MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

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A volta do ICQ

22 de janeiro de 2010

Desde a época em que o MSN passou a perna no ICQ e aos poucos todos os usuários migraram para a plataforma Microsoft, meu ICQ morreu.

Praticamente todos os meus contatos trocaram de comunicador: de uma hora para outra o ICQ ficou cheio de UIN´s desconectados para sempre. E isso aconteceu para todos ao meu redor.

Não sei se tudo isso foi a pressão da Microsoft em empurrar o MSN no sistema operacional ou se foi a Aol LLC que matou o ICQ com as milhares de tranqueiras que o deixaram assustadoramente feio, pesado e lento.

O mérito agora é que existe uma versão 7 da brincadeira. Limpa, sem aquela penteadeira de puta velha que era antes. Comunica com um monte de comunidades 2.0, feeds, twitter, coisa e tal. E eu não sei até onde (e como) essa ressurreição pode chegar.

O tal do UIN

O UIN do ICQ Significa Universal Internet Number. Talvez o ICQ fosse convencido igual à Swatch (com aquela piração do @ beat Internet Time) e quisesse rotular TODOS os usuários de internet por números. No final do século passado, ainda no tempo em que a internet era movida à lenha no Brasil, uma das formas nerds de você avaliar o tempo de internet de uma pessoa — que convenhamos, era um status quo indubitável — era a numeração UIN do ICQ. Quanto menor o número, mais reputação o geek tinha.

É ai que meu problema começa. Eu tinha um UIN de seis dígitos (#299069), registrado no final de 1996. Esses números baixos  eram tão cobiçados que se você não tivesse uma senha com 16 dígitos, era fácil perder o UIN para algum hacker. Hoje um UIN registrado está na casa dos 500 milhões.

A minha senha tinha tanto caractere especial que, quando se pedia o reenvio de senha, os browsers só imprimiam quadrados (algo como: □□□□□)

Meu e-mail daquela época já não existe mais, era um finado spegel@usa.net da Amex americana.

E agora fiquei com vontade de reavivar uma coisa que não tem como. Rever contatos antigos, que há 14 anos não converso. Sim, é tempo. Uma amiga de Hong Kong que adorava poesias de Fernando Pessoa, traduzidas; a australiana ruiva que ficou minha amiga porque achei metade dos tios-avôs dela por aqui.

Coisas pitorescas do tempo em que a internet era cultural e semântica, sem a cauda-monga que a destrói todos os dias.

A australiana

O ICQ era legal, porque toda vez que algum novo usuário aparecia, você sabia que era mais um adido cultural na sua lista de experiências virtuais. E não existia tanta privacidade, um UIN conversava com o outro sem a necessidade de adicionar ou pedir permissão (Isso mudou em 1999 com a neurótica Aol LLC).

Uma dessas conversas foi com uma garota australiana. Ela era toda bonitinha, eu era um salafrário cafajeste, então já viu. Conversávamos por muito tempo — eu na madruga e ela no entardecer — amenidades, diferenças culturais, gírias aussies pra cá, inglês macarrônico pra lá.

Até que eu contei que meu avô era imigrante aqui no Brasil. Ela confidenciou que o avô dela também era alemão e refugiado da segunda guerra, mas que tinha perdido dois irmãos pelo mundo quando fugiram, talvez para a américa. Solícito que sou, disse que aqui na América do sul era fácil achar gente (era nada), e que faria uma pesquisa mais complexa para ela.

A minha idéia era passar os nomes para um amigo que trabalhava na antiga operadora de telefonia que a TIM comprou. Por ali ele conseguiria abranger o Brasil inteiro e, se os dois chucrutes estivesse nas terras tupiniquins, eu teria assunto para mais uns anos com a ruivinha.

Acontece que eu tinha duas listas telefônicas embaixo do meu monitor (gambiarra de nivelamento de vídeo avançado) e resolvi folheá-las. Era muita coincidência: tinha 9 sobrenomes que batiam. Destes dois eram os primeiros nomes indicados. Aí já fiquei com a pulga atrás da orelha e resolvi ligar para o primeiro.

— Seu Walfried?

— Ja vohl!

— O senhor é o irmão mais velho do Günter?

— …

— Alôuuu?

— Como você sabe!?

Desliguei na cara. Liguei para o Manfried. Mesma reação atônita.

Mandei um e-mail para a garota australiana (naquele tempo a gente usava o ICQ para amenidades e e-mails para coisas importantes), com os dados dos dois velhos: telefone, endereço, CEP, tudo.

O que se sucedeu foi uma coisa inacreditável, relatado por e-mail pelo pai da down under: Eles contataram os velhos aqui no Brasil; Os dois não sabiam que o irmão estava vivo, nem o irmão sabia que os dois ainda estavam na ativa; reuniram os três, 50 anos depois, em uma grande festa em Melbourne, onde os primos, netos, familiares e agregados se conheceram pela primeira vez.

A garota achava que eu era um herói, eu achava que nunca ia dar uns pegas nela. Ela achou namorado, eu virei metaleiro, ela casou e eu comprei uma bicicleta.

Depois disso só ficou a lembrança de ter feito uma coisa extremamente fenomenal para alguém que eu nunca, de fato, conheci.

Quem veio antes: o ovo ou a galinha?

20 de janeiro de 2010

É a pergunta mais idiota que eu já escutei.

Claro que é o ovo. Peixes, dinossauros, libélulas e um monte de vida préhistórica já botavam ovos antes das penudas.

Sem mais para o momento,

subscrevo-me.

A nova casa.

6 de janeiro de 2010

Tem um camarada que eu conheço desde os primórdios da década que é o Geison. Eu descobri que o vagabundo é mais velho do que eu imaginava, porque ele aparece sorrindo em uma footage no DVD “Elvis aloha from Hawaii” (1973) nos trinta primeiros segundos:

geison
Screenshot do DVD. O Geison é o camarada de camisa lilás e óculos Aviator. Note o bufão que não o deixa ter idéias, logo acima da cabeça dele, com aspectos primatas.

Ele reclamou (…) veio um inquietante bloqueio criativo. E continuo com ele aqui. Sentadinho no topo da minha cabeça. (…)

Com essa minha ajuda, ficou mais fácil achar o desperucado na rua. Ah, o blog dele agora está sob o guarda-chuva Wordpress, largando de ser Global. Vida longa ai bruda.

Santa (e bela) Catarina

25 de dezembro de 2009

Esse titulo de post era um slogan antigo da secretaria de turismo de Santa Catarina.  E não é puxar a sardinha para o meu lado, mas a realidade é que esse pequeno estado brasileiro tem um apelo turístico incrível. Para você ter uma idéia do que eu estou falando, veja a pequena viagem que fiz com minha mulher e minha irmã: saímos de Florianópolis, atravessamos vários quilómetros de praias desertas até chegar ao Farol de Santa Marta, um reduto neo-hippie e SurfBro de primeira qualidade.

Aliás, o Farol de Santa Marta continua com um atendimento excelente, almoços regados à frutos do mar com preços atrativos e com as praias ainda intocadas.

Do litoral nos atracamos por Gravatal, que é uma cidadezinha termal com águas quentes e hotéis honestos, parques aquáticos e uma variedade cultural incrível. Gravatal na verdade é uma cidade estratégica para subir a serra entre Grão-Pará e Urubici.

A Serra do Corvo Branco é uma estrada de 50km, não pavimentada, que liga a região litorânea até a serrana. A subida é esculpida em um paredão que varia em pouco mais de 1200m em relação ao nivel do mar em apenas 30km de percurso. Alguns trechos da subida são assustadores, porque é parede de rocha de um lado, três metros de largura na estrada e um precipício de 300m do outro lado.

Aí em cima da serra tudo muda: o clima fica ameno, a vegetação abre para araucárias centenárias e mata de altitude, a cabeça dói, você continua subindo e o GPS avisa que estamos a quase 1800m acima do nível do mar. A estrada acaba novamente, agora em uma base militar da aeronáutica chamada CINDACTA II, restrita, de frente para uma das paisagens mais impressionantes da serra geral, que é o morro da igreja.

Paramos em Urubici, em um hotel que tem calefação em todo lugar que você consegue olhar, lareiras, fogões à lenha. E não é por menos, a cidade tem o recorde oficial de cidade mais fria do Brasil, com temperatura registrada de -14°C. E fotos de neve por tudo.

A volta, segundo o meu GPS doidão, poderia ser por estrada pavimentada ou por um caminho que ele deu certeza que era viável. Uma estrada de terra de 50km, beirando escarpas, fazendas incríveis e um caminho que afinava cada vez mais.

Descemos a serra do Rio do Rastro, via Bom Jesus da Serra. Estrada clássica, concretada, com 12 curvas completas de 180°. Pra mim um dos trechos de estrada mais bonito do Brasil.

Retorno tranquilo para Florianópolis: praia do Rosa, do Ferrugem, Garopaba e Guarda do Embaú.

Clássicas.

E tudo isso em apenas dois dias.

Praia, dunas, estradas de terra, trilhas, travessia de rios, serra, escarpas, 4×4, altitude e aventura ao extremo. E meu GPS não poderia ser mais aventureiro e louco do que já é.

Abaixo algumas fotos e dois pequenos videos da subida do Corvo Branco e a descida do Rio do Rastro. A noção da magnitude dessa aventura não chega aos pés do que é ao vivo. Mas fica o aperitivo.

Gente X Mato: Pedro Martinelli

1 de dezembro de 2009

Pedro Martinelli  — um dos fotógrafos que escrevem a história do Brasil em imagens — anunciou em seu blog que está fazendo a venda direta dos seus dois livros, Gente X Mato e Mulheres da Amazônia. O preço é muito atrativo (50 lascas cada) e o frete já está incluído. Você não encontra uma oportunidade com essas características e preços em livrarias.

Resolvi comprar o Gente X Mato. Quando chegou o envelope, fiquei espantado com o tamanho do livro. Aliás, fiquei espantado com o tamanho, o papel, a encadernação, a diagramação e a impressão. O livro tem o formato de um jornal, grandão, impresso em papel Pólen 80gr, com um design muito fera.

É a sua chance de comprar um presente diferente de verdade, coringa, que agradará seu amigo que é designer, publicitário, fotógrafo, ativista, fazendeiro, desmatador, jornalista, ambientalista, tratorista, chef de cozinha ou até político. Todo mundo se identifica com alguma coisa ali.

E se você for cara-de-pau como eu, peça autografado. O Pedro manda.

Livro Gente X Mato (Pedro Martinelli)

MadCap agora no IPhone

25 de novembro de 2009

madcap-iphoneÉ isso mesmo: agora qualquer um pode acessar o MadCap por um aparelho playboy da Apple, sem onerar os 8 mega de imagens desnecessárias na hora de carregar o layout do blog.

O layout é esse ai ao lado. Ta feio no printscreen analógico que meu scanner fez, mas é o ferralmental disponível em mãos.

Qualquer dia vejo como o site se comporta nos outros dispositivos móveis existentes.

Ah, essa joça vale também para o YouTouchMyTralalá Ipod Touch

Orkut, Orkut meu…

24 de novembro de 2009

É, meu amigo: agora você pode compartilhar sua mulher sensual (ou ela mesmo se auto-promover) para todos no Orkut:

Book Sensual

HOMEM:  Presenteie-se com o BOOK SENSUAL de sua mulher.

O banheiro fictício.

19 de outubro de 2009

Dias atrás precisei ir ao banheiro, em um shopping. Já viu como achar um banheiro em um shopping é foda? Pois então, sempre escondidos em corredores minúsculos, camuflados por esquinas de concreto refiladas.

Ao entrar no corredor, quase bati de frente com a mulher-gato. Uma loira das pernas torneadas e compridas, fantasia impecável de couro preto e latex.

Ela se esquivou para lá, eu para cá e fiquei como um pedreiro ao ver uma croquéte passando na calçada.

Refiz do susto, continuei pelo corredor até o final, pensando seriamente se eu já estava ficando esquizofrênico ou não.

Entrei na sala dos homens e outro susto: dos oito mictórios enfileirados, seis estavam ocupados. Pela seqüência: Homem-aranha; Incrível Hulk; vazio; Superman; Batman (o pretão, das trevas); Robin (o primeiro, aquele que parece um arlequim verde, amarelo e vermelho); Senhor Incrível, Wolverine (uniforme preto); vazio.

Entrei entre a parede e o Wolverine. (Existe toda uma lógica para escolher mictório em banheiro público, um dia explico.)

A Sala da Justiça Mijatória era surreal. Um homem entrou no banheiro, parou atônito e saiu, sem falar nada. Aliás, os super-heróis são tristes, franzinos e quietos, quando mijam.

Ao sair do banheiro ainda encontrei a Senhora Incrível, a Mulher-Maravilha e a Tempestade. Todas com uniformes menores do que o habitual. E muita carne.

Era uma ação qualquer do dias das crianças, fiquei sabendo depois.

É assim que nascem os fans de HQ.

Face Lift

16 de outubro de 2009

Faz um tempo que não escrevo aqui. Estava meio de saco cheio das coisas, infeliz com umas realidades absurdas e de saco cheio desse blog.

Pois então, ou eu o matava, o que seria muito bom, ou então eu dava um jeito de retomar o fôlego da chincha.

Esta é a nova cara do blog. Azul o que antes era vermelho. Inspirado, quiçá, no Slam Girl ou então no GimmeWings.

Vai dar uns erros ainda, mesmo porque layout muito personalizado é uma merda.

No FireFox e no Google Chrome está rodadando que é uma beleza. O IE, melindroso, está comendo umas coisas que não era para comer.

Se você se sentir mal, triste, traído ou ofendido com o layout, sinta-se a vontade para reclamar no sistema de comentários.

Aliás, agora aparece o seu Gravatar nos comentários. (Não sabe o que é um Gravatar? clique aqui e faça já o seu.)

Fui.

Notícias do Front

21 de julho de 2009

Foi um final de semana inesquecível, este agora. Primeiro porque conheci gente diferente e isso por si só já é um diferencial enorme. Ainda mais eu, que tenho tendências severas de sociopatia. E também porque fomos fazer uma trilha técnica nas cercanias de Brasília. Paisagens, circustâncias e a receptividade surpreendente. Éramos para voltar no entardecer, chegamos em casa duas da madrugada. Problemas técnicos e uma canseira incrível. Mas uma felicidade sem igual.

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via engenharia

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Um segredo que pulula a mente dos grandes escritores: eles sabem quando é a hora de parar. Pena que blogueiros e escribas medíocres não tenham esse discernimento. Publicam toneladas de lixo inútil quando poderiam estar por aí a ganhar alguns trocados com o bestunto que ainda lhos resta. Incluam-me nesta segunda leva, por obséquio.

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Cansei e é hora de ir para casa. Voltarei para minha cidade natal, semana que vem. Um passeio, lógico. Sou um expátrida que não sabe mais o sentido empírico e figurado de um lar, doce lar.

Terrinha natal vá lá. Aliás, Terra natal toda a gente precisa de ter. Nem que seja apenas pelo prazer de um dia a poder deixar. E voltar, anos depois, para ver o que aconteceu.

Faça isso sempre que puder. É fascinante. A tendência é tudo ficar diminuto com o tempo. Você cresce e o mundo definha. Fascinante não, cruel. Essa é a palavra. Ou um fascínio perverso, de ver o que parou se conservar íntegro e garboso, enquanto você — trotamundos inútil — apodreceu multiculturado.