SETE DIAS NA ARGENTINA

quarta-feira, 4 de junho de 2008 | 1:00 pm

“Mi Buenos Aires querido,
cuando yo te vuelva a ver no habrá más pena ni olvido”
Gardel
Com a onda lowcost de passagens aéreas e a oportunidade de bons preços, viajar para o país hermano ficou muito mais fácil. O destino é — como não podia deixar de ser — o principal pacote internacional das operadoras de turismo.
A vantagem principal de um turismo mais austral neste momento é, sem dúvidas, a diferença monetária entre o peso argentino e o real brasileiro. É a mesma sensação do europeu de férias nas praias tupiniquins. Refeições completas por menos de 40$. Jantares de luxo por 100$. Corrida de taxi por 14$. Divida tudo por 2 (conta de padeiro mesmo) e você terá o valor em reais.
Alçamos vôo com apenas duas coisas pré-agendadas: vôos e hotéis. Sem operadoras, agendas ou qualquer outra coisa que pudesse tirar nossa total liberdade na escolha de atrativos e uma lista infindável de coisas a fazer.

Existem várias Buenos Aires para se conhecer. A artificial e programada de operadoras, a genuína e infiltrada no meio dos portenhos, a descolada e baladeira, a bon-vivant e a luxuosa dos recônditos elitistas. Montamos um blend de todas estas vertentes vivenciais e lançamo-nos ao mundo.
No caminho do aeroporto para o hotel, um choque cultural: nenhum radar eletrônico (pardal), prédios decadentes, poluição visual e um gostinho de não ter saído do Brasil. Ficamos em Palermo SoHo, um bairro vanguardista em plena ascenção, cheio de lojas experimentais, hotéis design e B&B, restaurantes internacionais e muita gente diferente (argentinos típicos e gringos). O nosso hotel era outra surpresa. Apenas uma portinha com o número, sem qualquer outra identificação. Lá dentro um mundo incrível e aconchegante, cheio de conforto, design e estrangeiros.
A cidade, na verdade, é fora do comum. Toda a arquitetura clássica e moderna, museus, prédios restaurados e até as casas antigas são impressionantes. Ouso dizer que no Brasil não tem uma cidade que consiga chegar perto do que Buenos Aires é em termos de urbanismo histórico. Algumas ruas são cheirosas. As folhas de plátano dão mais cara de cidade versão européia. As pessoas são bonitas, polidamente educadas, andam bem arrumadas e cheiram muito bem. A grande maioria descendentes de europeus. Talvez a culpa dessa impressão toda seja o frio, vai saber.

É a cidade ideal para dar um tempo de tudo. Fomos de Buenos Aires para Mendoza em um turbojato arcaico da Aerolineas Argentinas, com a equipe feminina de esportes de inverno da Argentina. Chegamos com uma frente polar antártica, o que nos proporcionou temperaturas abaixo de zero e sensação térmica mais baixa ainda.
Em Mendoza você faz basicamente duas coisas: toma vinho na bica e passeia para alta montanha.
Tomar vinho na bica significa passear por uma das suas 1800 bodegas Y fincas que produzem bons vinhos, conhecer os processos e, no final do passeio, degustar alguns reservas e selecionados com toda a pompa de enólogo metido a besta que você não tem. As degustações são, na grande maioria, gratuitas. E não pense que o pessoal lá regula mixaria não! Meia taça de cada varietal, com uma média de 4 cepas. Um dia de passeio pelas vinícolas equivale a 4 litros de bons e diferentes vinhos zanzando pelo seu sangue.
Passear para a alta montanha é uma coisa mais singela e agradável. Você conhece a pré-cordilheira, a cidadezinha de Uspallata, estações de esqui e um monte de pequenas surpresas no caminho: um côndor que voa solito no meio do nada, um puma que acredita em sua camuflagem, guanacos, viscachas, uma nevasca repentina.
A argentina é um país que vale visitar. Muitas vezes.

- Os taxistas são meio doidos das idéias. Priorizam buzinar à trocar de marcha. Apesar disso, as corridas são muito baratas e valem a pena. E praticamente todos os taxistas ja vieram zanzar no Brasil;
- Cuidado com o dinheiro argentino: se você receber uma nota de peso com algum canto faltando ou com cortes ou rasgos, recuse. Você não vai conseguir passá-la para frente. A dolarização do Menem ainda é eficiente, mas garanta-se sempre com uns pesos no bolso. Cartões de crédito são bem aceitos em lojas grandes. Cuidado com notas de Us$50 ou Us$100. É muito troco, e os comerciantes recusam-se a aceitar;
- Compre vinhos nas bodegas em Mendoza ou então No quiosque de vinhos do DutyFree do Ezeiza. O preço é menos da metade da mesma garrafa em adegas aqui no Brasil;
- Pontos demasiadamente turísticos (Caminito, cemitério da Recoleta, Porto Madero) tem muito caça-turistas. Perde um pouco o encanto e fica artificial demais;
- As vinícolas mendocinas também tem armadilhas caça-turistas. Prefira fincas y bodegas mais autênticas e reservadas. São, de longe, o melhor atendimento e você percebe que o responsável se esforça para mostrar tudo. As caça-turistas cobram taxas, tem pirâmides incas (!) e não valem a viagem;
- O aeroporto internacional de Buenos Aires (Ezeiza) não tem praça de alimentação. Na verdade ele é um terminal de embarque muito do fajuto. Não chegue com fome. Um refrigerante custará 10$ na única lanchonete disponivel;
- As lojas Tax-free são burocráticas e difíceis de achar;
- Argentinos não comem arroz. Quando você pede um Mignon com batata rosti, significa APENAS Mignon com batata rosti. Eles não são fãs de arroz, saladas leves ou outras iguarias;
- Aliás, se você é vegetariano, perderá 76% do cardápio regional, sempre;
- Existem shows de tango diferenciados, que variam desde o intimista e puro até as mega produções broadwayanas com um monte de firulas. Talvez um bom tango de rua (como os dançarinos da feira de San Telmo) seja o suficiente para você entrar em contato com o estilo;
- Tente aprender um pouco de espanhol. Os argentinos não entendem quase nada de português;






































































































