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	<title>MadCap &#187; ensaios</title>
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	<description>A mi no me pagan por pensar.</description>
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		<title>A música na minha vida.</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 23:59:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A música para mim é apenas o vento que se balança de maneira diferente nos meus ouvidos. Se hoje você me perguntar qual é o meu gosto musical, eu responderia: Nenhum. Ou todos. E falo sério quando digo que a música para mim é apenas um acessório disconexo que complementa todo o conceito hipodérmico behaviorista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>A música para mim<br />
é apenas o vento que se balança<br />
de maneira diferente<br />
nos meus ouvidos.</p></blockquote>
<p>Se hoje você me perguntar qual é o meu gosto musical, eu responderia: Nenhum. Ou todos. E falo sério quando digo que a música para mim é apenas um acessório disconexo que complementa todo o conceito hipodérmico behaviorista de que eu e ela não batemos os gênios.</p>
<p>A Etta James morreu dia desses e eu fiquei uns bons 5 minutos tentando lembrar quem ela era. Isso que eu tenho uns CD&#8217;s de jazz com ela no berreiro. Não consegui pescar nenhuma música dela de cabeça.</p>
<p>Não consigo lembrar o nome, assim repentinamente dos Beatles. Ou dos caras do Pink Floyd. Isso que eu tive a coletânea deles em CD. Sei que um ou dois Pinkfloyders morreram. E os Beatles então? Falando daqueles dois mais escondidos, o Ringo e o outro: viu, nem lembro o nome do outro. Sei que um era baterista e o outro devia ser o cara do baixo ou do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mellotron" target="_blank">Mellotron</a>, não importa.</p>
<p>O que me intriga é que eu comecei a tentar achar um rumo musical. Tem gente que é fã, doentão por um artista, uma banda ou um gênero musical. Fã Clube! Quer uma coisa mais piegas que isso?</p>
<p>Mas vamos lá:</p>
<p><strong>Blues</strong><br />
Desde Muddy Waters até BB King sem parar. Conheci os maiores bluzeros e seus batepés com guitarras chorosas. Encheu o saco.</p>
<p><strong>Rock</strong><br />
Até que vai, mas a cada dia que passa menos bandas conseguem não me irritar. Hard/Metal/Glam/Death/Trash/Melódico já deu o que tinha que dar quando completei 18 anos. Mais do que isso seria idiotice. Até lembro uma vez que dei carona para um camarada e ele me entregou um CD gravado com uma desgraça melódica (acho que era Rapsody o nome). Aquilo me traumatizou. Quase ejetei o cara do carro.</p>
<p><strong>Eletrônica</strong><br />
Fui em uma rave, quando isso não era conhecido e sabido de 99% da população brasileira. Tinha balinha e doce quando PCP, LSD e Skank eram apenas simbologia partidária, monitor de cristal líquido disléxico e banda de rock nacional. Encheu o saco de um jeito que até me surpreendi quando escutei a trilha sonora do Daft Punk para Tron 2. Dias atrás apaguei algumas centenas de preciosidades por falta de uso.</p>
<p><strong>MPB</strong><br />
Tentei e vomitei na primeira hora de horripilaridades. Sério, você tem que ser muito idoso-tiozão para tolerar o chororô. Entra nessa faixa qualquer MPB moderninho tipo Marisa Monte, Tribalistas ou coisas pop-melindrosas (Restart e a sua catuléia hodierna).</p>
<p><strong>Funcão</strong><br />
Cê tá de brincadeira né? Passei longe para não levar tiro ou não perder meus tênis.</p>
<p><strong>RAP/HIP/HOP</strong><br />
Gostei, tinha um CD dos Racionais (sério, Racionais era legal) mas deu o que era para dar quando um moleque encostou uma quadrada na minha cara e confrontei a realidade com a ficção. E na verdade eu tinha vergonha de falar para os outros que eu curtia um som do Mano Brown.</p>
<p><strong>Jazz</strong><br />
O jazz durou muito até, uns 5 anos. Mas não consigo mais acompanhar essa dislexia sonora. Os novos jazzistas estão um saco. E os velhos são muito duro-na-queda, às vezes.</p>
<p><strong>Erudita (ou clássica, para você que é chucro)</strong><br />
Um legado que tenho em minha vida desde que nasci. Meu pai embalava a gente com isso. Acaba que nessa intolerância toda a música clássica e erudita toma o lado esquerdo dos hinos nacionais como obrigatoriedade de causa. Um dos poucos casos de sonoridades que eu escuto os primeiros barulhos e sei assoviar ou pior: o nome original da obra ou do autor.</p>
<p><strong>Regionalista</strong><br />
Gaúcha, sertanejos e afins. Já tentei. Mas morri de desgosto com a saudade da querência, enquanto cevava um mate no pago com a dor de corno da goianada no sertão que nunca choveu e não choverá tão cedo. Chico Science era bom, mas deixou 4 discos e eu escutei tanto que também saiu gosminha.</p>
<p><strong>Reggae</strong><br />
Bob Marley e o disco Legend foi a única virtuosidade dessa onda que consegui escutar sem pular as músicas a cada 3 segundos. Os outros são azia demais para a base ácida estomacal.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-17" title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="" width="235" height="30" /></p>
<p>Por falar no Mellotron lá de cima, eu não consegui ter paciência para aprender música. Até conheço a métrica, mas é algo que não me atrai. Meu avô era luthier, meu tio professor de violão e meu colégio tinha aulas de canto, coral e instrumentalidades. Adivinha se fiz alguma coisa relacionada?</p>
<p>Eu ainda uso Winamp, para você ver o naipe da coisa.</p>
<p>Cantar no chuveiro é um saco. Tentar lembrar um verso, apenas UM VERSO de uma música qualquer é um martírio. Eu entro num ziriguidum terrível e sai umas mamonisses medonhas.</p>
<p>E o dia que eu quase derrubei a Pitty com uma malada da esteira no aeroporto de Brasília? Minha mulher explicou depois quem ela era (uma espécie de roqueira que tem letras musicais que não encaixam na melodia).</p>
<p>Outrossim informo que assinei o atestado do <em><strong>Death Tone</strong></em> musical. Não acho isso um ponto positivo nem que sirva para se gabar. Até tenho pena porque é uma sensação de derrota e resignação. Mas cada um pode, segundo o Darwinianismo, ter até duas ignobilidades reconhecidas.</p>
<p>E a música é uma das minhas.</p>
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		<title>Não está fácil para ninguém.</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 00:02:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
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		<category><![CDATA[fotografia]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3637" title="No limite da equação." src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/DSC_1213.jpg" alt="" width="678" height="678" /></p>
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		<title>Dez mil unidades da moeda local.</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 13:23:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Essa é para você que reclama dos preços abusivos dos carros no Brasil: igualar o valor não seria discriminar o mercado de maior poder aquisitivo? Não seria apenas inverter o jogo? Imagine o carro que custa 30 Obamas lá fora vendido a 30 Dilmas aqui. Não seria a mesma injustiça com americanos inflacionar em 1,8x [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa é para você que reclama dos preços abusivos dos carros no Brasil: igualar o valor não seria discriminar o mercado de maior poder aquisitivo? Não seria apenas inverter o jogo?</p>
<p>Imagine o carro que custa 30 Obamas lá fora vendido a 30 Dilmas aqui. Não seria a mesma injustiça com americanos inflacionar em 1,8x o mesmo produto, sendo que eles poderiam pagar, então, 16 Obamas?</p>
<p>Pela cotação da moeda americana, o preço hoje de um veículo popular em dólares é de US$ 11.317, bem caro. Quando foi criado, no início da década de 90, o preço médio do veículo popular era proporcional a US$ 8,3 mil. Lembra do Uno Mille à R$9.450? Pois é, dólar baixo.</p>
<p>A solução? Trabalhe mais, reclame (e roube) menos e faça seu país crescer e ter força econômica. Só isso. E essa dica vale para todo mundo que acha o &#8216;jeitinho brasileiro&#8217; uma virtude e não uma desgraça.</p>
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		<title>A coisa não está difícil só para vocês&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 11:19:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
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		<category><![CDATA[ensaios]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3600" title="Fiat Punto Evo 2012" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/21122011828.jpg" alt="" width="678" height="510" /></p>
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		<title>Mimosoideae*</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 20:23:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Chacoalha a memória um pé de ingá. Não desses cujas vagens se vendem às cordas, com dez ou vinte sementes. Daqueles mais raros, amarelos e pequenos, dos meus dias de criança com a primaiada vestida de calção e argila, correndo suas euforias nas pequenas praias do córrego de Areias. Do cipó do ingazeiro muito se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chacoalha a memória um pé de ingá. Não desses cujas vagens se vendem às cordas, com dez ou vinte sementes. Daqueles mais raros, amarelos e pequenos, dos meus dias de criança com a primaiada vestida de calção e argila, correndo suas euforias nas pequenas praias do córrego de Areias.</p>
<p>Do cipó do ingazeiro muito se podia fazer, desde cestas, balaios, cordas e balanços. Contavam-se centenas naquele pedaço de córrego. E com eles outros tantos pés. De cagaita, tucum, pequi, goiaba e o mal-cheiroso jenipapo. Sobre as copas os periquitos compartilhavam nossa furupa de menino feito a deles. Gritando sem precisar ser ouvido, correndo sem destino. O mundo era ali. E como era bom um ingá sem coró, doce de estralar a língua.</p>
<p>A nossa infância era assim. Cabia numa cestinha feita da argila do córrego com a alça trançada de cipó do ingazeiro. A fornalha que secava a cerâmica era sempre um toco rodado da última chuva, pousado junto da areia. Além das cestinhas, outras esculturas infantis surgiam com a argila recém tirada: jacarezinhos com olhos de pedra, peixes com escama de malacacheta, tartarugas com cascos de seixo.</p>
<p>Ficavam ali secando enquanto a tropinha subia o rio rumo ao ápice das aventuras: O temido poção. Queria ver Indiana Jones que superasse a bravura da molecada de Otto, Santana, Caetano e Camargo. Todo ano a coisa mudava de figura. Aquela curva de rio onde caiu um velho jatobá era desafiadora! Os maiores passavam por cima do tronco e já pulavam para a pedra que represava o poço, à esquerda de quem vai. Os menores desviavam, à direita, passando por baixo do tronco, e tinham que vencer a areia movediça, a corredeira da pedra-sabão, a prainha de argila e atravessar o raso cheio de folhas no fundo.</p>
<p>Para quem não sabe, aquelas folhas pretas no fundo da água fria escondiam dragões, cobras, aranhas d’água e toda peste-de-sete-cabeças que habita o imaginário das crianças.</p>
<p>Hoje não somos mais os mesmos. Dos que sobramos, a maioria já temos nossos pequenos. E eles não sabem mais fazer esculturas de argila do córrego de Areias. Fazem por moldes de massinha industrializada, sabem falar inglês, fuçar em computador, exigem seus telefones próprios.</p>
<p>Triste realidade é que eles vão saber, na pele, ou aprender em algum livro de escola, a importância que têm as matas ciliares, os cursos de água fresca, as sombras da mata, o húmus das folhas pretas, a farra dos periquitos e sagüis, a prosa lenta e sábia dos mais velhos.</p>
<p>A vida não cabe mais na cestinha. O ingazeiro já não tem a mesma graça. Será que ainda existe o ingazeiro? Será que ainda existe o córrego de Areias?</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-17" title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="" width="235" height="30" /></p>
<p>Esse texto é do meu amigo <strong>Natanael C. F. Júnior</strong>, relatando uma infância que muita gente invejaria. Um dia ele vai fabricar um blog, vai vendo.</p>
<p><em>*mimosoideae é a subfamília a que pertence o gênero Ingá.</em></p>
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		<title>Saudade de uma boa churrasqueada.</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2011 11:38:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao anoitecer sentaram-se em bancos sem encosto (pranchas de madeira em cima de pedras e tijolos empilhados) ao longo duma grande mesa feita de várias mesinhas emendadas e a cuja cabeceira estavam sentados os noivos, tendo à direita os pais da moça e à esquerda o padre. Em cima da mesa viam-se pratos e travessas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Ao anoitecer sentaram-se em bancos sem encosto (pranchas de madeira em cima de pedras e tijolos empilhados) ao longo duma grande mesa feita de várias mesinhas emendadas e a cuja cabeceira estavam sentados os noivos, tendo à direita os pais da moça e à esquerda o padre. Em cima da mesa viam-se pratos e travessas cheios de pedaços de galinha assada, carne de porco com rodelas de limão, batatas doces, pinhões e aipim.</p>
<p>No fundo do quintal preparava-se o churrasco: dezenas de espetos fincados em bons nacos de carne estavam colocados sobre um longo valo raso, no fundo do qual luziam braseiros; a graxa derretida caía nas brasas, com um chiado, e uma fumaça cheirosa subia no ar, enquanto duas pretas de vez em quando mergulhavam ramos de pessegueiro dentro dum balde com salmoura e depois aspergiam os churrascos, trazendo os que ficavam prontos para a mesa, onde eram disputados aos gritos.</p>
<p>Os homens usavam suas próprias facas, que tiravam da cintura ou das botas, e com elas cortavam o assado, muitas vezes respingando o rosto com o sumo sangrento da carne. Nas barbas negras de alguns deles a farinha branquejava como geada sobre campo de macegas recém-queimado.</p>
<p>O dono da casa dirigia o jantar, gritava para os churrasqueadores, recomendando: &#8220;Um bem assado!&#8221; ou &#8220;Que venha uma boa costela!&#8221; ou ainda: &#8220;Um gordo aqui pró Chico Pinto!&#8221; No princípio da festa notara-se um silêncio um pouco constrangido. Mal, porém, o vinho começou a encher os copos e subir à cabeça dos convivas, eles se puseram a falar mais alto, a rir, a contar histórias, entusiasmados. As mulheres, mais quietas, limitavam-se a sorrir, de cabeça meio baixa.</p>
<p>O terreiro estava iluminado por muitas lamparinas de azeite e sebo dentro de guampas postas em cima da mesa ou presas nos galhos das laranjeiras e pessegueiros. Rodrigo mastigava o seu churrasco com gosto, bebia o seu vinho estralando a língua. Sentia aos poucos um calor bom a poderar-se-lhe do corpo e ao mesmo tempo ficava um pouco inquieto, pensando no que poderia acontecer se ele se embriagasse e &#8220;perdesse a tramontana&#8221;.</p>
<p>O gaiteiro começou a tocar e os primeiros acordes do instrumento foram abafados pela gritaria de aplauso. Depois as vozes silenciaram um pouco e o homem &#8211; mulato de cara larga picada de bexigas &#8211; começou a tocar uma tirana. Estava sentado numa cadeira, no meio do terreiro, o chapéu quebrado na frente, o barbicacho quase a entrar-lhe na boca; tocava de olhos fechados, as sobrancelhas erguidas, e segurava a gaita com frenética paixão, como se estivesse abraçando uma mulher.</p>
<p>Rodrigo meteu na boca um naco de carne gorda, triturou-o nos dentes fortes e pensou ainda: Minha marca não sai mais. Nunca mais. Mastigou bem a carne e depois ajudou-a a descer goela abaixo com um gole de vinho tinto. Afrouxou o nó do lenço. &#8220;Está quente, amigo&#8221; &#8211; murmurou, dirigindo-se ao homem que tinha a seu lado. O outro não ouviu e continuou a comer, de cabeça muito baixa, como um porco com o focinho metido no cocho. Os sons rasgados e chorosos da gaita enchiam o ar. Um ventinho morno bulia com as folhas, fazia oscilar a chama das lamparinas. Homens iam e vinham trazendo churrascos ou levando espetos.</p>
<p>A vida era boa &#8211; pensava, enfim, Rodrigo.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>O Sobrado I</strong> &#8211; Erico Veríssimo; p.292</em></p>
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		<title>A realidade atracada em uma galheta qualquer.</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jun 2011 16:28:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depois dessa expedição — que lotou o blog com um recheio bávaro de embutidos — percebi coisas fenomenais que me fizeram mudar alguns conceitos de como eu estava vivendo em um plasma suspenso e não sabia. A começar pela fotografia, o meu motor de curiosidade diário e a melhor coisa que descobri fazer como passatempo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois dessa expedição — que lotou o blog com um recheio bávaro de embutidos — percebi coisas fenomenais que me fizeram mudar alguns conceitos de como eu estava vivendo em um plasma suspenso e não sabia.</p>
<p>A começar pela fotografia, o meu motor de curiosidade diário e a melhor coisa que descobri fazer como passatempo. Uma câmera boa faz a diferença. Agora, uma lente prime te faz mudar todo e qualquer conceito do que era a fotografia com um material bunda e o que o potencial de imagem pode exercer quando há capacitação técnica para tal.</p>
<p>Foi uma malacostumação catastrófica andar com uma 70-200 durante 30 dias. A abstinência hoje dói em toda a minha ossada.</p>
<p>Mas o meu celular tem 8 megapixels para isso. Então suprimos essa deficiência com a resignância.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-17" title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="" width="235" height="30" /></p>
<p>Outra coisa deliciosa dessa viagem: fazia muito tempo que eu não viajava com meus pais. Eles mudaram muito: não são mais os administradores e roteadores das férias escolares de outrora, e sim parceiros colaborativos de uma expedição internacional. 30 dias inesquecíveis que eu não imaginava recordar como era bom conviver com a família em lugares inéditos.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-17" title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="" width="235" height="30" /></p>
<p>A turistaiada brasileira me envergonha.</p>
<p>Ô povo chato que é o brasileiro em terras estrangeiras. Você percebe claramente a praga de gafanhotos chegando. Desde os externalismos óbvios de camisetas da seleção e bandeiras/bandanas brasileiras, ao apapagaiado gritar farofeiro típico.</p>
<p>O brasileiro não se esforça para tentar se aculturar no inexplorável. Azeita-se no idioma e nos costumes. E, é óbvio, não é polido e educado. Deixam o &#8220;Obrigado&#8221; e o &#8220;Por Favor&#8221; em casa.</p>
<p>Chilenos são mais educados e ríspidos com direitos e rotinas do que argentinos. Argentinos, por sua vez, são mais calorosos e amáveis quando se precisa de ajuda ou favores.</p>
<p>Uruguaios falam português, escutam MPB e estão mesclados na sintonia brasileira, então fica uma coisa meio estranha.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-17" title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="" width="235" height="30" /></p>
<p>Argentina e Chile têm cachorros de rua educados e bacanas. Não são feios, te acompanham se você pedir e até fazem brincadeiras inteligentes. E esses países têm carros velhos. Que dividem as ruas com super-máquinas européias. Vai entender.</p>
<p style="text-align: center;"><img title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="" width="235" height="30" /></p>
<p>Voltar ao Brasil foi estranho. Eu estava acostumando com o castelhano. Sempre gostei de Buenos Aires, mesmo nesse jeitão gaiata de ser. O retorno pelo Rio Grande do Sul foi, de certa forma, adentrar em um quarto país inesperado, mesmo porque a gauchada da República Juliana Rio-Grandense continua meio alheia ao resto do Brasil.</p>
<p><img class="aligncenter" title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="" width="235" height="30" /></p>
<p>Agora falta apenas vender umas coisas, se desfazer de outras, encerrar meia dúzia de contas e apagar as luzes.</p>
<p>O Brasil está se tornando uma lembrança boa sem eu nem ter me despedido ainda.</p>
<p>Mas 60 dias é pouco tempo para quem quer fazer tudo o que não fez em 10 anos.</p>
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		<title>Feliz aniversário, envelheço na cidade.</title>
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		<pubDate>Tue, 03 May 2011 17:58:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
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		<guid isPermaLink="false">http://www.madcap.com.br/?p=2740</guid>
		<description><![CDATA[&#160; É, quatro anos de MadCap. Celebremos pois, o fracasso. Quatro anos tentando expressar de forma pífia e fedorenta aquilo que nunca consegui, ao certo, informar. Mas vale a pena cada byte impresso na tela. Quatro anos são, porcamente traduzidos: uns 1500 dias de maledicências; 565 posts! Olha só, eu imaginava quase mil. Vergonha isso; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2741" title="4 anos de MadCap" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/4-anos.png" alt="" width="523" height="1408" /></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p>É, quatro anos de MadCap. Celebremos pois, o fracasso.</p>
<p>Quatro anos tentando expressar de forma pífia e fedorenta aquilo que nunca consegui, ao certo, informar. Mas vale a pena cada byte impresso na tela. Quatro anos são, porcamente traduzidos:</p>
<ul>
<li> uns 1500 dias de maledicências;</li>
<li>565 posts! Olha só, eu imaginava quase mil. Vergonha isso;</li>
<li>1405 comentários, que eu não sei onde estão;</li>
<li>609.238 visitas únicas. Outra coisa que eu imaginava mais. Pra um milhão falta muito chão;</li>
<li>o post mais visitado de todos os tempos é essa desgraça: <a href="http://www.madcap.com.br/2007/amour/carta-para-por-fim-em-relacionamento/" target="_blank">Carta para pôr fim em relacionamento</a> (com 130 mil views);</li>
<li>aliás, tive que fechar os comentários, o povo estava youtubando o debate;</li>
<li>a imagem mais vista: <a href="http://www.madcap.com.br/2008/desenhos/grafismo-lateral-da-moto-25/">Bandeira do Brasil</a> (com 58 mil views);</li>
<li>essa bandeirinha desenhada por mim já figura nos <a href="http://www.google.com.br/search?q=bandeira+do+brasil&amp;hl=pt-BR&amp;prmd=ivns&amp;source=lnms&amp;tbm=isch&amp;ei=W0HATZjgF-XZ0QG5-vD9BA&amp;sa=X&amp;oi=mode_link&amp;ct=mode&amp;cd=2&amp;ved=0CCEQ_AUoAQ&amp;biw=1280&amp;bih=818" target="_blank">top 10 do Google</a> e todo mundo a usa para alguma coisa.</li>
</ul>
<p>E assim a nave vai. E, mesmo a deriva, não sinto nem resquícios de apagar esse clube. Os outros, eram tentadores. Como os fiz.</p>
<p>Parabéns para mim. E parabéns para você, que tem a coragem de frequentar aqui.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>O existencialismo otimista.</title>
		<link>http://www.madcap.com.br/2011/ensaios/o-existencialismo-otimista/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 14:40:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[discurso]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Intelectual]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Keeping an eye on the world going by my window Taking my time, lying there and staring at the ceiling Waiting for a sleepy feeling Talvez a humanidade não tenha sido feita pra felicidade. Como um antigo que sempre dizia que não &#8220;portávamos a informação genética&#8221; para aceitar a idéia do infinito, talvez tal pricípio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Keeping an eye on the world going by my window</em></p>
<p><em>Taking my time, lying there and staring at the ceiling</em></p>
<p><em> </em><em></em><em>Waiting for a sleepy feeling </em></p></blockquote>
<p>Talvez a humanidade não tenha sido feita pra felicidade.</p>
<p>Como um antigo que sempre dizia que não &#8220;<em>portávamos a informação genética</em>&#8221; para aceitar a idéia do infinito, talvez tal pricípio se aplique à idéia que temos do <em>bonheur</em>.</p>
<p>Infindável tristeza.</p>
<p>Para alcançar a prática da felicidade uma pequenina mudança passa a pôr em jogo a própria existência do espírito. Para ascender ao estado final das coisas, uma tal saturação de contentamento e de prazer força toda a inquietude abolida.</p>
<p>O que se tem hoje é apenas uma idéia vaga, imprecisa e, principalmente, nociva desse elemento vital.</p>
<p>E a impossibilidade da existência infinita é o fim de toda a imortalidade. É o materialismo, rôto, escarnecido. O ateu que sofre da crise de menosprezo, da amargura da solidão. O sentimento de alma que o corrói e expele o gozo de que algo mais existe e o atormenta. O próprio corpo, preciso, forte, lúcido e preparado, independente que se faz, sente essa presença coexistente.</p>
<p>É o desespero de ter que acreditar que um Deus exista.</p>
<p>E aí toda a felicidade que dantes esquadrinhada a se alcançar, solito e independente, molda-se em pedacinhos de fé indissolúveis. Chama essa força sei-lá-de-onde de qualquer coisa: alma jamais. Deus, criador ou outra coisa, jamais.</p>
<p>E o corpo materialista e cético se odeia por esses lapsos piscantes de alma etérea.</p>
<p>Desespera-se.</p>
<p>E você nem imagina o quanto.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A herança do tradicionalismo que nunca tive.</title>
		<link>http://www.madcap.com.br/2011/ensaios/a-heranca-do-tradicionalismo-que-nunca-tive/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2011 13:10:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[carochinha]]></category>
		<category><![CDATA[discurso]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha família é relativamente nova aqui no Brasil. Uma dessas levas imigratórias loucas européias, com um pouco de guerra, fome, miséria e brigas pontuais. Nada de glamour ou esperteza no processo; a coisa era subsistência e sobrevivência pura. Acontece que nesse período curto de Brasil, a família, de um modo geral, passou por poucas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha família é relativamente nova aqui no Brasil. Uma dessas levas imigratórias loucas européias, com um pouco de guerra, fome, miséria e brigas pontuais. Nada de glamour ou esperteza no processo; a coisa era subsistência e sobrevivência pura.</p>
<p>Acontece que nesse período curto de Brasil, a família, de um modo geral, passou por poucas e boas. Desde o auge das fazendas, extrativismos, comércio, marcenarias e beneficiamentos até a mais simples e usual bancarrota da mão na frente e atrás,  a vida passou da mesma forma calma e sorrateira.</p>
<p>D&#8217;além mar quase não veio nada, apenas uma canastra ou outra com roupas, meia dúzia de ferramentas e algum superfluo que se perdeu com o tempo.</p>
<p>Não sobraram lembranças materiais. Apenas histórias recontadas, fotos surrupiadas e lendas fermentadas com o tempo.</p>
<p>Dia desses <a href="http://twitter.com/rValentino/status/35535501058519040" target="_blank">tuitei</a> uma frase que resume toda esta reação à praticidade:</p>
<p><a href="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/twitter.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2524" title="twitter" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/twitter.jpg" alt="" width="678" height="455" /></a></p>
<p>Sempre gostei de velharias. Tenho um rádio Pioneer antigo de 1940, de baquelite, micromatic, com ondas curtas. Ganhei do meu avô, que barganhou com outrem e que, no final das contas, tornou-se parte desta herança adquirida e figurada.</p>
<p>A mesma coisa funciona com um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tankard" target="_blank">tankard</a> alemão de cerveja, feito de estanho, prata e cerâmica queimada. Encontrei na marcenaria do meu avô paterno, cheio de trapos e sujo de betume de madeira. Na época eu nunca tinha visto um caneco com tampa, achei muito legal e ele me deu. Disse que era um utensílio qualquer, que tinha ganhado de alguém e que nunca viu um uso para o mesmo.</p>
<p>É uma herança sem importância histórica, mesmo porque tem gravado no estanho o nome da familia do antigo dono da peça. Em alemão gótico antiquíssimo.</p>
<p>Minha capacidade de coleção de coisas antigas aumenta a cada dia. Tentei, tempos atrás, negociar uma <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pistola_Luger_P08" target="_blank">Luger P08</a> em uma loja de quinquilharias no meio do Goiás. Quase consegui. Pena que o velho era louco.</p>
<p>Hoje não me é estranho surtar por um passado que não existiu.</p>
<p>Apenas tento sanar essa ausência com um materialismo relevante.</p>
<p>Acho que está funcionando.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Os rastros químicos em Brasília.</title>
		<link>http://www.madcap.com.br/2011/ensaios/os-rastros-quimicos-em-brasilia/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Feb 2011 15:57:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[ChemTrail]]></category>
		<category><![CDATA[conspiração]]></category>
		<category><![CDATA[invencionices]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[você sabia?]]></category>

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		<description><![CDATA[Dia desses um monte de gente importante trouxe à tona um problema seríssimo que os ianques estão semeando nos países de terceiro mundo: os &#8220;rastros químicos&#8221;, ou em inglês, ChemTrails. Muito conspirador já culpou a tragédia que acomedeu a região serrana do Rio com base nessa conspiração, e não tem nem que duvidar. Assista o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dia desses um monte de gente importante trouxe à tona um problema seríssimo que os ianques estão semeando nos países de terceiro mundo: os &#8220;rastros químicos&#8221;, ou em inglês, <em>ChemTrails</em>.</p>
<p>Muito conspirador já culpou a tragédia que acomedeu a região serrana do Rio com base nessa conspiração, e não tem nem que duvidar.</p>
<p>Assista o vídeo abaixo e saiba o que é essa nova batalha mundial:</p>
<p><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="678" height="538" src="http://www.youtube.com/embed/g5YgOLacizA" frameborder="0" allowFullScreen></iframe></p>
<p>Ontem eu tirei estas duas fotos aqui em Brasília. A primeira aconteceu segundos depois de que alguns aviões estranhos sobrevoaram o <em>skyline</em> candango; a segunda, no começo da tarde. A previsão (e a condição climática no momento) não falava nada sobre tempo parcialmente nublado:</p>
<p><a href="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/01022011440.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2489" title="Brasília, 2 de fevereiro de 2011 @ 09h45" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/01022011440.jpg" alt="" width="678" height="1205" /></a><em>Foto logo pela manhã: atente aos rastros químicos deixados por ianques enfurecidos.<br />
</em></p>
<p><a href="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/01022011442.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2490" title="Brasília, 2 de fevereiro de 2011 @ 13h20" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/01022011442.jpg" alt="" width="678" height="381" /></a><em>Foto logo à tarde: veja como apareceu uma nuvem totalmente atípica os céus. Ianques malditos!</em></p>
<p>Estão disseminando a desgraça nos ares brasileiros! Não podemos ficar quietos, amigos! Este é só o começo da nova ordem mundial, em breve teremos poucas linhagens sangüíneas dominando o mundo e o pior, preparando o ninho de podridões para o satânico anti-cristo. </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-17" title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="" width="235" height="30" /></p>
<p><strong>Conheça a repercussão mundial que o assunto está tomando nos links abaixo:</strong></p>
<p><a href="http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/2010/11/e-o-golpe-da-mudanca-climatica-continua.html" target="_new"><em>http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/2010/11/e-o-golpe-da-mudanca-climatica-continua.html</em></a></p>
<p><a href="http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/2010/11/conectando-os-pontos.html" target="_new"><em>http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/2010/11/conectando-os-pontos.html</em></a></p>
<p><a href="http://soubem.forumais.com/t55-chemtrails-existem-nos-ceus-do-brasil" target="_new"><em>http://soubem.forumais.com/t55-chemtrails-existem-nos-ceus-do-brasil</em></a></p>
<p><a href="http://www.anovaordemmundial.com/2010/10/voce-ja-viu-chemtrails-no-brasil-mande.html" target="_new"><em>http://www.anovaordemmundial.com/2010/10/voce-ja-viu-chemtrails-no-brasil-mande.html</em></a></p>
<p><a href="http://orgonio.com/explicando-chemtrails/" target="_new"><em>http://orgonio.com/explicando-chemtrails</em></a></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-17" title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="" width="235" height="30" /></p>
<p><em>Viu como é fácil plantar a sementinha da discórdia e o terror mundial com apenas meia dúzia de letras?</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A arte do anonimato na internet.</title>
		<link>http://www.madcap.com.br/2010/ensaios/a-arte-do-anonimato-na-internet/</link>
		<comments>http://www.madcap.com.br/2010/ensaios/a-arte-do-anonimato-na-internet/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 06:45:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[invencionices]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[testes]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde quando a internet era internet eu gostava de fazer experiências sociais constrangedoras. Era um pouco de anarquismo sem fronteiras moderadas e também uma lasca de anonimato literal. Lembro-me da vez em que um colega de trabalho resolveu agitar uma lista de discussão em que participávamos, a famosa e d&#8217;outrora reconhecidíssima WDMasters, hospedada na 10&#8242;Minutos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Desde quando a internet era internet eu gostava de fazer experiências sociais constrangedoras. Era um pouco de anarquismo sem fronteiras moderadas e também uma lasca de anonimato literal.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Lembro-me da vez em que um colega de trabalho resolveu agitar uma lista de discussão em que participávamos, a famosa e d&#8217;outrora reconhecidíssima WDMasters, hospedada na 10&#8242;Minutos. A lista tinha virado uma babação de ovo infernal e meu colega mandou ver uma foto escatológica, sem pudores e malícias, de uma mulher qualquer fazendo um No.º 2 aguado.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Lembro que aquilo gerou moderação instantânea, gente surtou e alvoroçamos a lista de uma maneira que ela nunca mais voltou ao normal. MEu amigo, em sua essência, era um umbundsman que falava o que ninguém tinha coragem ali. E, tempos depois, descobri que muita gente importante e histórica da internet gostou do que ele aprontou.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas não era essa a questão.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Depois disso continuei com os vários conceitos experimentais e sociais virtuais. A internet virou minha alcova de frankenstenezices até o dia em que resolvi, com o mesmo mentecapto ali da estória acima, criar um email fake, desses que todos repassam.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Eu não lembro direito o conteúdo — mesmo porque era lorota braba — mas o email foi bem diagramado, escrito e disparado. Em questão de horas ele começou a voltar para a caixa de entrada. Na semana seguinte, praticamente todos do meu meio virtual tinham me repassado o email ou uma variante dele. Foi um sucesso viral incrível e o seu ponto de glória foi quando a empresa (não sei se era microsoft ou icq, que o valha) escreveu uma pequena nota no site dizendo que aquilo era bullshit.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Era 2001 isso. Naquela época eu vi o quão feroz e monstruosa a internet poderia ser. E nunca mais mexi com os grandes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">voltei minhas atenções na rede humana individualista. Criei sites, personagens, gente em foruns, omunicadores instantâneos e tudo mais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A coisa não era mais tão legal, mesmo porque a massa e a cauda monga estavam ficando menos massivas e mongas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Até o dia em que eu recebi um convite do Orkut.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mermão, pense na porteira de um infinito sem lei que me fôra aberta! Orkut, a primeira e mais monstruosa rede social mundial nas minhas mãos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Criei Três personagens inolvidáveis: um bastardo milionário, um nobre parente da realeza brasileira e um faveladinho de oratória invejável. Todos, com alguma interação intersocial e finamente monitorados em seus passos e indicações.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Como você e eu temos tempo sobrando, vou contar a história desses camaradas, um a um.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O faveladinho foi fácil de construir: meia dúzia de fotos, algumas comunidades carniceiras, uns amigos vidaloka e os truta correria e sepam, mil hora mil grau o maluko entrou na lombra de conversar nivelado em comunidades inteligentes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Comunidades do tipo &#8220;Devaneios de Nietzsche&#8221;, &#8220;A alcobaça Freudiana&#8221; e &#8220;Literatos doutrém&#8221; nunca mais foram a mesma. Os demiurgos e babacobaços irritavam-se com a qualidade intelectual do ranhento. Ficavam furiosos quando o faveladinho os destamancavam com pensamentos inteligentes e quebrativos. Não apelava, não chuleava, não brigava. Eram palavras que os desferiam na eteriedade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A muleta desses comunas era fácil, segregadora e racista. Tratamento escravocrata e gritos de ordem do tempo dos grilhões avermelhavam vossos olhos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E assim eu fazia, vez ou outra a veia de algum sociólogo mofento, angionar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O nobre era cômico demais! Tinha sobrenome que não cabia no campo devido no cadastro. Eram cerca de 12 familias reais que o compunham. Suas comunidades variavam de Monarquia e impérios, passando por realeza e Bourbons até principados europeus e o bom costume cultural.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Fez amigos inimagináveis. Travou conversas calorosas com alguns membros famosos reais brasileiros (sim, a nobreza no Brasil é uma força que nunca acabou, pode pesquisar). Ganhou convites para banquetes &#8220;reais&#8221;, fez amizades com outras nobrezas européias internetizadas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Era um sujeito muito tranquilo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E tinha um amigo, o bastardo milionário.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O bastardo milionário era um porra-louca perdido no mundo da esbórnia maquineísta. Independente, cheio de empresas, casas, carros, barcos, viagens e mulheres.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Arrastava o nobre para todas as festas e putarias. Tomava Romaneé no bico da garrafa e comia caviar com bolacha maria. Não tinha meias palavras, quase um alter-ego do amigo nobre. Completavam-se, Enquanto o MSN do nobre era uma alcova de belas palavras regadas a cordas e vicissitudes, o Messenger do bastardo era o porão do underground lascivo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O faveladinho morreu de bala perdida: era muito difícil conseguir amizades. Os intelectuais — apesar da boa trica de idéias que o franzininho gerava — tinham vergonha de ter um sujeito como ele na lista de amigos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Assim matei ele sem mais nem menos, cobrindo de remorsos todos que o ignoravam.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Matei o nobre em Aspen. Bateu de frente em uma conífera soterrada da mais fina e seca snow powder, torcendo-lhe o pescoço e arrancando daquele esbelto corpo a jovialidade de uma vida inteira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O cortejo fúnebre deu-se em Monte Carlo, contando até com nota nas comunidades nobres virtuais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O Milionário e bastardo durou muito mais tempo. Como era um putanheiro de marca maior, seu msn e orkut eram a própria filial da Fornication SA. O Libertino era coroínha perto desse monstro egocêntrico.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Um colega meu começou a administrar o perfil. Ele conseguia fazer a mulherada se despir em 5min de conversa na webcam. Era incrível toda a futilidade que ele confrontava. Seus printscreens chegavam com os diálogos anexados. Eu não acreditava que essa putaria explícita fosse tão eficiente.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Caprichei nas fotografias do camarada: quem é da velha guarda virtual e meio nerd vai lembrar daquele gordo alemão intragável, Kim Schmitz, conhecido com Kimble.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Kimble foi a quintessência virtual da internet: um camarada que lucrou muito com a papagaiada toda de segurança, bolsa de valores e internet. Faz viagens maneiras, festar monstruosas e, por incrível que pareça, seus amigos eram quem mais se divertiam.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A receita então era simples, toda a foto que o Kimble não apareceia, ia para o orkut do milionário. Nisso apareceu o cara andando de helicóptero, jatinho particular, em cubas, canáras e fiji, esqui e mulheres estonteantes, ferraris e muita estravagância aturdida. http://en.wikipedia.org/wiki/Kim_Schmitz</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Era o ímã de mulheres perdidas ,a perdição em forma de galanteador.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Uma das cocotinhas que ele aliciou para seu exército da perdição foi a Besga. A Besga era uma feínha muito marrenta que procurava freneticamente uma alavanca social. Tinha um leve estrabismo e uma cara meio sei lá, Juliana Paes antes da fama. Ela ficou amiga do nobre, antes dele sucumbir nos galhos de Aspen. E sua polipersonalidade era fantástica: um doce de pessoa, amável e culta, afável e verossímil com o nobre. E uma piriguete maliciosa e cheia de mundanices com o nosso putanhesco rico.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E assim a poliavatariedade dos personagens resumiu-se no ricasso desapegado. Ele dava uns tocos geniais na menina, que, não sei porque cargas d&#8217;água, não sucumbia aos petardos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Foi quase um ano de coices e tabefes e nada. Nossa idéia aterrorizante foi a mais fria e calculista: criar uma fake gostosa, vagabunda e inteligente para desbancá-la.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E lá vamos nós surrupiar fotos e criar outro monstrinho mulher nota 1000. A Besga surtou. Atacava vorazmente em pvt aquela chinóca, que se deleitava em retribuir as gentilezas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No final das contas nosso milionário convidou a besguita para um debut hedonista em algum recôncavo europeo. É claro que ela não aceitou e a nossa cocótínha fake assumiu seu lugar. Qubramos corações, cortamos laços e fechamos com chave de ouro a página das redes sociais compartilhadas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esse meu amigo desgraçado vez ou outra, muito tempo depois disso, religa a máquina dos infernos do msn e chama a besga pro fight. E ela, de pronto, aceita.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">***</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A questão é que eu não consigo parar de testar os humanos. É uma doença isso. Faço de tudo para não entrar mais nessa barca social, mas é inevitável. Sacanear talvez seja uma atitude biltre e covarde.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas a ingenuidade, meu amigo, essa é impagável.</div>
<p>Desde quando a internet era internet eu gostava de fazer experiências sociais constrangedoras. Era um pouco de anarquismo sem fronteiras moderadas e também uma lasca de anonimato literal.</p>
<p>Lembro-me da vez em que um colega de trabalho resolveu agitar uma lista de discussão em que participávamos, a famosa e d&#8217;outrora reconhecidíssima <a href="http://web.archive.org/web/20050206004227/http://www.10minutos.com.br/comunidades.php" target="_blank">WDBrasil</a>, hospedada na 10&#8242;Minutos. A lista tinha virado uma babação de ovo infernal e o ilustre mandou ver uma foto escatológica, de uma mulher fazendo um No.º 2 aguado.</p>
<p>Lembro que aquilo gerou moderação instantânea, gente surtou e alvoroçamos a lista de uma maneira que a dita nunca mais voltou ao normal. O infeliz, em sua essência, era um umbundsman que falava o que ninguém tinha coragem ali. E, tempos depois, descobri que muita gente importante e histórica da internet gostou do que ele aprontou.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>Mas não era essa a questão.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>Depois disso continuei com os vários conceitos experimentais e sociais virtuais. A internet virou minha alcova de frankenstenezices até o dia em que resolvi, com o mesmo mentecapto ali da estória acima, criar um e-mail fake, desses que todos repassam.</p>
<p>Eu não lembro direito o conteúdo — mesmo porque era lorota braba — mas o e-mail foi milimetricamente diagramado, escrito e disparado. Em questão de horas ele começou a voltar para a caixa de entrada. Na semana seguinte, praticamente todos do meu meio virtual tinham me repassado o e-mail ou uma variante dele. Foi um sucesso viral incrível e o seu ponto de glória foi quando a empresa (não sei se era Microsoft ou icq, que o valha) escreveu uma pequena nota no site dizendo que aquilo era bullshit.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>*** </strong></p>
<p>Era 2001 isso. Naquela época eu vi o quão feroz e monstruosa a internet poderia ser. E nunca mais mexi com os grandes.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>Voltei minhas atenções na rede humana individualista. Criei sites, personagens, gente em fóruns, comunicadores instantâneos e tudo mais.</p>
<p>A coisa não era mais tão legal, mesmo porque a massa e a <a href="http://www.blogdeguerrilha.com.br/wiki/index.php5?title=Cauda_Monga" target="_blank">cauda monga</a> estavam ficando menos massivas e mongas.</p>
<p>Até o dia em que eu recebi um convite do Orkut.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>Mermão, pense na porteira de um infinito sem lei que me fôra aberta! Orkut, a primeira e mais monstruosa rede social mundial nas minhas mãos.</p>
<p>Criei Três personagens inolvidáveis: um <strong>bastardo milionário</strong>, um <strong>nobre</strong> parente da realeza brasileira e um <strong>faveladinho</strong> de oratória invejável. Todos, com alguma interação intersocial e finamente monitorados em seus passos e indicações.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>Como você e eu temos tempo sobrando, vou contar a história desses camaradas, um a um.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>O <strong>faveladinho</strong> foi fácil de construir: meia dúzia de fotos, algumas comunidades carniceiras, uns amigos vidaloka e os truta correria e sepam, mil hora mil grau o maluko entrou na lombra de conversar nivelado em comunidades inteligentes.</p>
<p>Comunidades do tipo &#8220;Devaneios de Nietzsche&#8221;, &#8220;A alcobaça Freudiana&#8221; e &#8220;Literatos doutrém&#8221; nunca mais foram a mesma. Os demiurgos e babacobaços irritavam-se com a qualidade intelectual do ranhento. Ficavam furiosos quando o faveladinho os destamancavam com pensamentos inteligentes e quebrativos. Não apelava, não chuleava, não brigava. Eram palavras que os desferiam na eteriedade.</p>
<p>A muleta desses comunas era fácil, segregadora e racista. Tratamento escravocrata e gritos de ordem do tempo dos grilhões avermelhavam vossos olhos.</p>
<p>E assim eu fazia, vez ou outra a veia de algum sociólogo mofento, angionar.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>O <strong>nobre</strong> era cômico demais! Tinha sobrenome que não cabia no campo devido no cadastro. Eram cerca de 12 familias reais que o compunham. Suas comunidades variavam de Monarquia e impérios, passando por realeza e Bourbons até principados europeus e o bom costume cultural.</p>
<p>Fez amigos inimagináveis. Travou conversas calorosas com alguns membros famosos reais brasileiros (sim, a nobreza no Brasil é uma força que nunca acabou, pode pesquisar). Ganhou convites para banquetes &#8220;reais&#8221;, fez amizades com outras nobrezas européias internetizadas.</p>
<p>Era um sujeito muito tranquilo.</p>
<p>E tinha um amigo, o bastardo milionário.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>O <strong>bastardo milionário</strong> era um porra-louca perdido no mundo da esbórnia maquineísta. Independente, cheio de empresas, casas, carros, barcos, viagens e mulheres.</p>
<p>Arrastava o nobre para todas as festas e putarias. Tomava Romaneé no bico da garrafa e comia caviar com bolacha Maria. Não tinha meias palavras, quase um alter-ego do amigo nobre. Completavam-se, Enquanto o MSN do nobre era um convescote de belas palavras regadas a cordas e vicissitudes, o Messenger do bastardo tornara-se o porão do underground lascivo.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>O faveladinho morreu de bala perdida: era muito difícil conseguir amizades. Os intelectuais — apesar da boa troca de idéias que o franzininho gerava — tinham vergonha de ter um sujeito como ele na lista de amigos.</p>
<p>Assim matei ele sem mais nem menos, cobrindo de remorsos todos que o ignoravam. Acho que até foi de bala perdida em alguma CDD da vida quotidiana.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>Matei o nobre em Aspen. Bateu de frente, esquiando, com uma conífera soterrada na mais fina e seca <em>snow powder</em>, torcendo-lhe o pescoço e arrancando daquele esbelto corpo a jovialidade de uma vida inteira.</p>
<p>O cortejo fúnebre deu-se em Monte Carlo, contando até com nota nas comunidades nobres virtuais.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>O Milionário e bastardo durou muito mais tempo. Como era um putanheiro de marca maior, seu msn e orkut eram a própria filial da <em>Fornication SA</em>. <a href="http://www.imdb.com/title/tt0375920/" target="_blank">O Libertino</a> era coroínha perto desse monstro egocêntrico.</p>
<p>Um colega meu começou a administrar o perfil. Ele conseguia fazer a mulherada se despir em 5min de conversa na webcam. Era incrível toda a futilidade que ele confrontava. Seus <em>printscreens</em> chegavam com os diálogos anexados. Eu não acreditava que essa putaria explícita fosse tão eficiente.</p>
<p>Caprichei nas fotografias do camarada: quem é da velha guarda virtual e meio nerd vai lembrar daquele gordo alemão intragável, Kim Schmitz, conhecido com <a title="Kimble" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kim_Schmitz" target="_blank">Kimble</a>.</p>
<p>Kimble foi a quintessência virtual da internet: um camarada que lucrou muito com a papagaiada toda de segurança, bolsa de valores e internet. Faz viagens maneiras, festar monstruosas e, por incrível que pareça, seus amigos eram quem mais se divertiam.</p>
<p>A receita então era simples, toda a foto que o Kimble não aparecia, automaticamente era selecionada para o orkut do milionário. Nisso apareceu o cara andando de helicóptero, jatinho particular, em Cuba, Canárias e Fiji, no meio das peitólas de européias lascivas estonteantes, Ferraris e muita estravagância aturdida.</p>
<p>Era o ímã de mulheres ninféticas, a perdição em forma de um galanteador abastado.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>Uma das cocotinhas que ele aliciou para seu exército da perdição foi a Besga. A Besga era uma feínha muito marrenta que procurava freneticamente uma alavanca social. Tinha um leve estrabismo e uma cara meio sei lá, Juliana Paes antes da fama. Ela ficou amiga do nobre, antes dele sucumbir nos galhos de Aspen. E sua polipersonalidade era fantástica: um doce de pessoa, amável e culta, afável e verossímil com o nobre. E uma piriguete maliciosa e cheia de mundanisses com o nosso putanhesco rico.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>E assim a poliavatariedade dos personagens resumiu-se no ricasso desapegado. Ele dava uns tocos geniais na menina, que, não sei porque cargas d&#8217;água, não sucumbia aos petardos.</p>
<p>Foi quase um ano de coices e tabefes e nada. Mulher de malandro na mais ínfima e sutil essência. Nossa idéia aterrorizante foi fria e calculista: criar uma <em>fake</em> gostosa, vagabunda e inteligente para desbancá-la.</p>
<p>E lá vamos nós surrupiar fotos e criar outro monstrinho mulher nota 1000. A Besga surtou. Atacava vorazmente em <em>pvt</em> aquela chinóca, que se deleitava em retribuir as gentilezas.</p>
<p>No final das contas nosso milionário convidou a besguita para um debut hedonista em algum recôncavo europeo. É claro que ela não aceitou e a nossa cocótínha <em>fake</em> assumiu seu lugar na viagem. Fotos não faltaram depois. Quebramos corações, cortamos laços e fechamos com chave de ouro a página das redes sociais compartilhadas.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>Esse meu amigo desgraçado vez ou outra, muito tempo depois disso, religa a máquina dos infernos do msn e chama a besga pro fight. E ela, de pronto, aceita.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>A questão é que eu não consigo parar de testar os humanos. É uma doença isso. Faço de tudo para não entrar mais nessa barca social, mas é inevitável.</p>
<p>Sacanear talvez seja uma atitude biltre e covarde.</p>
<p>Mas a ingenuidade, meu amigo, essa é impagável.</p>
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		<title>O valioso tempo dos maduros.</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2010 13:26:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Intelectual]]></category>
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		<description><![CDATA[(&#8230;) Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">(&#8230;)<br />
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.<br />
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam<br />
poucas, rói o caroço.<br />
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.<br />
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.<br />
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,<br />
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.<br />
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir<br />
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.<br />
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.<br />
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.<br />
&#8216;As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos&#8217;.<br />
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,<br />
minha alma tem pressa&#8230;<br />
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,<br />
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com<br />
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.<br />
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.<br />
O essencial faz a vida valer a pena.<br />
E para mim, basta o essencial!</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Mário de Andrade</strong><br />
(1893-1945)<br />
<em>Furtado <a href="http://angfont.blogspot.com/" target="_blank">daqui</a>.</em></p>
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		<title>Filme 135-35mm</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 14:40:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[35mm]]></category>

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		<description><![CDATA[Essas duas fotos que ilustram este post foram tiradas com uma máquina fotográfica mecânica, de filme, totalmente manual. Do rolo de 24 poses, perdi 3 para tentar ajustar o filme na câmera, 2 por problemas de fotometria e diafragma e uma por problema de focagem no escuro. As que sobraram foram apenas testes técnicos, sem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essas duas fotos que ilustram este post foram tiradas com uma máquina fotográfica mecânica, de filme, totalmente manual. Do rolo de 24 poses, perdi 3 para tentar ajustar o filme na câmera, 2 por problemas de fotometria e diafragma e uma por problema de focagem no escuro. As que sobraram foram apenas testes técnicos, sem importãncia documental.</p>
<p>Fotografar por filmes é apenas um hobby. É como colecionar discos de vinil: não é prático, não é fácil. Mas tem quem goste e isso não é forma alguma de status ou não significa que você é melhor. É apenas outra forma de fazer a mesma coisa.</p>
<p>O vinil foi substituido pelo compact disc em apenas 4 anos. A praticidade de não ter que virar um disco ou procurar uma faixa com a agulha por si só já o matou. Tem gente que ainda defende os antigos LP´s, pela qualidade, curvas harmônicas sonoras analógicas e pela forma &#8220;quente&#8221; que a agulha exerce ao entrar em contato.</p>
<p>A mesma coisa é a fotografia. Quer coisa mais complicada para um cidadão comum do que comprar um filme, ter que escolher o número de poses, o ISO e a marca, ajustar o filme, ajustar a máquina, tirar apenas 36 fotos no máximo e ainda ter que pagar e esperar para revelar (e ver que no final das contas as fotos saíram ridiculas e meio borradas)?</p>
<p>A fotografia digital é linda, perfeita, irretocável e imediatista. Errou? Apaga e bate outra. Está escuro? o ISO automático resolve. Autofocus para não borrar, identificação de rostos, sorrisos e até do nome da pessoa. Prioridade de foco nisso.</p>
<p>Não tem mais mistério, com a digital. Filme, só serve para quem gosta da velharia, do barulho do obturador batendo no espelho, do réco da alavanca manual de avanço de filme, da fotometria e dos ajustes de velocidade e abertura de diafragma, do cálculo de ponto quando quer puxar e granular uma foto.</p>
<p>É legalzinho apenas para quem curte. E nem por isso consegue ser melhor ou pior.</p>
<p>É apenas diferente.</p>
<p><center><img title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="divisor" width="235" height="30" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-2003" title="fotos" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/fotos.jpg" alt="fotos" width="678" height="2037" /></center></p>
<p>A foto dos galhos foi um teste: 50mm f:1.4 1/500s com um filme Kodak ProImage. Ultimos raios de sol. A segunda foto, é de uma placa aqui de Brasília que foi atropelada por um carro e ficou apenas o suporte dela. Algum genioso conseguiu reavivá-la de forma descomprometida e original. 50mm f:1.4 1s na mão. Borrou porque estava escuro e sem apoio.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Dos capitães do Hápax.</title>
		<link>http://www.madcap.com.br/2010/ensaios/dos-capitaes-do-hapax/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 18:35:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[carochinha]]></category>
		<category><![CDATA[invencionices]]></category>
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		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[vela]]></category>

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		<description><![CDATA[Toda vez que o capitão do navio grego Hápax de bandeira de cabotagem Loyd Britâin descia às docas, senhoritas de vida mundana amontoavam-se no costil de atraque para afofalhá-lo de denguisses. Todos os marulhos, práticos e baixas-patentes o invejavam. &#8220;Esse homem é o puro mel do incrustado, não tem razão de ser essa quereção toda!&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toda vez que o capitão do navio grego Hápax de bandeira de cabotagem Loyd Britâin descia às docas, senhoritas de vida mundana amontoavam-se no costil de atraque para afofalhá-lo de denguisses.</p>
<p>Todos os marulhos, práticos e baixas-patentes o invejavam. <em>&#8220;Esse homem é o puro mel do incrustado, não tem razão de ser essa quereção toda!&#8221;</em> E assim seguia o capitão com três escolhidas e uma garrafa de champanha escambada por rapé argelino no Port d&#8217;Lion.</p>
<p>Os urros, gemidos e grotejos dos quatros puerís fornicadores libertinos arrepiavam o veludo bolorento do quarto do hotel fuleiro em cima da casa de tolerância mais blasé da região.</p>
<p>O capitão só se entregava na alvorada seguinte, quando o primeiro raio fustigado amarelecido de sol o rasgava as vistas. Ainda assim, prometia revancha na próxima ribalta. As mulheres o acompanhavam na volta ao navio, mesmo já tendo quitado a esbórnia, como que enfeitiçadas pelo jeito trôpego convalescente do capitão de fardamento outrora aprumado à goma. Despediam-se com um beijo breveta nas bochechas barbudas e assim ele seguia sorridente e cambalecido rumo à tripulação.</p>
<p>Assim fez nome em todos os burlescos de todos os portos onde o Loyd que servia alcançava. Contam por aí que ele deflorou três gerações de mulheres-fáceis em uma mesma alcova escura, durante seus quarenta e tantos anos de bobagisses mundanas. Sua lenda era tão grande que começou a ser contada de bar em bar, por homens anônimos que o tinham como uma perfeita reputação do galanteador pueril.</p>
<p>Seu segredo? Bom, como todo mágico, revelou apenas para seu imediato — Rembrandt Rufino  — em herança fechada, ao sucumbir por um petardo de chumbo pederneirado de pistolete, no único bar portuário e arredio da ilha de Tristão da Cunha. O imediato, incrédulo, entendeu tudo:</p>
<blockquote><p>Rembrandt,</p>
<p>Descrevo sucintamente o destrave que fez do Hápax o navio de cabotagem mais esperado em todos os portos mercantes que visitamos.</p>
<p>Seu capitão deverá ser regido por uma lenda de costumes tradicionais e secretas deste navio, que me foi passada como oitava geração e que pretendemos perseverar por tanto quanto for possível.</p>
<p>[...]</p>
<p>A virilidade e charme de todos os capitães do Hápax é nativo e isso não tem como passar. Mas a queredeira do mulherio é notado por todos e aqui entra a dica do escorte viril, que nada mais é do que duas ou três besuntadas de um insumo exótico pastrificado e manipulado na incólume gabina de químios deste navio.</p>
<p>De cada cais aportado, assegure-se de colher as seguintes especiarias:</p>
<p>[...]</p>
<p>Após pastificar todos os insumos, pingue, com extremo cuidado 35 gotas da peçonha da víbora do aquário exótico da sala de refugos. Atente para que o veneno seja gotejado diretamente das presas inoculadoras em cima do pastiche. O segredo de toda o comichão feminino está nesta toxina vípera, que gera caloração, formigamento e enrigecimento atemporal, seguido de espasmos rápidos e intermitentes e uma leve sensação de embriaguez e alucinações pitorescas.</p>
<p>Ao terminar de ler esta missiva testamental, depois do desmasque, o qual fará segredo a outrens, queime-a.</p></blockquote>
<p>E a carta foi incendiada ali mesmo, no candelabro de 8 velas da mesa central do convés. E o imediato Rembrandt — agora promovido à Capitão de longo Curso — Sorriu de canto de boca. Seu fomento ricamente herdado geraria ainda muita esbórnia para os anais da história do Hápax.</p>
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		<title>Pena Branca &amp; Xavantinho</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 19:21:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
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		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Intelectual]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma das primeiras coisas que eu aprendi — sem ser obrigado — foi escutar música honesta. Eu escutava música clássica direto dos LP´s do meu pai, motown e disco do meu tio cabeludo, rock e metal do meu irmão e outros tios que tinham coletâneas completas, desde Pink Floyd a Led Zeppelin e Rush e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Uma das primeiras coisas que eu aprendi — sem ser obrigado — foi escutar música honesta. Eu escutava música clássica direto dos LP´s do meu pai, motown e disco do meu tio cabeludo, rock e metal do meu irmão e outros tios que tinham coletâneas completas, desde Pink Floyd a Led Zeppelin e Rush e um pouco de gauchesca, que era o folk que todo mundo devia praticar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Eu gostava basicamente de clássico, rock normal e um pouco de Blues.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em 1999 fiz dupla de criação com um redator fodão em uma agência de publicidade interativa. Ele tinha algumas manias engraçadas, como copiar VHS de filmes clássicos de uma locadora cult qualquer. Era cópia fiel, inclusive com a caixa, rótulos e xepas das fitas escaneados e impressos à laser colorida.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ele queria trocar o Curso de Publicidade e Propaganda por Letras. Eu achava, naquela época, que publicidade e propaganda seria um curso que daria mil vezes mais visibilidade para ele, um redator próspero, do que aquele curso merréca de Letras.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas voltemos: A questão era a música.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ele apareceu, um belo dia, com um CD &#8220;Renato Teixeira e Pena Branca &amp; Xavantinho: Ao vivo em Tatuí&#8221; da Quarup discos. Cara, eu dei muita risada dele. &#8220;Pronto, surtou de vez!&#8221;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Relutei e coloquei o disco na bandeja do computador, com os fones de ouvido e cara de desconfiado. Na época eu tinha um fone Sehnheiser de amplitude fenomenal.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quando terminei de escutar, percebi que meu preconceito musical era muito forte. Eu me senti traído, pois tinha gostado da xexelentice sertaneja roots. Eu comprei aquele disco, alguns dias depois. Conheci muita música boa com aquele mentecapto avassalador de preconceitos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Aprendi a escutar jazz. E do jeito certo, cronologicamente e por complexidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E meu horizonte musical foi se expandindo de uma forma monstruosa, com setlists de música eletrônica vindos diretamente da europa, achados raros de gravações de sinfônicas, downloads experimentais de discografias completas e não oficiais, gêneros e formas atonais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E no final das contas, hoje eu trocaria minha graduação, de publicidade e propaganda, pela de Letras. E tudo por uma bela gramática.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A vida é foda, né?</div>
<p>Uma das primeiras coisas que eu aprendi — sem ser obrigado — foi escutar música honesta. Eu escutava música clássica direto dos LP´s do meu pai, motown e disco do meu tio cabeludo, rock e metal do meu irmão e outros tios que tinham coletâneas completas, desde Pink Floyd a Led Zeppelin e Rush e um pouco de gauchesca, que era o folk que todo mundo devia ter para gostar de seu lugar roots.</p>
<p>Eu praticava basicamente o clássico e o rock.</p>
<p>Em 1999 fiz dupla de criação com um redator fodão em uma agência de publicidade interativa. Ele tinha algumas manias engraçadas, como copiar VHS de filmes clássicos de uma locadora cult qualquer. Era cópia fiel, inclusive com a caixa, rótulos e xêpas das fitas escaneadas e impressas à laser colorida.</p>
<p>Ele queria trocar o Curso de Publicidade e Propaganda por Letras. Eu achava, naquela época, que publicidade e propaganda seria um curso que daria mil vezes mais visibilidade para ele, um redator próspero, do que um curso merréca de Letras.</p>
<p>Mas voltemos: A questão era a música.</p>
<p>Ele apareceu, um belo dia, com um CD <em>&#8220;Renato Teixeira e Pena Branca &amp; Xavantinho: Ao vivo em Tatuí&#8221;</em> da Quarup discos. Cara, eu dei muita risada dele. &#8220;Pronto, surtou de vez!&#8221;</p>
<p>Relutei e coloquei o disco na bandeja do computador, com os fones de ouvido e cara de desconfiado. Na época eu tinha um fone Sehnheiser de amplitude fenomenal, totalmente isolado.</p>
<p>Quando terminei de escutar, percebi que meu preconceito musical era muito forte. Eu me senti traído, pois tinha gostado da xexelentice sertaneja. Eu comprei aquele disco, alguns dias depois. Conheci muita música boa com aquele mentecapto avassalador de preconceitos.</p>
<p>Aprendi a escutar jazz. E do jeito certo, cronologicamente e por complexidade.</p>
<p>E meu horizonte musical foi se expandindo de uma forma monstruosa, com setlists de música eletrônica vindos diretamente da europa, achados raros de gravações de sinfônicas, downloads experimentais de discografias completas e não oficiais, gêneros e formas atonais.</p>
<p>E no final das contas, hoje eu trocaria minha graduação, de publicidade e propaganda, pela de Letras. E tudo por uma bela gramática.</p>
<p>A vida é foda, né?</p>
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		<title>E cá estamos, dois mil e dez!</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 16:52:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Faz 13 anos que eu trabalho com essa sujidade virtual chamada internet. Eu achei que ia ficar rico, famoso, feliz e conheceria o mundo inteiro, férias-a-férias, ano-a-ano. E, tirando aqueles gringos fodásticos que encheram o rabo de dinheiro, quase todos os virtualizados que conheci — e que compartilharam deste sonho cibernético — não enriqueceram. Interessante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faz 13 anos que eu trabalho com essa sujidade virtual chamada internet. Eu achei que ia ficar rico, famoso, feliz e conheceria o mundo inteiro, férias-a-férias, ano-a-ano. E, tirando aqueles gringos fodásticos que encheram o rabo de dinheiro, quase todos os virtualizados que conheci — e que compartilharam deste sonho cibernético — não enriqueceram.</p>
<p>Interessante é que meus planos eram de migrar para algum recôndito pioneiro, muito provavelmente na Europa. mas eu desisti, pois o Brasil merecia muito mais atenção. Entenda por atenção o fato de eu querer conhecê-lo por completo, costumes, cidades, paisagens, cachoeiras, florestas e humanos.</p>
<p>Então, hoje como primeiro dia do MadCap 2010, já entro pessimista e sorrateiro.</p>
<p>Daqueles 13 anos lá de cima, some bem uns 10 anos que eu escrevo tibornices sem peso algum. É muito tempo de enrolação. Se eu fosse uma empresa, já estaria falido. Sem lucro, dividendos, aspirações ou conquistas.</p>
<p>E o mais ridículo de toda essa situação insustentável é que eu vou continuar, sempre, arrastando essa paganália por um bom tempo, como se fosse um objeto relevante na cibercultura contemporânea.</p>
<p><center><img title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="divisor" width="235" height="30" /></center></p>
<p>Todo esse chororô aí em cima significa que vou fazer uma lista das resoluções de ano novo. Nada de coisas difíceis, mesmo porque sou um procrastinador agudo. Algumas delas:</p>
<ul>
<li>Atualizar (no mínimo) duas vezes por semana esse blog;</li>
<li>Um desenho elaborado e complexo por semana (e postar aqui);</li>
<li>Uma peça publicitária fantasma por semana (e postar aqui);</li>
<li>Publicar um anúncio publicitário do projeto &#8217;171 anos de publicidade&#8217; por semana;</li>
<li>Nadar 5km por semana.</li>
<li>Juntar dinheiro suficiente para comprar uma câmera e uma lente que preste;</li>
<li>Tomar um Earl Grey ao vivo com a minha irmã, <em><a href="http://maps.google.com.br/maps?q=london&#038;ie=UTF8&#038;hq=&#038;hnear=Londres,+Reino+Unido&#038;gl=br&#038;ei=13xDS8iiG4WKuAfft-2WAw&#038;ved=0CAoQ8gEwAA&#038;z=13" target="_new">in loco</a></em>;</li>
<li>Ler 26 livros de literatura inteligente;</li>
<li>Não ligar computadores, telefones, internetes e televisores nos finais de semana;</li>
<li>Arranjar 6 novos amigos reais por meios analógicos;</li>
<li>Melhorar minha vida profissional.</li>
</ul>
<p>Coisa fáceis, mel na chupeta. Aliás, só o último item que ostenta o caráter de impossibilidade venatória. Mas o resto eu tiro de letra. E sem usar <em>cheat</em>.</p>
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		<title>Gente X Mato: Pedro Martinelli</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 13:35:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
				<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
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		<category><![CDATA[crítica]]></category>
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		<description><![CDATA[Pedro Martinelli  — um dos fotógrafos que escrevem a história do Brasil em imagens — anunciou em seu blog que está fazendo a venda direta dos seus dois livros, Gente X Mato e Mulheres da Amazônia. O preço é muito atrativo (50 lascas cada) e o frete já está incluído. Você não encontra uma oportunidade com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pedro Martinelli  — um dos fotógrafos que escrevem a história do Brasil em imagens — <a href="http://www.pedromartinelli.com.br/blog/?p=2293" target="_blank">anunciou em seu blog</a> que está fazendo a venda direta dos seus dois livros,<strong> Gente X Mato</strong> e <strong>Mulheres da Amazônia</strong>. O preço é muito atrativo (50 lascas cada) e o frete já está incluído. Você não encontra uma oportunidade com essas características e preços em livrarias.</p>
<p>Resolvi comprar o <strong>Gente X Mato</strong>. Quando chegou o envelope, fiquei espantado com o tamanho do livro. Aliás, fiquei espantado com o tamanho, o papel, a encadernação, a diagramação e a impressão. O livro tem o formato de um jornal, grandão, impresso em papel Pólen 80gr, com um design muito fera.</p>
<p>É a sua chance de comprar um presente diferente de verdade, coringa, que agradará seu amigo que é designer, publicitário, fotógrafo, ativista, fazendeiro, desmatador, jornalista, ambientalista, tratorista, chef de cozinha ou até político. Todo mundo se identifica com alguma coisa ali.</p>
<p>E se você for cara-de-pau como eu, peça autografado. O Pedro manda.</p>
<p><img title="Livro Gente X Mato (Pedro Martinelli)" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/genteXmato.jpg" alt="Livro Gente X Mato (Pedro Martinelli)" width="678" height="2260" /></p>
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		<title>Como criar um blog de sucesso: segredos venais.</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 19:36:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensaios]]></category>
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		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[discurso]]></category>
		<category><![CDATA[Intelectual]]></category>

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		<description><![CDATA[O que diferencia um blog de sucesso, hoje em dia, é o network social que o cerca. Antigamente um bom blog era composto por itens arcaicos e sem importância, como uma boa retórica, textos impecáveis, idéias sensacionais, comentários inteligentes que tornavam cada post um micro-cosmo de discussões infindáveis. Isso é passado, meu amigo. Aquela coisa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que diferencia um blog de sucesso, hoje em dia, é o <em>network</em> social que o cerca. Antigamente um bom blog era composto por itens arcaicos e sem importância, como uma boa retórica, textos impecáveis, idéias sensacionais, comentários inteligentes que tornavam cada post um micro-cosmo de discussões infindáveis.</p>
<p>Isso é passado, meu amigo. Aquela coisa de que você precisava de um espaço para despejar todas as idéias da sua cabeça não existe mais. Você não poderá mais  matar tempo e trabalho, impressionar as gatinhas, mostrando como são fantásticas as suas idéias, inflar seu ego lendo as próprias pérolas webliterárias. A coisa mudou.</p>
<p>Hoje existem mais blogs que chineses. A coisa diluiu e todos foram tomar no twitter.</p>
<p>Por isso vou te ensinar a criar um blog nos moldes do comportamento e requinte atual, que geram <em>pageranks</em>, créditos no adSense, convites para eventos e memes culturais onde as mídias de guerrilha te veneram e a reputação com os reis da blogosfera é mantida em alta.</p>
<p><strong>Primeiro passo: <em>o nome</em></strong></p>
<p>Um blog de sucesso tem que ter nome exótico. Nada de <em>&#8220;Ramiro´s Blog&#8221;</em> ou <em>&#8220;Casa do Diônatas&#8221;</em>. Nome de blog tem que ter apelo criativo: &#8220;Trolhando&#8221;, &#8220;Cascudo Peludo&#8221;, &#8220;Cagalhadas&#8221;, &#8220;Pegano-meu&#8221;, &#8220;Escafurdices&#8221;.</p>
<p><strong>Segundo passo: <em>o tema/layout/design/logomarca</em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">Já ouviu falar de <a href="http://iris-design.info/photoshop/web-20-style-buttons/" target="_blank">web 2.0</a>? Então você sabe o que é aqua. Capriche em todas as imagens, com cantos arredondados, degradês e aquela meia-catarata branca arredondada nas imagens principais. É isso. Ah, invente uma logomarca engraçada.</span></em></strong></p>
<p><strong>Terceiro passo: <em>recheando a lingüiça</em></strong></p>
<p>Este é o segredo mais nefasto e guardado que todos os blogueiros de sucesso mantém à sete-chaves. O conteúdo — veja só a surpresa — não será gerado, e sim, adequado. Sabe aquela máxima &#8220;o segredo da criatividade está em saber esconder suas fontes&#8221;? Aqui entra a estratégia.</p>
<p>O conteúdo do seu blog tem de estar atualizado. Dez, quinze posts por dia. Não é brincadeira não, meu caro. O usuário hoje não tem tempo nem paciência para ler coisas inteligentes ou sofisticadas. Precisam de humor mastigado, fotos diretas e muita desgraça.</p>
<p>É ai que entra a sua rede de informações e alimentadores: adicione à sua passeada matinal, para colher bons posts, sites estrangeiros famosos. Vou sugerir alguns aqui, mas isso cada blogueiro constrói de acordo com seu gosto e linha de postagem, então você terá que garimpar e montar sua fonte diária de informações com experiência e paciência.</p>
<p>Grandes blogs geradores, como o <a href="http://fishki.net/" target="_blank">fishki.net</a>, <a href="http://www.blogdex.ru/" target="_blank">blogdex</a>, <a href="http://kro1975.livejournal.com/" target="_blank">kro75</a> <a href="http://ziza.es" target="_blank">ziza.es</a>, <a href="http://failblog.org/" target="_blank">fail</a>, <a href="http://dashing.livejournal.com/" target="_blank">dashi</a>, <a href="http://ffffound.com/" target="_blank">ffffound</a>, <a href="http://www.boston.com/bigpicture/" target="_blank">big picture</a>, <a href="http://wazoo.ru/" target="_blank">wazoo</a> e mais uma centena de sites parecidos são excelentes fontes de suprimento polinsaturados. Você vai ver, que no final das contas, as mesmas noticias circulam por eles, de formas e agenda settings diferentes.</p>
<p>Lembre-se que temas erotizados atuais são os que mais rendem visitas. Uma atriz vazou fotos sem querer do celular roubado? Trate de ser um dos primeiros a publicar. Peitchólas caídas da Angelita Jolly? Não tenha dúvidas em colocar. Os mais recatados utilizam estrelinhas nas zonas púberes e a putaria generalizada ao clicar em <em>&#8220;Leia o resto do post&#8221;</em>. É uma tática inteligente a se pensar.</p>
<p>Não seja preguiçoso: ache um post interessante e o traduza no próprio Google idiomas. O sistema é tão enjambrado que traduz de russo para português em uma gramática quase legível.</p>
<p>Caso queira jogar com montagens próprias: tirinhas são difíceis de manter a qualidade com o tempo. A jogada é trabalhar com balões de sacadas geniais em fotos constrangedoras.</p>
<p><strong>Quarto passo: <em>reputação.</em></strong></p>
<p>Como nos jogos de máfia, bandidagem, rachas e GTA, você precisa conquistar reputação (ou karma). Para isso basta linkas blogs famosos que você apalpará as bolas escrotais. Crie categorias por ordem de importância: O classico é nomeá-las como: <em>&#8220;Sempre&#8221;</em>, para os seus ídolos, <em>&#8220;às vezes&#8221;</em>, para quem você gostaria de ver seu link lá no blogroll e por fim uma categoria de rebarba, que são os que babarão seu ovo mas que você os desprezará: <em>&#8220;amigos&#8221;</em>.</p>
<p>Tente, ao máximo, galgar um link no blogroll dos famosos. Isso aumentará assombrosamente sua reputação. Comente em todos os blogs. Deixe sua opinião de forma engraçada e inteligente. Seja divertido, não discorde. Assim o interesse natural do seu ídolo, por clicar no seu link será uma coisa menos artificial.</p>
<p><strong>Quinto passo: <em>dinheiro, sucesso, mulheres e convites.</em></strong></p>
<p>Você ja está no caminho da fama, seu puto. Agora é administrar o tempo, aumentar a audiência e visualizar seu mundo crescer desenfreado no caminho dos tablóides de comunicação descartável. Lembre-se que você não terá fãs, isso é importante. Quem te ovaciona são seguidores. Fique um mês sem postar nada e terá de recomeçar do zero.</p>
<p>No seu píncaro de sucesso, empresas de marketing de guerrilha te procurarão para você escrever matérias pagas, patrocinarão viagens e te convidarão para festas de bebidas. Nunca recuse.</p>
<p>Mulheres? Você apenas terá vantagens em duas situações: MSN, adicionado diretamente do seuu blog e/ou festas patrocinadas por mecenas quaisquer. Será o único momento em que elas sorrirão quando escutarem: &#8220;Prazer, Sou o Ramirez do Cascudo Peludo .&#8221;</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-17" title="divisor" src="http://www.madcap.com.br/wp-content/uploads/filigram.gif" alt="divisor" width="235" height="30" /></p>
<p>Lembre-se que os melhores blogs, aqueles que possuem posts inteligentes, artes originais e um séquito de seguidores, fãs e leitores incondicionais são os mais obscuros e difíceis de achar.</p>
<p>Talvez justamente pelo fato de que blogueiros natos não precisem de audiência, apenas de espaço.</p>
<p>Vai saber.</p>
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		<title>Dance the night away</title>
		<link>http://www.madcap.com.br/2009/ensaios/dance-the-night-away/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 17:29:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ralph Spegel</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[noite]]></category>

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		<description><![CDATA[Gonna build myself a castle High up in the clouds. There&#8217;ll be skies outside my window; Lose these streets and crowds. Dance the night away. Will find myself an ocean, Sail into the blue, Live with golden swordfish, Forget the time of you. Dance the night away. Dance myself to nothing. Vanish from this place. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong><br />
<span style="font-weight: normal;">Gonna build myself a castle</span></strong></p>
<p>High up in the clouds.<br />
There&#8217;ll be skies outside my window;<br />
Lose these streets and crowds.<br />
Dance the night away.</p>
<p>Will find myself an ocean,<br />
Sail into the blue,<br />
Live with golden swordfish,<br />
Forget the time of you.<br />
Dance the night away.</p>
<p>Dance myself to nothing.<br />
Vanish from this place.<br />
Gonna turn myself to shadow<br />
So I can&#8217;t see your face.<br />
Dance the night away.</p>
<p>if you see me grinning from<br />
my blue Volks<br />
running a yellow light<br />
driving straight into the sun<br />
I will be locked in the<br />
arms of a crazy life.</p></blockquote>
<p><em>Jack Bruce and Pete Brown &#8211; one for the shoeshine man</em></p>
]]></content:encoded>
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