Os Makakósmicos, Apresentação da II Mostra Zezito de Circo, em uma cama elástica, atrás do teatro Plínio Marcos:

Foto lenta, 1/10, sem suporte, tripé, à noite e longe do objecto.
Os Makakósmicos, Apresentação da II Mostra Zezito de Circo, em uma cama elástica, atrás do teatro Plínio Marcos:

Foto lenta, 1/10, sem suporte, tripé, à noite e longe do objecto.
Minha formação musical é baseada em muitas vertentes culturais: a herança clássica dos muitos LPs de sinfonias completas do meu pai; o rock clássico das fitas K7 do meu irmão; o “DracmaSound” e o pop oitentista do meu tio Mauro; as intermináveis tardes remixando meia duzia de setlists para festinhas de garagem, rotuladas à pincel atômico para as perfeitas noites-inesqueciveis-impossíveis de inverno.
Eu não sabia, mas toda vez que eu sampleava algumas músicas em fitas diversas, na discolândia de um amigo meu (que por sua vez emprestava do estoque os LPs para minhas fitas) eu exercia a famigerada quebra de direitos autorais.
É claro que nem ele nem eu, naquela cidade de interior, sabíamos que era algo fora-da-lei.
Assim eu conheci muitas músicas resquício dos anos 80. O bom e velho rock’n'roll, as batidas eletro-pop-musik herdadas dos kraftwerks, localismos como os gauchescos Cascaveletes, Engenheiros, Nenhum de nós.
E ai tinha alguns clássicos como Ritchie, e seu abajur cor de carne. Que é o camarada da foto ao lado. Autografada.
Eu lembro que bem no começo do século, quando a internet ainda era bela e os bichos ainda falavam, O Ritchie postava em um blog (quando blog também era uma coisa que não existia). Eu falei para ele que tinha uma versão da musica dele ripada de um LP que foi ripada de um k7 que foi ripada para mp3. Ele até foi gente boa em falar para não disseminar no Kazaa!
25 anos depois eu tenho, finalmente, uma versão de “Menina Veneno” dentro da lei. Edição de luxo, remasterizado, com encarte e comentários de todas as músicas. Autografado.
Fica aí, babando.
Tá, vou dar uma colher de chá: acesse ai o site do Ritchie e peça o seu online. Você recebe em casa, autografado. E aí você pode justificar aquela richie-menina_veneno.mp3 que tem lá naquela sua pasta c:\mp3\brasileiras-sortidas\ Mesmo porque não é todo artista musical que sobrevive de luz, não é mesmo?
É dela. É dela o perfume adocicado que achincalhou meus inocentes devaneios como uma música clássica, allegro non troppo, palpitando em minhas ventas.
Estávamos ambos parados, na praça central. Minha casa era a terceira, amarela das janelas brancas. A praça sempre foi minha, por direito. E por vontade pessoal, o que não exime meus achismos inúteis. Ela fitava algumas crianças a brincar. Seu olhar era vago e gostoso. Esperava alguém, suponho. E eu simplesmente observava aquela mulher. Culpa do vendo, fique claro: contrário à ela, favorável à mim, trouxe-me as frutadas notas adocicadas ao meu olfato furtivo.
Ela se aproximou, perguntou as horas. Oi, tudo bem? Respondi. Ela sorriu. Um sorriso daqueles significava um “tudo bem” todos os dias, acredite. Só podia ser. E você, como vai? Ah, se ela deixasse eu dizer a verdade, falaria a plenos pulmões o que aquele sorriso momentâneo representava para mim. Mas era apenas uma saudação casual, um pedido de horas de uma desconhecida, apesar de vir precedido de um sorriso e de uma leveza descomunal.
Disse as horas. Emendei um elogio fajuto ao extremo: disse que seu sorriso era bonito, que seu cabelo sabia dançar deliciosamente com a brisa gelada, que seus olhos eram magnificos-intrigantes. Enquanto conversávamos, um jazz leve tocava em minha cabeça. Ah, isso é um dom! Quiçá com um volume tão alto que até ela poderia ouvir. Sorriu e me agradeceu as sentimentalidades.
Ana Claudia, ela disse. Percebi que ela perdeu fôlego ao sussurrar seu nome. Um olhar cruzado quando escutei seu nome, e tudo girou em uma velocidade estonteante. Eram fatos antigos, lembranças, adolescência e descobertas. Rápido, rápido. Aquela mulher à minha frente fôra uma antiga namorada de colégio. Não pode ser!
Disse-lhe meu nome. Sua expressão também a deixou pasma. Crescemos, sumimos daquela cidade, cada um construiu um pequeno começo de futuro. Éramos apenas adolescentes. Eu amei aquela mulher no passado. Ah não, era o primeiro amor inesquecível!
Eu toquei em seu rosto. Ela acariciou a minha minguada e escanholada barba. Entendeu e me abraçou. Eu precisava dela mais do que tudo. Não, precisei, não preciso mais. Ah sentimentalidades! Confundem-me e gargalham. Aproximamo-nos, olhos nos olhos. Por um longo espaço atemporal.
Afastou-se. A música em minha cabeça parou. Disse estar casada, teve uma filha “aquela com roupinha rosa”. Despediu. Eu disse que entendia e que iria embora, era um compromisso inventado de imediato. Era a razão, como sempre.
Aquele abraço deixou resquícios de um doce perfume maravilhoso. Fez-me crescer um fino sorriso pelo rosto.
No caminho desconexo ao compromisso imaginário, entendi como a vida sabe pregar peças. Minha vida mudou naquele momento. Coisa boba, pensei. Mas logo notei que troco a roupagem dos meus sentimentos a cada encontro ou desencontro vivencial. Imagina quantos desavisados — sortudos — que se apaixonam subitamente por uma mesma pessoa, duas vezes, existem nesse mundo? Blasfemo a sorte. Sorte? Nunca existiu. Isso são pequeninos milagres vivenciais que recebemos diariamente, e que nunca percebemos ao certo, que de fato, existem.
Cantarolei a música que tocava no rádio do carro. Era o único final feliz encontrado.
Depois que inventaram os demoníacos telefones que suportam MP3, praticamente todo mundo tem uma musiquinha, efeito especial ou qualquer outra maracutaia sônica ridícula nos antros do telemóvel.
Antes mesmo da tecnologia MP3 e da tela colorida povoar a realidade telefônica nacional, eu sempre imaginava ter um telefone com alguns toques específicos. Um deles era o inicio da musica Time, do Pink Floyd. Outro, era o áudio do despertador do filme “Groundhog Day” (Feitiço do tempo, 1993) com Bill Murray.
Como eu nunca achei esse barulho, resolvi extrair o som para colocar no meu despertador diário. Resultou em um arquivo pequeno, que está escondido e compactado no ícone da flecha com fones de ouvido ao lado. Meio mega de puro saudosismo.
Publiquei este dicionário em 1999, no falecido “blog” pessoal (um site com textos esparsos) que ficava à sombra do GuiaCWB, outro finado site de cultura e entretenimento curitibano.
Republico ele aqui, apesar da resistência que, ano-a-ano o fazia mais esquecível pela mediocridade que sempre foi.
Mas gosto de alguns destes desenhos tortos e mal-feitos, desenhados com um singelo tablet 4×3.
E a gente não tem que ter vergonha do passado. Ou não.
O BIT — O bit é um bicho redondo, com membros alongados. Na teoria ele é um dígito binário, a menor unidade de informação de um computador, que pode assumir apenas um valor binário: 0 ou 1.
O bit é o cara que faz o joínha, com o dedão para cima ou para baixo. Dedão para cima é ligado, ou número 1, dedão para baixo é desligado ou 0. Isso é um BIT: Bixo Interessado em Trabalhar.
O BYTE — O Byte é uma trúpe de oito bits que sabem andar de moto. O Byte — uma das mais famosas e valentes trúpes de equilibristas — sempre se apresenta nas comemorações de 7 de setembro em Brasília, como motoqueiros da PM. O byte é responsável pela transmissão de 8 joínhas para o processador.
O KBYTE (KiloByte) — O KByte é uma romaria para o Chade, de trúpes de bits, com cerca de 8000 integrantes. Um kbyte freta 92 ônibus-lotação, e espreme 90 caras do joínha dentro, em uma viagem de mais de 9000 kilômetros e cerca de 9 dias. As suas motos vão embaixo no bagageiro. Os bits sempre reclamam que está apertado e abafado dentro das lotações, mas eles cantam e dançam músicas de acampamento para o tempo passar mais rápido.
O MEGABYTE — O megabyte é como se um milhão de trúpes de bits equilibristas fizessem um congresso no Chade, um país africano que é famoso por seus beduínos, e que tem uma população de cerca de um milhão de pessoas, o equivalente à uma trúpe por habitante. Geralmente essas trupes chegam em kbytes, as incômodas romarias de lotações apertadas.
O GIGABYTE — O Gigabyte é o mesmo congresso mundial das trúpes de equilibristas do Chade, mas depois de ter feito uma propaganda de um minuto na final do SuperBowl. São um bilhão de trúpes de bits equilibristas reunidos na Índia. A Índia tem cerca de um bilhão de habitantes, o equivalente à uma trupe de equilibristas para um habitante.
O PIXEL — O pixel é o primo do BIT, o cara do joínha, mas é daqueles primos polacos que são mais fortes, maiores e mais coloridos. Geralmente eles são os caras que falam com o público e que são mais vistos que estrelinha de Big Broder, pois sempre estão em bandos nas telas de computadores. Adoram as cores Rermelho, Gerde e Bazul (RGB).
O BANCO DE DADOS — O banco de dados é um lugar que cabem sempre 3 dados. Eles se reúnem ali para conversar sobre política, religião, futebol, mulher pelada e, é claro, sobre como trapacear em jogos de azar.
O BUFFER — O Buffer é um local temporário de armazenamento. Buffer deriva da palavra Buffet, onde os bits – equilibristas fantásticos – temporariamente param para se alimentar de dados. Sim, os bits comem aqueles figurinhas que conversam no banco sobre mulher pelada.
O BUG — O bug é um bit muito loucão, que não quis ser equilibrista como seus irmãos, e sua mãe, a dona Edinalva, o reprova. Como ato de rebeldia, ele sacaneia “os joínha” de seus irmãos e parentes, causando ruídos e problemas na comunicação da rapaziada.
O PAU — O pau é um bit das cavernas, originário do arcaico ENIAC, todo peludão, com monocelha e um bigodão gigante. Ele é psicopata e tem desvio mental. Mata à sangue frio os bits que encontra. Geralmente se esconde nas montanhas do Afeganistão ou em blogs abandonados e desatualizados. Posts novos afugentam esses neanderthais. A principal caracteristica das ações maléficas do PAU é quando aparece a tela azul no seu windows, os GPF´s ou então quando seu computador começa a travar e falhar.
O CACHE — O cache nada mais é do que o lugar onde a gente guarda os bits mais usados. Cache é uma palavra francesa que, em bom português, significa caixa. E caixa serve para guardar as coisas.
A FAT — Fat significa File Allocation Table, ou, em bom português, a pança dos bits. Os bits comem os dados, por isso chamam-os discriminadamente de fat (gordo, em inglês). Aqui, quanto mais a FAT come bits, mais importante ela é. Igual na ilha Samoa.
O GIF ANIMADO — O gif animado é composto basicamente por pixels, os primos polacos do bit. Um GIF animado não passa de um pixel polaco bêbado fiasquento, que sobe em cima da mesa para dançar macarena. Um pixel bêbado é um GIF de 1×1. Um monte de pixels bêbados em uma festa são as imagens animadas normais. Se bebem Cinzano, são GIFs vermelhos. Se bebem Martini, são GIFs amarelos. Se bebem de tudo, acabam virando aquelas imagens muito loucas que ninguém entende mesmo.
O IRC — Más línguas dizem que o IRC significa Internet Relay Chat, com suas variantes, como o mIRC. Errado! IRC não passa da onomatopéia do soluço de bêbado, que pode ser o pixel polaco bêbado (vide GIF ANIMADO), o bug (vide BUG), o PAU (vide PAU) ou raramente, um bit desiludido que tomou uma cana a mais.
O JUMPER — O jumper é erroneamente reconhecido como aquela peça minúscula preta, que serve para definir configurações de hardware. Errado! Jumper é um bit gozador que ganhou da tia Edinalva, mãe do bug (vide BUG), o pula-pula do Gugu no seu último aniversário.
O PONTO FLUTUANTE — Evalf. Esse é o nome do bit que, por pura preguiça, não quis aprender a nadar nas ondas da internet. Alguns nerds e programadores de plantão poderiam dizer que Evalf é comando para obter um decimal, mas não tem nada a ver. Evalf tem vergonha de dizer que não sabe nadar, e ainda por cima tem que agüentar gozações de seus parentes pixels polacos bêbados sobre sua bóia de cavalinho.
O WAREZ — Warez é o apelido do Waresmirton Ramirez Ramirez, um bit que adora usar produtos falsificados e de preferência duvidosa. Ele toca harpa paraguaia, tem um tenis Retook, escuta seus cd´s “hecho en paraguay” e ainda faz pose com seu Juanito Caminador Tarjeta Negra. Sacoleiro de informações, sempre tem soluções baratas e instantâneas para seus colegas. Dizem que é ele quem descaminha armas para o PAU, mas aí eu não posso confirmar a informação.
Trabalho com internet há 11 anos. Tenho formação e experiência em publicidade e marketing. E isso é tempo suficiente para te explicar o por quê de parar de insistir nesta bomba chamada “e-mail marketing”.
Vamos por postulados e teoremas, que assim é muito mais fácil compreender como funciona o mercado da internet, o usuário final, as caixas de e-mail e webmails e a diferença entre e-mail marketing e spam.
Todo e-mail não solicitado é um spam.
Caso o usuário não tenha feito um cadastro em seu site, clicado no caixote “Quero receber novidades por e-mail” e aceitado o termo de responsabilidade e sigilo de dados, toda a correspondência que você mandar para ele será considerado spam. E ponto.
Todo spam é lixo.
E é por isso que toda caixa de mensagem de qualquer webmail tem um icone chamado lixeira. Não é arquivo morto, Não é becape. É LIXO.
Atratividade.
Existe uma diferença gigantesca entre a TV de plasma com desconto de R$1599 que uma megastore virtual anuncia para seus milhares de clientes cadastrados e o seu “suco de clorofila” de procedência duvidosa. Começa pela credibilidade do primeiro item desta lista e termina pela qualidade gráfica empregada no e-mail. Megastores virtuais preocupam-se com a qualidade editorial da correspondência. E isso não é igual ao seu e-mail cheio de texto colorido e a foto de uma mulher de plástico de Photoshop que você insiste em usar.
O usuário não está nem aí para mensagens publicitárias no e-mail, por alguns motivos óbvios:
Leis e faz-me-rir.
Não adianta mandar spam para aquela lista de 8 milhões de emails seccionados por categoria (brinde +1 CD-ROM) que você comprou em algum site malandro, alegando que “não pode ser considerada spam porque tem um botão remover” no final. Se você está supondo que seu pretenso consumidor é otário, pense bem como ele verá seu produto.
Se você não quer gastar dinheiro, você não obterá sucesso algum na internet.
Alcançar o máximo de consumidores potenciais para seu produto requer planejamento de marketing e profissionalismo. Atigir 9 pessoas em 10 milhões é pouco. 0,00001% é disparado o pior retorno publicitário que uma campanha pode alcançar. Até jornalzinho de bairro ou catálogo telefônico fajuto tem mais retorno.
A internet é de graça.
Mas não gera credibilidade. Não ache que descobriu o ovo de Colombo, mesmo porque spams existem antes de você ter ouvido falar em internet pela primeira vez. Só porque você enviou milhões de e-mails não solicitados em uma única noite, não significa que não houve gastos. Um e-mail mal feito com um tamanho de 100kb disparado para um milhão de contas gera quase 100 gigabytes de tráfego instantâneo. O transtorno dessa bomba em uma rede pequena ou média é catastrófica: atrasa em quase duas horas o tempo de resposta de servidores, sobrecarrega caixas de mensagens corporativas e faz com que todo mundo tenha ódio mortal do seu anúncio de “Seminário sobre liderança para líderes”
Todos terão e-mails para sempre.
Por culpa desta esperteza toda de “empresários” que acham que vão enriquecer com e-mails não solicitados, milhares de usuários estão abandonando pregressivamente o uso do e-mail pessoal. Estão migrando para comunicadores instantâneos, redes sociais, micro-blogs, blogs. Cansaram dos spams. Usam e-mail apenas para cadastros em sites. E se você pudesse mensurar como um e-mail não solicitado é odiável, jamais arriscaria a reputação do que quer que você anuncie ali.
Não acredite em opt-in.
Ninguém consente por livre e expontânea vontade que quer receber e-mail marketing de qualquer coisa por qualquer motivo.
Não existe normas, condutas ou boa-prática com e-mail não solicitado.
Spam é spam. Não há lei que proteja e-mail marketing. Não seja otário: colocar textos como “Esse e-mail não pode ser considerado spam se houver uma forma de você ser removido” é um tiro no pé. Pelo simples fato da palavra SPAM estar no seu e-mail, a chance é alta de seu material parar na lixeira. Bayes, X-Spam-Checker, CRM114, SpamAssassin e Bogofilter que o digam.
E, mesmo assim, depois de toda essa argumentação franca e real, você ainda decidir arriscar a reputação da sua empresa/produto com spam, boa sorte. Você vai precisar.