MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos da categoria ‘fotografia’

Tipografia pé sujo.

20 de abril de 2011

Schwabacher bastarda com papiro decorativo, à giz, em um boteco decadente da W3 sul.

A genuína festa-de-polaco.

6 de abril de 2011

Foto de casamento, tirada em alguma cidade bem no meio do Paraná. No verso, ano de 1958. A festa era de casamento, a animação se dava por uma pequena banda composta por um gaiteiro (o sanfoneiro pra cima no Brasil), um triangulista, um violeiro e só. A mistura étnica era bem típica: polonesa, italiana, ucraniana e tracejos gaúchos. De colônias, passejos e tradições. Todos trajados com a melhor roupa da canastra. Da molecada, com certeza eram roupas que vestiram todos os irmãos antes. Apertada ou folgada demais, como sempre. Sapatos? a mesma relação hierárquica. O chapéu era feltro. Coisa que você provavelmente nunca viu e nunca verá, pois isso já é fato extinto e passado na antropologia nacionalista. Foto do acervo familiar.

Jalapão no Carnaval.

29 de março de 2011

Este é um post figurinha. Cheio de imagens para mostrar o que é o Jalapão, uma região do Tocantins que muita gente nunca ouviu falar.

No feriado do carnaval, viajamos para o Deserto do Jalapão, um parque estadual bem no meio do estado do Tocantins. A região é famosa por algumas coisas: A menor densidade demográfica do Brasil (algo em torno de 0,8 habitantes por km²), a gasolina mais cara do Brasil nos postos de Mateiros e Ponte Alta do Tocantins (o que já caiu por terra essa afirmação) e, obviamente, por ser o único deserto do Brasil.

Tem mais: o maior rio de água potável e mineral do Brasil. Tudo ali é do Brasil (ou Tocantins, como bons ex-goianos). A maior fazenda de refino de pasta base e plantio de coca e maconha do Brasil (hoje sucateada e deserta, como um bom deserto).

Mas não é essa desgraça toda que você aí está pensando. A região, apesar de ser de um solo extremamente pobre e composto basicamente de uma areia fina e branca, tem muito verde. E é incrível.

As estradas do norte do Goiás e do sul do Tocantins são boas, mas sem carro algum. Parecem abandonadas ao tempo.

Os postos de gasolina são predominantemente de bandeira branca e indefinida. Por lá não existe muita opção, apenas necessidade. Este posto aí de cima tinha um barro bacana para entrar e sair.

Esta é uma estrada nova que liga Pindorama até Ponte Alta. Está tomando forma e a trilha sumiu. Até a ponte ogra sobre o rio Balsas virou uma nova — e sem emoção — ponte de concreto.

E este é o pedaço sem asfalto. Continua bom!

Esta foto é uma tentativa de panorâmica 180º a partir do nivel do riacho. É o cânion do Sussuapara, uma antiga gruta que desabou o teto e fabricou um visual único e surpreendente. O lugar é complexo demais para descrever, principalmente porque é no meio de uma planície e deserto sem nada ao redor.

Aqui é o rio Sussuapara, perto da nascente. As águas no Jalapão são extremamente puras e cristalinas.

Rio Lageado. Apesar de parecer pedra, essa formação por onde passam as águas é um misto de argila e barro. Muito mais duro do que argila e mais fácil de quebrar do que pedra. A cachoeira é surpreendente e perigosa: vacilou? escorrega e parte a sambiquira lá embaixo.

Esta é a vista comum do parque do Jalapão: um campo de cerrado sujo, poucas árvores, muitos arbustos e areia em todo o terreno. Os horizontes do parque são incríveis, quase infinitos. A amplitude visual do lugar e de tirar o fôlego.

O final da estrada para se chegar na cachoeira da velha, no Rio Novo. Nomes paradoxais, por suposto. O rio está no canto direito da foto, com cerca de 60m de largura. É o rio mais famoso e a cachoeira mais caudalosa da região. Quase uma catarata, pelo número de quedas e a largura da mesma.

Foto panorâmica da Cachoeira da Velha, em baixa velocidade e no final do dia. A força d’água é supreendente, a vazão é estrondosa e a água branca que se forma na queda consegue deixar a superfície totalmente irregular. Este é apenas metade da cachoeira (no outro lado, atrás daquelas árvores no centro-oeste da foto tem mais um outro tanto). Clique na foto para ampliar.

Uma aranha simples de jardim, mas extremamente grande e velha, à noite, na prainha do rio Novo. Note que ela tem musgo e faltam as duas pernas traseiras esquerdas da mesma.

O acampamento na praia de areia do rio novo. Noite estrelada e muita conversa boa. Mesmo durante a madrugada as águas do rio não esfriavam.

Cachoeira do Rio Formiga. Águas surpreendentes e cristalinas, fundo de areia branca e o melhor, água na temperatura ideal, nem muito fria e nem muito quente.

Os 9 carros 4×4 e os 24 humanos destemidos, com a serra do Espirito Santo logo atrás.

Um dos pontos mais visitados e batidos do Jalapão, e que mesmo assim despertam surpresa ao visitar: as dunas. Aliás, é o único lugar de todo o parque em que você nota realmente um processo inicial de desertificação.

As dunas são cercadas por um riacho que nasce em uma lagoa ao lado das dunas. O visual fica magnífico!

A diferença entre o serrado da serra do Espírito Santo e o deserto.

Algumas plantas que insistem em nascer no meio do areião, e não se preocupam muito com sol, calor, falta de nutrientes… Tá certo que de vez em quando morrem, como esse esqueletão acima.

Mais vegetais mortos. Ao fundo, de onde vem o areião todo: a serra está literalmente esfarelando, e a areia toda acumula neste vale.

Uma das inúmeras lagoas pluviais formadas no meio do areião.

A estrada que liga Mateiros à Dianópolis. Uma reta de quase 100km, cercada por soja e lama. O trecho de 120km foi vencido em pouco mais de 9h de viagem, com direito a rodadas e gente parando no meio do barranco (imagem acima mostra uma TR4 na valeta, na esquerda da estrada)

E la nave va.

Troller e Cherokee rebocando um caminhão da valeta. Sim, puxa tranquilo.

A pequena Tempestade que pegamos nos quilômetros finais da viagem. Só pra fuder mais ainda os que já estavam no bico do corvo!

A viagem é singular e extrema. O lugar, paradisíaco. O que sobraram foram excelentes lembranças, muitas fotos e um gostinho de voltar e explorar mais ainda.

A viagem é tranquila. Até pode ser feita de carro comum, como todo mundo sugere. Mas é arriscado demais. Existem trechos extremamente técnicos e vimos, por várias vezes, carros normais levando um baile para passar onde 4×4 passaram sem problemas.

Ah, não existe estrutura alguma turística. Alguns poucos pontos de apoio, e só. Por isso amigo, Korubo ou compre uma barraquinha tranquila.

Uns footages básicos filmados com o celular:

A viagem de ida (DF ~ TO):

Desatolando um caminhão no meio do caminho:

A volta (TO ~ DF):

Motorcycle chain

25 de março de 2011

Correia de motocicleta: isso é potência e torque nas pernas. Bicicleta no estacionamento da Academia Bola de Ferro.

Lomo é fotografia?

1 de março de 2011

Afinal, Lomo é fotografia?
Vi à venda numa butique da Rua Augusta.

Esta pergunta circulou em umas twittadas famosas dias atrás.

Se você pensar no modo técnico do processo fotográfico, é sim. Porque retrata, com o auxílio de uma luz qualquer, um momento. A Lomo tem lente de plástico, espaço pra filme, câmera escura, velocidade fixa e abertura infinita. Isso significa, essencialmente, que você só consegue a mesma qualidade técnica em todas as fotos.

Claro que tem umas Lomos mais modernas, mas não se empolgue muito.

Agora, se você pensar no modo prático do processo fotográfico, não é. Fotografia, como muitos velhos profissionais da era filme velado resmungam, é um processo controlado. Você tem que ter controle sobre o equipamento, velocidade, filme, granulação, abertura focal, foco, profundidade de campo e regras de composição.

E como você consegue tudo isso?

Simples. Com uma câmera que tenha esses recursos. Qualquer pau véio reflex — desde 1946 — consegue fazer isso com sucesso e precisão.

Eu tenho uma câmera reflex antiga com algumas lentes e uns acessórios garimpados ao longo do tempo pela internet. O resultado é totalmente fora do que se espera com uma reflex digital. Não existe como comparar uma com a outra. Mas a questão é que consigo montar fotos impressionantes e o melhor, enquadrar do jeito que eu quero. O resultado é sempre muito próximo do que eu esperava.

E acredito ser isso a fotografia.

Com uma Lomo, você não sabe ao certo o que está clicando. O objeto está bem focado? Se estiver com uns 2 metros de distância, perfeito. E as condições de luz? N para bastante luz e B para pouca luz. Modo Pinhole (sim, ela tem um modo pinhole) para insanidades. Só isso.

Vai lá revelar pra você ver. É uma surpresa atrás da outra.

E surpresas, na fotografia, não são, obrigatoriamente, boas.

Esta foto é um retrato Lomo clássico: controle louco de luz e cor, aberrações cromáticas pela lente plástica e os clássicos cantos escurecidos:

Abaixo eu tenho uma fotografia tirada com uma 50mm 1.4, tudo em modo manual, foco rosqueado e dedado na contra-respiração. Pouca luz, de final de tarde:

A diferença é simples: eu fiz foco no miolo da flor. f/1,4 é fácil de desfocar. 1/125 regulada pelo fotômetro interno analógico e pronto. A imagem saiu como eu imaginava. Com uma lomo eu não sei o que sairia. Talvez tivesse que tirar a foto em B e, com o vento que estava na hora, borrasse tudo.

A diferença de preços é irrisória. Você encontra velharias seventies na internet: Canon AE-1 a partir de R$120, Nikon FM2 por R$200, Pentax K1000 por R$250. Estas câmeras manuais fazem tudo o que você quiser, com um controle fenomenal. Se der sorte, até uma ou outra Rollei 120 aparece fedendo à mofo.

No legado histórico, você escolhe seu sobrenome: Canon, Nikon, Voightlander, Olga, Lomo, Rollei, Minolta. O gosto pessoal é o seu único rumo.

E a dor de cabeça de tentar funcionar uma velharia é indescritível.

E quem disse que a gente não pode lomografar as coisas?

Esta foto abaixo foi tirada com uma reflex normal e tratada com um Action do Photoshop (clique aqui para baixar):

Engenho da Serra.

9 de fevereiro de 2011

Celularizando.

2 de fevereiro de 2011

Disparos aleatórios cotidianos com a ínfima e diminuta 1:2.8 f/4.8mm do celular Sony-Ericsson.

Lady Gadgets.

25 de janeiro de 2011

iPad, iPhone, iPod, iPhone, iSony, iLG e iWalkman. No fundo, uma iPraia.