MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do ano de 2009

Santa (e bela) Catarina

25 de dezembro de 2009

Esse titulo de post era um slogan antigo da secretaria de turismo de Santa Catarina.  E não é puxar a sardinha para o meu lado, mas a realidade é que esse pequeno estado brasileiro tem um apelo turístico incrível. Para você ter uma idéia do que eu estou falando, veja a pequena viagem que fiz com minha mulher e minha irmã: saímos de Florianópolis, atravessamos vários quilómetros de praias desertas até chegar ao Farol de Santa Marta, um reduto neo-hippie e SurfBro de primeira qualidade.

Aliás, o Farol de Santa Marta continua com um atendimento excelente, almoços regados à frutos do mar com preços atrativos e com as praias ainda intocadas.

Do litoral nos atracamos por Gravatal, que é uma cidadezinha termal com águas quentes e hotéis honestos, parques aquáticos e uma variedade cultural incrível. Gravatal na verdade é uma cidade estratégica para subir a serra entre Grão-Pará e Urubici.

A Serra do Corvo Branco é uma estrada de 50km, não pavimentada, que liga a região litorânea até a serrana. A subida é esculpida em um paredão que varia em pouco mais de 1200m em relação ao nivel do mar em apenas 30km de percurso. Alguns trechos da subida são assustadores, porque é parede de rocha de um lado, três metros de largura na estrada e um precipício de 300m do outro lado.

Aí em cima da serra tudo muda: o clima fica ameno, a vegetação abre para araucárias centenárias e mata de altitude, a cabeça dói, você continua subindo e o GPS avisa que estamos a quase 1800m acima do nível do mar. A estrada acaba novamente, agora em uma base militar da aeronáutica chamada CINDACTA II, restrita, de frente para uma das paisagens mais impressionantes da serra geral, que é o morro da igreja.

Paramos em Urubici, em um hotel que tem calefação em todo lugar que você consegue olhar, lareiras, fogões à lenha. E não é por menos, a cidade tem o recorde oficial de cidade mais fria do Brasil, com temperatura registrada de -14°C. E fotos de neve por tudo.

A volta, segundo o meu GPS doidão, poderia ser por estrada pavimentada ou por um caminho que ele deu certeza que era viável. Uma estrada de terra de 50km, beirando escarpas, fazendas incríveis e um caminho que afinava cada vez mais.

Descemos a serra do Rio do Rastro, via Bom Jesus da Serra. Estrada clássica, concretada, com 12 curvas completas de 180°. Pra mim um dos trechos de estrada mais bonito do Brasil.

Retorno tranquilo para Florianópolis: praia do Rosa, do Ferrugem, Garopaba e Guarda do Embaú.

Clássicas.

E tudo isso em apenas dois dias.

Praia, dunas, estradas de terra, trilhas, travessia de rios, serra, escarpas, 4×4, altitude e aventura ao extremo. E meu GPS não poderia ser mais aventureiro e louco do que já é.

Abaixo algumas fotos e dois pequenos videos da subida do Corvo Branco e a descida do Rio do Rastro. A noção da magnitude dessa aventura não chega aos pés do que é ao vivo. Mas fica o aperitivo.

Gente X Mato: Pedro Martinelli

1 de dezembro de 2009

Pedro Martinelli  — um dos fotógrafos que escrevem a história do Brasil em imagens — anunciou em seu blog que está fazendo a venda direta dos seus dois livros, Gente X Mato e Mulheres da Amazônia. O preço é muito atrativo (50 lascas cada) e o frete já está incluído. Você não encontra uma oportunidade com essas características e preços em livrarias.

Resolvi comprar o Gente X Mato. Quando chegou o envelope, fiquei espantado com o tamanho do livro. Aliás, fiquei espantado com o tamanho, o papel, a encadernação, a diagramação e a impressão. O livro tem o formato de um jornal, grandão, impresso em papel Pólen 80gr, com um design muito fera.

É a sua chance de comprar um presente diferente de verdade, coringa, que agradará seu amigo que é designer, publicitário, fotógrafo, ativista, fazendeiro, desmatador, jornalista, ambientalista, tratorista, chef de cozinha ou até político. Todo mundo se identifica com alguma coisa ali.

E se você for cara-de-pau como eu, peça autografado. O Pedro manda.

Livro Gente X Mato (Pedro Martinelli)

Expedição Willys 2009

27 de novembro de 2009

“Quatro quebras por hora. Parou por mais de 10 minutos, camba e continua!” Essas eram as palavras de ordem para a terceira Expedição Willys de Brasília, um evento monomarca e exclusivo, onde apenas Jeeps, camionetas Rural e picapes F-75 — todos Willys — poderiam fazer parte do comboio.

Estavam inscritos 62 veículos, em um sábado ensolarado, precedido de uma semana e meia de chuvas, o que rendeu excelentes poças, alagados e muita lama. A Expedição saiu de Brasília, viajou por 130 quilômetros de terras e trilhas até as margens da represa Corumbá IV, em Goiás.

Meu 4×4 é japonês, mais novo, com ar condicionado, cheio de firulas automatizadas.  O contraste era visível quando embarquei como fotógrafo e zequinha, a bordo de um CJ5 ano 62, militar. O nhéco-nheco da suspensão, a lama que entrava por todas as frestas possíveis, a poeira, lata rangendo, a precariedade do limpador do pára-brisa, basculante, tudo era singular e contagiante.

A cada parada, meia dúzia de jipes aparecia com os capôs abertos: gente futricando no motor, regulando uma ou outra coisa. Sangria de freio, lixadinha no platinado, reparo no carburador, radiador furado, bomba fraca. Tudo detectado e arrumado com velocidade e praticidade impressionante.

No meio da viagem um expedicionário perdeu uma roda traseira. Quebrou a ponta de eixo, o que inutilizou o veículo. Prontamente inventaram uma amarra do pára-choque traseiro do jipe estragado no pára-choque dianteiro de outro jipe, testaram a firmeza e pronto! Com apenas três rodas seguiram viagem até o vilarejo mais próximo.

A chegada foi triunfal, em uma pousada magnífica à beira da represa. Com 12h de viagem, sujos, cansados, enlameados e empoeirados, cozidos do sol sob as capotas escuras, mas com um sorriso de satisfação por ter vencido mais uma trilha cheia de imprevisibilidades.

Para fechar com chave de ouro, piscina com vista panorâmica, causos e o merecido aconchego de uma confortável cama.

Depois desta aventura entendi porque este evento se repete pela terceira vez, e que, com toda certeza, vai se repetir por muitos outros anos: os três organizadores (Ademar, Eraldo e Otamir), são, em sua essência, jipeiros apaixonados por um hobby excêntrico e prazeiroso: proprietários de jipes velhos de guerra.

E só quem experimenta pode entender essa paixão.

MadCap agora no IPhone

25 de novembro de 2009

madcap-iphoneÉ isso mesmo: agora qualquer um pode acessar o MadCap por um aparelho playboy da Apple, sem onerar os 8 mega de imagens desnecessárias na hora de carregar o layout do blog.

O layout é esse ai ao lado. Ta feio no printscreen analógico que meu scanner fez, mas é o ferralmental disponível em mãos.

Qualquer dia vejo como o site se comporta nos outros dispositivos móveis existentes.

Ah, essa joça vale também para o YouTouchMyTralalá Ipod Touch

Orkut, Orkut meu…

24 de novembro de 2009

É, meu amigo: agora você pode compartilhar sua mulher sensual (ou ela mesmo se auto-promover) para todos no Orkut:

Book Sensual

HOMEM:  Presenteie-se com o BOOK SENSUAL de sua mulher.

Estar ali

20 de novembro de 2009

A tarde estava quente. O vento, lento e preguiçoso. Sua mente voava livre, acompanhava o suave balançar das paineiras de ilusões e alusões.

Aquele jovem solitário gostaria de estar ali com um alguém que deixasse o seu coração em paz. Viver em paz e principalmente viver aquele momento para todo o sempre, sem a volatilidade e medo de perdê-lo no dia seguinte. Só assim a efemeridade do tempo passaria mais devagar, como aquela tarde insossa.

E um alguém naquele momento poderia ser um compartilhamento pleno de silêncio. Dividir a delícia do calmo vento. E o melhor de tudo era não estar nem um pouco preocupado com assuntos sérios, palavras condizentes, decisões arrepiantes.

Um alguém que o deixasse à vontade.

Um alguém que o cuidasse.

Uma namorada, quiçá.

Nikola Litvinenko

18 de novembro de 2009

Os demiurgos deste periódico brindam seus freqüentadores com imagem rara, real e verdadeira, captada por uma anônima Rolleiflex na última fête de famille daquêle bom-anno de 41, realizado por ocasião do anúncio de enlace de Nikola Litvinenko à trupe familiar. Para fácil identificação, acompanha legenda explanatória (Nikola, todavia, é facilmente reconhecido pela famosa posição da capanga prensada ao corpo e inclinação viril de cortejador, escoltando minha tia-avó de terceiro grau).

Nikola Valentino

Nikola Litvinenko era um russo que se afirmava escondido da milícia russa bolchevista no Brasil. Na época, todos acreditavam na ingenuidade ideológica. Descobriu-se, tempos depois, que o vermelho era tio de segundo grau do famoso expião Alexander Litvinenko (que só ficou famoso porque foi pego).

Nikola era costumaz de uma longínqua e demorada viagem no meio do ano para uma cidade no sertão central, baldeada hora por cerrado, ora por caatinga, dentro de uma imensa semi-cratera, fundeada, abrigada de quaisquer interpéries, inexistente em mapa algum, onde não ocorria variação de temperatura atmosférica e completamente sem vento. Segundo um barômetro de mercúrio kastaque, até a altura da cidade era nivelada pelo mar. Um verdadeiro laboratório CNTP. A percepção da temperatura variava de acordo com o ritmo circadiano. “Essa cidade não tem nome e não existe”, replicavam os incrédulos.

“Existe, visitem-na”, devolvia Nikola. “A entradinha de terra depois de Mombaça não achei”. “Eu mesmo mostro”. Nikola levava apoucados amigos e familiares pela única bifurcação da rodovia que só ele conhecia até a entrada de uma cidade com gente pacata e afável. “Veja o asfalto, ele nunca vai rachar, sempre viverá na mesma dilatação em que foi depositado”. “Não dá pra viver num lugar que não notamos o quente ou o frio”. “E o azul do céu que sempre foi azul, você já não se acostumou? E nem por isso!”

Nikola mostrava, com uma ingenuidade cirílica, projetos e parafernálias russas engenhosas. Militarismos, triquetraques espaciais, macacos e cachorros de raça laika, tudo acomodado em pequenas caixas metálicas ou grandes contâineres aluminizados, com inscrições indecifráveis, sob cuidado dos locais, muito bem remunerados para os padrões da região.

Mas voltemos às origens: o abastado marxista adentrou na familia por razões inovidáveis até então, mas que geraram um motim existencial nos patriarcas, que o expulsaram anos mais tarde, a golpes de florete e ricochetes de Luger. Não foi por amor à nonna da foto, isso era óbvio. Acontece que minha família negociava muito com empresas teuto-batavo-cipriotas, que por sua vez repassavam congêneres para os alemães pré-segunda-guerra.

A contra-espionagem era tão somente um meio de conhecimento para reportar aos vermelhos sobre as áreas de comércio brasileiras, uma vez que eles tinham como certa a inclusão do Brasil nos moldes comunistas.

Qual foi a dele! Era da ativa da espionagem russa! Nos clichês amplamente carimbados da cinemateca espionista americana, por sinal. Chapéu, terno completo e sapato reluzente em um calor tropical o marcavam bem. Aquele capote bege, comprido, atado por um cinto de fivela quadrada carregava uma legítima pistola Tula-Tokarev 33, com projéteis afiadíssimos 7.62 milimetrados.

Não revidou os petardos na bunda por honrarias. Mas, ainda em fuga, falou mal do borscht de beterraba da nonna, o que a fez choramingar pelos cantos por anos a fio.

Desde então nunca mais foi visto. A cidade interiorana, que ele tanto falava, fôra esquecida com o tempo. Dizem as más línguas que ele virou um abastado comerciante de secos e molhados.

Comércio!?

Que afronta ao comunism way of life, red kamarade!

Eu tenho um alter-ego

18 de novembro de 2009

Meu alter ego é esbelto e elegante. Não tem residência fixa, é verdade. Faz exercícios físicos todo dia, anda, dorme até tarde e come tudo o que dá vontade. Meu alter ego não tem dinheiro, sobrevive de bicos como ghostwriter e viaja o mundo de carona.

O mundo!

Meu alter ego fala seis idiomas com uma fluência avassaladora: aprendeu um dialeto na Polinésia em apenas 8 meses.

Não tem muitas posses: uma mochila muito resistente mas velha, uma calça jeans desbotada, algumas camisetas brancas, um tênis verde musgo muito confortável e anti-derrapante e um canivete suíço original, com 27 funções, que ganhara de um finlandês em Antíqua. Tem um computador portátil que não funciona a bateria, tela monocromática e muito velho. É assim que meu alter-ego faz frila.

Tem um costume risca-de-giz que vale mil oitocentos e e oitenta e nove e noventa. Caro, muito caro. Carrega junto. E você não conseguiria imaginar as festas que meu alter ego conseguiu entrar com esse traje.

Meu alter ego não gosta de mim e fica tentando me dominar, mas eu sou mais forte que ele.

Mentira.

Eu sou fraco, muito fraco.

Meu alter ego terminou o curso superior mas procrastina a bendita colação de grau. Ele às vezes se aventura em algum palco, tem muito talento. Meu alter ego sabe desenhar e canta como ninguém. Meu alter ego — se quisesse — poderia ser bem sucedido como empresário, advogado, publicitário, médico, dono, patrão, spalla, mascate, pirata ou astronauta.

Meu alter ego daria um ótimo professor, se quisesse.

Meu alter ego poderia ficar famoso, poderia ganhar o Nobel de literatura, se quisesse.

Meu alter ego poderia viver de arte, se quisesse.

Meu alter ego ganharia leôes em Cannes e kikitos em Gramado, se quisesse.

Mas ele é louco, apaixonado, independente, desvairado, intenso, insaciável, amicíssimo, afável, bondoso, enérgico às vezes e não se preocupa com costumes cotidianos.

E prefere viver de vida.

Incrível, não?

Slowmotion hyperbole

17 de novembro de 2009

Luz do carro cortada de supetão. Carro da esquerda freia rápido, tênis no meu pára-brisa, freio eu, desesperado. Retrovisor projeta o horrível balançar de um corpo que flutua no ar. Lentamente gravado em minha memória.

Sim, um atropelamento, na pista ao meu lado. Não tenho medo, não tenho receio do que aconteceu. Do carro branco sai uma mulher. Assustada, mãos no rosto. Ainda não acredita.

Menino negro. Tamanho de 11, idade de 14. Sem os tênis. Calça rasgada, costas à mostra e camiseta na cabeça.

Ela, do carro branco? Vestida de branco, estudante de humanas. Tremendo.

Menino respira sangue. Cheiro violento de cola. Anestesiado.

Dezenas de carros páram, pessoas atônitas, imóveis novamente ao redor.

Duas baforadas, parou. Sem pulso, lanterninha do cheveiro nos olhos. Pupila dilata. Olhar de suplício. Ela assusta-se com a inércia. Ouvidos escorrem vermelho. Cheiro de sangue e cola. Voláteis.

“Chamei a ambulância” avisa o homem de terno e gravata grená.

Rosto inchado, hematomas, imóvel. Resgate rápido, ambulância e polícia. Classe quatro.

Preciso perguntar, quero a resposta que já sei.

“O que vai ser, oficial?”
“Clinicamente morto. Mas a gente não diz isso para ninguém.”
“É o hospital quem diz…”
“Afirmativo”

BO, perícia, burocracia, trânsito rapidamente se dissipa. Acabou. Eu, a moça de branco, que tremia, e a vida, encostados no carro:

“Efêmera a vida.”
“Ele morreu, não é?”
“Ainda não, vai morrer ali no PS.”
“Então morreu… Nunca vi alguém morrer.”
“Medicina?”
“Sim, segundo período.”

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Voltando e no rádio os versinhos honestos: “…sometimes you win, sometimes you lose… N’ I´ll wait for you…” A vida é efêmera e realista.

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Não era o radinho. Era eu cantando. Nem existe música com aquela letra. Fiquei com medo de ser “eu” o realista demais.

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A vida está estranha novamente. A gente encontra a luz e ela, depois, apaga-se em palavras presas. Luz que se estatela em versos e rimas. Palavras doces que perdem o brilho. E ainda fechamos os olhos. E mais a procura de luz (encontro sempre) e mais os versos a tragam. Versos de vida, lágrimas esfaceladas pela luz (ou falta dela). Luzes dispersas. Talvez uma escuridão tenra e sorrateira, que continua sempre a repetir, sem sentimentos ou rodeios: “Vem, seu lar é aqui”.

Você precisa queimar a corda

3 de novembro de 2009

Talvez este seja o melhor jogo em flash que eu já joguei. Simples, divertido e com final supreendente.

Ligue o som e curta a trilha sonora!