Final de ano resolvi visitar gente que fazia tempo que não via. Como moro longe pra caramba da maioria das personalidades do meu passado, aproveitaria a deixa de final de ano para tal.
Fiz uma lista mental de personalidades da minha juventude: amigos da rua, pessoal do jeepclube, os maloqueiros da vila vintém, a turma do badminton, da escola de literatura e artes, do grupo educacional, a escoteirada de outrora.
A idéia era ver, após 10 anos de distância, se aquelas sementes podres vingaram para alguma coisa.
Acabou que não visitei quase ninguém. Faltou tempo, prática, vontade.
Aí recebo a notícia de um amigo meu — ontem — que uma dessas pessoas da lista (e que eu realmente ia visitar e tomar um chimas), morreu.
Que beleza né? Essa vida de procrastinador é exatamente o que me faz pensar se não sou milionário ainda por pura birra. É incrível como postergo ad infinitum coisas triviais da vida. Talvez seja uma arte. Ou a virtude de cultivar a paciência.
Ou doença.
![]()
Outra coisa que ainda não aprendi: cultivar contatos. Alio a minha maestria em postergar coisas com a falta de contato. Perco amigos, conhecidos, a patóta da igreja, os escafandristas amadores de Santarém, os pedaladores noturnos.
Deixo meio assim-assim, até o contato se tornar um fantasma do passado que insiste em morar na pasta do meu mailbox “A responder”.
Não tem santo que me faça criar coragem em replicar um email de quatro meses atrás.
![]()
Contatos são portas, pontes, mãos caridosas. Não seja sovina. Cultive-os. Um dia você verá, no auge da sua velhice, que jogar xadrez sozinho só tem graça para o Geri.

























