MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Black and tan fantasy overview

5 de março de 2009

Quando o Victor abandonou Mars¹ e voltou para São Paulo, perdi um pouco do meu tino fotográfico. A gente sempre saía em safaris por Brasília e região atrás de peculiaridades e conceitos visuais para fotografar. E quem leva fotografia como um hobby mais sério sabe que tem muita coisa que é constrangedora e complicada. Foto de gente por exemplo.

Então a gente estava no bar do famoso cruzamento da Ipiranga com a São João, já meio tchuco do bom chopp que tem por lá, quando alguém da mesa teve a brilhante idéia: “Bóra tirar foto da Célia no Museu do Ipiranga?”

No outro dia lá estávamos nós, com a Célia maquiada, vestida de não-sei-o-quê-do-passado e com uma asa preta que achamos na loja de fantasias.

Não sei se seguimos a risca a idéia e o conceito visual programado. Mesmo porque não deixaram a gente tirar fotos por lá, uma vez que qualquer câmera um pouquinho maior (ou um rebatedor) já caracteriza que o fotógrafo é profissional. E a pérola: “Nesse chafariz só pode tirar uma foto pra book, porque é monumento tombado.”

Book foi foda.

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¹Mars foi a melhor definição para Brasília que já ouvi: o planeta vermelho.
*”Black and Tan Fantasy” é um jazz de James Newton que aparece no album The Africa Flower de 1985.

São Paulo

3 de março de 2009

You told me wed go to Rio
And you said it so charismatically
I know its me thats the nightmare
So fight fair or have some decency

Sao Paulo | Why am I bringing me down?
Sao Paulo | If I drink any more I will drown
Sao Paulo | Why cant I fight truth decay?
Sao Paulo | My life is just one big cliche

Sao Paulo, música da banda Morcheeba

“Sao Paulo” pede desculpas à cidade que o grupo Morcheeba conheceu e não gostou (But I just act apologetically (…) / Another stain on my passport).

São Paulo é assim: uma metrópolis dinâmica, sem tempo para nada. Prédios clássicos e antigos contrastando com viadutos concréteos sólidos como pano de fundo. Novidades, diferenças, lugares cheirosos e outros nem tanto. Gente feia, gente bonita, gente esquisita, gente diferente.

Pobreza, e muita. Mas que consegue manter uma simbiose tensa com a próle que circula atrasada.

Chove. Alaga. Esquenta e não venta. A noite é dia, se você quiser. As lojas têm o que você precisa. E o que você nem precisa, mas gosta. Os marronzinhos são ariscos. O Playcenter está morrendo. O Tietê ainda fede. A Sé agora tem seguranças. Dom Pedro não tem mais a espada na praça do Museu do Ipiranga.

São Paulo tem Ferrari. Bentley, Maserati, Aston Martin, Porsche. Tem Lada 92 conservado. Moto a dar com o pé. Lasanha com feijoada e o Bar Brahma na esquina da música do Caetano. Espaço para todos. Voz para quem quiser. Criminalidade, presteza e cordialidade. Solidariedade. Chuva ácida e o treme-treme.

Tem o Mojica, tem os estrelinhas da MTV correndo no Ibirapuera. Tem urubu-pescador. Tem a paulista que tem o Asterix que tem 590 tipos diferentes de cervejas do mundo.

Tem quem goste da cidade. Tem quem odeie. E São Paulo não vai com a cara de todo mundo não, meo.

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São Paulo Railway, encravado nos metais da Estação da Luz.
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Estação da Luz.
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Trilhos usados tanto para composições de carga, quanto composições de passageiros.
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Trens chegando em sentidos cruzados, Estação da Luz.
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Antiga bilheteria da Estação da Luz.
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Um velho piano Fritz Dobbert, do projeto Pianos de Rua, na Estação da Luz.
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Detalhe da torre da estação Júlio Prestes.
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Mezzanino do Mercado Municipal.
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Mercado Municipal.
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Mercado Municipal.
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Mercado Municipal.
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Mercado Municipal.
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Chuva torrencial, às 16h. Foto do terceiro andar da Galeria do Rock.
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Panorâmica do centro de São Paulo.
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Panorâmica da nave central da Catedral da Sé.
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Panorâmica da cripta da Catedral da Sé

Black and tan fantasy

2 de março de 2009

museu do ipiranga
Museu do Ipiranga, São Paulo.

O Menino no Espelho – MPM Propaganda

20 de fevereiro de 2009

Comprei em um sebo de São Paulo um livro velho, chamado O Menino no Espelho, de Fernando Sabino. Fedendo a mofo, com pontos amarelados em algumas páginas. Mas sou muito fã do autor e do livro em especial.

O charme dele não pára ai. A edição, uma tiragem única de 12000 exemplares, têm capa dura especial e conta com a assinatura do Autor em baixo-relevo:

o-menino-no-espelho-capa-fernando-sabino

Agora o que mais me surpreendeu é que essa edição especial foi confeccionada na década de 70, a mando da MPM Propaganda, quiçá a maior agência de publicidade da época, com estrelas consagradas como Julio Ribeiro, propagandas graciosas como a clássica “Bonita camisa, Fernandinho” (Staroup, lembra?) ou o case sensacional de quando a FIAT aportou no Brasil.

o-menino-no-espelho-fernando-sabino

A agência confeccionou uma tiragem única, não destinada à venda, em uma excelente fase de vida. Para distribuir cultura para amigos, funcionários, sorteios, rifas, prendas. Doze mil! Livros!

História, babe.

Publicidade: 1880-1900 | Cerveja Holstia Bier

19 de fevereiro de 2009

26-02-1894 - Cerveja Holstia Bier | Publicado no Jornal O Estado de São Paulo.
Veja todos os anúncios do período de 1880-1900 Visualizar a imagem em alta resolução

Slow bloggin’

16 de fevereiro de 2009

Sempre fui praticante do movimento Slow Blogging e não sabia. Não sei como tem gente que consegue escrever todo dia, ou pior: várias vezes por dia em um mesmo blog. Vai ter assunto assim lá na China.

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Essa é para você, morador do altiplano brasiliense: semana retrasada caiu uma chuva de granito em cima do meu carro. Sim, granito. Na entrada do buraco-do-tatu. Um traunseunte fiduma jogou de cima de um dos viadutos que cruzam a rodoviária um bloco pétreo de quase 1kg no capot dianteiro do meu novo e sujismundo carro. Quase rasgou a lata com o petardo. O pedrenete recocheteou para um dos viés do carro, acertando em cheio um outro vidro de um outro carro que quase capotou. Por isso, olhe para os lados e para cima antes de trocar de faixa na região.

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Comprei um apetrecho eletrônico dias atrás, pela internet, e ao chegar o caixote, constatei que nada havia dentro. O pacote foi aberto, o produto foi furtado e a embalagem rearranjada de forma a parecer que nada havia ocorrido. O pior de tudo é que esse caso não é isolado. Logo os Correios, talvez a única empresa estatal que eu ainda confiava, violando correspondências e caixas. É de partir o coração.

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Arranhou a capa, mas não perdeu o brio:

ONA - Oveia Negra Albina.
Caminho antigo dos Pireneus, dentro da APA do parque, à 50 km de Pirenópolis-GO – 15/02/08

Mindlog Systems

16 de fevereiro de 2009

A revolucionária técnica desenvolvida pela Universidade Cambridge promete deixar no limbo da net invencionices como o Blog e o Fotolog.

Frank Moongoose Chapman, professor de Lógica Computacional Aplicada à I.A. notadamente ficou envadeicido na sessão de imprensa, na qual mandamos um de nossos colaboradores prescutar um pouco da avant-garde tecnológica.

Pois como não!

O instrumento mais pertinente do chamado Mindlog Systems™ chama-se Captador de Ondas:

MindLog Systems™
Esse curioso aparelhinho com o aspecto e funcionalidade de um headphone adorna a cabeça do dono do Mindlog e, sem que ele precise digitar ou inserir alguma foto, já que o apetrecho registra as experiências deste ao decorrer do dia-a-dia.

Basta que o usuário se concentre e aquela pre-púbere que tem o seu blog verá transmutada em letras digitadas suas impressões em tempo real da festa de sua amiga de sala; Basta que o fã de Korn — que fundou um fotolog para seu fã-clube — pisque de determinada maneira frente aos seus amigos para que aquela imagem recebida pela retina seja inserida automaticamente no fotolog!

Quão admirável é a tecnologia! Soberba!

Não esqueçam que acabou a era dos posts estáticos. Assim um post inserido pela pré-púbere dona do blog inicialmente detratando um potencial galanteador da outra mesa pode, no decorrer da festa, transformar-se em animosidade, elogios ou ressentimentos ao rapaz, presenciado por todos, bastando que se clique no botão de refresco do seu browser, desde é claro que seja postado com as ondas de consentimento de sua dona.

Os Mindlogs continuam tão longe de serem verdadeiramente confidenciais como são os blogs.

A equipe de editores-chefe do MadCap chegou a cogitar uma versão de nosso mui distanciado periódico no formato Mindlog, mas aparentemente declinamos da proposta.

Se os posts estáticos já são desgastados pelo tempo, que dirá do efêmero vil dos infames Mindlogs!

Liev Tolstoi

3 de fevereiro de 2009

Leão Tolstoi (1828 – 1910)
Russo. Autor de livros bem grossos que ficam em pé na estante sozinhos. Rufião de marca maior na juventude, converte-se à igreja ortodoxa russa no final da vida: caga na cabeça de todo mundo, vira mujique e deixa a barba crescer bastante.

Pavimento asfáltico e meu carro novo

29 de janeiro de 2009

Bom, todo mundo sabe que Brasília não tem pavimentação nas vias e que as trilhas, caminhólas e carreiros de terra e cascalhête levam todos a qualquer lugar. 

A foto abaixo, por exemplo: é meu carro novo (bonitão né?) estacionado na Esplanada dos Ministérios. Você pode notar, logo atrás das rodas traseiras, um trecho conhecido como “eixo monumental” ou via N1.  Não, não é uma via asfaltada de 6 pistas, engano seu. É apenas um carreiro de terra vermelha e batida onde mal passa um carro grande.

Agora, falando sério: você já viu como é feita uma pavimentação asfáltica padrão? Não? então vou resumir aqui só para você ter uma idéia: Um povo de capacete plástico e camisa de manga curta com canetas no bolso, atrás de um óculos de aro grosso e preto, faz o levantamento geotécnico do terreno. Riscam umas folhas de papel vegetal com milhares de cálculos e linhas e mandam para o pessoal de terra. Estes fazem a fundação do subleito da via, estabilizando, drenando e alinhando toda a fundação geomórfica. Depois vem um tratorzinho amarelo e faz a subbase, que é um monte de brita amontoada com uma deliciosa cobertura de asfalto diluída — a imprimação — que praticamente gruda todas essas britas como se fosse um pé-de-moleque. Quase pronto. Tasque 4 xícaras de binder para fazer uma camada de ligante asfáltico e uma cobertura de emulsante para finalizar. Reserve por umas horas e pinte riscos e faixas.

Todo esse trabalho resulta em uma pavimentação asfáltica ideal, com aproximadamente 50cm de espessura de materiais petrólicos totais.

Agora dá uma olhadinha na buraqueira média das vias do Distrito Federal. Tirei uma foto hoje mesmo, de um desses mastigadores de pneu em uma via aleatória a caminho do trabalho:

Percebeu a diferença? Terra batida, lama asfáltica e uma espécie de blend de subbase com binder. Tudo isso com menos de 5cm de espessura.

Foi por isso que eu comprei um fora-de-estrada. Você não imagina o que é passar com um carro europeu em um buraco desses a 80km/h e escutar um barulho que mistura pneu rasgando, roda trincando, geometria entortando e o bolso esvaziando R$300.

Fora-de-estrada é a antítese do bom asfalto brasiliense.

A reforma ortográfica

22 de janeiro de 2009

A reforma ortográfica é uma bosta necessária. 

O verbo argüir, que tinha uma pronúncia entojada justamente por ser desconhecido, terá seus dias de dor ao ser pronunciado sem o fonema u.

A reforma ortográfica modificará a fonética gramatical, não tenha dúvida.

E isso é ruim.