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Pavimento asfáltico e meu carro novo

29 de janeiro de 2009

Bom, todo mundo sabe que Brasília não tem pavimentação nas vias e que as trilhas, caminhólas e carreiros de terra e cascalhête levam todos a qualquer lugar. 

A foto abaixo, por exemplo: é meu carro novo (bonitão né?) estacionado na Esplanada dos Ministérios. Você pode notar, logo atrás das rodas traseiras, um trecho conhecido como “eixo monumental” ou via N1.  Não, não é uma via asfaltada de 6 pistas, engano seu. É apenas um carreiro de terra vermelha e batida onde mal passa um carro grande.

Agora, falando sério: você já viu como é feita uma pavimentação asfáltica padrão? Não? então vou resumir aqui só para você ter uma idéia: Um povo de capacete plástico e camisa de manga curta com canetas no bolso, atrás de um óculos de aro grosso e preto, faz o levantamento geotécnico do terreno. Riscam umas folhas de papel vegetal com milhares de cálculos e linhas e mandam para o pessoal de terra. Estes fazem a fundação do subleito da via, estabilizando, drenando e alinhando toda a fundação geomórfica. Depois vem um tratorzinho amarelo e faz a subbase, que é um monte de brita amontoada com uma deliciosa cobertura de asfalto diluída — a imprimação — que praticamente gruda todas essas britas como se fosse um pé-de-moleque. Quase pronto. Tasque 4 xícaras de binder para fazer uma camada de ligante asfáltico e uma cobertura de emulsante para finalizar. Reserve por umas horas e pinte riscos e faixas.

Todo esse trabalho resulta em uma pavimentação asfáltica ideal, com aproximadamente 50cm de espessura de materiais petrólicos totais.

Agora dá uma olhadinha na buraqueira média das vias do Distrito Federal. Tirei uma foto hoje mesmo, de um desses mastigadores de pneu em uma via aleatória a caminho do trabalho:

Percebeu a diferença? Terra batida, lama asfáltica e uma espécie de blend de subbase com binder. Tudo isso com menos de 5cm de espessura.

Foi por isso que eu comprei um fora-de-estrada. Você não imagina o que é passar com um carro europeu em um buraco desses a 80km/h e escutar um barulho que mistura pneu rasgando, roda trincando, geometria entortando e o bolso esvaziando R$300.

Fora-de-estrada é a antítese do bom asfalto brasiliense.

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3 comentários para “Pavimento asfáltico e meu carro novo”
  1. Vonne.

    janeiro 29th, 2009 at 6:49 pm

    Antes de mais nada meus comprimentos pelo lindo carro, você sabe que sou apaixonada por ele.
    Qto a matéria, adorei a comparação feito com a receita de pé-de-moleque, ahahah!!! Ótima!
    Te dou razão, já presenciei coisa deste tipo aí e é coisa séria e muito feia!
    Bjos com saudades.

  2. Demas

    fevereiro 1st, 2009 at 7:07 pm

    Valentino,
    nas estradas de Goiás não é nada diferente não. Costumo percorrer de carro os 200km que separam Goiânia de Sta Helena (GO), onde moram meus pais. Olha, tem um trecho entre as cidades de Indiara e Acreúna que eu vou te contar, viu?! Buraqueira do caramba! Dá vontade de ter um off-road também.

    Bom, mas estou escrevendo também (venho sempre aqui, mas raramente deixo algum comentário) para lhe informar que o MadCap é um dos meus indicados a “Blog Maneiro”. Para saber mais, é só dar uma passadinha lá no Cine Dema(i)s.

    Abração

  3. McPhysto

    fevereiro 9th, 2009 at 11:51 am

    Sobre o post, bem… pode ter certeza que o preço faturado na obra deve ter sido correspondente à maneira correta de fabricação dessas vias… como descrito com riquesa de detalhes… e infelizmente, sai do nosso bolso…

    Sobre ademais assuntos… Sim… ainda estou vivo… e peço desculpas pelo desencontro no começo do ano… vc chegou e eu estava de saída… finalmente tirei uns 10 dias de féreas… quando estiver por aqui, dê um toque que vamos tomar uma cerva lá em casa! Promessa!

    Ah… em dezembro, encontramonos eu, o Guido, o Napa, o Baço e até mesmo o Divino! Lembramos do tempo de facurda e demos risada até de madrugada! Você foi lembrado várias vezes e pode ter certeza: FEZ MUITA FALTA!

    Um abraço, grande amigo!