MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

O Besouro Verde.

15 de abril de 2011

O besouro verde veio voando e pousou no meu braço. A ação pode parecer até parecer corriqueira, mas o bezourão tinha quase 10cm de comprimento e parecia um B-29 aterrizando desgovernado. No começo até pensei em espatifar-lhe a carapaça com uma mãozada grotesca, mas vi que o bicho era simpático e não comeria meu braço.

Gostei das pantufas verdes e achatadas, das duas sombrancelhas samambaiáticas e da pose que ele fez para a foto.

Quando pensei em ligar a filmadora do celular, o bichão abriu as asas e decolou para assustar outro transeunte qualquer.

A genuína festa-de-polaco.

6 de abril de 2011

Foto de casamento, tirada em alguma cidade bem no meio do Paraná. No verso, ano de 1958. A festa era de casamento, a animação se dava por uma pequena banda composta por um gaiteiro (o sanfoneiro pra cima no Brasil), um triangulista, um violeiro e só. A mistura étnica era bem típica: polonesa, italiana, ucraniana e tracejos gaúchos. De colônias, passejos e tradições. Todos trajados com a melhor roupa da canastra. Da molecada, com certeza eram roupas que vestiram todos os irmãos antes. Apertada ou folgada demais, como sempre. Sapatos? a mesma relação hierárquica. O chapéu era feltro. Coisa que você provavelmente nunca viu e nunca verá, pois isso já é fato extinto e passado na antropologia nacionalista. Foto do acervo familiar.

O que eram os blogs.

5 de abril de 2011

Praticamente todos os blogs que foram contemporâneos deste se foram para o paraíso dos blogs. [...] Eu sinto falta deles. Tinham talento e leveza, coisas que foram ficando cada vez mais raras na blogoseira. Essa é a minha geração, uma geração que escrevia porque gostava e porque precisava [...], e que tinha o descompromisso que, na minha opinião, é o que faz um blog. Nós não precisávamos ser lembrados que blog é conversação. Nós sabíamos disso.

GALVÃO, Rafael. In: Sobre Rafael Galvão. 2011.

A magia em HD.

5 de abril de 2011

Este é um featurette qualquer da janela onde trabalho. O tema é uma minúscula aranha que pula, parecida com a que fotografei, uns posts logo abaixo. Filmada com profundidade de campo de lente f/2.8 de um celular:

HD do celular Sony Ericsson, pós produção no Vegas mesmo. Trilha sonora by “I’m Feelin’ lucky” button do YouTube. Ah, sim, ia esquecendo: é filme iraniano, por isso é sacal desse jeito.

Faltam-me dias!

4 de abril de 2011

While my guitar gently weeps.

31 de março de 2011

Uma aranha puladora.

30 de março de 2011

Flagrada pelo meu celular, que insistem em fazer pinturas em vez de retratos. Esta é uma aranha puladora, e como vocês podem perceber, só se deixou retratar porque não viu a câmera, senão teria pulado na lente.

Jalapão no Carnaval.

29 de março de 2011

Este é um post figurinha. Cheio de imagens para mostrar o que é o Jalapão, uma região do Tocantins que muita gente nunca ouviu falar.

No feriado do carnaval, viajamos para o Deserto do Jalapão, um parque estadual bem no meio do estado do Tocantins. A região é famosa por algumas coisas: A menor densidade demográfica do Brasil (algo em torno de 0,8 habitantes por km²), a gasolina mais cara do Brasil nos postos de Mateiros e Ponte Alta do Tocantins (o que já caiu por terra essa afirmação) e, obviamente, por ser o único deserto do Brasil.

Tem mais: o maior rio de água potável e mineral do Brasil. Tudo ali é do Brasil (ou Tocantins, como bons ex-goianos). A maior fazenda de refino de pasta base e plantio de coca e maconha do Brasil (hoje sucateada e deserta, como um bom deserto).

Mas não é essa desgraça toda que você aí está pensando. A região, apesar de ser de um solo extremamente pobre e composto basicamente de uma areia fina e branca, tem muito verde. E é incrível.

As estradas do norte do Goiás e do sul do Tocantins são boas, mas sem carro algum. Parecem abandonadas ao tempo.

Os postos de gasolina são predominantemente de bandeira branca e indefinida. Por lá não existe muita opção, apenas necessidade. Este posto aí de cima tinha um barro bacana para entrar e sair.

Esta é uma estrada nova que liga Pindorama até Ponte Alta. Está tomando forma e a trilha sumiu. Até a ponte ogra sobre o rio Balsas virou uma nova — e sem emoção — ponte de concreto.

E este é o pedaço sem asfalto. Continua bom!

Esta foto é uma tentativa de panorâmica 180º a partir do nivel do riacho. É o cânion do Sussuapara, uma antiga gruta que desabou o teto e fabricou um visual único e surpreendente. O lugar é complexo demais para descrever, principalmente porque é no meio de uma planície e deserto sem nada ao redor.

Aqui é o rio Sussuapara, perto da nascente. As águas no Jalapão são extremamente puras e cristalinas.

Rio Lageado. Apesar de parecer pedra, essa formação por onde passam as águas é um misto de argila e barro. Muito mais duro do que argila e mais fácil de quebrar do que pedra. A cachoeira é surpreendente e perigosa: vacilou? escorrega e parte a sambiquira lá embaixo.

Esta é a vista comum do parque do Jalapão: um campo de cerrado sujo, poucas árvores, muitos arbustos e areia em todo o terreno. Os horizontes do parque são incríveis, quase infinitos. A amplitude visual do lugar e de tirar o fôlego.

O final da estrada para se chegar na cachoeira da velha, no Rio Novo. Nomes paradoxais, por suposto. O rio está no canto direito da foto, com cerca de 60m de largura. É o rio mais famoso e a cachoeira mais caudalosa da região. Quase uma catarata, pelo número de quedas e a largura da mesma.

Foto panorâmica da Cachoeira da Velha, em baixa velocidade e no final do dia. A força d’água é supreendente, a vazão é estrondosa e a água branca que se forma na queda consegue deixar a superfície totalmente irregular. Este é apenas metade da cachoeira (no outro lado, atrás daquelas árvores no centro-oeste da foto tem mais um outro tanto). Clique na foto para ampliar.

Uma aranha simples de jardim, mas extremamente grande e velha, à noite, na prainha do rio Novo. Note que ela tem musgo e faltam as duas pernas traseiras esquerdas da mesma.

O acampamento na praia de areia do rio novo. Noite estrelada e muita conversa boa. Mesmo durante a madrugada as águas do rio não esfriavam.

Cachoeira do Rio Formiga. Águas surpreendentes e cristalinas, fundo de areia branca e o melhor, água na temperatura ideal, nem muito fria e nem muito quente.

Os 9 carros 4×4 e os 24 humanos destemidos, com a serra do Espirito Santo logo atrás.

Um dos pontos mais visitados e batidos do Jalapão, e que mesmo assim despertam surpresa ao visitar: as dunas. Aliás, é o único lugar de todo o parque em que você nota realmente um processo inicial de desertificação.

As dunas são cercadas por um riacho que nasce em uma lagoa ao lado das dunas. O visual fica magnífico!

A diferença entre o serrado da serra do Espírito Santo e o deserto.

Algumas plantas que insistem em nascer no meio do areião, e não se preocupam muito com sol, calor, falta de nutrientes… Tá certo que de vez em quando morrem, como esse esqueletão acima.

Mais vegetais mortos. Ao fundo, de onde vem o areião todo: a serra está literalmente esfarelando, e a areia toda acumula neste vale.

Uma das inúmeras lagoas pluviais formadas no meio do areião.

A estrada que liga Mateiros à Dianópolis. Uma reta de quase 100km, cercada por soja e lama. O trecho de 120km foi vencido em pouco mais de 9h de viagem, com direito a rodadas e gente parando no meio do barranco (imagem acima mostra uma TR4 na valeta, na esquerda da estrada)

E la nave va.

Troller e Cherokee rebocando um caminhão da valeta. Sim, puxa tranquilo.

A pequena Tempestade que pegamos nos quilômetros finais da viagem. Só pra fuder mais ainda os que já estavam no bico do corvo!

A viagem é singular e extrema. O lugar, paradisíaco. O que sobraram foram excelentes lembranças, muitas fotos e um gostinho de voltar e explorar mais ainda.

A viagem é tranquila. Até pode ser feita de carro comum, como todo mundo sugere. Mas é arriscado demais. Existem trechos extremamente técnicos e vimos, por várias vezes, carros normais levando um baile para passar onde 4×4 passaram sem problemas.

Ah, não existe estrutura alguma turística. Alguns poucos pontos de apoio, e só. Por isso amigo, Korubo ou compre uma barraquinha tranquila.

Uns footages básicos filmados com o celular:

A viagem de ida (DF ~ TO):

Desatolando um caminhão no meio do caminho:

A volta (TO ~ DF):