O PREFEITO MAIOR

terça-feira, 17 de julho de 2007 | 2:15 pm


O velho prefeito falido da cidade moribunda ganhou, enfim, a estátua de bronze que sempre almejara.
Era sonho saborear, mesmo que finado e desejo mórbido, seu busto ao lado do Padre Estrôncio e Dona Catifunda. Ora ora, era um “sair da vida para entrar na história”. Bem mequetréfe, convenhamos. Mas era.
Admiração só dos pombos, que o redecoravam com uma alvura fedegosa.
Dos seus olhos opacos vista apenas das prostitutas, dos velhos gagás, da molecada traquina dos pelotassos.
Não o desejaria, busto de bronze da praça decadente. A polenteira tinha busto, o mandatário chacinento tinha busto. Até a Filandrinha do Rococó tinha um busto de praça decadente.
Bateu-se em todas as portas da inquietude, falou algruras de criadores e então o silêncio, que implacável o criara, sorriu de canto de boca bangela a estatueta oca de bronze de terceira, um suspiro murchante que o quebrou no joelhinho da esperança desacreditada.
É, estátua de busto de prefeito escorrido, tua ganância te fagocitou.











