Viver é conseguir mudar dia-a-dia os sentimentos que apenas postergam a existência de qualquer minh’alma. É ser um outro e este mudar como queira. Sentimentos de um passado ontem, de uma realidade agórica e de um futuro pertinente e insensato.
Não viver é destruir o passado em patacoadas e desatinos. É iniciar invariavelmente todo dia o desejo de não se ausentar. Apenas estar aqui é ter a complacência de uma virilidade marginal, uma toque no âmago do que realmente somos.
Nesta noite, tempo qualquer, a vida incendeia-se como um nada. É na escuridão de um sono incontido e agonia insone que aparece a necessidade da sua luz. E essa sua luz quem sabe nunca existiu, essa noite nunca aconteceu, a agonia sufocada em tormentas apenas arraigou-se de tédio compulsivo. Quem sabe eu não tenha existido, sou apenas consciência vã, sua apenas lembrança.
Amanhã, ah o amanhã! Será qualquer outra coisa sem sentido. A intocada vida amanhã encarregar-se-á de recompor a estafada mente em novos torpes desvarios.


