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Arquivos da categoria ‘fotografia’
Feira do largo
29 de julho de 2008
Domingo é dia de Feira do Largo, a feirinha de artesanatos, doidivanas, artistas e intérpretes das mais variadas castas curitibanas. A feira sempre foi meio inconstante, mudando o jeitão das bancas e dos performáticos ao bem-querer.
O dedão foi comedido nos cliques da máquina, algumas fotos eram pessoais dos álbuns-família, mas saiu um pouco de foto-jornalismo não-sensacionalista, abaixo:
A foto mais popular
11 de junho de 2008
Desde que comprei minha primeira câmera fotográfica, travei uma meta pessoal com dois princípios básicos: evolução e conhecimento.
Ai vejo que a coisa está rumando mais ou menos como previsto e isso é muito bom. tenho cerca de 2500 fotos que gosto muito e algumas eu sempre volto a observar por um tempo. Coisa pessoal mesmo.
Agora uma das fotos mais visitadas, baixadas, anexadas e roubadas para PPS e fru-frus da vida, foi uma foto que tirei na calçada da frente da casa dos meus avôs maternos. É essa foto aí de baixo, fora de ângulo e com leve desfoque:

Para ser sincero eu não vejo nada demais nela. É uma idéia boa, mas gosto é gosto e as fotos que eu mais gosto não são populares.
Sete dias na Argentina
4 de junho de 2008
“Mi Buenos Aires querido,
cuando yo te vuelva a ver no habrá más pena ni olvido”
Gardel
Com a onda lowcost de passagens aéreas e a oportunidade de bons preços, viajar para o país hermano ficou muito mais fácil. O destino é — como não podia deixar de ser — o principal pacote internacional das operadoras de turismo.
A vantagem principal de um turismo mais austral neste momento é, sem dúvidas, a diferença monetária entre o peso argentino e o real brasileiro. É a mesma sensação do europeu de férias nas praias tupiniquins. Refeições completas por menos de 40$. Jantares de luxo por 100$. Corrida de taxi por 14$. Divida tudo por 2 (conta de padeiro mesmo) e você terá o valor em reais.
Alçamos vôo com apenas duas coisas pré-agendadas: vôos e hotéis. Sem operadoras, agendas ou qualquer outra coisa que pudesse tirar nossa total liberdade na escolha de atrativos e uma lista infindável de coisas a fazer.

Existem várias Buenos Aires para se conhecer. A artificial e programada de operadoras, a genuína e infiltrada no meio dos portenhos, a descolada e baladeira, a bon-vivant e a luxuosa dos recônditos elitistas. Montamos um blend de todas estas vertentes vivenciais e lançamo-nos ao mundo.
No caminho do aeroporto para o hotel, um choque cultural: nenhum radar eletrônico (pardal), prédios decadentes, poluição visual e um gostinho de não ter saído do Brasil. Ficamos em Palermo SoHo, um bairro vanguardista em plena ascenção, cheio de lojas experimentais, hotéis design e B&B, restaurantes internacionais e muita gente diferente (argentinos típicos e gringos). O nosso hotel era outra surpresa. Apenas uma portinha com o número, sem qualquer outra identificação. Lá dentro um mundo incrível e aconchegante, cheio de conforto, design e estrangeiros.
A cidade, na verdade, é fora do comum. Toda a arquitetura clássica e moderna, museus, prédios restaurados e até as casas antigas são impressionantes. Ouso dizer que no Brasil não tem uma cidade que consiga chegar perto do que Buenos Aires é em termos de urbanismo histórico. Algumas ruas são cheirosas. As folhas de plátano dão mais cara de cidade versão européia. As pessoas são bonitas, polidamente educadas, andam bem arrumadas e cheiram muito bem. A grande maioria descendentes de europeus. Talvez a culpa dessa impressão toda seja o frio, vai saber.

É a cidade ideal para dar um tempo de tudo. Fomos de Buenos Aires para Mendoza em um turbojato arcaico da Aerolineas Argentinas, com a equipe feminina de esportes de inverno da Argentina. Chegamos com uma frente polar antártica, o que nos proporcionou temperaturas abaixo de zero e sensação térmica mais baixa ainda.
Em Mendoza você faz basicamente duas coisas: toma vinho na bica e passeia para alta montanha.
Tomar vinho na bica significa passear por uma das suas 1800 bodegas Y fincas que produzem bons vinhos, conhecer os processos e, no final do passeio, degustar alguns reservas e selecionados com toda a pompa de enólogo metido a besta que você não tem. As degustações são, na grande maioria, gratuitas. E não pense que o pessoal lá regula mixaria não! Meia taça de cada varietal, com uma média de 4 cepas. Um dia de passeio pelas vinícolas equivale a 4 litros de bons e diferentes vinhos zanzando pelo seu sangue.
Passear para a alta montanha é uma coisa mais singela e agradável. Você conhece a pré-cordilheira, a cidadezinha de Uspallata, estações de esqui e um monte de pequenas surpresas no caminho: um côndor que voa solito no meio do nada, um puma que acredita em sua camuflagem, guanacos, viscachas, uma nevasca repentina.
A argentina é um país que vale visitar. Muitas vezes.
- Os taxistas são meio doidos das idéias. Priorizam buzinar à trocar de marcha. Apesar disso, as corridas são muito baratas e valem a pena. E praticamente todos os taxistas ja vieram zanzar no Brasil;
- Cuidado com o dinheiro argentino: se você receber uma nota de peso com algum canto faltando ou com cortes ou rasgos, recuse. Você não vai conseguir passá-la para frente. A dolarização do Menem ainda é eficiente, mas garanta-se sempre com uns pesos no bolso. Cartões de crédito são bem aceitos em lojas grandes. Cuidado com notas de Us$50 ou Us$100. É muito troco, e os comerciantes recusam-se a aceitar;
- Compre vinhos nas bodegas em Mendoza ou então No quiosque de vinhos do DutyFree do Ezeiza. O preço é menos da metade da mesma garrafa em adegas aqui no Brasil;
- Pontos demasiadamente turísticos (Caminito, cemitério da Recoleta, Porto Madero) tem muito caça-turistas. Perde um pouco o encanto e fica artificial demais;
- As vinícolas mendocinas também tem armadilhas caça-turistas. Prefira fincas y bodegas mais autênticas e reservadas. São, de longe, o melhor atendimento e você percebe que o responsável se esforça para mostrar tudo. As caça-turistas cobram taxas, tem pirâmides incas (!) e não valem a viagem;
- O aeroporto internacional de Buenos Aires (Ezeiza) não tem praça de alimentação. Na verdade ele é um terminal de embarque muito do fajuto. Não chegue com fome. Um refrigerante custará 10$ na única lanchonete disponivel;
- As lojas Tax-free são burocráticas e difíceis de achar;
- Argentinos não comem arroz. Quando você pede um Mignon com batata rosti, significa APENAS Mignon com batata rosti. Eles não são fãs de arroz, saladas leves ou outras iguarias;
- Aliás, se você é vegetariano, perderá 76% do cardápio regional, sempre;
- Existem shows de tango diferenciados, que variam desde o intimista e puro até as mega produções broadwayanas com um monte de firulas. Talvez um bom tango de rua (como os dançarinos da feira de San Telmo) seja o suficiente para você entrar em contato com o estilo;
- Tente aprender um pouco de espanhol. Os argentinos não entendem quase nada de português;

Dicas Cavalcantes
23 de abril de 2008
Feriadão foi dia de conhecer Cavalcante, uma cidade de Goiás que margeia a chapada dos veadeiros.
Distante 320km de Brasília, a cidadezinha conserva um ar bucólico e interiorano, ainda não afetado pelo turismo canibal dos brasilienses. E isso significa que você não encontrará tanta gente doida nas ruas, religiões estranhas ou artesanatos xinglings como em Alto Paraíso ou a vila de são Jorge, do outro lado do parque.
Mas a grande vantagem de Cavalcante é justamente a de estar do “outro lado” do parque da chapada dos veadeiros. É o lado onde tem mais cachoeiras, trilhas, biodiversidade e o principal: poucos humanos por atrativos.
Como o tempo era escasso, optamos por conhecer a cachoeira mais bonita da região: Santa Bárbara. São quase 30km de deslocamento por estradas de terra (inclua travessias de riachos) até a comunidade quilombola Kalunga. De lá, mais 5km de trilha aberta e tranquila até a ravina do rio.
A idéia de visitar a cachoeira era antiga, desde a primeira vez que conheci o parque e um guia havia mencionado uma tal “cachoeira das águas azuis”. Especulei na internet, procurei fotos mas mesmo assim você leva um susto quando encontra essa cachoeira tete-a-tete.

A água é azul-esverdeado por alguns motivos: uma concentração alta de calcário no terreno local, o reflexo do céu e da mata, com angulações propícias e a nascente do rio logo ali em cima, mineral. O poço é profundo. E mesmo assim tem piscinas artificiais por aí que perdem em visibilidade para essa cachoeira.
Eu tirei poucas fotos, acho que esqueci a fotografia no momento. A volta é tranquila, você se refresca nos inúmeros riachinhos que cruzam a trilha, gelados e transparentes.


Algumas dicas para Cavalcante: Se você tem apenas um carro normal de passeio, contrate o transfer da Suçuarana (única operadora local de turismo de aventura). Eles possuem carros 4×4. E guias capacitados. Não acredite quando dizem que qualquer carro pequeno chega em alguns lugares. As estradas de terra são pesadas. Lá tem poucas pousadas, mas todas muito boas. Reserve com antecedência. A maravilha das pousadas boas é que a grande maioria são afastadas, em fazendas. Isso garante noites silenciosas, escuras e cheias de estrelas. Algumas, com direito a fogueira. Reserve um dia para cada atrativo. Você aproveita muito mais. Fabrique seu próprio lanche para trilhas (almoço, na maioria das vezes). A alimentação por lá é escassa. Os dias são quentes demais. As noites podem ser frias, dependo de quão perto de um rio seu quarto ou chalé de pousada fica.






















































































































