MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos da categoria ‘generalidades’

Imagem dinâmica.

7 de janeiro de 2012

Mais dos mesmos.

28 de novembro de 2011

Rotina safada de escritorio londrino tem seu charme. Sempre tem um vivente que se levanta, meio em horário errante e passa mesa-a-mesa perguntando se quereriam chá. Ele pega a canecaiada dos colaboradores e provisiona a bebida dos campeões a todos.

Até agora a impressão que tenho é que esse gesto é apenas bondade desinteressada. Ou um interesse desprovido de benefícios. Vamos ver mais pra frente.

Tem dias que eu ligo os humbuckers dos meus auscutadores auriculares no máximo apenas para ouvir o povo conversando por aqui. Gosto cada vez mais do sotaque e da ênfase que o pessoal usa para conversar. Nesses momentos é que percebo o quanto ainda falta para a fluência efetiva do idioma.

Alias, reveja seu conceito de fluência em inglês.

No final das contas eles não querem saber se você fala inglês bem ou mal; tá se comunicando tá valendo. Dos 10 primeiros dias de trabalho já participei de 7 reuniões, dentre as quais 3 foram com o board diretor de engravatados sizudos. Gostaram, no final. Tá certo que deram risadas quando eu falei coisas que eram para supostamente serem sérias, mas isso é assunto para outra roda de chimarrão.

Terceira vez que me perguntam se todo mundo no Brasil come porquinho-da-india (Cavia porcellus). Apesar de uns índios e matutos passarem o rodo nesses bichitos, rebato dizendo que não faz parte da culinária medieval brasileira.

Queria saber quem foi o semeador de discórdias que fez o favor de assustar a bretanha com esse tipo de comentário.

Perguntam se a gente come coração de galinha porque gosta ou se é porque existe alguma conotação espiritual na jogada.

Com relação aos macacos, o mito de que eles andam nas ruas já foi desmistificado pelos Simpsons e agora eles acreditam que apenas na India isso acontece.

Ainda se assustam com algumas metodologias rudimentares nossas e eu estou tirando proveito disso. Mais uma nova faculdade para desenvolver.

Esses dias entrou um zangão no metrô. Apesar daquele B-29 peludo-barulhento-amarelo-e-preto parecer um fascínora alado, todo mundo que assiste Discovery Channel sabe que ele não tem ferrão e é um mané. O problema é que os passageiros que ali residiam comigo não deviam ver muitos programas de abelhas: foi uma gritaria pior do que quando mataram o Jean Charles em um desses carros subterrâneos. O caos estava armado e já previa uma apertada de alarme e frenos de emergência. O voador passou perto de mim, pensei duas vezes e não titubeei: agarrei ele com a mão.

O zangolho parou de voar e ficou amafagafado na palma da minha mão. Os populares, em frenesi pós-traumática, olhavam-me assustados. Um ali no canto braveteou: Be careful man! They are very poisonous! Outros aditivavam o colóquio: Tru,tru! This kind of wasp has a painful sting!

Se mais algum atormentado me falasse isso, acho que eu e o zangão acreditaríamos na falácia e ele me ferroaria.

Hora que o trem abriu as portas levantei e coloquei a mão para fora do trem; a porta comecou a fechar, eu abri a mão e o bombardeirinho peludo flanou para outras paragens.

A cara de alívio e o rompante de segurança que esses sorvedores de chá fizeram foi impagável. Agradeceram-me e tiveram assunto para mais de mês.

Esse episódio foi engraçado, mas mostra uma merda genial que existe por aqui: ninguém sabe reagir a nada, pois o país tem uma segurança e uma sensação de proteção gigantesca. Pobreza e miséria tem, na TV. Eles doam dinheiros pesados para ajudar o molequinho cabeçudo desnutrido da propaganda na Etiópia; um ranhentinho sem uma perna porque pisou na mina em outro reclame; os gueopardos-da-malamutolândia (“adote” e ganhe um gueopardim de pelúcia e um postal com a foto do bichim que você salvou). Eles ajudam algo que não vêem. E é isso que impressiona.

Já perguntaram para mim se os traficantes do Rio andam com aqueles fuzis de guerra nas ruas da cidade. É que eles viram na BBC e não acreditaram.

O inglês é um cidadão bem bacana de assustar. Se você dosar o palavrio, tem assustação por anos. Diversão na certa.

É claro que eles se divertem infinitamente mais do que eu, com um jungle boy no meio deles. Desde a pronúncia porca do inglês – que agora se desdefiniu de americansk para um macarronbróglio — até pedidos de tradução de coisas mongas para PT-BR, tipo palavrões e palavras aleatórias.

Mas não se iluda, inglês não gosta de estrangeiro. Apenas toleram, e por pouco tempo. Têm bronca com francês e alemão por causa de passado sangrento, com indianos e afegãos por causa de migração em massa, são desconfiados com oriente médio e suas vertentes, não gostam de argentinos por causa das Falklands, não gostam de brasileiros porque eles fazem uns guetos estranhos e, obviamente não aguentam mais indianos migratórios que não querem se adaptar à cultura local. O governo apertou o cerco contra forasteiros aqui e o bicho tá pegando pra ilegalidade desmedida.

Emprego tem, e aos montes. Esse papo de que a Europa está em recessão é conversa de mão-de-obra recalcada, desqualificada ou ilegal.

Outra conversa para boi dormir é aquela de que na Europa o povo não sabe tomar cerveja/não tem chopp/eles so tomam cerveja quente. Ah, vai cagar! Os caras inventaram a cerveja antes de inventarem a religião, fabricam centenas de tipos e qualidades diferentes do líquido virtuoso e você, brasileiro-topeira que só tem 3 tipos de cerveja no mercado nacional (e da mesma dona), vem falar que aqui não tem cerveja boa? As bicas aqui jorram cerveja à 4 graus, temperatura suficiente para refrescar uma pint por 4 minutos.

Como ainda estou proibido de tirar fotos com uma câmera boa até segunda ordem, publico aqui alguns petardos-justos clicados à celular, que eu jamais ousaria chamar de fotografia:

As árveres de outono samos nozes.

Se fosse no Brasil, teríamos algumas carangueijentas embaixo dessa folharada.

Sorte de pegar uma réstia na Union Jack. Parece adulterada, mas não é.

Aqui o povo é antenado.

Pinheirinho de natal lá em casa.

Gente forte e destemida tem em todo lugar.

Hélio Pellegrino

21 de junho de 2011

Hélio Pellegrino era um cara famoso pela militância errática de esquerda pura e principalmente por ser amigo de infância de Fernando Sabino. Encostou-se na proximidade de Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Nélson Rodrigues. Passou o rodo em Lya Luft.

E escreveu uma definição interessante daquilo que te atormenta:

O demônio é pura força fanática, desarticulada de seu contrapeso erótico. A pura morte é dilaceramento, desagregação da matéria. A morte disjunta, desfaz, atomiza – corrompe o rosto do mundo. Nessa linha, a capacidade do demônio é insuperável. Ele preside, alegremente, à fissão nuclear. Ao demônio é impossível unir o que quer que seja, pois lhe falta bondade. Ele funda o lugar da máxima mentira. A verdade é relação, enredamento, tecido de pertinências que se entretecem. O demônio está condenado, por toda a eternidade, a não ter relação com quem quer que seja. É incuravelmente burro porque é ausência absoluta de amor. Todo ato de bondade se comunica, se distribui, irriga a carnadura do real. Se a vida ainda existe é porque a virtude prevalece, como inteligência ordenadora, contra o desmembramento de tudo.

É preciso contar com a força das coisas simples. A cada manhã presencio o milagre da água que jorra, – prestativa, clara, generosa, modesta, – da torneira. Para que isto aconteça, é preciso que muita gente trabalhe, muitos gestos se somem, muitos músculos se articulem, desde a nascente da água até o metal da torneira de onde ela jorra, para desespero impotente do demônio – incapaz de anular a bondade que a faz jorrar. Deus está ao lado do povo oprimido. O resto, a torneira matinal, com sua cega paciência, se encarregará de lavar.

Brasília Track Day 2011.

2 de maio de 2011

O autódromo de Brasília tem uma cacofonia na denominação, batendo de frente com o Jacarepaguá do Rio: ambos se chamam Nelson Piquet.

Neste sábado teve mais um track day, um evento em que qualquer ser humano pode pisar forte com seu próprio carro na pista.

Muita gente com carros exóticos, normais, especiais e superproductions apareceram e deram o ar da graça.

Mas o que marcou mesmo foi a presença do Tricampeão nas pistas. Chegou com um Ford GT40, passeou de Lancer, calibrou e assumiu o posto de uma Superleggera para fazer o terceiro melhor tempo do dia em um carro desconhecido.

Assistir a tocada agressiva e confiante do chefe não tem preço.
















Todas as fotos da coletânea estão no meu Picasa. G’day.

O que eram os blogs.

5 de abril de 2011

Praticamente todos os blogs que foram contemporâneos deste se foram para o paraíso dos blogs. [...] Eu sinto falta deles. Tinham talento e leveza, coisas que foram ficando cada vez mais raras na blogoseira. Essa é a minha geração, uma geração que escrevia porque gostava e porque precisava [...], e que tinha o descompromisso que, na minha opinião, é o que faz um blog. Nós não precisávamos ser lembrados que blog é conversação. Nós sabíamos disso.

GALVÃO, Rafael. In: Sobre Rafael Galvão. 2011.

Faltam-me dias!

4 de abril de 2011

Uma aranha puladora.

30 de março de 2011

Flagrada pelo meu celular, que insistem em fazer pinturas em vez de retratos. Esta é uma aranha puladora, e como vocês podem perceber, só se deixou retratar porque não viu a câmera, senão teria pulado na lente.

Rápido foguetão.

24 de janeiro de 2011

Os babacas que comentam no YouTube estão se espalhando por blogs e twitters. Achei que eles não fossem sair da redominha RedTV, mas estava enganado.

Aliás não sei se você já percebeu, mas o YouTube é o lugar onde tem mais comentários idiotas em português de toda a internet. Não tem salvação.

O brasileiro mediano está emburrecendo com a internet. É triste.

O ano começou estranho.

Este blog já não tem valia.

Meu carro foi uma das vítimas das chuvas que acomederam o centro-far-oeste  brasileiro. Foi feia a coisa: aplicaram-no indenização integral por perda total em sua vida, o que me deixou, assim de súbito e atordoado, sem meu xodó.

Aliás esse carrinho branco que hoje está no reino dos céus dos carros 4×4 que não davam vexame era um dos únicos carros que eu realmente gostava a ponto de apreciá-lo. Os outros tiveram seus charmes e pontos altos, mas um 4×4 é diferente, tem nome e apelido e faz coisas que você jamais faria com outro pezim de borracha por aí.

Estou há 52 dias sem carro. Depois do incidente, fiquei fora do ar por uns dias, fui para o sul por outros e neste ínterim todo, o seguro ficou na lenga-lenga habitual. Pensei em comprar um novo 4×4, pensei em comprar um popular e um 4×4 mais ossudo.

A questão primordial disso tudo é que eu estou, no momento, sem carro na pior cidade brasileira que se pode ficar sem carro: Brasília. Aqui não tem calçada. O transporte público é sucateado por monopólios de longuíssima data e não se vê ciclovias.

Aliás, ciclovia é uma coisa meio sem lógica aqui, mesmo porquê pedalar uns 30km por dia para se deslocar neste sol libertino é um sacrilégio epitelial.

Então lá estou eu andando de metrô e encontrando gente feia todo dia na rodô. É cômico e eu tenho vontade de fotografar todas as figuras impressionantes que vejo.

Não teremos resoluções de ano novo. Nunca funcionou com essa promiscuidade volátil que minha vida leva.

Como sempre, perdi o foco. E desta vez, minha podre máquina fotográfica também.

Estou de olho em uma nova vida, totalmente autômata e fora dos padrões normais de existência. Deadline para junho.

E aí o carro novo — o qual estava com a chave em mãos — sucumbe da minha vida sem saber o por quê.