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We´d be off gallivanting*.
19 de abril de 2011
Este é o primeiro dos milhares de novos posts sobre uma pequena mudança vivencial na minha vida. O texto é grande (precisa ser, é um desabafo) e se você tem preguiça de ler mais de três linhas, aperta Crtl+W que aparecerá um resumo de tudo na sua tela.
Resolvemos mudar de país. Como você já deve ter percebido pela imagem acima, nosso ponto-de-mira é o Reino Unido. Especificamente a Inglaterra.
Pensamos em algumas localidades interessantes como o Canadá francês, Alemanha, Islândia, Antuérpia, Seichelles, Austrália e até a Nova Zelândia. Mas por questões de praticidade, cultura, idioma, e até financeira, a Inglaterra do Sul foi a melhor pedida.
A vida aqui no Brasil estava muito boa. Incrivelmente calma, com empregos bons, salários fartos, amizades incríveis e muita coisa para fazer. Mas essa estabilidade e segurança toda estava me deixando louco. Minha vida sempre foi permeada por decisões estranhas e reviravoltas dantescas. Nunca consegui estabilizar a vida em mais de 5 anos.
Brasília estava batendo o recorde.
E olha que eu ainda não fui com a cara da cidade. Essa cidade é pra enlouquecer.
Já reclamei muito, pestanejei e tentei acertar um belo soco na ponta da bowie brasiliense, mas não deu certo. A questão que permeava minha vida estava justamente nisso: “Viraria eu um sacripantas do funcionalismo público?”
Claro que não, né. Minha vida é regrada em princípios que fazem uma fodelança homérica na minha vida. As prerrogativas que regem essa história toda são visceralizadas por idéias que nunca dão certo e por alguns pitacos de sorte e falta de juízo.
Olha como estava tudo arrumado: em dezembro do ano que se passou o plano era simples: comprar um Troller, um apartamento de 4 quartos simples e inventar um herdeirinho. Isso tudo supostamente significava enfiar uma raiz pivotante com tudo no solo brasiliense. E se redimir à desgraceira.
Janeiro deste e o plano estava todo mudado. Nada de apartamento, jipão diesel 4×4 nem criança. Aliás, nem nada mais aqui, apenas passar a régua e pedir a conta.
A decisão foi rápida. Claro que essa mudança para a gringa foi oficializada, com passaportagens, permesos, carimbos, chancelas e selinhos sineteados. Não sou retardado de ir ilegal, e nem tenho idade para tal idiotice.
Para foder tudo de vez, no dia da compra do one way ticket to ride descobri que passei em segundo lugar em um concurso público desses que te faz viver para sempre e aposentar da maneira mais porca e segura do mundo, sem pensar muito e o melhor: ter um gabinetezinho marrom mofento para sempre. A questão foi tão explicita que eu até achei graça: em uma mão, passagens para um país fedorento, frio e foggento; na outra, a mais bela e tranquila forma de envelhecer engravatadamente.
Claro que escolhi morar fora. Onde já se viu eu manear o sucesso assim, descaradamente?
Na verdade desde dezembro, quando meu carro foi para o reino-dos-céus-dos-carros-4×4 e todo aquele dinheiro que ele não valia pingou na minha conta, um fardo bom e grande de preocupações se esvaziou dos meus mensalismos. Claro que andar a pé (ônibus e metrô) em Brasília é uma merda, impossível e proibido. Mas a economia de algo em torno de R$1500 por mês é incrível. Economizando assim, ganhei outra vantagem: ando pra caralho a pé e frequento o reduto mais lazarento do mundo: o terminal rodoviário de Brasília (e Conic, por tabela). Meu convívio com gente feia, despenteada e fedorenta conseguiu atingir patamares impressionantes. E isso não é uma reclamação preconceituosa, veja bem: estou inserido na massa protéica de cidadãos passivos e inócuos. Um extremismo bipolar severo, uma vez que, de vez em quando, frequento casas de diplomatas, ministros, desembargadores e até deputados.
Colocando um pouco de lenha na fogueira, o Brasil está perdido, meu povo. Não existe esperança de melhorar em menos de 50, talvez 100 anos. E a culpa não é dos políticos, nem poder público: e da gente. Brasileiro é a raça mais filadaputa que existe e não tem como rebater isso. É um povo delicioso e feliz, festeiro e gostoso, igual não tem e isso eu defendo com unhas e dentes. Mas não somos sérios, honestos nem educados. Educados! Essa era a palavra.
Cultura e educação.
Eu tive algumas propostas realmente sérias e grandiosas de enriquecer aqui. Mas eram corruptivas e fantasmagóricas. Golpes pestilentos que invalidariam-se com uma moral idiota que ainda carrego sem culpa.
Mas vamos ao que interessa: 09 de agosto de 2011 é o meu take off. O dia em que o Brasil — teoricamente — ficará no meu passado histórico e varonil e uma nova escolha de vida se abrirá diante dos meus olhos.
Claro que parece uma loucura senil e mal pensada, não tem como não ver assim. Mas, seguindo aquelas premissas hippies de “foda-se tudo” estamos tentando curtir a vida adoidado, nunca é tarde para arriscar o futuro intangível.
E o mundo vai acabar em 2012, então não tem por que se preocupar.
Teremos muita conversa até lá, sobre o assunto. Pode ficar sossegado.
Agora em maio farei uma farewell expedition pelas terras patagônicas, envolvendo Argentina, Chile e Uruguai. Tudo de carro, com algumas neves, vinhos de exquisita cosecha, cadenas nos coches. E bem despacito, porque vamos de carro.
*Gallivanting é uma gíria. Tem tanto (e nenhum) sentido que ninguém, ao certo, sabe como usar. Fooling around, indeed.
O Besouro Verde.
15 de abril de 2011
O besouro verde veio voando e pousou no meu braço. A ação pode parecer até parecer corriqueira, mas o bezourão tinha quase 10cm de comprimento e parecia um B-29 aterrizando desgovernado. No começo até pensei em espatifar-lhe a carapaça com uma mãozada grotesca, mas vi que o bicho era simpático e não comeria meu braço.
Gostei das pantufas verdes e achatadas, das duas sombrancelhas samambaiáticas e da pose que ele fez para a foto.
Quando pensei em ligar a filmadora do celular, o bichão abriu as asas e decolou para assustar outro transeunte qualquer.
A genuína festa-de-polaco.
6 de abril de 2011

Foto de casamento, tirada em alguma cidade bem no meio do Paraná. No verso, ano de 1958. A festa era de casamento, a animação se dava por uma pequena banda composta por um gaiteiro (o sanfoneiro pra cima no Brasil), um triangulista, um violeiro e só. A mistura étnica era bem típica: polonesa, italiana, ucraniana e tracejos gaúchos. De colônias, passejos e tradições. Todos trajados com a melhor roupa da canastra. Da molecada, com certeza eram roupas que vestiram todos os irmãos antes. Apertada ou folgada demais, como sempre. Sapatos? a mesma relação hierárquica. O chapéu era feltro. Coisa que você provavelmente nunca viu e nunca verá, pois isso já é fato extinto e passado na antropologia nacionalista. Foto do acervo familiar.
O que eram os blogs.
5 de abril de 2011
Praticamente todos os blogs que foram contemporâneos deste se foram para o paraíso dos blogs. [...] Eu sinto falta deles. Tinham talento e leveza, coisas que foram ficando cada vez mais raras na blogoseira. Essa é a minha geração, uma geração que escrevia porque gostava e porque precisava [...], e que tinha o descompromisso que, na minha opinião, é o que faz um blog. Nós não precisávamos ser lembrados que blog é conversação. Nós sabíamos disso.
GALVÃO, Rafael. In: Sobre Rafael Galvão. 2011.
A magia em HD.
5 de abril de 2011
Este é um featurette qualquer da janela onde trabalho. O tema é uma minúscula aranha que pula, parecida com a que fotografei, uns posts logo abaixo. Filmada com profundidade de campo de lente f/2.8 de um celular:
HD do celular Sony Ericsson, pós produção no Vegas mesmo. Trilha sonora by “I’m Feelin’ lucky” button do YouTube. Ah, sim, ia esquecendo: é filme iraniano, por isso é sacal desse jeito.





