MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

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A reforma da igreja na Inglaterra atual.

12 de setembro de 2011

Eu não sei como está a fé inglesa, mas pelo que percebi andando pelas redondezas de Londres, a coisa está feia para padres e pastores.

Muitas igrejas estão à venda. Sim, placas e mais placas de vendas em pátios de casas religiosas abandonadas. E olha que são prédios suntuosos, vitorianos, com mais de 200 anos de idade. O pessoal compra e converte esses grandes espaços em alguns apartamentos geniosos. Já vi alguns para alugar e garanto que os grandiosos e antigos vitrais ficam muito bem alocados em uma sala de estar.

Essa igreja vitoriana perto da minha casa virou uma editora e gráfica.

A fé aqui estagnou de uma maneira impressionante. Alguns países nórdicos e extremamente desenvolvidos já deram esse sinal agnóstico de pouca religião, mas da Inglaterra eu não esperava tanta falta de fiéis.

Como bem disse Paulo na segunda carta aos Coríntios, a letra mata e o espírito vivifica. E quanto mais letrado esse povo fica, mais a religião sucumbe às imobiliárias carniceiras.

E é lógico que eu não pensaria duas vezes em comprar uma igreja.

Essa igreja aí em cima é de 1866, estilo vitoriano, devota da St. Mary’s. Ela é toda construída com pedras da colina que deu nome à região: Ankerdine. Foi vendida por £366.000, convertida em residência com 7 quartos e 3 banheiros.

The Dreadnought acoustic guitar.

8 de setembro de 2011


Brighton, East Sussex – UK.

4 de setembro de 2011

Brighton talvez seja a praia mais perto de Londres, o que faz com que a visitação de farofeiros seja alta no verão. A praia é composta por pedras em vez de areia, o que deixa a água incrivelmente transparente e esverdeada. Essas fotos foram feitas apenas com meio dia de pernadas pela cidade. E só nos pontos pega-doido:

O unusual cotidiano londrino.

3 de setembro de 2011

A vida londrina é muito interessante. Descobri que, diferente dos locutores da BBC, o povo aqui come algumas letras das palavras. No metrô por exemplo, Leicester Square pronuncia-se algo como ‘leissstquér‘. O escocês fala ‘Rrúud‘ para road e por aí vai. Esse é o charme de tentar aprender essas nuances locais.

Mas vamos ao que interessa: o cotidiano. Café da manhã com crumpets, umas panquecas gordas e pequenas, deliciosas, pricipalmente com Marmite por cima.  Esse papo de que inglês come mal pra caramba é a maior decepção que me fofocaram. A alimentação aqui é foda demais. Tudo que você imaginar que exista em algum lugar do mundo, você encontra seguramente por aqui. Só come mal quem quer.

Essa é para os viciados em carros: imagine que, com um salário-pobreza de uns £3000 (o que qualquer profissional brasileiro peso-meio-medio recebe) consegue-se comprar qualquer marca de carro que você sempre sonhou. Um Porsche 911? Coisa de £10.000 (pouco mais do que três salarios seus). Ferrari você encontra umas Dino GT4 por menos de £20.000. Aston Martin DB? Mais caro, porque é mais novo: £32.000. Agora BMW, Audi, Mercedes, e qualquer outra coisa de mais de R$50.000 aí no Brasil você encontra aqui por £5.000. É, CINCO MIL. Durma com isso.

Minha câmera (ih lá vem ele de novo com esse papo) fudeu de vez. Então estou em um período sabático da fotografia, onde só registro merdaiada com celular. Nada de mais e sem truques. Estou juntando umas patacas para um auto-presente óptico prime L. Aguardem.

Fotos, como sempre, para mostrar o que acho por aqui:

Um Cooper antigão. O povo aqui gosta muito e cuida dessas tranqueiras.

Boarding tipografado pela minha irmã. Letra foda de família.

Nave principal do Museu de História Natural e um esqueleto de dinossauro.

Torre do Museu de História Natural. A gente encontrou a Lucy original, aquela macaca gnoma que o povo fala que é nossa ancestral.

O homem espera o trem com um ramalhete de flores vermelhas em uma estação de trem ao sul de Londres. A maioria das pessoas preferem os trens de superfície por serem baratos, rápidos, confortáveis e com uma vista bacana do trajeto, ao contrario do metrô. Ah, o povo aqui compra muita flor. E sempre sorri.

Pôr-do-sol às 20h no parque Brokewell. O céu britânico no verão é de um azul surpreendente. E o sol realmente é aquela piadinha de que é igual luz de geladeira: ilumina mas não esquenta.

Isso aí é um Smart preto com detalhes laranjas. E essa entre o retrovisor e a lataria é uma teia de aranha. Tem gente por aqui que não está muito aí com o carro. Igual uma Ferrari Scaglietti com umas cagadas de pássaro na lata, que vi hoje.

Uma BMW 328i por £2200. Preço de chevettão.

Lápis-baqueta. Aham, HB#2 com grafitão, para fazer um pagode na hora do sketche.

Esse tá caro, mas é um bolachão do MJ Thriller 25 anos,
com a capa impressa no próprio vinil.

Seção roque-paulera da HMV, a loja que é a dona daquele cão que escuta gramofone.

Chinatown sempre lotada, com umas lanternas decorativas pra gringo ver. E eu não tinha visto essa véia bocejando na foto.

TV de chinês: pataiada defumada na vitrine, esperando para ser fatiada e devorada.

As fotos que eu não tirei são as minhas melhores

15 de agosto de 2011

A vida é basicamente composta de dois tipos de pessoas: as viciadas e as que viciam. Eu sou o viciado. E o Mitarai San, inventor da Canon, é o meu traficante de drogas pesadas.

Maldito foi o dia em que meti as mãos em uma câmera fotográfica que preste. Isso é coisa que tinha que ser restrita apenas para profissionais e gente muito rica. Como andar de Ferrari em Mônaco. Ou você é profissional ou caga dinheiro. Simples assim.

Então este sou eu, depois de dois meses com uma câmera profissional em mãos, agora tirando fotos de celular. É de cair o cu da bunda a sensação de abstinência que uma coisa assim faz.

Principalmente aqui em Londres. A vontade de retratar essa viagem definha no momento em que eu levanto o telefone e não sinto mais aqueles 2,5kg de equipamento fotográfico bruto saindo da inércia. Os comandos se reduziram drasticamente a: HDR control, flash on/off e “take a picture”. E aí eu vejo cada coisa doida, como um pintor de placas velhas, um camarada que anda pelas ruas com uma caixinha de tintas retocando as letras pretas e vermelhas das placas com o nome das ruas. A foto era para ser fantástica com um controle de profundidade de campo adequado, baixa velocidade no crepúsculo e até o ciclista passeando em segundo plano.

Deu nessa coisa assindética abaixo:

A vida é toda cheia desses tapões de luva de pelica na cara. Talvez seja apenas para inferir exatamente onde cada limite deve se exteriorizar.

Mas depois que eu conheci a Jessops e a Jacobs, realmente pecebi o que o crápula do Mitarai me preparou para afundar de vez nesse poço fétido da fotografia.

A vida nada comum pelas redondezas

13 de agosto de 2011

Eu moro novamente em um endereço de nome poético, pequeno e funcional: algo como Rua da Meia Lua, 22. Como meu amigo Dennis D. falou uma vez, Brasília eu não poderia ser levado a sério morando na Asa Setentrional Cúbica Norte, Vetor C, Vórtice 312 – Quadrante 18a.

A vida em Londres é complicada. O transporte público funciona de uma maneira tal que, toda aquela saudade de ter um carro foi água abaixo em apenas uma semana de vida cotidiana aqui. Na verdade foi e voltou, a partir do momento em que você descobre que uma Land Disco 4 aqui custa 22 contos.

As mulheres são feias, disseram para mim antes de vir. Ah, vá para a merda! Há inglesas lindas saracoteando por aqui. E desesperadas por homens. Nem precisam ser os gentleman of westenminster. Sendo hétero já vira jogo.

Ao lado aqui de casa tem o quê? Um pub. A cultura de frequentar bares era uma coisa que eu não praticava mais. Tudo era muito caro, os garções sempre queriam me roubar em um ou dois canecos, o petisco era caro pra cacete e whisky era uma facada no ego. Já tentou tomar uma weiss, dessas da bohemia mesmo, em um bar? R$15 se você tiver sorte. Então a gente foi no pub. Desde a hora do almoço até a hora em que a gataiada fica parda tem gente por lá. Não é gente estranha nem os bêbedos pedantes de sempre. É diferente.

Bebemos uma pint de weiss, comemos um fish’n'chips de hadoque e gastamos £9 por tudo. E, como quem converte não se diverte, seria algo como você gastar R$9 em um chopp de trigo de 500ml e um prato de peixe frito com fritas. Incluindo a gorjeta.

Andar por ruas e becos de 1800 e lá vai bolinha é uma sensação indescritível por essas redondezas onde estou. A sensação de estar em um lugar diferente é quase nula e isso me assusta, mesmo porque não sei se a ficha não caiu ainda e vai bater o desespero ou se, na verdade, eu não estou nem aí para mudanças. Acredito na segunda.

Saudade? Dos amigos e família. Mais nada. E isso é foda, porque parece que eu sou um nariz empinado ou sei lá o que, mas essa é a verdade. Essa mudança lembrou quando eu migrei de Curitiba para Brasília e a sensação foi a mesma. Vai ver que sou o cara do coração de dianteiro com osso.

Era para eu já ter saudades da picanha, mandioca, paçoca, rapadura e guaraná. Mas com a diversidade impressionante de tudo que tem aqui no mercadinho da esquina, acho que vai levar bem uns 5 ou 10 anos para eu experimentar todos os tipos de  comidas que tem naquelas prateleiras. Frutas, inclusive.

Os parques são gigantes e pertos. Os ciclistas, muitos. As pessoas realmente pedem desculpa por qualquer coisa (mesmo que a culpa não seja delas), a TV a cabo é engraçada, a telefonia móvel é ridiculamente barata e com dados infinitos.

No mais a vida aqui parece muito mais tranquila do que pintaram. Vamos ver se continua essa maravilha, porque até agora eu estou impressionado e isso não é o meu normal.

É hoje!

8 de agosto de 2011

Malas prontas, tudo separado e o mundo lá fora só na espreita da movimentação errônea.

Inglaterra com xenofobisses e protestos, fresquinha para nos receber de braços cruzados.

Já estamos naquela faixa de aceleração que não existe mais volta. E assim fechamos o DX  de longa com um bom reco-reco nas costelas e um 73/51 repleto de emoções.

Obrigado a todos que nos suportaram e ajudaram nesta transição fenomenal; Obrigado aos que apoiaram e aos que criticaram: o peso das opiniões, conselhos e dicas foi edificante;

A partir de amanhã transmitiremos este periódico diretamente dos trópicos mais árticos do mundo.

g’Day!

 

40 dias sem postar, elaiá.

4 de agosto de 2011

Pois é, mais de um mês sem dar as caras nessa vassalagem sem igual. Topicarei, para assim dar uma visão clara do que a ponte está sofrendo:

  • Vendi quase tudo o que eu tinha acrabunhado em casa. Fizemos um garage sales e um site bacana onde conseguimos vender coisas inimágináveis e impressionantes. A decepção, é claro, ficou com os livros: pouquíssimos fariseus os compraram, o que, segundo nosso vox populi empírico relatou, mostra que o brasileiro é um cagado literal.
  • Ítens entregues, um a um. Vislumbrar o desapego de um produto, livro, dvd ou peça de roupa e sua história em nosso meio foi, afinal de contas, uma escola para a vida.
  • Hoje tenho, por incrível que pareça, um computador, um telefone, uma mala de 32kg e muito dinheiro embaixo do colchão. Mais nada.
  • Segunda-feira é o dia zer0.
  • Saudade do que?
  • Descobri que gosto de dirigir.
  • E, tarde demais, achei meu cartão da Claro Clube. No meio da mudança, é claro.
  • Google Agenda ligado para gerenciar as promessas de gente que diz que reservará R$160 por mês para me visitar na gringa em um ano. Acredito piamente.
  • Sábado; casamento.
  • Domingo? Churrascão do chororô.
  • Segundo o doido venal da familia: vocês serão as pessoas que vestirão preto na Inglaterra? Entenda a professia como quiser.
  • Não sei qualé a maré de sorte, mas todos meus cancelamentos de contas, produtos, equipamentos, aluguéres, serviços e qualquer outra coisa que requeira um zero oitocentas foi indescritivelmente rápido e indolor.

No mais, amiguinho, Esse blog continuará a mesma sopa química virtuosa que sempre foi, mesmo porque escrever blogs em inglês em um domínio .com.br é coisa de retardado mental.

Daqui uns dias remeto telegrafias d’álem mar. É só o tempo de eu descobrir como se falar internet wifi em inglês.