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A Ópera do Malandro.

13 de janeiro de 2010

Eu sou um sujeito extremamente envolvido com o JET SET nacional e estrangeiro. Já tomei umas geladas com Toquinho e Vinícius (vede episódio narrado pelo biógrafo Becker na edição de aniversário d’”O CRUZEIRO” de 1977), já hospedei José Saramago em minha casa de campo em Bilbao, já dei carona a Pedro Juan Gutiérrez de Vladivostok a Saigon em plena Guerra das Seis Horas (Episódio Bélico de 1983 na Guerra Fria, completamente abafado pela imprensa). Enfim, sou habituado a conviver com personalidades de evidência.
Assim, estava em minha casa consertando uns mandolins quando o telefone toca:
-Alô? – pergunto
-Jorge?- uma voz amigável me reconhece
-Pois não? O que desejas? – é assim que atendo a pessoas que ligam para minha residência
-(Risos) É o Chico.
-Qual? –perguntei- o Francisco Buarque de Hollanda?- (este é o nome completo do Chico Buarque)
-(Gargalhadas) Isso mesmo. (Tosse)
-Fala, F.B.H.- – (às vezes o chamo por essa sigla)
-(Redobra a gargalhada) >-Diz aí.- falei
- Rapaz… (se recompondo) você me mata de tanto rir…
-Que você ordena?
-Jorge… escuta… – (ajustando o telefone no ouvido)- estava arrumando uma gavetas aqui em casa (ele mora no Rio, antigo Estado da Guanabara) e encontrei uma música que eu fiz para você..
-Qual? “Copo Vazio”?
-(Risos novamente) Não, não, essa não… Aquela outra com o teu nome…
-“Vai trabalhar vagabundo”? – arrisquei
-( A gaitada era sonora apesar de Chico Buarque tapar o bocal do telefone com a mão). Cara, “Jorge Maravilha”!
-Ah… lembrei. Tava todo mundo -(Nara, Tom, Paulinho, Cláudio Monte(pai da Marisa), Elis, Belchior, Caetano Veloso, Ednardo, João Bosco, Chico, Betânia e eu)- lá no Transa (bar em Copacabana), naquela tarde…
-Pois é.. 1974…
-Essa garotada aí nem era nascida ainda, hein Chico…
-Pois é… Sim, eu vou te mandar a música por mail e você publica aí no “In-Cubos”pro pessoal matar a saudade.
-Claro, Chicowski (nome que eu inventei= Chico+Bukowski) … Por você quebro qualquer galho
-Até mais Valente.
-Até mais, mano velho.
E assim, para vocês, “Homenagem ao Malandro” de Chico Buarque de Hollanda. 1974
Homenagem Ao Malandro
Chico Buarque
Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central

Eu sou um sujeito extremamente envolvido com o JET SET nacional e estrangeiro. Já tomei umas geladas com Toquinho e Vinícius (vide episódio narrado pelo biógrafo Becker na edição de aniversário d’”O CRUZEIRO” de 1977), já hospedei José Saramago em minha casa de campo em Bilbao, já dei carona a Pedro Juan Gutiérrez de Vladivostok a Saigon em plena Guerra das Seis Horas (Episódio Bélico de 1983 na Guerra Fria, completamente abafado pela imprensa).

Enfim, sou habituado a conviver com personalidades de evidência.

Assim, estava em minha casa consertando uns mandolins com ula nova técnica de aviltamento de madeiras, quando o telefone toca:

— Pois sim? — pergunto

— Érre Vê? — uma voz amigável me reconhece

— Pois não? O que desejas? — é assim que atendo a pessoas que ligam para minha residência

— (Risos) É o Chico.

— Qual?  — perguntei — o Francisco Buarque de Hollanda? — (este é o nome completo do Chico Buarque)

— (Gargalhadas) Isso mesmo. (Tosse)

— Fala, FBH. — (às vezes o chamo por essa alcunha)

— (Redobra a gargalhada) — Diz aí. — falei

— Rapaz… (recompondo-se) — você me mata de tanto rir…

— O que você ordena, capitão?

— O Valente… escuta… — (ajustando o telefone no ouvido) — estava arrumando uma gavetas aqui em casa (ele mora no Rio, antigo Estado da Guanabara) e encontrei uma música que eu fiz para você…

— Qual? “Copo Vazio”?

— (Risos novamente) Não, não, essa não… Aquela outra, malandragem…

— “Vai trabalhar vagabundo”? —  arrisquei

(A gaitada era sonora apesar de Chico Buarque tapar o bocal do telefone com a mão) — Cara, “Homenagem ao Malandro”!

— Ah… lembrei. Tava todo mundo — [Nara, Tom, Paulinho, Cláudio Monte (pai da Marisa), Elis, Belchior, Caetano Veloso, Ednardo, João Bosco, Chico, Betânia e eu] — lá no Transa (bar em Copacabana), naquela tarde…

— Pois é… 1974… Todos vocês me ajudando a musicar a peça Ópera do Malandro… que tempestade de idéias, meu amigo!

— Essa garotada aí nem era nascida ainda, hein Chico…

— Pois é… Sim, eu vou te mandar a música por e-mail e você publica aí no “Madcap” pro pessoal matar a saudade!

— Claro, Chicowski — (nome que eu inventei = Chico+Bukowski) — Por você quebro qualquer galho!

— Até mais Valente.

— Até mais, mano velho.

E assim, para vocês, “Homenagem ao Malandro” de Chico Buarque de Hollanda. 1974

Homenagem Ao Malandro

Chico Buarque

Eu fui fazer um samba em homenagem

à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.

Eu fui à Lapa e perdi a viagem,

que aquela tal malandragem não existe mais.

Agora já não é normal, o que dá de malandro

regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,

malandro candidato a malandro federal,

malandro com retrato na coluna social;

malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.

Mas o malandro para valer, não espalha,

aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.

Dizem as más línguas que ele até trabalha,

Mora lá longe chacoalha, no trem da central

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