Mariposa stol quase nas boas para iniciar o push back no JK.
Igual esse blog: acha que é o que nem percebe ser.
(Foto de celular, modo macro ligado e dia nublado lá fora.)
Mariposa stol quase nas boas para iniciar o push back no JK.
Igual esse blog: acha que é o que nem percebe ser.
(Foto de celular, modo macro ligado e dia nublado lá fora.)
Esse post é ilustrado por um cotidiano fora do normal captado pelas lentes wide do meu celular. Vamos ao dia-a-dia:
Neste dia eu estava de bem com a vida e tranquilo. Essa Variant bege, toda original, com os faróizinhos parecidos com o do Zé do Caixão, estava tentando entrar na minha faixa há uns 10 carros lá na frente. Na minha vez, eu deixei. Para a minha surpresa, era um mulher padrão-modelo, magrela mas encorpada, pescoço fino e esguio e queixão milimetricamente aprumado com as proporções heróicas que uma mulher tem que ter para ser bonita. E ainda com rabo-de-cavalo.
A machaiada deve ter se constrangido com a sutileza do carro ao passar xingando a frutuosa mulher.
Tem vezes que a gente acerta em cheio. Ou caga de vez.
O palhaço amarrado pelas mãos e atarracado pelo pescoço por uma cordinha branca. Flagrado nas cercanias de Taguatinga, a terra da beleza beligerática.
Aniversário dos Kamikases, um dos maiores e mais famosos Moto Clubes de Brasília. Como todos bons arruaceiros, suas motos, coletes e capacetes são ornados com a mais fina decoração capetística, como chifres, caveiras, couro cru e espetagens.
Esta foto ficou legal porque é um POV de um triciclo com um monte de ícone em segundo plano para desconstruir.
Este quadro está exposto em um famoso restaurante Good Tucker Down Under tipicamente australiano. A reprodução da pintura (Sidney Nolan, Death of Constable Scanlon, 1946) homenageia aquele irlandês pavio-curto chamado Ned Kelly. Um camarada que reinventou a armadura. E matou um monte de brigadiano.
A questão é que eu achei que o quadro estava de cabeça para baixo. Olhando atentamente para as árvores, o céu e tudo mais, descobri que esse quadro é uma homenagem ao bandidão que pendurava pelas pernas os policiais malvados.
Fazendo uma projeção visual eletrônica, onde foram empregadas as mais difíceis e complexas formas de simulação de restruturação visual, rotacionei a imagem abaixo para vocês imaginarem a posição certa:
É interessante conhecer a cultura antes de repercutir o classissismo.
Aí você diz: “Ah, babaca pra caraio isso.” Mas googleie pra você ver. No final das contas não é a remada contrária que faz o turbilhão, e sim a cauda monga que te abana.
Essas duas fotos aí são de um espólio de imagens herdadas de uma antiga câmera digital Casio QV-10, de 1996. A câmera tinha resolução de 320×240 pixels, ou 76kilopixels em um CMOS 1:1. Ou seja: as fotos estão no tamanho original de arquivo.
Apesar do tamanho pequeno, contava com três recursos incríveis: visor lcd colorido na parte de trás da câmera, com liveview, lente macro que era baixada manualmente na frente da lente original e foco manual opcional.
O preço, lá fora, era algo surreal: $1000.
Tinha algumas coisas inúteis que toda Casio herdou, como a lente que girava no corpo da câmera. A comunicação com o computador era porta serial e o download das imagens se dava unicamente por software proprietário.
Cadeira em close com a lente macro baixada.
Captação de luz e sombra adequada.
Fotografar é colocar
na mesma linha de mira
a cabeça, o olho e o coração
— Henri Cartier-Bresson
Eu tento acompanhar a evolução digital fotográfica desde 1996, quando conheci a primeira câmera digital da Kodak, uma DC40 de 250kilopixels. Algo como ¼ megapixels, o que significa uma imagem de 756×504. Um equipamento de $999 que perdia feio para um scanner qualquer de R$200.
Mas era interessante saber que o filme estaria morto em pouco mais de 4 anos.
A questão é que a fotografia nunca foi tão explorada como no começo deste novo século. A digital conseguiu forçar qualquer forma de elitização de processos lentos para o imediatismo do cabo lógico. E arrebanhou milhões de novos clicadores inveterados. Basicamente passou de um ritual mecânico, químico, transformático e lento para um simples processo físico-digital instantâneo.
A evolução pegou pesado nas bolas dos fotógrafos clássicos e isso foi um tapa de luva de pelica no brio póstumo de grandes clicadores. Conheci muita gente que tinha na fotografia um dogma religioso e performático muito sério. E que acabou sucumbindo ao marasmo da cultura diluída em novos entusiastas virtuais massivos.
E a fotografia era uma arte?
Era.
Quando todo o processo de produção, raciocínio e montagem da fotografia abrangia muito mais técnica e controle do resultado final de uma única imagem, poderíamos dizer que era arte. Mesmo porque todo o resultado só poderia ser visto um ou dois dias depois.
Hoje não sei se é.
Aprende-se a fotografar com o método mais burro e penoso que existe: tentativa e erro. Abertura focal, diafragmas, profundidade de campo, ‘bokeh’ (boqueta demais), dof e granulação são coisas paranormais em um equipamento na mão de quem não tem idéia de como essa mecânica toda funciona. É uma burrice preguiçosa, por assim dizer. Existem milhares de livros, tutoriais e videos explicando tudo sobre o todo.
Mecânica e fisica, meu amigo. Por que você acha que existe aquele mito dos 150 mil cliques que matam uma reflex digital?
Então em uma saída de safári fotográfico, lá vão os ‘autodidatas patetas’ com suas digitais poderosas clicando tudo e todos, sem muito pensar. O estalar do espelho em conjunto do burst e da pluralidade de máquinas gera um som hipnótico. Das 983 imagens clicadas, 32 ficaram excelentes, 8 sensacionais e 2 concentuais e perfeitas.
Valeu?
Sinceramente eu não sei. Regra dos terços, enquadramento e composição, pensamento e imaginação acabam sendo engolidos pelo imediatismo da vomitação visual. Fica uma sensação de que tudo poderia ter sido mais bonito e bem feito.
Vamos aos fatos:
A imagem abaixo é uma composição clássica de Salvador Dali com o fotógrafo Philippe Halsman. Tem até nome: Dali Atomicus. Apesar de parecer uma montagem das brabas, a fotografia teve um ensaio gigantesco, todo preparado com assistentes e precisão. Ah, jogaram os gatos, a água, os móveis, o Dali pulou e tudo mais.
Arte ou artesanato?
Existe uma briga grande entre artistas que é a dicotomia entre a arte e o artesanato. A mesma coisa é na fotografia. Uma imagem pode ser meramente clicada, reproduzida e ampliada quantas vezes quiser. O mesmo vale para uma produção em série de estatuetas do Mestre Vitalino. Seria arte? Ou simples artesanato de reprodução?
Esta outra imagem é um lightblur. Ali em cima da Câmara (bacia pra cima) tem um ponto amarelo maior, a lua cheia. Eu deixei essa foto muito exposta e na hora de tirar a câmera do tripé o obturador ainda estava aberto, dando esse efeito de riscos e pontilhados “sujando” a fotografia. Foi um acidente e o resultado ficou legal. O acaso é arte?
A fotografia só é arte porque tem a cultura abstrata por trás. Uma espécie de legado, meio que forçado. E só é artesanato porque o cotidiano suplica por novas idéias visuais fiéis a cada instante. Fotojornalismo, estúdio, ensaios, pornografia e conceitualização pessoal fazem parte da massa visual indigesta.
Elevar-se da massa clicadora é a chave para a arte. O resto é conversa para flickr.
Há 10 anos eu tinha um referencial obtuso do que era o sucesso.
Eu sabia que apenas dinheiro não referenciava nada. Mesmo porque qualquer babaca hoje em dia consegue encher o rabo de verdinhas.
A questão era meio controversa para mim, mas uma enumerada rápida te mostra o que era sucesso quando eu era um sonhador irreal:
Não consegui juntar 82% desse sucesso todo. E olha que, no fundo, esses desejos eram nada mais do que amizades com gente tradicional e abastada.
Conheci muita gente rica, aculturada e burra. Tradicionalismo é foda. Mas é uma virtude.
E a vida é injusta demais para quem apenas a vê passar.