quinta-feira, 31 de julho de 2008 | 2:58 pm
Quando eu era mais visionário, comecei a construir um gif animado sem muita noção de projeção e continuidade. Deu um trabalho danado e o resultado ficou ridículo. Ai abandonei ele por aí.
Hoje achei ele, depois de muito tempo empoeirado. E decidi colocar aqui. Vai que é um bom presságio…
quinta-feira, 10 de julho de 2008 | 3:32 pm
Fazia tempo que eu não rabiscava uns velhos chatos:

terça-feira, 17 de julho de 2007 | 2:15 pm

O velho prefeito falido da cidade moribunda ganhou, enfim, a estátua de bronze que sempre almejara.
Era sonho saborear, mesmo que finado e desejo mórbido, seu busto ao lado do Padre Estrôncio e Dona Catifunda. Ora ora, era um
“sair da vida para entrar na história”. Bem mequetréfe, convenhamos. Mas era.
Admiração só dos pombos, que o redecoravam com uma alvura fedegosa.
Dos seus olhos opacos vista apenas das prostitutas, dos velhos gagás, da molecada traquina dos pelotassos.
Não o desejaria, busto de bronze da praça decadente. A polenteira tinha busto, o mandatário chacinento tinha busto. Até a Filandrinha do Rococó tinha um busto de praça decadente.
Bateu-se em todas as portas da inquietude, falou algruras de criadores e então o silêncio, que implacável o criara, sorriu de canto de boca bangela a estatueta oca de bronze de terceira, um suspiro murchante que o quebrou no joelhinho da esperança desacreditada.
É, estátua de busto de prefeito escorrido, tua ganância te fagocitou.
quinta-feira, 12 de julho de 2007 | 4:23 pm

O velho, cheio de preocupações, era vencido: chovia, ele resfriava. Um resfriado qualquer, ele gripava. Fazia calor, ele brotoejava. Tosse? Quase perdia os tubérculos.
Era bonachão, mas depressivo-sintomático-problemático. Vivia o lado triste da vida.
Sabe aquelas pessoas pessimistas, as do copo meio vazio?
Pois bem, esse velho infeliz.
Belo dia ele entendeu que a cidade havia envelhecido com ele. Xuringavam as rugas como as dele. Entortavam as colunas dos prédios como a coluna bico-apapagaiada dele.
A cidade acinzentou, mofou os cantos e encardiu.
— Cidade tórpe — resmungava. Não soube viver com dignidade. (Como se ele vivesse.) Entre parênteses.