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A música na minha vida.

21 de janeiro de 2012

A música para mim
é apenas o vento que se balança
de maneira diferente
nos meus ouvidos.

Se hoje você me perguntar qual é o meu gosto musical, eu responderia: Nenhum. Ou todos. E falo sério quando digo que a música para mim é apenas um acessório disconexo que complementa todo o conceito hipodérmico behaviorista de que eu e ela não batemos os gênios.

A Etta James morreu dia desses e eu fiquei uns bons 5 minutos tentando lembrar quem ela era. Isso que eu tenho uns CD’s de jazz com ela no berreiro. Não consegui pescar nenhuma música dela de cabeça.

Não consigo lembrar o nome, assim repentinamente dos Beatles. Ou dos caras do Pink Floyd. Isso que eu tive a coletânea deles em CD. Sei que um ou dois Pinkfloyders morreram. E os Beatles então? Falando daqueles dois mais escondidos, o Ringo e o outro: viu, nem lembro o nome do outro. Sei que um era baterista e o outro devia ser o cara do baixo ou do Mellotron, não importa.

O que me intriga é que eu comecei a tentar achar um rumo musical. Tem gente que é fã, doentão por um artista, uma banda ou um gênero musical. Fã Clube! Quer uma coisa mais piegas que isso?

Mas vamos lá:

Blues
Desde Muddy Waters até BB King sem parar. Conheci os maiores bluzeros e seus batepés com guitarras chorosas. Encheu o saco.

Rock
Até que vai, mas a cada dia que passa menos bandas conseguem não me irritar. Hard/Metal/Glam/Death/Trash/Melódico já deu o que tinha que dar quando completei 18 anos. Mais do que isso seria idiotice. Até lembro uma vez que dei carona para um camarada e ele me entregou um CD gravado com uma desgraça melódica (acho que era Rapsody o nome). Aquilo me traumatizou. Quase ejetei o cara do carro.

Eletrônica
Fui em uma rave, quando isso não era conhecido e sabido de 99% da população brasileira. Tinha balinha e doce quando PCP, LSD e Skank eram apenas simbologia partidária, monitor de cristal líquido disléxico e banda de rock nacional. Encheu o saco de um jeito que até me surpreendi quando escutei a trilha sonora do Daft Punk para Tron 2. Dias atrás apaguei algumas centenas de preciosidades por falta de uso.

MPB
Tentei e vomitei na primeira hora de horripilaridades. Sério, você tem que ser muito idoso-tiozão para tolerar o chororô. Entra nessa faixa qualquer MPB moderninho tipo Marisa Monte, Tribalistas ou coisas pop-melindrosas (Restart e a sua catuléia hodierna).

Funcão
Cê tá de brincadeira né? Passei longe para não levar tiro ou não perder meus tênis.

RAP/HIP/HOP
Gostei, tinha um CD dos Racionais (sério, Racionais era legal) mas deu o que era para dar quando um moleque encostou uma quadrada na minha cara e confrontei a realidade com a ficção. E na verdade eu tinha vergonha de falar para os outros que eu curtia um som do Mano Brown.

Jazz
O jazz durou muito até, uns 5 anos. Mas não consigo mais acompanhar essa dislexia sonora. Os novos jazzistas estão um saco. E os velhos são muito duro-na-queda, às vezes.

Erudita (ou clássica, para você que é chucro)
Um legado que tenho em minha vida desde que nasci. Meu pai embalava a gente com isso. Acaba que nessa intolerância toda a música clássica e erudita toma o lado esquerdo dos hinos nacionais como obrigatoriedade de causa. Um dos poucos casos de sonoridades que eu escuto os primeiros barulhos e sei assoviar ou pior: o nome original da obra ou do autor.

Regionalista
Gaúcha, sertanejos e afins. Já tentei. Mas morri de desgosto com a saudade da querência, enquanto cevava um mate no pago com a dor de corno da goianada no sertão que nunca choveu e não choverá tão cedo. Chico Science era bom, mas deixou 4 discos e eu escutei tanto que também saiu gosminha.

Reggae
Bob Marley e o disco Legend foi a única virtuosidade dessa onda que consegui escutar sem pular as músicas a cada 3 segundos. Os outros são azia demais para a base ácida estomacal.

Por falar no Mellotron lá de cima, eu não consegui ter paciência para aprender música. Até conheço a métrica, mas é algo que não me atrai. Meu avô era luthier, meu tio professor de violão e meu colégio tinha aulas de canto, coral e instrumentalidades. Adivinha se fiz alguma coisa relacionada?

Eu ainda uso Winamp, para você ver o naipe da coisa.

Cantar no chuveiro é um saco. Tentar lembrar um verso, apenas UM VERSO de uma música qualquer é um martírio. Eu entro num ziriguidum terrível e sai umas mamonisses medonhas.

E o dia que eu quase derrubei a Pitty com uma malada da esteira no aeroporto de Brasília? Minha mulher explicou depois quem ela era (uma espécie de roqueira que tem letras musicais que não encaixam na melodia).

Outrossim informo que assinei o atestado do Death Tone musical. Não acho isso um ponto positivo nem que sirva para se gabar. Até tenho pena porque é uma sensação de derrota e resignação. Mas cada um pode, segundo o Darwinianismo, ter até duas ignobilidades reconhecidas.

E a música é uma das minhas.

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5 comentários para “A música na minha vida.”
  1. Marcelo Edling

    janeiro 21st, 2012 at 9:19 pm

    E quando suas musicas se resumem a musicas escoteiras… volta e meia no chuveiro eu canto Stodola Stodola Stodola Pumpi

  2. Ralph Spegel

    janeiro 21st, 2012 at 9:21 pm

    Dia desses eu estava procurando a letra do “Andar de Trem”, mas acho que era invencao do Largura, e em espanhol!

  3. Ivone

    janeiro 21st, 2012 at 9:26 pm

    Musica Erudita para ninar, lembro como hoje!
    Carinho de pai, lindo!

  4. Alemão

    janeiro 21st, 2012 at 9:41 pm

    Hehe! Clássíco é tudo o que fica muito tempo. E aí entram músicas de todos (ou quase todos) os gêneros. No clássico, mesmo, o tal erudito, tem um monte de composições que são muito difíceis de escutar e curtir. Mas as verdadeiras clássicas se tornam imortais. E essas dá para escutar muitas vezes.

  5. Celia

    janeiro 22nd, 2012 at 10:29 am

    Música pra mim é vida, por mais ridículo e clichê que isso pareça. Tem sempre uma tocando na minha cabeça e elas normalmente dão o tom dos meus dias.
    Elas ressoam no corpo inteiro e direto na alma. Sinto que posso expressar com a música o que muitas vezes nao pode ser dito em palavras.
    É essencial pra mim! ;)