MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

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O grande gráfico da butalidade humana

3 de julho de 2009

Acredito que todo mundo com um pouquinho de discernimento emocional e social, admite, com o tempo, que o ser humano é um monstro devastador e destruitivo.

Generalizando, mesmo.

Qual é a primeira reação pública massiva que se nota quando uma comunidade entra em colapso, blecaute, estado de alerta ou crise interna? Destruir tudo, é claro. Saquear, confrontar, matar.

É a torcida organizada que passa e quebra vitrines. Ou mata um infeliz torcedor rival que cruzou o caminho.

São os novaiorquinos, ianques rednecks saqueando o que podem no último grande blecaute do leste americano.

Gente que rouba donativos, invade mercados e apodera-se de todo o estoque etílico de mercados que foram inundados no alagamento catarinense.

O humano tem requintes de crueldade quando o assunto é cultural. A massa é vergonhosa e pútrida. Os populares lincham mesmo se você soltar o criminoso no meio deles.

E a torcida do pão-e-circo aplaude e afaga os verdugos com julgamentos de Talião, como se a justiça do certo fosse o absolutismo vivencial.

O humano está mais arredio. Não fala mais bom-dia. Ninguém mais se cumprimenta. O indivíduo está cada vez mais cercado de redomas e escudos protetores. “Culpa da sociedade”. “Culpa dos criminosos que andam soltos”. ” A sociedade faliu”.

O sociopata é você, anarquista zombador.

O trânsito urbano virou uma mácula no convívio coletivo. Uma pequenina guerra de poderes começa toda vez que a ignição promove as pequeninas explosões dentro do motor. A disputa de espaço no trânsito caótico, o estresse do engarrafamento, a lerdeza, a falta do pisca, a fechada, a pequena colisão que apenas arranhou  a traseira.

O taxista, que é um profissional desta guerra, acredita em sua superioridade medíocre.

A arma apontada por um demente. A briga que resulta em espancamento. A perseguição gerada depois de xingamento mútuo. A chave-de-roda que estoura um vidro lateral. O risco na lata “para esse filhadaputa aprender”.

Somos monstros inflexíveis, meu caro.

Não existe mais amor. Não existe perdão, compaixão, ternura.

Nossas arestas pontificam cada vez mais espinhos ao nosso redor que não deixam alternativas a não ser nos afastar mais e mais de indivíduos também espinhudos.

O poderio bélico da Nova Ordem Mundial tem capacidade para destruir o planeta Terra umas 15 vezes. Sem brincadeira! Temos os melhores requintes de dizimação social. A indústria bélica é linda.

Somos o único animal que consegue planejar o extermínio da nossa própria espécie. Inventamos a guerra. A luta já não tinha mais graça, mesmo porque todos os animais lutam. Nós não… Ah, tínhamos que evoluir, não é mesmo?

Geramos mais de 350 guerras em menos de 300 anos. Matamos 86 bilhões de pessoas. Um prêmio justo aos agressores, já que na maioria delas os opressores pisaram a garganta dos oprimidos sem dó e sem piedade.

Até o futebol causou uma guerra idiota, veja você.

Dê voz aos anônimos, para você ver. Criará monstros vorazes que saberão mesquinhamente como te reduzir à merda.

O humano é uma vergonha.

Adoravelmente repugnante, por assim dizer.

divisor

O gráfico abaixo baseia-se no estudo de Harmann-Krupki-Valentino (postulat.1997) onde “a linha tênue que separa” (termo que virou jargão e lugar-comum posteriormente) é a base absoluta das curvas comportamentais e sociológicas de comunidades históricas ao decorrer da coexistência universal.

Pode se observar que a proporcionalidade temporal não se interrelaciona com métrica alguma, quando Valentino publica um dia quotidiano ao mesmo espaço de uma era histórica.

O grande gráfico da brutalidade humana.

Tempus Fugit

4 de junho de 2009

O grande barato de manter um blog de bandeira branca (sem patrocinadores, mecenas ou condominados) é um detalhe chamado timing, que o mantém livre e sem sufocamentos.

Outra coisa boa é o rumo generalizado e despretencioso que o conteúdo segue. Nada de fechamento de matérias ou deadlines impossíveis.

A anarquia é a eloqüência venal do conteúdo livre.

Os velhos roqueiros de sempre

30 de abril de 2009

old-heavy-metal

Cuidado quando for fazer uma tatuagem na barriga.
Quando envelhecer, essa bola amarelada vai ficar
mais para uma gigante-vermelha do que um sol estiloso.

O tatuador-filósofo tem toda a razão. A velhice é uma escaraminholada caveira que não dá trégua para ninguém. O bom e velho rock’n'roll é herança nativa dos anos 60 e 70. E muitos daqueles cabeludos de outrora ainda estão por aí.

Uns dias atrás teve uma banda geriátrica chamada Iron Maiden aqui pelas cercanias de Brasília. Outrora, lá pelos idos do final do século passado, Deep Purple deu as caras em Curitiba.

The Doors (revisited), em Brasilia. Heaven’n'Hell (mas pode chamar de Black Sabbath) se apresentará por aqui. semana que vem.

Bandas de 1960+ que ainda estão na ativa.

Olha só o David Gilmour. No próprio site do fã clube oficial, escrachado pelos fãs, que acham a sua barriguinha de véio uma coisa caquética e engraçada.

O velho Ozzy, cozido e limitado.

Gente que não consegue parar. Não percebem que a fase cabeluda ja se findou há tempos. Que ainda insiste em conquistar novos fãs com seus riffs clássicos e com a melodia inalterável.

Cabelos brancos. Muquetas que balançam como mocotó em palhetadas mais ferrenhas nas guitarras elétricas.

Não sei até que ponto vale tudo isso.

Ars longa vita brevis, my brother.

Lirismo irrelevante

22 de janeiro de 2009

Escrevo como um carrasco usurpador das belas idéias acerca dos fatos.

Poderia escrever melhor, não nego. Canso de olhar relatos, ficções e noveletas que expurgo sem maior controle neste espaço e vejo, de forma tardia, a falta que uma enjambrada mais lírica fez.

O que muita gente não sabe é que escrevo e não ligo que ninguém leia. Escrevo porque preciso de uma âncora para meus sentimentos e lembranças reais, mesmo que tudo pareça camuflado em continhos murchos ou fantasias impossíveis.

Aliás, não invento nada, não sei se ja falei isso aqui alguma vez.

Escrever foi a forma singela que encontrei de ludibriar a vida. E publicar estes ensaios faz parte da regra básica da escrita. A publicação com direito à exposição permanente, infinita e livre é linda. Qualquer um pode interpretar como quiser. Até os idiotas.

É quase que um jogo regrado, diga-se de passagem.

Mesmo porque quem escreve para sí, em diários secretos que em algum periodo da vida vá pegar fogo ou se afundar em algum lago pantanoso, não escreve nada.

E quem escreve porque gosta, é um bosta.

Redigindo a massa hipotética

24 de novembro de 2008

O que muita gente não sabe é que escrevo e não ligo que ninguém leia. Sei que apenas meia dúzia de viventes entendem o que eu quero dizer. E eu não estou incluído nessa.

A escrita é minha forma singela de ludibriar a vida. Publicar estes ensaios faz parte da regra básica do esquema. É um jogo regrado, diga-se de passagem.

Agora, quem escreve para sí, em diários secretos que, em algum periodo da vida, vá pegar fogo ou se afundar em algum lago pantanoso (ou pior, será deletado na primeira recaída), não escreve nada.

E para transmitir alguma coisa para sapos, girinos e amebas, já temos a TV.

A impessoalidade literal

19 de novembro de 2008

Escrever é perder todas as lembranças e destruí-las em formatos de letras agressivas e ásperas. A literatura — em qualquer uma das suas formas mais vorazes: poesia, elegia, ou a prosa fascínora  — é a maneira mais fácil e deliciosa de ignorar a vida. Qualquer outra expressão visual, por mais plástica e abstrata que seja, consegue exprimir sentidos perfeitamentame tangíveis e perfeitos.

A literatura é torpe e baixa. Descreve tudo com uma simplicidade e perfeição incrível. E mesmo assim, nunca a velha casa das paredes descascadas de um mofo adocicado será a mesma.

A sua casa não é a minha.

A minha é na beira de uma praia de Montouk, caída e sem caibros, com neve perto do beiral da varanda. A sua deve ser Bauhaus, apopética, vai saber.

Um drama nunca foi o que almejou ser; no máximo um romance dado sem narrativa alguma. Textos assíncronos, sem realidade, inexistentes em sua própria subjetividade.

A literatura é um monstro aniquilador de sonhos.

Sem dó.

Alto fala, baixo vive.

14 de novembro de 2008

Os demiurgos deste veículo brindam seus freqüentadores com uma resenha rara, captada pela proximidade animalesca de R.Valentino em último bal masqué, realizado por ocasião da inclusão do então consagrado gráfico da “falafalicitude autômata de vozes”, um resumo heróico e competitivo desafiando R.Valentino a criar um gráfico de axis paralelos com explicação auto-entendível.

A questã logrou a voluta peripatética abaixo:

TABELA FRAGMENTADA - CLASSE SOCIAL VERSUS POTÊNCIA SONORA DESPRENDIDA

Notas do Autor: Consideráveis variáveis que influenciaram na pesquisa:

— Elitistas emergentes e falsos elitistas falaram muito alto; pertencem às classes inferiores originais.

— Pobres que falam baixo têm problemas de dicção, ortodônticos ou  são mudos.

Poetas, loucos & roqueiros emos

21 de outubro de 2008

Eu sempre quis conhecer escritores. Acompanhar a boemia  — na mesa anônima ao lado — da patota-bossa-nova das pingaiadas eternas de meio da tarde em Copacabana. Talvez porque todos esses ícones de uma geração que já bateu as botas foram heróis mundanos e enfadonhos com alguma graça perdida.

Encontrar ao vivo gente como Drummond, Pessoa, Bandeira. A chatisse que não devia ser uma roda de conversa deles! Ou então os loucos curitibanos: Trevisan ou Leminski e suas tentativas absortas de poetizar o que não se deve.

Os poetas já se foram. O mundo, dinâmico do jeito que é, colocou no lugar gente que não tem mais essa pegada toda sentimental.

Quem quer saber de um poeta na idade do rock
um cara que se cobre de pena e letras lentas
que passa sábado à noite embriagado
chorando que nem criança a solidão

Quem quer saber de namoro na idade do pó
um romance romântico de Cuba
cheio de dúvidas e desvarios
tal a balada de Neil Sekada

quem quer saber de mim na cidade do arrepio
um poeta sem eira na beira de um calipso neurótico
um orfeu fudido sem ficha nem ninguém para ligar
num dos 527 orelhões dessa cidade vazia

Esse poema acima (‘Desabutino’, do Chacal) é a cara das reações culturais contemporâneas. As músicas estão uma bosta. Letristas, mais cornos que nunca. Literatura, ovalada. Blogueiros, inúteis. Boa poesia, música inteligente e almas intensas, trancafiadas em redutos cada vez mais obscuros.

Conheço uma meia dúzia de bons redutos, socializados de forma honesta. Desses, um é virtual e reúne a excelência experimental da poesia e música em podcasts experimentais. Aliás, os podcasts são broadcasts de uma rádio local. Acesse o Programas Antigos e baixe a coletânea.

Recicle um pouco a sua cultura alternativa. É necessário. E gratuito.