MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos da categoria ‘l´amour’

Resultados virtuais

24 de julho de 2007

Agora interessante mesmo são as peculiares situações que inexistiam antes do advento da internet. Saudades, amizades, amores, relacionamentos e cumplicidades com pessoas onde o único mínimo contato que os unem são os binários online / offline.

Virtualidades, assim dizendo.

E em algumas vezes, estas amizades, saudades, amores e relacionamentos são tão mais fortes, vivos e singelos, que acabam valendo-se muito mais do que alguns laços reais, físicos e próximos.

A internet é, sem dúvida alguma, um desinibidor social.

Relacionamento

24 de julho de 2007

A paixão se segue e o amor — o bichinho-surpresa — toma conta de tudo. Enxota o que antes escaldava a vivência, solidificando a razão e equiparando sua emoção. E depois?

Depois as afinidades se encontram, a realidade aflora instintivamente, destruindo a beleza da perfeição. E é aqui justamente que entra a arte de se pôr fim à um relacionamento. Não que isso possa ser considerado arte, dado a dor e solidão que a singularidade possa provocar. Mas há um tempo certo para acabar, assim como existe o tempo exato de se começar. E errar o momento certo de se terminar é muito ruim. Pior, muito pior do que errar o tempo para se encontrar e amar. Adiar um relacionamento é relembrar de ruínas desgastadas e fatigadas pelo tempo. Não fica, infelizmente, a construção harmoniosa que se criara. Apenas rescaldos.

E o medo faz adiar, muitas vezes o que se vai tornando lufadas de esperanças esgarçadas. Há ocasiões em que o impulso do rompimento é imanemente contido por uma estranha (ou seria segura?) inércia que não nos mostra a razão de se adiar. E o fim torna-se explícito, mas mascara-se de maneira indolente. Sentimentos confortáveis e bons cedem seus comprometimentos com o rigor de gestos degenerativos e por muitas vezes enfastiantes. E o egoísmo mescla-se com a incapacidade da visão conjunta. E os fatos gritam.

E gritam.

Existe sim, o momento certo para um fim de relacionamento. E, como se é de esperar, na maior parte das vezes este tempo passou há tempos. Podem ser horas, dias, meses, até anos. Mas passou. O amor desvencilha-se, a lânguida sensação de rompimento instaura-se. Para sempre. E não tem palavras, gestos, carinhos. E mesmo assim se segue em frente.

Errar o tempo é comum. E o último momento de se escapar da derrota lamuriosa é no momento certo. Depois o desbarato nos faz carregar os restos de um relacionamento que não soube nunca, acabar.

As primeiras coisas

24 de julho de 2007

O motivo foi a curiosidade. Algum momento significativo, uma desculpa sem nexo. O suficiente para aceitar aquele beijo. Incandescente beijo, acompanhado de uma deliciosa e trôpega respiração.

Era um primeiro beijo.

O deliciar dos carnudos lábios passeando e encontrando-se — ritimados em um allegro — mostravam-se decididos: Não seria beijo frenético, apenas passeio de lábios. Não adiantaria pedir, implorar, balbuciar palavras melosas, picantes. Naquele momento, naquela hora, apenas um passeio por lábios voluptuosos. Não beijarão, não estarão sedentos por uma mordida.

Apenas passeio de lábios, um convescote rotineiro em uma deliciosa boca trêmula.

Lábios vividos (apesar de nunca terem beijado), de boca que já mantém a compostura. Apenas beijar. Ou tentar desfazer um fogo em forma de batom.

Afinal, era um primeiro beijo.

Extremo

22 de julho de 2007

Do amor, fez-se uma saudade causticante. Quisera alguém que apenas uma amizade os unisse. Mas o desejo tornou-se presente em todos os momentos.

E amizade não quer desejar nada.

Do silêncio, apenas a delícia de entender e perceber a plenitude do gesto.

A vida sabe (e ignora) que amores espontâneos têm a tristeza inacabada em sentimentos. Aquele seu amar era perfeito, não tenha dúvida. Mas a solidão acompanha, ainda que em uma pequena valsa descompassada, a cumplicidade verossímil.

Disfarçar seria apenas postergar e postergar a perfeita dor, balanceada e magnífica, por extremos infinitos.

A arte de amar

22 de julho de 2007

O redator de telemensagens era muito bom no seu ofício. Sabia escrever com maestria recados personalizados para as mais fantásticas e diferentes situações: amor, ódio, aniversário, desencontros, desculpas. Tinha sempre uma boa idéia, fato que o consagrou como “Rei das Telemensagens”.

Dia desses o Rei das Telemensagens estava triste e desolado: tinha encontro com a namorada nova — a qual estava perdidamente apaixonado — e não conseguia expressar suas sentimentalidades de jeto nenhum.

Percebeu que o amor o cegou.

Pior, o amor tomara seu reinado. Deixara-o irremediavelmente bobão.

Aquele amor maior

22 de julho de 2007

Era tido como certo que aquele relacionamento entre o rapaz-todo-avoado e a moça-certinha não iria para frente. Apesar das inúmeras diferenças, ambos tinham algo em comum: gostavam de carros, de livros, de fotos, do trabalho do moço e do conceituado lobby de pesquisadoira dela. Eles se gostavam. Ele pensava nela antes de dormir e ao acordar. Aliás, tinham muito em comum.

Eles eram síncronos.

Mas ninguém percebia esse tênue e perfeito detalhe.

É por isso que sempre dizem por aí que opostos se atraem. É a pura e melancólica preguiça de olhar a vida com outros olhos, os do conformismo.

Sonho

22 de julho de 2007

Sim, assim como sonho, amo sim. Amo porque amar é, como queira, outra espécie de sonho. Um sonho colorido, cheiroso e lento como a bruma. Sonhos diferentes, mas mesmo assim, sonhos bons.

O que vale a pena?

21 de julho de 2007

Quando se ama, o que vale a pena não é o amor em si, mas tudo o que conspira em volta dele. Amar é ter o poder necessário de compreender claramente tudo. Olhar com outros olhos a dor, imaginar a fé, possuir e perder-se nas mãos de quem se deseja.

Amar é imaginar a realidade e ter uma idéia precisa e intacta da razão.

Ainda que tudo isso seja sem razão alguma.