Arquivos da categoria ‘desenhos’

O PREFEITO MAIOR


terça-feira, 17 de julho de 2007 | 2:15 pm

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O velho prefeito falido da cidade moribunda ganhou, enfim, a estátua de bronze que sempre almejara.

Era sonho saborear, mesmo que finado e desejo mórbido, seu busto ao lado do Padre Estrôncio e Dona Catifunda. Ora ora, era um “sair da vida para entrar na história”. Bem mequetréfe, convenhamos. Mas era.

Admiração só dos pombos, que o redecoravam com uma alvura fedegosa.

Dos seus olhos opacos vista apenas das prostitutas, dos velhos gagás, da molecada traquina dos pelotassos.

Não o desejaria, busto de bronze da praça decadente. A polenteira tinha busto, o mandatário chacinento tinha busto. Até a Filandrinha do Rococó tinha um busto de praça decadente.

Bateu-se em todas as portas da inquietude, falou algruras de criadores e então o silêncio, que implacável o criara, sorriu de canto de boca bangela a estatueta oca de bronze de terceira, um suspiro murchante que o quebrou no joelhinho da esperança desacreditada.

É, estátua de busto de prefeito escorrido, tua ganância te fagocitou.

FUCKN’ROCKSTAR


segunda-feira, 16 de julho de 2007 | 1:45 pm

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A VELHA CIDADE (E O VELHO)


quinta-feira, 12 de julho de 2007 | 4:23 pm

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O velho, cheio de preocupações, era vencido: chovia, ele resfriava. Um resfriado qualquer, ele gripava. Fazia calor, ele brotoejava. Tosse? Quase perdia os tubérculos.

Era bonachão, mas depressivo-sintomático-problemático. Vivia o lado triste da vida.

Sabe aquelas pessoas pessimistas, as do copo meio vazio?

Pois bem, esse velho infeliz.

Belo dia ele entendeu que a cidade havia envelhecido com ele. Xuringavam as rugas como as dele. Entortavam as colunas dos prédios como a coluna bico-apapagaiada dele.

A cidade acinzentou, mofou os cantos e encardiu.

— Cidade tórpe — resmungava. Não soube viver com dignidade. (Como se ele vivesse.) Entre parênteses.

FALLIN’


quarta-feira, 11 de julho de 2007 | 12:53 pm

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ENGODO


terça-feira, 10 de julho de 2007 | 12:57 pm

trabalho_2.jpgA razão da fotografia é o engodo. A verdade fotográfica é a falácia da irrealidade composta em uma qualificação plana e destituída.

A razão da fotografia é a obliteração inversa da simplicidade momentãnea: quanto mais beleza incontida no retrato, maior a distorção vivencial de carga.

Fotografia é um monumento velhaco: uma estagnação de sonhos que lambreca com uma doçura quase difamatória o eterno tactear dos monumentais mesóginos que permeiam o bom entendimento.

Fotografia é arte desprezível, é sorte. Fotografia é a degradação do memento mori, é a banalização do momento tal.

Nada mais, nada menos.

O SEGREDO DA FELICIDADE


terça-feira, 10 de julho de 2007 | 12:54 pm

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LISTRAS EMAGRECEM


segunda-feira, 9 de julho de 2007 | 2:38 pm

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BUSCA INEXPRESSIVA


segunda-feira, 9 de julho de 2007 | 11:22 am