MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.
Final de semana rolou a Trilha das Bruxas, promovida pelo Jeep Clube de Brasília. Muitos carros, início às 21h, jantar servido pontualmente às 04h30, acampamento armado até as 05h30. Nascer do sol e só três horas de sono, mas com a alma lavada e muitas fotos.
Melhor que isso, só Faustão com um saco de pipocas de microondas no sofá da sala.
Fotos estouradas, com a câmera do CCD apodrecido e ISO altíssimo para congelar com a lente escura.
Tem um video, com as 682 fotos tiradas em 06h de trilha:
Esse aí embaixo é meu avô materno, quando serviu no regimento de artilharia montada. A foto é de 1943, época da estréia das câmeras de médio formato com duas poses por chapa. Apesar da precariedade técnica, a máquina conseguiu congelar o salto.
Ontem uma turba de tuiteiros chafurdou nas fezes do meu ignóbil passarinho animado do post logo abaixo (carinhosamente apelidado de Tuit). Não entendi o por quê d´eles não gostarem da singela homenagem.
Vai entender.
Na verdade eles quase arregaçaram o link do MadCap. Para quem não entende muito de internet, este blog comporta-se como uma criaturinha sensível. Se você mudar o ecossitema ou a alimentação primordial, ela morre.
E foi o que quase aconteceu ontem.
E o pior deste boom todo de visitantes-stalkers-que-se-ofenderam é que todos estão chegando de algum lugar sombrio que não está acusando nas logs de estatísticas.
Muito estranho.
Fotos, abaixo, de um passeio de final de semana para Pirenópolis, uma cidade distante 130km de Brasilia e apenas uma hora de carro. Mas que a gente fez em 8h por terra…
O comboio no altiplano.
Topo do altiplano sentido Olhos d´agua.
O novo e o clássico.
Paisagem típica do cerrado.
A leve poeira que nos rondava.
A leve poeira que nos rondava.
A leve poeira que nos rondava.
A paisagem do cerrado com uma árvore típica, o céu mais do que azul e muita seca.
Em qualquer lugar MESMO.
O sorriso do menino quando ganhou um saquinho de balas.
O comboio reagrupando.
O comboio reagrupando.
O comboio reagrupando.
Os últimos raios de sol no contrafluxo.
Um dos inúmeros riachos com travessia na região da serra dos Pireneus.
Os últimos raios de sol no contrafluxo.
Os últimos raios de sol no contrafluxo.
Um antigo Chevrolet carregando pedras de Pirenópolis.
Um antigo Chevrolet carregando pedras de Pirenópolis.
Bonecas de barro esperam alguma coisa, na janela.
Uma senhorinha de menos de 1,20m nas ruas de Pirenópolis.
Um dos milhares de pequenos lagartos que acreditam em seu mimetismo.
A cowgirl pousando de diva no meio de uma pedra no meio de um rio cristalino e de fundo areioso no meio da serra.
A fotografia me abandonou. Deixou algumas recomendações e conselhos vagos em um bilhete escrito em papel amassado de um maço de cigarros. Registro aqui meu desagrado e repulsa pelo gesto infantil de tal criatura biltre.
Dos conselhos e recomendações, algumas verdades são incontestáveis e pruridas, mas que cabem como uma luva na cartilha “Mamãe quero ser fotógrafo”. Um deles — e talvez o mais importante — é a qualidade técnica de uma composição fotográfica. Não tem como fazer uma fotografia perfeita com equipamento medíocre. Não dá para improvisar. Quem nasceu Tecpix nunca será Leica.
O lado prático disso tudo é lógico e simples: quando uma lente mediana “quase profissional” custa mais do que a melhor máquina amadora no mercado, não há escusa de consciência que consiga moral para fotografar em um patamar ideal.
Então ficamos assim: não vou vender minha máquina fotográfica; não vou comprar uma tralha nova por um bom tempo; tirarei fotos simples, mas com apelo emocional evidente; não espere melhoria na qualidade técnica das composições nem novidades editoriais.
O mundo é cruel, eu sei. Mas cada um se vira como pode.
Algumas fotografias da semana passada, envolvendo Curitiba e outras comarcas sulistas próximas:
O Vão do Moleque é a comunidade quilombola kalunga de acesso mais difícil e complicado da região da Chapada dos Veadeiros e Cavalcante. Em uma grande depressão com 300m acima do nível do mar, a região é cercada por paredões de chapadas que alcançam mais de 1300m de altura, rios belíssimos de água transparente e uma exuberância de flora e fauna intocáveis.
Este feriado foi dia de conhecer a região, em uma expedição organizada pelo Jeep Clube de Brasília, com a participação de 30 veículos 4×4.
O primeiro impacto foi saber que uma mineradora de Manganês alargou e meteu pontes na estrada que circula o parque. Alem de transformar toda a marginal do trajeto em um imenso monocromático marrom, acabou com a magia de transpor riachos de águas transparentes com o carro.
Já no acampamento, outra frustração: o governo gastou um belo dinheiro para fazer, no meio do nada, uma extensa pista de pouso para “ajudar a população kalunga”. Na época da reeleição, pousou ali aviões com medicamentos, médicos, dentistas, suprimentos, alimentos básicos. Hoje, a pista serve apenas como parte da antiga estrada que ali passava.
Muitas fotos, como sempre:
O comboio reunido.
Estrada de terra para o Vão do Moleque
Estrada de terra para o Vão do Moleque
Estrada de terra para o Vão do Moleque
Detalhe do pneu de um dos carros
Uma das paradas do comboio antes da descida da serra
Pegada no talco.
Flores de beira de estrada, que duram menos de um dia coloridas e depois ficam cobertas com a poeira-talco que os carros levantam.
Reagrupamento do comboio.
Mata-burro.
Paisagem do alto da chapada.
Uma das minúsculas flores que aparecem nesta época do ano.
Um arbusto típico da região, conhecido como chuverinho
Uma das minúsculas flores que aparecem nesta época do ano.
Vista do início da descida da serra sentido Vão do Moleque.
Uma camionete antiga cruza o comboio com várias crianças na caçamba.
Entardecer na estrada, contornando a descida.
Raios de sol rasgam a poeira levantada pelos veículos.
Uma das poucas retas da descida, com o vão ao fundo.
Último reagrupamento do comboio antes de anoitecer.
Últimos raios de sol durante uma travessia do MMCC – MitsubixoMadCapCar
comboio esperando a travessia noturna de um dos muitos rios que cruzam a estrada.
Parede riscada à pedra de talco.
Mantimentos e material escolar doados pelo JCB à escola local.
Mantimentos e material escolar doados pelo JCB à escola local
Dois filhotes subnutridos que circulam as redondezas da escola.
Detalhe da construção típica kalunga, com folhas de buriti como telhado e paredes de adobe.
fogão à lenha.
Detalhe do desenvolvimento das espigas de milho no solo árido da região.
Uma das cadeiras da sala de aula
Povo do JCB conversando com um casal Kalunga
O catolicismo fervoroso faz parte das crenças kalungas.
Parte do comboio junto à camionete antiga dos kalungas
Um garfo com os dentes entortados, pregado na parede.
Três sacas de arroz, safra de subsistência para consumo até o final do ano.
Pessoal do JCB tomando um café na cozinha de uma casa kalunga.
Parte do comboio original em frente à escola da comunidade Kalunga
A exuberância da natureza no trajeto de volta.
A estrada tem algum tipo de sinalização, como esta placa.
Toyouta Bandeirante chegando no Mirante Nova Aurora
Jeep Cherokee chegando no mirante Nova Aurora
André e Fabi “mirando” no mirante Nova Aurora.
Mercearia de Portugal, um secos e molhados na saída de São João D´Aliança
O carro, feliz da vida que foi brincar na caixa de areia =)
Panorâmica do mirante Nova Aurora, ponto de salto de vôo livre.
E um vídeo onboard do MMCC, o carro com a trilha sonora original mais descolada da carretera: