MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos da categoria ‘cotidiano’

Vai postergando, vai…

5 de março de 2009

Final de ano resolvi visitar gente que fazia tempo que não via. Como moro longe pra caramba da maioria das personalidades do meu passado, aproveitaria a deixa de final de ano para tal.

Fiz uma lista mental de personalidades da minha juventude: amigos da rua, pessoal do jeepclube, os maloqueiros da vila vintém, a turma do badminton, da escola de literatura e artes, do grupo educacional, a escoteirada de outrora.

A idéia era ver, após 10 anos de distância, se aquelas sementes podres vingaram para alguma coisa.

Acabou que não visitei quase ninguém. Faltou tempo, prática, vontade.

Aí recebo a notícia de um amigo meu — ontem — que uma dessas pessoas da lista (e que eu realmente ia visitar e tomar um chimas), morreu.

Que beleza né? Essa vida de procrastinador é exatamente o que me faz pensar se não sou milionário ainda por pura birra. É incrível como postergo ad infinitum coisas triviais da vida. Talvez seja uma arte. Ou a virtude de cultivar a paciência.

Ou doença. 

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 Outra coisa que ainda não aprendi: cultivar contatos. Alio a minha maestria em postergar coisas com a falta de contato. Perco amigos, conhecidos, a patóta da igreja, os escafandristas amadores de Santarém, os pedaladores noturnos.

Deixo meio assim-assim, até o contato se tornar um fantasma do passado que insiste em morar na pasta do meu mailbox “A responder”.

Não tem santo que me faça criar coragem em replicar um email de quatro meses atrás. 

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Contatos são portas, pontes, mãos caridosas. Não seja sovina. Cultive-os. Um dia você verá, no auge da sua velhice, que jogar xadrez sozinho só tem graça para o Geri.

São Paulo

3 de março de 2009

You told me wed go to Rio
And you said it so charismatically
I know its me thats the nightmare
So fight fair or have some decency

Sao Paulo | Why am I bringing me down?
Sao Paulo | If I drink any more I will drown
Sao Paulo | Why cant I fight truth decay?
Sao Paulo | My life is just one big cliche

Sao Paulo, música da banda Morcheeba

“Sao Paulo” pede desculpas à cidade que o grupo Morcheeba conheceu e não gostou (But I just act apologetically (…) / Another stain on my passport).

São Paulo é assim: uma metrópolis dinâmica, sem tempo para nada. Prédios clássicos e antigos contrastando com viadutos concréteos sólidos como pano de fundo. Novidades, diferenças, lugares cheirosos e outros nem tanto. Gente feia, gente bonita, gente esquisita, gente diferente.

Pobreza, e muita. Mas que consegue manter uma simbiose tensa com a próle que circula atrasada.

Chove. Alaga. Esquenta e não venta. A noite é dia, se você quiser. As lojas têm o que você precisa. E o que você nem precisa, mas gosta. Os marronzinhos são ariscos. O Playcenter está morrendo. O Tietê ainda fede. A Sé agora tem seguranças. Dom Pedro não tem mais a espada na praça do Museu do Ipiranga.

São Paulo tem Ferrari. Bentley, Maserati, Aston Martin, Porsche. Tem Lada 92 conservado. Moto a dar com o pé. Lasanha com feijoada e o Bar Brahma na esquina da música do Caetano. Espaço para todos. Voz para quem quiser. Criminalidade, presteza e cordialidade. Solidariedade. Chuva ácida e o treme-treme.

Tem o Mojica, tem os estrelinhas da MTV correndo no Ibirapuera. Tem urubu-pescador. Tem a paulista que tem o Asterix que tem 590 tipos diferentes de cervejas do mundo.

Tem quem goste da cidade. Tem quem odeie. E São Paulo não vai com a cara de todo mundo não, meo.

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São Paulo Railway, encravado nos metais da Estação da Luz.
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Estação da Luz.
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Trilhos usados tanto para composições de carga, quanto composições de passageiros.
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Trens chegando em sentidos cruzados, Estação da Luz.
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Antiga bilheteria da Estação da Luz.
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Um velho piano Fritz Dobbert, do projeto Pianos de Rua, na Estação da Luz.
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Detalhe da torre da estação Júlio Prestes.
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Mezzanino do Mercado Municipal.
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Mercado Municipal.
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Mercado Municipal.
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Mercado Municipal.
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Mercado Municipal.
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Chuva torrencial, às 16h. Foto do terceiro andar da Galeria do Rock.
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Panorâmica do centro de São Paulo.
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Panorâmica da nave central da Catedral da Sé.
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Panorâmica da cripta da Catedral da Sé

O Menino no Espelho – MPM Propaganda

20 de fevereiro de 2009

Comprei em um sebo de São Paulo um livro velho, chamado O Menino no Espelho, de Fernando Sabino. Fedendo a mofo, com pontos amarelados em algumas páginas. Mas sou muito fã do autor e do livro em especial.

O charme dele não pára ai. A edição, uma tiragem única de 12000 exemplares, têm capa dura especial e conta com a assinatura do Autor em baixo-relevo:

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Agora o que mais me surpreendeu é que essa edição especial foi confeccionada na década de 70, a mando da MPM Propaganda, quiçá a maior agência de publicidade da época, com estrelas consagradas como Julio Ribeiro, propagandas graciosas como a clássica “Bonita camisa, Fernandinho” (Staroup, lembra?) ou o case sensacional de quando a FIAT aportou no Brasil.

o-menino-no-espelho-fernando-sabino

A agência confeccionou uma tiragem única, não destinada à venda, em uma excelente fase de vida. Para distribuir cultura para amigos, funcionários, sorteios, rifas, prendas. Doze mil! Livros!

História, babe.

Slow bloggin’

16 de fevereiro de 2009

Sempre fui praticante do movimento Slow Blogging e não sabia. Não sei como tem gente que consegue escrever todo dia, ou pior: várias vezes por dia em um mesmo blog. Vai ter assunto assim lá na China.

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Essa é para você, morador do altiplano brasiliense: semana retrasada caiu uma chuva de granito em cima do meu carro. Sim, granito. Na entrada do buraco-do-tatu. Um traunseunte fiduma jogou de cima de um dos viadutos que cruzam a rodoviária um bloco pétreo de quase 1kg no capot dianteiro do meu novo e sujismundo carro. Quase rasgou a lata com o petardo. O pedrenete recocheteou para um dos viés do carro, acertando em cheio um outro vidro de um outro carro que quase capotou. Por isso, olhe para os lados e para cima antes de trocar de faixa na região.

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Comprei um apetrecho eletrônico dias atrás, pela internet, e ao chegar o caixote, constatei que nada havia dentro. O pacote foi aberto, o produto foi furtado e a embalagem rearranjada de forma a parecer que nada havia ocorrido. O pior de tudo é que esse caso não é isolado. Logo os Correios, talvez a única empresa estatal que eu ainda confiava, violando correspondências e caixas. É de partir o coração.

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Arranhou a capa, mas não perdeu o brio:

ONA - Oveia Negra Albina.
Caminho antigo dos Pireneus, dentro da APA do parque, à 50 km de Pirenópolis-GO – 15/02/08

Pavimento asfáltico e meu carro novo

29 de janeiro de 2009

Bom, todo mundo sabe que Brasília não tem pavimentação nas vias e que as trilhas, caminhólas e carreiros de terra e cascalhête levam todos a qualquer lugar. 

A foto abaixo, por exemplo: é meu carro novo (bonitão né?) estacionado na Esplanada dos Ministérios. Você pode notar, logo atrás das rodas traseiras, um trecho conhecido como “eixo monumental” ou via N1.  Não, não é uma via asfaltada de 6 pistas, engano seu. É apenas um carreiro de terra vermelha e batida onde mal passa um carro grande.

Agora, falando sério: você já viu como é feita uma pavimentação asfáltica padrão? Não? então vou resumir aqui só para você ter uma idéia: Um povo de capacete plástico e camisa de manga curta com canetas no bolso, atrás de um óculos de aro grosso e preto, faz o levantamento geotécnico do terreno. Riscam umas folhas de papel vegetal com milhares de cálculos e linhas e mandam para o pessoal de terra. Estes fazem a fundação do subleito da via, estabilizando, drenando e alinhando toda a fundação geomórfica. Depois vem um tratorzinho amarelo e faz a subbase, que é um monte de brita amontoada com uma deliciosa cobertura de asfalto diluída — a imprimação — que praticamente gruda todas essas britas como se fosse um pé-de-moleque. Quase pronto. Tasque 4 xícaras de binder para fazer uma camada de ligante asfáltico e uma cobertura de emulsante para finalizar. Reserve por umas horas e pinte riscos e faixas.

Todo esse trabalho resulta em uma pavimentação asfáltica ideal, com aproximadamente 50cm de espessura de materiais petrólicos totais.

Agora dá uma olhadinha na buraqueira média das vias do Distrito Federal. Tirei uma foto hoje mesmo, de um desses mastigadores de pneu em uma via aleatória a caminho do trabalho:

Percebeu a diferença? Terra batida, lama asfáltica e uma espécie de blend de subbase com binder. Tudo isso com menos de 5cm de espessura.

Foi por isso que eu comprei um fora-de-estrada. Você não imagina o que é passar com um carro europeu em um buraco desses a 80km/h e escutar um barulho que mistura pneu rasgando, roda trincando, geometria entortando e o bolso esvaziando R$300.

Fora-de-estrada é a antítese do bom asfalto brasiliense.

A reforma ortográfica

22 de janeiro de 2009

A reforma ortográfica é uma bosta necessária. 

O verbo argüir, que tinha uma pronúncia entojada justamente por ser desconhecido, terá seus dias de dor ao ser pronunciado sem o fonema u.

A reforma ortográfica modificará a fonética gramatical, não tenha dúvida.

E isso é ruim.

Valendo!

19 de janeiro de 2009

Longas férias. Final de ano é sempre essa mortidão casual. Pra variar, esqueci como usar a internet, não lembrei nem da senha do gerenciador aqui do blog.

O mundão lá fora  é concorrido, agitado e irreverente. Muitas festas, trilhas, enchentes, furacões extra-tropicais, animais pitorescos e deslocamentos diversos. 

O bom de tudo isso que que esse blog volta com milhares de novas idéias, fotos, imagens, relíquias, contos alienígenas e material para meio ano de peripécias.


O cachorro ai embaixo, por exemplo: clicado por um celular velho e malacabado. Gente fina o perro. Mais sociável e inteligente que muito pudol (censor, grafe a raça púdël na nova regra ortográfica brasileira) pestilento.


No decorrer da vida teremos mais publicações, meus queridos.

Boas festas!

16 de dezembro de 2008

É isso aí pessoal, a casa fechou o ano com um balanço avassalador: crescimento de 22,74% nas boas-novas, queda de 2,39% nas amarguras, commodities desacomodaram em 28,31% e o pique aumentou em 33% redondo.

Belos números.

Que você também tenha excelentes entradas neste ano que passa. E não vá fazer muita cagada. até mais. Vão viver a vida. Voltem depois.