MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

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Suricata do terno Humphrey Holtz

22 de outubro de 2007

O suricata de Humphrey Holtz
O Suricata (Suricata suricatta) é esguio demais para o Costume de Cambraia Oxford. A gola fica frouxa mesmo com o Windsor na gravata apertada. A barba é mal-feita e serronada. Tem um cabelo pouco e desgrenhado em cima da cabeça que é frouxa e quadrangular. Usa uns óculos de aros finos do mesmo formato do esfenóide.

Olha rapidamente pros dois lados e atravessa a esplanada ligeiro, com os passinhos apertados e segurando a gravata com a mão. A gáspea do sapato empoeirece no primeiro quarto de passadas, avermelhando todo o conjunto, com um talco de terra que não vê chuva.

O corpo é frágil: se um carro pegasse, partiria ao meio. Entra na repartição surgindo e desaparecendo constantemente, nunca pára. Fala pouco mas gesticula muito. É medroso. Almoça marmitas de três pilas, vendida na porta do anexo.

Embaixo do altar, presumo eu.

18 de outubro de 2007

yeap!

Álbum: fotogramacro

18 de outubro de 2007

A vida em uma florada de butiás, uma pequenina palmeira (Butia Capitata) de frutos amarelados.

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Rafting em Tibagi – 2003

10 de outubro de 2007

rafting-tibagi.jpg

A Telefunken dos olhos amendoados

10 de outubro de 2007

Eu preciso de um pouquinho de paciência. Da sua paciência, para ser bem exato. Preciso que você se acomode, relaxe e se acostume. Sossegue sua alma, sua busca frenética por algo que nem você sabe direito o que é.

Aliene-se.

Quero que você aceite essa bela reprentação de época, bem em seu focinho.

Com a prática tudo fica mais fácil: aceitar a não-ficção da realidade bestial? Pôxa vida, que tranquilidade! Seus pais jamais reclamaram quando o cinzento dos antigos televisores imperava; estavam maravilhados demais com o que tinham, jamais julgavam possível um arco-íris eletrônico.

Agora as caixetas plásmicas teimam em capturar as paisagens, pintam com pincéizinhos colorizantes e embrulham em diversificadas estações para um belo motivo: acalmar você, que, por obséquio, deveria estar acomodado lá na poltrona do papai, semi-babante.

Acalme-se. Acabe por se iludir e considere que essa atual sofisticação de revolução visual como sua própria realidade fielmente transportada.

Ao menos esta convicção fará com que você interrompa este intrépido viver e deixe intacto um bom pedaço de mundo para os que colhem a realidade com retinas de carne. Leve as plásticas flores artificiais achando que colheu genuínos jasmins do campo, perfumados, perfeitos.

Mesmo porque cada flor real colhida do nosso jardim secreto, cheiroso e verdadeiro é um televisor a mais no mundo.

Desligado, é claro.

Piccola Apuglia

8 de outubro de 2007

Piccola Apuglia

Cuidado ao criar alter-egos

6 de outubro de 2007

Etelvino criou um alter-ego louco. O personagem é metade do que já foi — seja lá o que tenha sido — e que, no final das contas, não era muita coisa. O novo-alter se intitula franzino e se projeta como um homúnculo, com um coração do tamanho de uma semente de pau-mulato e dois rins de feijão carioquinha. Esse alter-homenzinho veste um terno Allain Brenauldt todo abrancalhado e com um vistoso lenço vermelho no bolso. Gravata de um grená de flandres e ornado de flores-de-liz em fio de penteado dissonante. O personagem-ego atribui sua miséria e desgraça existencial ao estranho fato de ter nascido num dia primo de um mês ímpar em um longíquo ano bissexto secular.

O avatar tem umas duas ou três músicas que repete obsessivamente na memória, e mesmo assim, só alguns trechos. Ele também tem pensamentos paranóides mas não os assume nem fodendo. Está na fina linha entre F:2.8 e F:22. O personagem-aquém anda se misturando com gente má. E Etelvino nem se dá conta.

Esse alter-dominante acorda pela manhã já pensando na noite, em duas hipotéticas verves: um, na hora em que vai voltar pra casa e dormir ou, dois, nas vagabundas do bar, que insistem em rejeitar suas propostas de sexo porco.

A infelicidade tragicômica é que Etelvino pensa que sabe o que está acontecendo, ou melhor, tem certeza.

E todos os outros-egos alter-rejeitados outrora se dão conta de uma infeliz coincidência: a cada alter-criado, um perfeito-ego mais forte e preciso domina o oco Etelvino.

A poesia do clique

4 de outubro de 2007

Dr. Ralph Spegel, M.S.C., emérito surrupião alvino, em artigo publicado na edição de Setembro de 2007 do periódico científico cibernético Divergentes Fronteiras Virtuais foi bem elucidativo ao enumerar as estratégias dos blogs legíveis em duas belíssimas categorias:

  • Os blogs com posts muito curtos, que não entediem o leitor, ávido por percorrer várias outras páginas, adepto da leitura frenética, acólito do culto à barra de rolagem, compulsivo da rodinha scroller-mouseana, investigando tópicos e os tomando como síntese da informação completa. Entregue-os o que melhor apetece à suas pressas: a velocidade da absorção visual é a síncope do escorreito saber.
  • Os Blogs com posts enormes, épicos em que, após um minuto de cronómetro analógico, não se consegue chegar ao final do post esfregando o mouse no paninho. Tal grupo de leitores não é adepto da compreensão absoluta, mas sim fragmentada, assim mesmo não pulando, lendo o texto por completo, sintetizando palavras, sorvendo conceitos, elucidando abnegações e disparidades, em um lúgubre exercício de desconcetração até o exato ponto em que as palavras lidas tanto-fez-como-tanto-faz e ele se joga num devaneio ébrio absorto. Ás vezes se cansam — é verdade — e saltam para uma outra página qualquer. Alguns clicam no “Continue lendo” e varam de onde pararam, para cima ou para baixo, não importa a ordem.