MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos da categoria ‘cotidiano’

A realidade atracada em uma galheta qualquer.

15 de junho de 2011

Depois dessa expedição — que lotou o blog com um recheio bávaro de embutidos — percebi coisas fenomenais que me fizeram mudar alguns conceitos de como eu estava vivendo em um plasma suspenso e não sabia.

A começar pela fotografia, o meu motor de curiosidade diário e a melhor coisa que descobri fazer como passatempo. Uma câmera boa faz a diferença. Agora, uma lente prime te faz mudar todo e qualquer conceito do que era a fotografia com um material bunda e o que o potencial de imagem pode exercer quando há capacitação técnica para tal.

Foi uma malacostumação catastrófica andar com uma 70-200 durante 30 dias. A abstinência hoje dói em toda a minha ossada.

Mas o meu celular tem 8 megapixels para isso. Então suprimos essa deficiência com a resignância.

Outra coisa deliciosa dessa viagem: fazia muito tempo que eu não viajava com meus pais. Eles mudaram muito: não são mais os administradores e roteadores das férias escolares de outrora, e sim parceiros colaborativos de uma expedição internacional. 30 dias inesquecíveis que eu não imaginava recordar como era bom conviver com a família em lugares inéditos.

A turistaiada brasileira me envergonha.

Ô povo chato que é o brasileiro em terras estrangeiras. Você percebe claramente a praga de gafanhotos chegando. Desde os externalismos óbvios de camisetas da seleção e bandeiras/bandanas brasileiras, ao apapagaiado gritar farofeiro típico.

O brasileiro não se esforça para tentar se aculturar no inexplorável. Azeita-se no idioma e nos costumes. E, é óbvio, não é polido e educado. Deixam o “Obrigado” e o “Por Favor” em casa.

Chilenos são mais educados e ríspidos com direitos e rotinas do que argentinos. Argentinos, por sua vez, são mais calorosos e amáveis quando se precisa de ajuda ou favores.

Uruguaios falam português, escutam MPB e estão mesclados na sintonia brasileira, então fica uma coisa meio estranha.

Argentina e Chile têm cachorros de rua educados e bacanas. Não são feios, te acompanham se você pedir e até fazem brincadeiras inteligentes. E esses países têm carros velhos. Que dividem as ruas com super-máquinas européias. Vai entender.

Voltar ao Brasil foi estranho. Eu estava acostumando com o castelhano. Sempre gostei de Buenos Aires, mesmo nesse jeitão gaiata de ser. O retorno pelo Rio Grande do Sul foi, de certa forma, adentrar em um quarto país inesperado, mesmo porque a gauchada da República Juliana Rio-Grandense continua meio alheia ao resto do Brasil.

Agora falta apenas vender umas coisas, se desfazer de outras, encerrar meia dúzia de contas e apagar as luzes.

O Brasil está se tornando uma lembrança boa sem eu nem ter me despedido ainda.

Mas 60 dias é pouco tempo para quem quer fazer tudo o que não fez em 10 anos.

Brasília Track Day 2011.

2 de maio de 2011

O autódromo de Brasília tem uma cacofonia na denominação, batendo de frente com o Jacarepaguá do Rio: ambos se chamam Nelson Piquet.

Neste sábado teve mais um track day, um evento em que qualquer ser humano pode pisar forte com seu próprio carro na pista.

Muita gente com carros exóticos, normais, especiais e superproductions apareceram e deram o ar da graça.

Mas o que marcou mesmo foi a presença do Tricampeão nas pistas. Chegou com um Ford GT40, passeou de Lancer, calibrou e assumiu o posto de uma Superleggera para fazer o terceiro melhor tempo do dia em um carro desconhecido.

Assistir a tocada agressiva e confiante do chefe não tem preço.
















Todas as fotos da coletânea estão no meu Picasa. G’day.

O Besouro Verde.

15 de abril de 2011

O besouro verde veio voando e pousou no meu braço. A ação pode parecer até parecer corriqueira, mas o bezourão tinha quase 10cm de comprimento e parecia um B-29 aterrizando desgovernado. No começo até pensei em espatifar-lhe a carapaça com uma mãozada grotesca, mas vi que o bicho era simpático e não comeria meu braço.

Gostei das pantufas verdes e achatadas, das duas sombrancelhas samambaiáticas e da pose que ele fez para a foto.

Quando pensei em ligar a filmadora do celular, o bichão abriu as asas e decolou para assustar outro transeunte qualquer.

A magia em HD.

5 de abril de 2011

Este é um featurette qualquer da janela onde trabalho. O tema é uma minúscula aranha que pula, parecida com a que fotografei, uns posts logo abaixo. Filmada com profundidade de campo de lente f/2.8 de um celular:

HD do celular Sony Ericsson, pós produção no Vegas mesmo. Trilha sonora by “I’m Feelin’ lucky” button do YouTube. Ah, sim, ia esquecendo: é filme iraniano, por isso é sacal desse jeito.

Profetizando com o Dr. Gori

16 de março de 2011

Planeta: Terra. Cidade: Tóquio. Como em todas as metrópoles deste planeta, Tóquio se acha hoje em desvantagem em sua luta contra o maior inimigo do homem: a poluição. E apesar dos esforços das autoridades de todo o mundo, pode chegar um dia em que a terra, o ar e as águas venham a se tornar letais para toda e qualquer forma de vida. Quem poderá intervir? Spectreman!

Nextu

26 de janeiro de 2011

Lenga-lenga

12 de novembro de 2010

Olha só: eu enjoei fortemente do Twitter. Isso me deixou um pouco perdido porque minhas idéias bossais — que até então eram descargadas diretamente nas 140 bostinhas literais — ficam flanando em torno da macambúzia cachóla.

Aí as coisas ficam assim meio etéreas. Ontonte, por exemplo: saquei um retrato de um pôr-de-sol brasiliense classe A. Algo surreal. Então passou meia hora e eu esqueci da película.

Aliás, ô telefone que tira umas fotos boas. E filma melhor ainda.

Meu carro tá pipocando maravilhosamente com o mais fino liquor de sobras de dinossauros, a tal da Podium. Até fogueia de emoção na sobrequeima.

Ma’ isso não tem nada a ver.

A questão é que ano que vem será novamente um daqueles anos feladaégua: mudanças monstruosas, crises epopéticas e fantasmagorisses assimétricas me assolarão até a poeira do cerrado baixar.

Chegou a edição do Circus Day que finquei na Blurb. Lindo. Olha ele:

Ganhei, além da moedeta abaixo, um papiro com uns egiptos dançando a macarena. Muito bom, só tenho que imaginar como pendurar na parede sem condená-lo.

A arte féde.

A nave vai.

Quem ama o fêo, bonito le é.

Tá, colocarei a foto do luscrofrusco aqui no post. Lembre-se que é uma foto noturna em um carro em movimento e com um celuléba

:

Outro livro autografado e conversado com os próprios autores:

O Challenging your Dreams é um relato de duas pessoas que resolveram chutar o balde, transformar tudo que tinham em uma Defender 110 completa e auto-sustentável e seguir mundão afora. No site você tem todos os detalhes. O livro, que até então eu desconhecia que existia, foi-me vendido diretamente de uma dessas caixinhas que ficam no carro deles.

A vida em um celular

14 de outubro de 2010

Esse post é ilustrado por um cotidiano fora do normal captado pelas lentes wide do meu celular. Vamos ao dia-a-dia:

Neste dia eu estava de bem com a vida e tranquilo. Essa Variant bege, toda original, com os faróizinhos parecidos com o do Zé do Caixão, estava tentando entrar na minha faixa há uns 10 carros lá na frente. Na minha vez, eu deixei. Para a minha surpresa, era um mulher padrão-modelo, magrela mas encorpada, pescoço fino e esguio e queixão milimetricamente aprumado com as proporções heróicas que uma mulher tem que ter para ser bonita. E ainda com rabo-de-cavalo.

A machaiada deve ter se constrangido com a sutileza do carro ao passar xingando a frutuosa mulher.

Tem vezes que a gente acerta em cheio. Ou caga de vez.

O palhaço amarrado pelas mãos e atarracado pelo pescoço por uma cordinha branca. Flagrado nas cercanias de Taguatinga, a terra da beleza beligerática.

Aniversário dos Kamikases, um dos maiores e mais famosos Moto Clubes de Brasília. Como todos bons arruaceiros, suas motos, coletes e capacetes são ornados com a mais fina decoração capetística, como chifres, caveiras, couro cru e espetagens.

Esta foto ficou legal porque é um POV de um triciclo com um monte de ícone em segundo plano para desconstruir.

Este quadro está exposto em um famoso restaurante Good Tucker Down Under tipicamente australiano. A reprodução da pintura (Sidney Nolan, Death of Constable Scanlon, 1946) homenageia aquele irlandês pavio-curto chamado Ned Kelly. Um camarada que reinventou a armadura. E matou um monte de brigadiano.

A questão é que eu achei que o quadro estava de cabeça para baixo. Olhando atentamente para as árvores, o céu e tudo mais, descobri que esse quadro é uma homenagem ao bandidão que pendurava pelas pernas os policiais malvados.

Fazendo uma projeção visual eletrônica, onde foram empregadas as mais difíceis e complexas formas de simulação de restruturação visual, rotacionei a imagem abaixo para vocês imaginarem a posição certa:

É interessante conhecer a cultura antes de repercutir o classissismo.

Aí você diz: “Ah, babaca pra caraio isso.” Mas googleie pra você ver. No final das contas não é a remada contrária que faz o turbilhão, e sim a cauda monga que te abana.