MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos da categoria ‘l´amour’

O mundo que te espia

19 de julho de 2007

O mundo que te espia enquanto dormes é um mundo único. Funciona como um pequenino relógio, tiquetaqueando tuas batidas. Bate em teu compasso, um mundo só teu, mas que eu queria estar capitaneando. Teu mundo único é perfeito, faz-me confundir o certo e a certeza de estar em seu mundo.

O mundo que te espia enquando dormes é um mundo de sonhos perfeitos. Sonhos que te sonham em campanas, te observam janela afora.

É o teu mundo, mundo que lágrimo em palavras e sonhos.

Desatino

18 de julho de 2007

Adoro falar de paixonites e efervescências amorísticas.

Ainda que refreado pela violência das palavras apaixonantes, gosto de me deixar levar por oratórias melodramáticas desses devaneios ilusórios.

Palavras apaixonantes são assim, do nada, escritas sem pensar.

Palavras apaixonantes soam desconexas. E qual amor é preciso e linear?

Busca-amores

16 de julho de 2007

Sabe porque muita gente procura o amor e não acha nunca?

Porque amor não é sentimento para se procurar, oras bolas! Amor é estado d’alma, é simples resposta de um viver imensamente superior.

E esse viver significa que não é necessário estudar, achar um emprego legal, estabilizar tudo para aí sim catar o amor pelas ventas. É aquela velha desculpa de arrumar um amor para ser feliz, quando, na verdade, o amor é apenas um resultado disso.

E amar significa resplandecer-se em em uma felicidade de vida. Nada mais que isso.

Spirit of Flowers

15 de julho de 2007

Mais da mesma linha tênue que até então separava a pequenina verdade estratosférica: um amor irradia prazeres e sentimentalidades. Uma fragrância indelével assemelhava-se a mirra, acredito. A forte sincronia eterna ali firmou-se de uma cumplicidade quase silenciosa, percebida apenas por uma leveza na oscilação das suas pupilas. Suas pupilas magnificas de olhos verdes-castastanhos-verdes. Conversa de corpo e alma, amores-alegrias e batalhas. Batalhas? Sim, Sempre a eterna e verdadeira guerra de bem e mal, clarão e escurdez. Dois-em-um, guerra e inteligência. Duas almas, um sentido e apenas o amor que quase sempre percorre paralelo. Quase sempre. Porque fundir-se é um exercício de intensidade e razão-emoção.

Desejos

15 de julho de 2007

Desenho circulos com os dedos. Círculos que se cruzam em um vidro embaçado de chuva e que apenas revelam o minguado coração desencontrado. A tarde me é insone e nem de amores em corações embaçados consigo viver. Não, não imagino que exista o amor. Não há de existir nada no amor, quem sabe nem exista paixão, que é, em mim, mais acreditável. Existe aquilo de desejo e química e atratividades insípidas. Amor é conversa de poeta desacreditado.

E poeta desacreditado quis ser.

Das minhas carências a inventei, mulher perfeita para mim. Assim a imaginei, de olhos grandes — para que, de relance, alcance sua alma. Cabelo escuro, que fosse muitos e dessa multidão me esgueirasse para um descanso escondido do mundo. Cílios curvados e longos, para que de piscadas constantes escutasse uma borboleta imaginária batendo asas perto de meu ouvido. Dentes afiados, o que há de mal em mordidas? É tão bom!

E assim assegurei minha perfeição de uma mulher perfeita e impossível.

Continuei. Quem não continuaria! Não tenha nojo de bichos estranhos, mulher perfeita. Não quero careta quando uma aranha cai em mim e eu a pego com as mãos. Coma tampinha de caneta, eu como. Não que seja saudável, mas que não odeie quando faço. Da minha mulher perfeita — e o quanto mais perfeita ficava, mais impossível era existir — imaginei simplicidade. Nada de soberba, nada de indelicadezas. Complexidade atônita que a contraste com a indiferença de futilidades quaisquer. Inteligente ao extremo, por supuesto.

Linhas de pescoço e colo delineadas à compasso. E delinear um colo à compasso é impossível, acredite. Falemos então de corpo. Curvas perfeitas, Nada de sobrar ou faltar, sem deleites. E deste imaginativo a leveza de algumas penugens em pontos estratégicos (penugens, não posso chamar de pêlos aquelas delicadíssimas segmentações capilares). Perfume atrás da orelha. Perfume na linha do queixo, perfume em pescoço delineado à curvas francesas de um compasso. E perfume natural que é impossível explicar. E não quero explicar, ninguém entenderia.

Quer mais, continuo.

Acreditar em Deus, sem fanatismos por favor, e por favor, sem o ceticismo horrível dos ateus desregrados. Ateu é um crente covarde e disso o mundo purula. Viu, mais impossível que isso não tem. Ah, agora as pérolas! Bolo de chocolate besuntado de requeijão cremoso. Sim, minha mulher perfeita teria de gostar da minha culinária chucra. Gato de armazém, que se deixe levar por um afago. Deixe fazer massagem inventada, durma escorada em mim, sim, assim.

Como disse, não que exista o amor, amor seria ter uma mulher com esses predicados de prenda figurada em idéias e ela existir mesmo. Perceba que meus sonhos eram explicitos da impossibilidade real.

Então conheci uma mulher.

Com ela descobri o andar ao sol de segunda-feira em tempo de veranico, correr a borda do morro pequeno, subir e subir por arbustos e árvores “Aqui tem macaco, aqui tem lagartixa”, vegetação explicada de folhas vernizadas para não sucumbirem ao sal marinho. Ah! Então, era praia onde estava eu e a mulher que reunia qualidades inéditas às minhas impossibilidades imaginativas. Subir mais e, sem o fôlego que nos é necessário vez ou outra, arquejar perante uma vastidão de mar azul bravio para assim sentar na pedra qualquer. Ah! mar azul, olha essa mulher para assim ela erguer a cabeça ao vento gentil de uma brisa e os cabelos dançarem a valsinha que até hoje não sai da minha cabeça.

Não, não que uma valsa tocou, aí eu seria doidivanas assumido. Apenas cantarolei dentro de minhas idéias de mulher impossível o balangar daqueles cabelos de leve ondulação dançante.

Esvoaçante.

E do céu esperar as nuvens de lá para cá, sem rumo e horas perdidas no que um dia de segunda-feira qualquer o mundo a sibilar rodeios de palavras tortas. Voltar, afinal, era apenas bivaque furtivo e de mãos dadas saltitar de emoções incontidas.

Ah, é teimoso o narrador, impossível ela, não era o que estávamos proseando?

Embarcar, e era uma ilha, esqueci de contar. Encontrar a estrada da volta e, ao som da música deliciosa que adoro e ela canta porque gosta, encontrar finalmente na desordem das minhas idéias o que é, de súbito, uma forma de amor.

Uma forma de amor perfeito.

XVIII – Livreiro e o amor

15 de julho de 2007

Das caminhadas leves à orla mansa, o livrólogo consegue capturar nas retinas, que suplicam óculos de grau, uma vastidão de tonalidades amarelas-azuladas de um pôr-de-sol preguiçoso. Todo pôr-de-sol exala a preguiça de um vascolejo estelar. Bem coisa astrônomica. Dessas estrelas tímidas o mundo o lembra, livreiro, da mulher que o espera pertinaz: a beleza de seus olhos refletem luzes e sentimentos. Não queria se gabar do momento, mas era não-lógico obstinar algumas linhas sobre a reflexão não-linear de sentimentalidades que os brilhosos olhos negros de diva o refletiam.

Ah livreiro! Esta era a sua amabilidade inconformada: comparar as vivências casuais com as confrontas sentimentalidades que de sua pretendente o sorriam dia inteiro. A paz da maré? Hum… deixa-me ver: cara de anjo ao acordar! O ar de inverno que enevôa a orla? Facil: perfume natural que do lado do seu colo é de perfeito sentido.

E tudo isso — o livreiro a conhecia como o mundo — era a visão exata do efêmero momento em que tudo se é tido, um momento intrinseco entre o tudo e nada, emplacado de tonalidades de tempo e sentimento, névoas e brumas, o certo e o beijo.

A saudade desse momento é tida como extinta. Os momentos se encaixam em posterioridades que ainda o livreiro ousa prever, como menino serelepe de imaginação incontida. Sim, vôos de braços abertos em proas de navios. Pescar com as mãos aqueles polvos grudentos, quem não faria isso?

Mas é o pôr-do-sol que o livreiro fita em uma orla esmairecida por calmaria inconstante. O sol se acaba em uma montanha de lívidas paineras que filtram a entristecida claridão amarela. Há no ar a melancolidade do encontro das entrelas e lunas e tudo mais que a noite o reserva, não tenha dúvidas. Silêncio do dia e alvoroço da noite, Calar de sol, diria o gajo do bigode-de-arame.

E o livreiro pensa um pouquinho mais, agora nem é orla nem sentimentos, apenas alma e coração. Sentimentos, inquietações de certezas e medos incertos. Ainda reluta em acreditar, mas comove-se ao saber da certeza venal de seus sonhos. A mulhe, que o espera na ternura de um aconchego substancial o é sonho, entende como?

Das certezas, e isso o acostumou em prosas deliciosas, presenteado foi de uma mulher perfeita. Existe felicidade maior? E é toda a presença de um Deus verdadeiro que o povoou de alegria que se transborda essa inquietação explicita de surtos alegrísticos de emoções que o incendeiam o coração.

E lá vai o livreiro assoviando um minueto qualquer, provavelmente Bach. E a rua o acolhe prazenteira.

Insolentes, ele e ela.

11 de julho de 2007

Ambientada hoje em dia, com quaisquer dois amores que vivem do amor, o ódio.

O arrependimento beijou na boca ele e ela. Fique claro que não é pelo tempo gasto em todos os ensaios de todas as coisas que disseram. E que mais tarde, invariavelmente, ele e ela tiveram de desdizer. Nem pelos versos complexos e belos que lidos e ouvidos e que jamais encontraram razão e entendimento. Não fôra pela primeira briga que socaram-se até dizer chega, tardes de sonhos e amores, nem das noites frias de aconchego na valetinha do braço.

Nada disso.

A solidão dele e dela vêm de uma coisinha simples e que de nada era certa: arrependimento do não feito:

  • Ele lembra do mundaréu de mensagens silenciosas, às vezes apenas uma respiração, na secretária eletrônica.
  • Ela jogou fora algumas cartas que ele escreveu. Pouco provável que tenha achado que era publicidade, vá saber. Sequer leu. Cartinhas transbordades de um sentimento lindo e intenso. Mal escritas e com uma letra garranchenta.
  • Ele, novamente. Nunca impôs vontade. Contrariava sempre o sentimento que era para ser eterno. E aí, por essa razão idiota, nunca foi.
  • Ela, arrependeu-se agora.
  • Ele, bebe a dor em goles etílicos.

Aí ele e ela arrependiam-se, mutuamente. Ele, por estar presente em algumas situações esdrúxulas na qual a presença não era exatamente uma necessidade. Ela, por sua vez, sentia que fôra ausente e alimentava a certeza de que a ausência — por mais que consentida — era cinza.

Ele arrependeu-se, não dos sonhos que teve, não pela bela música que ouviu, nem pelo poema manco que escreveu, Mas sim dos sorrisos lançados, dos beijos que deixou roubar, das palavrinhas mudas que de olhares se formaram, sempre.

divisor

Ela sabia, desde o ínfimo instante em que seus olhares encontraram-se pela primeira vez, que haveria um adeus. Estranho isso.

Ele sabia que toda despedida definitiva estava presente em cada “até mais”, “tchau” e “eu te amo”.

Arrependia-se agora, ele por haver colocado à prova o próprio coração, ela por haver cometido tantas loucuras, ele por haver acreditado que um único momento seria capaz de transcender todos os limites impostos pelo tempo e pela distância.

Ela estava arrependida. E sofria ao perceber o crasso erro cometido pelo destino, ao ter colocado em seu caminho a pessoa certa, na hora errada.

Ele estava arrependido. Sofria por saber que, uma vez que foi assim, a hora certa nunca mais tornaria a abraçar aqueles dois babacas sentimentais.

— Fodi com meu amor, ela disse para o barzeiro.
— Amor é uma bosta, reclamou ele para ninguém.
— Compliquei um sentimento que é simples e delicado, balbuciou ela.
— Amor é uma bosta! Exclamou ele, sem acreditar na própria verdade.

Recadinho para ela

11 de julho de 2007

O rapaz-de-boa-índole terminou uma amizade de três meses e quatro dias com a moça-petulante-melancólica. Ele era inteligente na vida, burraldo no amor. Ela, espinafrada e gostosa. Não namoraram, é verdade.

Ele queria porque queria.

Ela acreditava na polivalência afetiva, na dinâmica de relacionamentos imediatos. O “fica-fica”, em termos genéricos.

Como muita gente boa que conheço, esses dois aí.

Acontece que dia desses ele acordou cedo, sentou-se à escrivaninha, escreveu, escreveu e escreveu. Deixou um bilhete entrelaçado nas cordas da guitarra da cor-de-rosa que, estacionada no pedestal-quase-altar, tornou-se símbolo máximo de adoração da moça-petulante. Foi embora para sempre e ela ali, dormindo sem saber de nada.

“Eu te conheço até que bem, apesar de nunca conversarmos sobre a vida que circula ao seu redor.” Começava a pequenina carta. Gelou a espinha da espinafrada: ela já imaginava algum desfecho assim, credo!

“E por te conhecer, deixo pequeninos conselhos verdadeiros e doídos (do-í-dos, hiato. Minha letra é feia e você pode achar que são conselhos doidos).

A verdade sempre dói, a crítica nunca é bem vista, blablabla, esse papo todo que você já conhece:

— Você tinha que dizer umas verdades para a moça petulante que se diz sua amiga, quem sabe até dar umas bofetadas na cara dela, com a mão bem aberta, pra marcar os cinco dedos e acabar logo com essa amizade de mentira.

— Você também tinha que abrir o jogo com aquele carinha, falar o que você sente, parar de esconder dele essas coisas erradas que você teima em fazer.

— E devia aproveitar pra contar a verdade àquele outro, que tem uma costeleta maior que a outra. Vai lá, diz pra ele que você não é nada disso que ele pensa que você é, diz pra ele que você é normal, que a sua rotina é um saco, que você não tem coragem de sair da casa da sua mãe por causa da comida, da roupa lavada, da guitarra rosa que “vai te levar para o estrelato” e essas coisas.

— Aliás, pare de meninice. Ficar, ficar e ficar. Bah, cresça um pouco! Os homens só te querem porque você é gostosa.

— E já que é pra entrar num lance de sinceridade, conta logo pros seus pais que você fuma escondida e que está de rolo com um cara grisalho, desquitado e rico, um roqueiro falido de costeletas desparelhas e um carinha que você não sabe o nome! Quatro Três ao mesmo tempo.

Essa vida que você vive debaixo dos holofotes é uma farsa. Já faz tempo que você se perdeu no meio de tanta filosofia, de tanta parafernália psicológica, de tanto sentimento sem sentido; e agora você fica tentando enganar esse público enorme que te aplaude e não percebe que só está enganando a si mesma.

Porque a gente sabe. Não só eu, a turminha inteira da facul, o grupinho do bar do éder.

A gente sabe que você já fez um aborto; A gente sabe que você já tentou suicídio e que já tem passagem na polícia; A gente sabe que uma vez você gastou o salário de um mês inteiro em uma bolsa francesa; A gente conhece bem todos os seus pequenos e grandes defeitos. Todo mundo conhece, todo mundo sabe.

Então pára de se esconder atrás dessa maquiagem, pára de pensar que você pode se livrar de todos os seus erros toda vez que muda a cor do cabelo. Você vai ser sempre assim, vai ser sempre você, não importa onde, nem como e nem quando.

Desiste logo desse disfarce idiota.

Tira essa roupa e admite — de uma vez por todas — que quando está nua, você deixa de existir.”

(suspirou)

— Balela! — retrucou ao jogar a carta, já em bolinha-de-papel, no canto escuro do quarto.