MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.
O besouro verde veio voando e pousou no meu braço. A ação pode parecer até parecer corriqueira, mas o bezourão tinha quase 10cm de comprimento e parecia um B-29 aterrizando desgovernado. No começo até pensei em espatifar-lhe a carapaça com uma mãozada grotesca, mas vi que o bicho era simpático e não comeria meu braço.
Gostei das pantufas verdes e achatadas, das duas sombrancelhas samambaiáticas e da pose que ele fez para a foto.
Quando pensei em ligar a filmadora do celular, o bichão abriu as asas e decolou para assustar outro transeunte qualquer.
Foto de casamento, tirada em alguma cidade bem no meio do Paraná. No verso, ano de 1958. A festa era de casamento, a animação se dava por uma pequena banda composta por um gaiteiro (o sanfoneiro pra cima no Brasil), um triangulista, um violeiro e só. A mistura étnica era bem típica: polonesa, italiana, ucraniana e tracejos gaúchos. De colônias, passejos e tradições. Todos trajados com a melhor roupa da canastra. Da molecada, com certeza eram roupas que vestiram todos os irmãos antes. Apertada ou folgada demais, como sempre. Sapatos? a mesma relação hierárquica. O chapéu era feltro. Coisa que você provavelmente nunca viu e nunca verá, pois isso já é fato extinto e passado na antropologia nacionalista. Foto do acervo familiar.
Praticamente todos os blogs que foram contemporâneos deste se foram para o paraíso dos blogs. [...] Eu sinto falta deles. Tinham talento e leveza, coisas que foram ficando cada vez mais raras na blogoseira. Essa é a minha geração, uma geração que escrevia porque gostava e porque precisava [...], e que tinha o descompromisso que, na minha opinião, é o que faz um blog. Nós não precisávamos ser lembrados que blog é conversação. Nós sabíamos disso.
Este é um featurette qualquer da janela onde trabalho. O tema é uma minúscula aranha que pula, parecida com a que fotografei, uns posts logo abaixo. Filmada com profundidade de campo de lente f/2.8 de um celular:
HD do celular Sony Ericsson, pós produção no Vegas mesmo. Trilha sonora by “I’m Feelin’ lucky” button do YouTube. Ah, sim, ia esquecendo: é filme iraniano, por isso é sacal desse jeito.
Flagrada pelo meu celular, que insistem em fazer pinturas em vez de retratos. Esta é uma aranha puladora, e como vocês podem perceber, só se deixou retratar porque não viu a câmera, senão teria pulado na lente.
Este é um post figurinha. Cheio de imagens para mostrar o que é o Jalapão, uma região do Tocantins que muita gente nunca ouviu falar.
No feriado do carnaval, viajamos para o Deserto do Jalapão, um parque estadual bem no meio do estado do Tocantins. A região é famosa por algumas coisas: A menor densidade demográfica do Brasil (algo em torno de 0,8 habitantes por km²), a gasolina mais cara do Brasil nos postos de Mateiros e Ponte Alta do Tocantins (o que já caiu por terra essa afirmação) e, obviamente, por ser o único deserto do Brasil.
Tem mais: o maior rio de água potável e mineral do Brasil. Tudo ali é do Brasil (ou Tocantins, como bons ex-goianos). A maior fazenda de refino de pasta base e plantio de coca e maconha do Brasil (hoje sucateada e deserta, como um bom deserto).
Mas não é essa desgraça toda que você aí está pensando. A região, apesar de ser de um solo extremamente pobre e composto basicamente de uma areia fina e branca, tem muito verde. E é incrível.
As estradas do norte do Goiás e do sul do Tocantins são boas, mas sem carro algum. Parecem abandonadas ao tempo.
Os postos de gasolina são predominantemente de bandeira branca e indefinida. Por lá não existe muita opção, apenas necessidade. Este posto aí de cima tinha um barro bacana para entrar e sair.
Esta é uma estrada nova que liga Pindorama até Ponte Alta. Está tomando forma e a trilha sumiu. Até a ponte ogra sobre o rio Balsas virou uma nova — e sem emoção — ponte de concreto.
E este é o pedaço sem asfalto. Continua bom!
Esta foto é uma tentativa de panorâmica 180º a partir do nivel do riacho. É o cânion do Sussuapara, uma antiga gruta que desabou o teto e fabricou um visual único e surpreendente. O lugar é complexo demais para descrever, principalmente porque é no meio de uma planície e deserto sem nada ao redor.
Aqui é o rio Sussuapara, perto da nascente. As águas no Jalapão são extremamente puras e cristalinas.
Rio Lageado. Apesar de parecer pedra, essa formação por onde passam as águas é um misto de argila e barro. Muito mais duro do que argila e mais fácil de quebrar do que pedra. A cachoeira é surpreendente e perigosa: vacilou? escorrega e parte a sambiquira lá embaixo.
Esta é a vista comum do parque do Jalapão: um campo de cerrado sujo, poucas árvores, muitos arbustos e areia em todo o terreno. Os horizontes do parque são incríveis, quase infinitos. A amplitude visual do lugar e de tirar o fôlego.
O final da estrada para se chegar na cachoeira da velha, no Rio Novo. Nomes paradoxais, por suposto. O rio está no canto direito da foto, com cerca de 60m de largura. É o rio mais famoso e a cachoeira mais caudalosa da região. Quase uma catarata, pelo número de quedas e a largura da mesma.
Foto panorâmica da Cachoeira da Velha, em baixa velocidade e no final do dia. A força d’água é supreendente, a vazão é estrondosa e a água branca que se forma na queda consegue deixar a superfície totalmente irregular. Este é apenas metade da cachoeira (no outro lado, atrás daquelas árvores no centro-oeste da foto tem mais um outro tanto). Clique na foto para ampliar.
Uma aranha simples de jardim, mas extremamente grande e velha, à noite, na prainha do rio Novo. Note que ela tem musgo e faltam as duas pernas traseiras esquerdas da mesma.
O acampamento na praia de areia do rio novo. Noite estrelada e muita conversa boa. Mesmo durante a madrugada as águas do rio não esfriavam.
Cachoeira do Rio Formiga. Águas surpreendentes e cristalinas, fundo de areia branca e o melhor, água na temperatura ideal, nem muito fria e nem muito quente.
Os 9 carros 4×4 e os 24 humanos destemidos, com a serra do Espirito Santo logo atrás.
Um dos pontos mais visitados e batidos do Jalapão, e que mesmo assim despertam surpresa ao visitar: as dunas. Aliás, é o único lugar de todo o parque em que você nota realmente um processo inicial de desertificação.
As dunas são cercadas por um riacho que nasce em uma lagoa ao lado das dunas. O visual fica magnífico!
A diferença entre o serrado da serra do Espírito Santo e o deserto.
Algumas plantas que insistem em nascer no meio do areião, e não se preocupam muito com sol, calor, falta de nutrientes… Tá certo que de vez em quando morrem, como esse esqueletão acima.
Mais vegetais mortos. Ao fundo, de onde vem o areião todo: a serra está literalmente esfarelando, e a areia toda acumula neste vale.
Uma das inúmeras lagoas pluviais formadas no meio do areião.
A estrada que liga Mateiros à Dianópolis. Uma reta de quase 100km, cercada por soja e lama. O trecho de 120km foi vencido em pouco mais de 9h de viagem, com direito a rodadas e gente parando no meio do barranco (imagem acima mostra uma TR4 na valeta, na esquerda da estrada)
E la nave va.
Troller e Cherokee rebocando um caminhão da valeta. Sim, puxa tranquilo.
A pequena Tempestade que pegamos nos quilômetros finais da viagem. Só pra fuder mais ainda os que já estavam no bico do corvo!
A viagem é singular e extrema. O lugar, paradisíaco. O que sobraram foram excelentes lembranças, muitas fotos e um gostinho de voltar e explorar mais ainda.
A viagem é tranquila. Até pode ser feita de carro comum, como todo mundo sugere. Mas é arriscado demais. Existem trechos extremamente técnicos e vimos, por várias vezes, carros normais levando um baile para passar onde 4×4 passaram sem problemas.
Ah, não existe estrutura alguma turística. Alguns poucos pontos de apoio, e só. Por isso amigo, Korubo ou compre uma barraquinha tranquila.