vos fala, no poço que mata gente adoidado.

Fotogramas zero-oito/zero-nove

19 de janeiro de 2009

Um pouco de contexto visual do que foi o perrengue de final de ano. Mais, dia que vem:

Recuerdos de 42

19 de janeiro de 2009

Minha avó me chamou para ver uma caixa de fotografias antigas que ela guarda em cima do armário. São histórias longas e interessantes em cada pedaço de papel. Não resisti e digitalizei montanhas de fotogramas interessantes.

Um deles é esse postal abaixo, do momento em que o Brasil foi estuprado por um submarino nazi e acabou por recrutar meia dúzia de regimentos brasileiros.

Meu avô estava em um deles, e por pouco não embarcou para a Itália. Chegou a entrar no avião e esperar sentado a decolagem, mas abortaram a missão por algum milagre de outrora.

Ai um figurinha da foto acabou dedicando a lembrança para meu avô. A dedicatória — inocente e escrita por um moleque de 18 anos — mostra que eles não tinham muita esperança de voltar vivo da incursão.

O interessante é que ele nao se identificou. Não assinou seu nome.

E só meu avô sabia quem ele era.

Valendo!

19 de janeiro de 2009

Longas férias. Final de ano é sempre essa mortidão casual. Pra variar, esqueci como usar a internet, não lembrei nem da senha do gerenciador aqui do blog.

O mundão lá fora  é concorrido, agitado e irreverente. Muitas festas, trilhas, enchentes, furacões extra-tropicais, animais pitorescos e deslocamentos diversos. 

O bom de tudo isso que que esse blog volta com milhares de novas idéias, fotos, imagens, relíquias, contos alienígenas e material para meio ano de peripécias.


O cachorro ai embaixo, por exemplo: clicado por um celular velho e malacabado. Gente fina o perro. Mais sociável e inteligente que muito pudol (censor, grafe a raça púdël na nova regra ortográfica brasileira) pestilento.


No decorrer da vida teremos mais publicações, meus queridos.

Boas festas!

16 de dezembro de 2008

É isso aí pessoal, a casa fechou o ano com um balanço avassalador: crescimento de 22,74% nas boas-novas, queda de 2,39% nas amarguras, commodities desacomodaram em 28,31% e o pique aumentou em 33% redondo.

Belos números.

Que você também tenha excelentes entradas neste ano que passa. E não vá fazer muita cagada. até mais. Vão viver a vida. Voltem depois.

Curta! A vida é curta para ser pequena*

15 de dezembro de 2008

Upgrade no Opiomóvel: saindo dos 184cv optimizados para estradas planas (hipotéticas) e bem pavimentadas (teóricas) para adentrar no alucinado mundo 4×4 da realidade vivencial buraqueira brasileira.

Recesso de final de ano, como sempre: do agora até 15 de janeiro vou curtir a vida adoidado com uma turminha muito louca, aprontando altas aventuras nas ruas de Bervely Hills.

Ai estou eu esperando a maravilhosa economia — ciência matemática e exata — definir rumo novamente. Logo eu, que sempre ri da desgraça cabalistica dos números inflacionários, aqui, aflito com essa interminável flutuação cambial.

Acesso diariamente os gráficos monetários internacionais para achar um pingo de fé na realização de um investimento qualquer, mas a coisa sempre descamba para o caos explícito. Capitalizei tarde demais, coisa de dois meses e meio.

O gráfico abaixo mostra meu desespero para comprar uma câmera, meia dúzia de lentes e uns badulaquezinhos para boas fotos:

*O título da posta é um poemetito do Chacal.

Galeria de personæ inolvidáveis

1 de dezembro de 2008


Chet Baker (1929 – 1988)
Ex-marine, crooner e trompetista. Gravou, entre outras, “I’m old fashioned” (a pedido de d’Valentino, diga-se), embalando os sonhos dos brotinhos baby-boomers da América. A partir de 1966 passou a cantar menos, depois de perder todos os dentes (rapidamente esmiuçado aqui) numa surra. Mudou-se pra Amsterdão, terra da heroína, onde deu cabo da própria vida.

Redigindo a massa hipotética

24 de novembro de 2008

O que muita gente não sabe é que escrevo e não ligo que ninguém leia. Sei que apenas meia dúzia de viventes entendem o que eu quero dizer. E eu não estou incluído nessa. 

A escrita é minha forma singela de ludibriar a vida. Publicar estes ensaios faz parte da regra básica do esquema. É um jogo regrado, diga-se de passagem. 

Agora, quem escreve para sí, em diários secretos que, em algum periodo da vida, vá pegar fogo ou se afundar em algum lago pantanoso (ou pior, será deletado na primeira recaída), não escreve nada.

E para transmitir alguma coisa para sapos, girinos e amebas, já temos os meios televisivos.

Neblina

24 de novembro de 2008