MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

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Terras Altas 2011 – Punta del Este à Rio Grande

13 de junho de 2011

O último dia no Uruguai foi marcado por uma viagem deliciosa pela costa do país. Paramos na Punta del Diablo, uma cidadezinha que começa a despontar como alternativa para a rapaziada que já não gosta mais de Punta del Este.

Durante a viagem o GPS indicava um aeroporto com pista de emergência muito próximo da rota que estávamos seguindo. Quando percebemos, a pista não estava próxima, e sim na rota. O pessoal resolveu aproveitar um retão da rodovia e construir uma pista de pouso no meio da estrada. Alargaram a via, pintaram cabeceira e indicativos e colocaram uma placa no começo e no fim alertando sempre para você dar uma olhadinha pra cima e dar a preferência para aviões com problemas.

Bacana.

Aduana uruguaia sem problemas, aduana brasileira mais intimidadora. Entramos em Chuí e visitamos o Arroio do Chuí, o ponto mais setentrional do Brasil.

Achei que a volta para o país teria aquela sensação que todo mundo espera de retorno à patria e tal, mas me frustrei. O Brasil parecia um país estrangeiro a mais.

Bom pra mim, ruim pra quem percebe.

No mais, estradas brasileiras ruins, gasolina batizada para desacostumar os carros que estavam com médias fantásticas e o pessoal falando português novamente.

























Terras Altas 2011 – Punta del Este

10 de junho de 2011


Punta del Este — como todo bom paraíso fiscal — tem uma vida social perfeita: gente rica, americanos, velhos decrépitos, mulheres gostosas e o principal: a plasticidade de uma cidade artificial.

Comece pelo Casino Conrad: a Marrom era a estrela da semana para animar os fim-de-carreira que gastavam os tubos em dólares fichados na roleta. Isso em plena terça-feira à tarde. Quer coisa mais deprimente? Velhos cadeirantes, com suas bolsinhas de mijo e soro anexadas, flertando com as garçonetes de saias curtinhas.

Ficamos 5 minutos no cassino. Patético.

A orla é daquele jeitão: final de estuário do Mar del Plata (o rio Paraná, para quem não sabe), com praias estranhas e não muito graciosas, um atracadouro e marina deslumbrantes, leões marinhos e focas simpáticas, pescadores carrancudos com seus barquinhos simples no meio da heterogenidade de iates e veleiros milionários.

Gente bonita correndo e passeando pelo calçadão, mesmo com o frio polar de 4ºC. Surfistas tentando se manter nas ondas gélidas da corrente fria das Falklands.

Casas de famosos. Ah sim, esse é o city tour que a brasileirada faz com a CVC: Ali ó, a casa da Gisele Bundchen. Essa é a casa da Xuxa, Aquela mansoneta ali, do Menem. Uma Hollywoodzita descolada e pueril.

As casas de Punta tem nomes. Como barcos. Parafraseando o nome de uma que vimos, ’5mentários’.

Vale a visita. Principalmente para conhecer uma cidade balneária que deu certo, em uma região que só faz calor  mês por ano.















Terras Altas 2011 – De Buenos Aires à Punta del Este

8 de junho de 2011

A travessia internacional do Mar del Plata entre a Argentina e o Uruguai é muito interessante: você pode ir de carro e dar uma volta gigantesca de 530km por Fray Bentos, atravessar de BuqueBus Express em apenas 1h ou então aguentar a lenga-lenga do BuqueBus normal de 3h.

Optamos pelo catamarã de 1h, um barco veloz, com Dutyfree e capacidade monstra de pessoas e carros. A imigração entre a Argentina e o Uruguai é simples e tranquila, parecida com embarque internacional de aeroportos. A chegada em Colônia de Sacramento foi rápida e ainda deu tempo de conhecer a região até o almoço.

A viagem até Punta foi tranquila demais, com bafômetros, um city tour express na costanera de Montevideo e estradas excelentes até a ponta do final do mar prateado.

Fotos, é claro:












































Terras Altas 2011 – Buenos Aires

6 de junho de 2011

Buenos Aires continua adoravelmente ridícula. As mesmas putas, a mesma poluição, taxistas menos babacas, lojas de rua com perfumes deliciosos, a gataiada feliz no meio dos mortos refinados da Recoleta.

Posso até dizer que Buenos Aires é parecida com São Paulo, mas com mais mulheres narigudas e bonitas ao mesmo tempo. Uma cidade grandiosa e morta, fria e corpulenta, morimbunda aos descasos inolvidáveis.

Palermo ainda comporta a gringaiada de outrora. Mais GLSBT’s que de costume. Outrossim, mais meninas safadas de ticoticos e mãos dadas. Bom barbaridade.

Ah, La Boca. Ô bairrinho artificial e ridículo. Pesca-turista de marca maior, moldado em “dois pesos” até para respirar. Sua irmã rica e decrépita – a tal da Calle Florida – manda lembranças.

Irritante mas deliciosa, como uma boa gringa nova em chinaredo alvissareiro.
































Terras Altas 2011 – Venado Tuerto à Buenos Aires

1 de junho de 2011

O trecho entre Venado Tuerto e Buenos Aires é cercado de belas paisagens. Álamos, abestos e uma infinidade de árvores diferentes ornamentam a via de ponta a ponta, fazendo da imagem uma cenografia do começo ao fim.

Desde o começo da viagem, encontramos cachorros em praticamente todos os postos de gasolina. Desta vez, uma peculiaridade: o “Três Piernas”, um perro atropelado que não tinha uma pata traseira.

A chegada em Buenos Aires, como era de se esperar, foi um pouco tumultuada por dois motivos: sexta-feira alvoroçada de final de semana e a maior cidade que entramos em toda a viagem. Encontramos uma estrada de 6 pistas de rolagem no mesmo sentido, com velocidades máximas de 140km/h. Pedágios rápidos, cabines exclusivas para o valor exato, portenhos nervosos nos volantes e uma garoa fina e gelada selaram a chegada com chave de ouro.

Fotos, para abrir o apetite:


















Terras Altas 2011 – Mendoza à Venado Tuerto

31 de maio de 2011

A viagem que atravessa a Argentina de Mendoza até Buenos Aires até pode ser feita em um único dia, pois é coisade mil e poucos quilômetros. Mas a paisagem, as cidades no caminho e toda a cultura que cerca esse trecho merece dois ou três dias na região.

Paramos em Venado Tuerto, uma cidade diferente na região de Santa Fé. Era para ser apenas uma parada de trânsito, daquelas em que a cidade fica apenas como relato de passagem, mas o clima de cidade antiga, a população incrivelmente simples e feliz e a praça central com praticamente toda a cidade passeando por lá foi espetacular. Eu não via um clima assim há muito tempo. A sensação de paz e liberdade naqueles bancos, com os argentinos conversando, interagindo, brincando com crianças e perros, jovens e adultos mateando fez daquela tarde um dos melhores dias da viagem.

Algumas fotos do caminho e da cidade:























Terras Altas 2011 – Mendoza

28 de maio de 2011

Depois de mais de 5500km rodados, vimos o primeiro acidente de trânsito na estrada. Foram quase 17 dias sem problemas algum, nem em cidades, tão pouco em estradas. Descobrimos que o trânsito aqui na Argentina e no Chile é levado mais a sério do que no Brasil.

O problema é quando um desses carros sucatões (que eu vejo todos os dias nas ruas) batem em outros carros mais novos: o estrago é tão grande e feio que não tem como descrever. Isso foi o acidente que presenciamos: um engavetamento de carros velhos, novos e caminhões.

Agora, Mendoza continua linda. Os argentinos reclamam que ela fica melancólica e sem graça.  Mas é no inverno que a essência da cidade se mostra mais perfeita.

Os vinhos continuam bons. As vinícolas, quase chegando ao milheiro, fomentam um turismo etílico impressionante, onde o cidadão ébrio é desapercebido em uma cultura enóloga marcante. Como Juan, nosso sommelier de plantão nos confidenciou, “mejor ser un borracho conocido que alcohólico anónimo”.

Almuerzo grã-fino em uma vinícola. Sempre é bom dar um chute na garça uma vez por viagem, e o escolhido foi o velho conhecido de outrora Bourgogne do amigo Carlos Pulenta. Menu completo com uma degustação do plantel local.

Fotos, como sempre, sem legendas e sem explicações, porque explicado está:































Terras Altas 2011 – Santiago à Mendoza

27 de maio de 2011

O trecho do paso internacional que liga o Chile com a Argentina, pela RA-7 é um velho conhecido. Já passeei por ali antes, e rever algumas paisagens andinas nunca é a mesma coisa.

As travessias andinas são caracterizadas justamente por essa imprecisão meteorológica e temperamental que as montanhas exercem na estrada. As cruzes no meio do caminho, os carros estragados e a imensidão de cada vale que passam beliscando o pneu do carro é uma prova de que nada, ali, é muito simples.

Fizemos o desembaraço fronteiriço normal entre o Chile e a Argentina, e com menos de quarenta minutos conseguimos rodar novamente, passando pelo Aconcágua, cemitério dos andinistas e todas as atrações que o trecho reserva.

Apesar dos 365km da pernada, chegamos ao anoitecer em Mendoza.

Justamente porque é uma das melhores estradas que eu já passei.