MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

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The kitten in the hat.

3 de agosto de 2011

Hélio Pellegrino

21 de junho de 2011

Hélio Pellegrino era um cara famoso pela militância errática de esquerda pura e principalmente por ser amigo de infância de Fernando Sabino. Encostou-se na proximidade de Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Nélson Rodrigues. Passou o rodo em Lya Luft.

E escreveu uma definição interessante daquilo que te atormenta:

O demônio é pura força fanática, desarticulada de seu contrapeso erótico. A pura morte é dilaceramento, desagregação da matéria. A morte disjunta, desfaz, atomiza – corrompe o rosto do mundo. Nessa linha, a capacidade do demônio é insuperável. Ele preside, alegremente, à fissão nuclear. Ao demônio é impossível unir o que quer que seja, pois lhe falta bondade. Ele funda o lugar da máxima mentira. A verdade é relação, enredamento, tecido de pertinências que se entretecem. O demônio está condenado, por toda a eternidade, a não ter relação com quem quer que seja. É incuravelmente burro porque é ausência absoluta de amor. Todo ato de bondade se comunica, se distribui, irriga a carnadura do real. Se a vida ainda existe é porque a virtude prevalece, como inteligência ordenadora, contra o desmembramento de tudo.

É preciso contar com a força das coisas simples. A cada manhã presencio o milagre da água que jorra, – prestativa, clara, generosa, modesta, – da torneira. Para que isto aconteça, é preciso que muita gente trabalhe, muitos gestos se somem, muitos músculos se articulem, desde a nascente da água até o metal da torneira de onde ela jorra, para desespero impotente do demônio – incapaz de anular a bondade que a faz jorrar. Deus está ao lado do povo oprimido. O resto, a torneira matinal, com sua cega paciência, se encarregará de lavar.

O comedor de pepinos.

17 de junho de 2011

Magro, cenhos franzidos e dedões ossudos como uma pederneira de pistola pirática, Humberto era uma ossadinha branquela e desnutrida que perambulava pelos cantos de uma repartição pública cafifenta em um prédio público decadente dos anos 60.

Auxiliar de serviços gerais — e xerocador — orgulho de sua familia de vendedores e mascates. “Betinho é servidor do serviço público, olha só” e assim ele sustentava sua audácia pela familiagem toda. Problema é que seu ordenado residual era porco demais para sustentar qualquer mentira mais papeloenta. Não podia se dar luxos. Carro era transporte público, chave-canivete era o cartão do vale-transporte. Cinema? Em casa, com filmes comprados no camelô, que filmou no cinema qualquer. Jantar fora? Quintal.

Aliás, o parasimpático Betinho era avesso à alimentação saudável. Contraiu o mal do vegetarianismo ainda 0cedo, e assim restringiu-se a poucas frutas e verduras para o sustento diário. A razão, ninguém sabia, óbvia: carne era ítem fora do ordenado mercantil.

Dessa mesquinhez nutricional Betinho sofreu: atacou-lhe a anemia, sua pleura fraquejou, a pele — elástica como a de uma bribinha — era branqueada e fria. Olhos fundos e avessados por olheiras cheias de cafiaspirinas mordulentas que amainavam sua dor-de-cabeça constante.

Betinho parecia um velho ranzinza, mas sua juventude aturdida escondia apenas poucos quarenta anos.

Morreu, sabia?

Enveneado, olha só. E por cianureto, aquele veneno bonito das estórias do Sheldon e da Agatha. Cianeto de Potássio. Descobriram ele desfalecido da língua roxa e então investigaram que não morreu de morte morrida, e sim matado. A família quase bailou com esse entrevero todo e o velório foi atacação e chororô.

Niguém sabia ao certo quem poderia ter feito tal desfeita com Betinho. ele era um cara tão ruéla e fracassado que não havia razão singela de aniquilar o bocó. Mulher não tinha. Família era mais alçada no sucesso e prosperidade do que ele jamais sonhara.

A história esfriou, todo mundo acabou seguindo a vida e Betinho foi sumindo nas lembranças poucas que ainda, vez ou outra alguém atiçava no brasil de lenha leve.

O que ninguém suspeitou foi na dieta falha de Betinho, o vegetariano murrinha. Ele comia pepinos e maçãs. Mas das maçãs ele debulhava até as sementes.

E, no final das contas, ninguém estava nem aí que semente de maçã é um demoniozinho cianético, carregado do veneno da baba do cão, ali, a milímetros da sua boca.

Comer as sementes, todo dia, aos pouquinhos, o fez sucumbir sem nem dar um tchau para a Cidinha, a moçoila do facsímile que ele gostava. E assim a seleção natural dos carnívoros prosperou em cima de um aficcionado por insistir que vacas e frangos tinham almas.

A realidade atracada em uma galheta qualquer.

15 de junho de 2011

Depois dessa expedição — que lotou o blog com um recheio bávaro de embutidos — percebi coisas fenomenais que me fizeram mudar alguns conceitos de como eu estava vivendo em um plasma suspenso e não sabia.

A começar pela fotografia, o meu motor de curiosidade diário e a melhor coisa que descobri fazer como passatempo. Uma câmera boa faz a diferença. Agora, uma lente prime te faz mudar todo e qualquer conceito do que era a fotografia com um material bunda e o que o potencial de imagem pode exercer quando há capacitação técnica para tal.

Foi uma malacostumação catastrófica andar com uma 70-200 durante 30 dias. A abstinência hoje dói em toda a minha ossada.

Mas o meu celular tem 8 megapixels para isso. Então suprimos essa deficiência com a resignância.

Outra coisa deliciosa dessa viagem: fazia muito tempo que eu não viajava com meus pais. Eles mudaram muito: não são mais os administradores e roteadores das férias escolares de outrora, e sim parceiros colaborativos de uma expedição internacional. 30 dias inesquecíveis que eu não imaginava recordar como era bom conviver com a família em lugares inéditos.

A turistaiada brasileira me envergonha.

Ô povo chato que é o brasileiro em terras estrangeiras. Você percebe claramente a praga de gafanhotos chegando. Desde os externalismos óbvios de camisetas da seleção e bandeiras/bandanas brasileiras, ao apapagaiado gritar farofeiro típico.

O brasileiro não se esforça para tentar se aculturar no inexplorável. Azeita-se no idioma e nos costumes. E, é óbvio, não é polido e educado. Deixam o “Obrigado” e o “Por Favor” em casa.

Chilenos são mais educados e ríspidos com direitos e rotinas do que argentinos. Argentinos, por sua vez, são mais calorosos e amáveis quando se precisa de ajuda ou favores.

Uruguaios falam português, escutam MPB e estão mesclados na sintonia brasileira, então fica uma coisa meio estranha.

Argentina e Chile têm cachorros de rua educados e bacanas. Não são feios, te acompanham se você pedir e até fazem brincadeiras inteligentes. E esses países têm carros velhos. Que dividem as ruas com super-máquinas européias. Vai entender.

Voltar ao Brasil foi estranho. Eu estava acostumando com o castelhano. Sempre gostei de Buenos Aires, mesmo nesse jeitão gaiata de ser. O retorno pelo Rio Grande do Sul foi, de certa forma, adentrar em um quarto país inesperado, mesmo porque a gauchada da República Juliana Rio-Grandense continua meio alheia ao resto do Brasil.

Agora falta apenas vender umas coisas, se desfazer de outras, encerrar meia dúzia de contas e apagar as luzes.

O Brasil está se tornando uma lembrança boa sem eu nem ter me despedido ainda.

Mas 60 dias é pouco tempo para quem quer fazer tudo o que não fez em 10 anos.

Terras Altas 2011 – Araranguá à Curitiba

14 de junho de 2011

Último dia da viagem, últimos quilômetros para rodar. O trecho é um velho conhecido, rodovia quase inteira duplicada e sem o fantasma do perigo que já foi um dia.

Saímos tarde do hotel, como um prenúncio de que o tempo era uma coisa irrefreável. A viagem foi quieta e tranquila, paramos no restaurante preferido para almoçar, em meia-praia. Logo mais, a última vista do oceano para então apertar o pé na subida da serra.

Cruzamos por um acidente horrível no meio da serra, na fatídica curva da santa. Um caminhão carregado com Álcool tombou e explodiu, fazendo uma bagunça boa no fluxo contrário da estrada.

Chegamos à noite em Curitiba. Descarregamos o carro, tomamos um banho, deitamos na cama e, depois de 14 hotéis diferentes, dormimos em casa.







Terras Altas 2011 – Rio Grande à Araranguá

14 de junho de 2011

A saída de Rio Grande poderia ser feita por dois caminhos: a rota tradicional por Pelotas e depois a BR-116, margeando por dentro a lagoa dos Patos ou então um caminho não muito usual, teoricamente mais lúdico, que basicamente era atravessar de balsa a entrada do molhe, chegar em São José do Norte e então rumar pela RST-101 / BR-101 até Osório, seguindo sempre pela banda direita da lagoa, teoricamente uma viagem mais interessante.

Resolvemos seguir pela balsa. O primeiro impecilho era, obviamente o horario de saída da desgraça: 07h da manhã. Mas não era só isso: a balsa tinha capacidade máxima de carros pequena, fazia o percurso uma única vez e tinha fila para atravessar. Então a recomendação era chegar mais cedo para pegar lugar na fila.

Lá fomos nós madrugar e seguir rumo a São José do Norte. O amanhecer gelado na balsa foi bonito, a luz demorou aparecer e as fotos granularam mas conseguiram se safar.

Um camioneiro alertou a gente: quase 30km de buraqueiras. Previsão acertada, buracos gigantes e estrada em estado deplorável.

E o visual, no final das contas não foi muito diferente do que teria sido pela BR-116.

Para descontar o trecho, resolvemos passear um pouco por Torres, uma das primeiras praias do Rio Grande do Sul e quase na fronteira com Santa Catarina.

A chegada da pernada era em Araranguá, Santa Catarina. Mais precisamente no Morro dos Conventos, uma praia cercada de dunas e falésias, parte da minha história de veraneio quando criança. Foi bom reencontrar a praia 20 anos depois, é como tudo mudou.























Los Géiseres del Tatio

13 de junho de 2011

O vídeo do Beija-flor

13 de junho de 2011

Vídeo feito com uma câmera fotográfica reflex digital, um tripé e a casa da avó. E assim, a cultura dos curtas começa a mostrar os dentes.