MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do mês de abril de 2009

Os velhos roqueiros de sempre

30 de abril de 2009

old-heavy-metal

Cuidado quando for fazer uma tatuagem na barriga.
Quando envelhecer, essa bola amarelada vai ficar
mais para uma gigante-vermelha do que um sol estiloso.

O tatuador-filósofo tem toda a razão. A velhice é uma escaraminholada caveira que não dá trégua para ninguém. O bom e velho rock’n'roll é herança nativa dos anos 60 e 70. E muitos daqueles cabeludos de outrora ainda estão por aí.

Uns dias atrás teve uma banda geriátrica chamada Iron Maiden aqui pelas cercanias de Brasília. Outrora, lá pelos idos do final do século passado, Deep Purple deu as caras em Curitiba.

The Doors (revisited), em Brasilia. Heaven’n'Hell (mas pode chamar de Black Sabbath) se apresentará por aqui. semana que vem.

Bandas de 1960+ que ainda estão na ativa.

Olha só o David Gilmour. No próprio site do fã clube oficial, escrachado pelos fãs, que acham a sua barriguinha de véio uma coisa caquética e engraçada.

O velho Ozzy, cozido e limitado.

Gente que não consegue parar. Não percebem que a fase cabeluda ja se findou há tempos. Que ainda insiste em conquistar novos fãs com seus riffs clássicos e com a melodia inalterável.

Cabelos brancos. Muquetas que balançam como mocotó em palhetadas mais ferrenhas nas guitarras elétricas.

Não sei até que ponto vale tudo isso.

Ars longa vita brevis, my brother.

Feriado de tirar os dentes, Há!

22 de abril de 2009

Final de semana bate-e-volta para a Chapada dos Veadeiros, região inóspita, mística e cheia de cabeludo rastareaggae louco da bola.

Bom, foi a vez de estrear a Lafuma vermelhona em acampamento selvagem e visitar algumas cachoeiras mais complicadas de chegar.

Lafuma tent

Cachoeira do Macaquinho e Catarata dos Couros no itinerário. Projeto completado com sucesso. Fotos, logo abaixo. Como sempre. Dois vídeos simples, você pode acessar no meu canal do YouTube aqui e aqui.

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A ponte meio que caiu, meio que ficou… E a gente meio que voltou.
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O Vitara do Ricardo atravessando uma região inóspita da trilha.
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Chuveirinhos recém floridos.
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As duas ambulâncias, de frente para um vale gigatesco, verdulento e imponente.
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Uma flor de verdade que parece de mentira e um pulgãozinho.
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Mais uma daquelas aranhas que acreditam no seu mimetismo.
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Celia, Ricardo, Larissa, cachoeira do macaquinho zureta ao lado, em baixa velocidade.
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Uma lagarta que não tá nem aí para seu mimetismo. Deve ter razões óbvias para tal.
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Todo o orvalho de uma noite úmida no cerrado.
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No meio da subida de um dos platôs em direção à Catarata dos Couros
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Flores do cerrado caídas na areia das margens do rio.
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Uma borboleta ruiva.
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A libélula azul.
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Um pouco de desimgripante para rodas.
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Um pouco de desimgripante para rodas.
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Uma paisagem típica do cerrado.
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A bela estrada pavimentada e bem cuidada.
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Uma siriema correndo na frente do carro.
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Panorâmica da cachoeira da Caverna.
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Panorâmica da fenda da trilha.
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Panorâmica da Catarata dos Couros.
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Panorâmica da Catarata dos Couros.

Sport Utility Vehicle

15 de abril de 2009

Why they prefer SUVs in Brazil?

Coisas do caderno velho

14 de abril de 2009

Lucky yuppie hohay.Achei esse desenho em um caderno velho do tempo em que eu achava que o dinheiro me salvaria. Hoje, a idéia é bem projetada na cara-de-bunda do personagenzinho de 4cmx3cm rabiscado à nanquim 0.2.

Rockabilly9

13 de abril de 2009

Descendo*, você pode se deparar com uma pérola dessas:

Ilustracao cutout

Br-101 trecho Curitiba-Garuva. Releitura com um tablet e um Photoshop v8-302 canadense restaurado ano 71.

divisor

*Descer é um verbo intransitivo curitibano. Significa tão somente viajar ao esdrúxulo pequeno-litoral paranaense.

R.Valentino

8 de abril de 2009

Há locais difíceis de descrever. Uns porque não são em nada inspiradores, outros porque, precisamente pelo contrário, por serem especiais deveras, nos deixam a sensação de que tudo o que dissermos ou é pouco ou é excesso (e ambas as situações são igualmente negativas). Ou pior: que aquilo que aformamos é uma amálgama de clichês que já ninguém quer ouvir.

E é por isso que hoje, muito tempo depois de perceber essa conciência absorta é que conto a história dos meus locais seguros, honestos e reconfortantes.

Meu nome é R. Valentino. Admirável, eu sei. Acabei de ser entrevistado por Donald Guthwell, um dos gênios metamórficos e contemporâneos da internacional revista Économie et Affaires. Ao som de Medeski, Martin & Wood, ao vivo — é claro. Conversamos sobre economia, dólares, mulheres e as esquisitices mundanas. Exatamente como o protocolo de uma entrevista na Itália carcamana deve tomar corpo.

Ele foi embora. Aliás, a taquígrafa-secretária que ele trouxe à tira-colo engambelou meus pensamentos. Despediu-se com um “Ciao!”, a ragazza, de arrepiar a pantufa da nuca. Desapareci em segundos com um Listrac-Médoc da adega e duas taças. Sempre duas, nunca se sabe o que há por aí.

Todos se retiraram. As luzes se apagaram, as lamparinas tremeluzem como se o esforço hercúleo para iluminar o paçadisso fizesse honra por notar.

Aqui onde estou é a Sardenha. A Sardenha exclusiva e intocada, quero ressaltar. O lado virgem e inocente. O mar cor tem a cor da verde esmeralda, a inacessível vegetação mediterrânea, as rochas rosadas que roçam a areia branca em cada balangandar de ondas e os perfumes da murta e do lentisco exprimem a quintessência do exclusivo onde me hospedo. Um refúgio de relvado bem cortado, que desanda em degraus sobre a praia, limítrofe de um jardim com passadiço em madeira, um pouco arcada e empenada, que despontam como manchas imaculadas por entre o verde do pinhal e o azul do mar (que outrola chamei de esmeralda), levam-me para lugares longinquos.

A vida complexou-se muito ao meu redor. Recebi uma enxurrada luxuosa e cultural que às vezes nem noto-me mais na essência. Sei me portar à mesa e comer com mais de 28 talheres. Travo entendimento e discorro assuntos em meia dúzia de idiomas com um cretinismo vil. Degustei Lafite Rothschild´66 no Alain Ducasse au Plaza Athénée em 2001. Beijei uma atriz famosa, ano retrasado. E não foi por acidente.

Então deparo-me aqui, nesta suite gigantesca, a navegar por um pretérito perfeito.

Algumas fotos afanadas da internet, em páginas abandonadas, onde apareci fantasiado de múmia, com umas 10 ataduras de gaze. Ou quando atolamos um jipe velho no meio de uma fazenda no mais profundo e inabitado vale da nossa cidade.

Na página de um amigo que há muito tempo não converso (mas acompanho por uma rede social privada) apareço rindo. A lengenda dizia: “Velhos tempos que não voltam mais…”

Reticências…

Aliás, tenho nos meus favoritos do computador portátil uma lista interminável de velhos amigos. Acompanho-os de longe, na surdina, sem ser notado. Sei o passo de cada um, o ânimo, a vida social, pública e pessoal. Quem casou, descasou. Morreu.

Não consigo mais, e juro que tentei inúmeras vezes, voltar às velhas amizades.

Hoje vivem no passado, atualizado como um F5 refreshned, para que eu não esqueça.

Minhas amizades, hoje vinculações de caráter exclusivamente social, são ligadas por cifras, safras e comprometimentos: um preço que pago pela complexidade da evolução.

E toda noite vivo essa busca fantásmica pela internet. Às vezes procuro amigos que ainda não se conectaram. Não receberam convites para exporem as vidas na rede social. Não se cadastraram em servidores de grupos de mensagens. Não escrevem para diários virtuais. Mas busco-os diariamente, na esperança de que ingressem. Como uma sede por saber mais deles, sem que eles me vejam como um menino curioso à beira da cerca.

Descobri que a rádio lá da cidade do interior onde vivi, está na internet. Ao vivo. A programação continua a mesma. Final de noite e o clássico ‘Love Songs’ corta-me o coração com as baladinhas congeladas de 15 anos atrás.

Quer saber? Vou ligar para lá.

“Voltamos, ouvinte na linha quem fala?”

“Valentino!”

“De qual bairro, Valente?”

“Aqui da vila sardinha!”

“Qual a música e para quem?”

“Toca aí What´s Up do 4 Non Blondes, dedico para quem quiser remoer o passado!”

A bela voz esganiçada e rouca de Linda Perry ecoa por meu imaginario, fazendo-me viajar por milhas e anos até a garagem da festa da vassoura em que eu beijei uma ex-namorada qualquer.

Há locais difíceis de descrever. Uns porque não são em nada inspiradores, outros porque, no final de todas as contas e ponderações, apenas existem no imáginário. E a cada dia monto-os e desmonto-os como bem quero. Cenários, complexidades, emoções. Um mundo companheiro, fictício e viciante, em minha pequena vida solitária. Que existiu um dia e como tudo mais, jamais voltará a ser a sombra do que já foi um dia.

It is like this forever*

7 de abril de 2009

*Qualquer coisa que te enfie na rotina.  Para sempre. E de F-100 à botija de gás.

Welcome to the foreign country, pilgrim.

6 de abril de 2009

Tapão no portafolhas e resumé. Just a brand new and in english wohah! Vacanças não me faltarão.

Como um trem que badala seu serro na última chamada, a penumbra me chama com a buzina dos automóveis na avenida cinco quadras acima. É como o bilheteiro que brada “todos a bordo”, o grito eufórico aos passantes na calçada à cinco andares abaixo.

Desde então minha maior preocupação tornou-se elaborar uma nova estratégia no Xadrez. Talvez uma atualização do (Tc8 42. De6+ Re8 43. Th8!! Txc1+ 44. Rh2 e as pretas abandonam)?