Um shopping aqui de Brasília realizou um concurso para fotos de moda. Uma coisa deveras estranha, podes crer. Conversei com o Victor e o tino fotográfico falou mais alto. Resolvemos produzir umas fotos sob a temática “Uma foto de moda”.
O cronograma estava estourado, a verba escassa, as locações indisponíveis e a chuva sem dar uma trégua sequer. As modelos disponíveis sucumbiram com as moléstias mais estranhas: conjuntivite, pé enfaixado, espinha na ponta do nariz, crise de identidade, briga de namorado, tersol, desintegração. Mas conseguimos seis modelos que nos salvaram da não-participação.
Das seis fotos enviadas, apenas uma foi selecionada para a esposição do evento (a foto maior da Célia, logo abaixo). Foram mais de 2900 fotos inscritas, o que nos valeu um bom alívio.
Abaixo você pode conferir um pouco do que foi um final de semana de três turnos e 28 horas de correria e fotografias.
Ficam nossos agradecimentos:
Modelos: Célia Spegel, Patrícia Brunale, Fernanda Portela, Isadora Bontorin de Souza, Eduane Vieira e Hanna Karolina Noronha de Carvalho;
Locações:Life Limousine, APUB - Associação dos Pilotos de Ultraleve de Brasília (hangar do Machado), Metro de Brasília.
Mais um álbum da série que coleciona váríos fotogramas aleatórios e sem temas definidos, reunidos em uma balaiada disconexa e elegante. Nessa edição, detalhes de carros antigos, trigais e um pouco de Brasília cotidiana.
A Chapada Imperial é o parque ecológico (leia: cachoeiras, trilhas e animais silvestres) mais seguro e próximo do plano piloto de Brasilia. Organizado — quase que para gringo ver — tem guias e infra-estrutura acima da média da região. O Victor também acompanhou a expedição e lançou fotogramas em seu flickr.
Este é o Mini-circo Plim-Plim, o menor circo do mundo. Tem 4 personagens principais, meio picadeiro com espaço para bons 40 espectadores e ingresso à litro de diesel.
Segunda-feira reparei em uma pequena lona ao lado de um ônibus todo pintado, em plena esplanada. “Coisa estranha, muito pequeno para um circo”, pensei. Fui investigar para ver o que era e voilá! O menor circo do mundo, realmente!
O circo tem uma lona que abriga bem uns quarenta metros quadrados, encostado na lateral de um ônibus-residência onde o picadeiro escora-se como parede. Uma arquibancada para 25 pessoas mais 15 cadeiras completam toda a estrutura. Dentro do ônibus moram 7 pessoas: José Carlos (palhaço Plim-Plim) e sua mulher Lucicleide, suas duas filhas, Welinton (palhaço Trapizomba), Felipe (Caboclo de Lança — folclore do maracatu) e Daniel, o rapaz do maior peão do mundo.
O show do circo é um espetáculo diferenciado: uma mistura de talk-show com folclore pernambucano. Marionetes, fantoches, danças e músicas locais emboladas com piadas, palhaçadas, um pouco de humor inglês e muita expontaneidade.
A estratégia básica do circo é simples: Todo equipamento e estrutura externa cabem em cima do ônibus. Temporadas curtíssimas em cidades, coisa de 3 dias apenas. Ingressos à R$2. Uma galinha vale 4 entradas. Escambos por espetáculos. Mambembe puro.
O problema é que o ônibus, velho de guerra dos anos 70, está completamente acabado. Da parte mecânica, elétrica e habitável, tudo está em estado crítico. E aí que entra o sonho do Plim-Plim: ele quer levar o ônibus para o programa global do Luciano Huck, o Lata Velha. Sua força de vontade e persistência é tão grande que daqui uns meses tenho certeza que vou ver aquele ônibus velho chegando em Brasília com um grafismo e estrutura renovada. O plano dele é simples e efetívo: saiu de Carpina-PE, cidade-base e, pingando de cidade em cidade, pretende chegar em São Paulo ainda em janeiro para cutucar os organizadores.
Participamos do aniversário da filha do Plim-Plim, de 4 anos. Nasceu no circo. A festa contou com poetas, palhaçadas, músicas regionais, discursos e uma familiaridade que há tempos não via. Artistas desprendidos de quaisquer entraves, munidos apenas de alegria, sonhos e muita persistência.
O vídeo abaixo é uma amostra das atrações internacionais que fazem parte do circo. Daniel, que tem fluência em grego e inglês bretão, canta alguns sucessos:
As fotos a seguir estão divididas em duas apresentações: A minha, logo abaixo, e a do Victor — rapaz que continua acreditando na minha conversa fiada de boas locações fotográficas — na seqüência.
Dia de circo é sempre diferente. Pelo menos quando você consegue acompanhar a rotina e o dia-a-dia dos artistas fora do palco. Um ensaio fotográfico pelo circo Castelli e pelo circo Íncaros, temporariamente apresentando-se juntos.
Quarta feira, 18h. Duas horas antes do único espetáculo do dia. Nada de camarins de espelhos carregados de lâmpadas. Nenhuma cerimônia de preparação e concentração total. Ninguém correndo para cima ou para baixo na eterna falta de tempo mundana.
O que você encontra em um circo às 18h são pessoas tranquilas e alegres. “Que horas vocês começam a se arrumar?” “Ah, o espetáculo é só as oito. Sete e meia a gente começa.”
Sobrou tempo para um passeio por todos os traillers dos artistas. “Mas vocês vão tirar foto para quê” “Apenas por hobby, sem compromisso.” E assim todos se espantavam com nosso projeto despretensioso de fotografia.
Quer saber o que foi mais interessante nessa incursão toda? A timidez que cercou todos que mirávamos as lentes. Artistas no palco, pessoas comuns fora. Palhaço Barriquinha, o anão-inventor que trabalhou com o Palhaço Carequinha e que tem 12 filhos — todos trabalhando ou morando no circo — desconfia. “Mas eu me arrumo aqui na escadinha do trailler…” E ele senta com um espelho retrovisor de carro em uma das mãos, tinta à óleo de bisnaga na outra mão.
Conhecemos malabaristas, trapezistas, contorcionistas, mágicos. Um mundo novo em cada conversa, uma realidade em cada sorriso, a tristeza em cada desabafo.
“Oito horas! vamos lá!” E todo mundo começou um ritual único e pessoal de transformação dos maiores artistas da terra, naquele espaço.
Alguns ensaiam nos bastidores enquanto o locutor dá o ritmo do show. Outros gritavam: “Ei, minha apresentação, depois conversamos!” E lá descambavam picadeiro adentro.
O show acabou, o público foi embora e alguns continuavam no picadeiro, treinando e ensaiando.
Voltamos domingo, com as fotos reveladas. Olhares de surpresa em cada olhar que se reconhecia. “Dá essa para mim?” “Quero um álbum desses inteiro!” “Pô, quero essas fotos!”.
Aprendemos algumas coisas básicas nisso tudo: Muita gente não gosta de fotos em preto-e-branco. Outras, não entendem ângulos diferentes do usual. Talvez seja a simplicidade deles, que exija isso da vida, vai saber.
Passamos a tarde inteira por lá. O espetáculo, com três sessões corridas pedia maquiagens mais pesadas e solidificadas. Conseguimos conquistar a confiança, as conversas fluíram melhor, todo mundo conversou abertamente conosco. Entrávamos e saíamos da tenda, entre apresentaçõs com uma liberdade sem igual. As crianças nos perseguiam, faziam macaquices para sair nas fotos. Tudo com uma naturalidade impressionante.
As fotos a seguir estão divididas em duas apresentações: A minha, logo abaixo, e a do Victor — rapaz que acredita na minha conversa fiada de boas locações fotográficas — na seqüência.
Terceiro (Norte, norte, norte! senhorita Teschmacher) álbum da série que coleciona váríos fotogramas aleatórios e sem temas definidos, reunidos em uma balaiada disconexa e elegante.